O PREVISÍVEL CAOS…

E não deu outra, foi a equipe “montada para ganhar todas as competições” enfrentar uma outra bem menos ranqueada, porém disposta a marcar com energia e determinação os armadores e os chutadores de fora do rubro negro, para ruir, desculpem, despencar uma artificial banca de equipe matadora dentro e fora do perímetro ofensivo, sem no entanto saber defender o seu próprio perímetro, de um ataque que primou pela insistência e asfixiante presença de um jogo interno primoroso e, acima de tudo reboteiro, através dois jogadores que já defenderam suas cores, o Nesbitt e o Vargas, que desmontaram um sistema defensivo não muito acostumado a pressões, por conta de seu compensatório poderio ofensivo, que ao encontrar uma defesa antecipativa de peso, não obteve resposta reparadora…

Se de um lado, a limitada equipe argentina se fez exaustiva e repetidamente presente no âmago da defesa rubro negra, por outro, os brasileiros abriram-se em leque( o atual modismo) por força da anteposição bem coordenada dos hermanos nas contestações à artilharia de fora (foram 9/30 de 3 e 12/31 de 2, numa convergência que se tornou sua marca registrada), para forçar as penetrações de seus armadores que, previstamente seriam bloqueados pelos altos e fortes argentinos e dois de seus altos, e também muito fortes estrangeiros, no que foi uma constante em toda a partida, quando por força de tal defensivismo cobraram 17/27 lances livres, com a indesculpável perda de 10 tentativas, pecado mortal em uma partida desse nível. A turma portenha converteu 9/14, poucas tentativas em contraste aos seus 44 pontos dentro do garrafão, enquanto o Flamengo converteu 24…

Do lado portenho (22/50 de 2 e 6/23 de 3), a clara opção pelo jogo interno se fez presente, e vencedor, pois exalava firmeza e convicção no seu poderio defensivo, única atitude estratégica capaz de equilibrar a notória eficiência tupiniquim em sua endeusada e midiática artilharia do chega e chuta. Algumas vezes até que chegaram, mas um incomum fator deu ares presenciais (que se repetirão na justa medida em que enfrentem equipes mais técnicas), os “tocos” em lançamentos de três, e alguns air balls não costumeiros…

A 16.1seg uma de 3?

Enfim, o chega e chuta foi contestado, e as penetrações também foram, assim como “não colaram” as repetidas tentativas de coerção sobre a arbitragem, partidas do técnico da seleção nacional, que deve ficar atento a um comportamento, tido como como “normal” por essas bandas, mas enormemente arriscado fora de nossas fronteiras…

No mais, fica cada vez mais consolidada a nova face do basquetebol brasileiro que ora está sendo implantada, a dos cinco abertos, o chega e chuta e, acreditem, a da prancheta que tudo sabe, que tudo define, ficando, porém no ar uma questão – Como atuaremos a nível de seleção nacional (cuja representatividade emana basicamente do NBB) sem a presença dominante e asfixiante dos gringos (já são quatro por franquia), que compraram euforicamente esse ideário coletivo de nossos “estudiosos” estrategistas? Como?…

Ganha uma das quinze vagas de estagiário na franquia última colocada da NBA, aquele que explique e defenda, coerentemente, tal realidade, o que, sinceramente, duvido, de verdade…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las  

DAQUI A POUCO…

Cinco abertos, chega e chuta, e estamos conversados…

No artigo Reféns aqui publicado recentemente, uma tabela contabilizava os últimos sessenta jogos do NBB, e o que ele representava de negativo para o nosso basquetebol de elite –

Vejamos agora o resultado dos seguintes sessenta jogos do referido NBB:

Arremessos de 2 – 1903/3652  52.1%

Arremessos de 3 – 893/2836    31.4%

Lances livres       – 1203/1684  71.4%

Erros de fund      –  1306           21.7 pj

Concluindo, para os 2 pontos, na média, converteram 31.7 e perderam 60.8 tentativas; Nos 3 pontos, 14.8 e 42.8, nos LL, 20.5 e 28.0, mais os 21.7 erros de fundamentos.

Comparemos agora com a tabela final do torneio Super 8 (7 jogos), finalizado no sábado, com a vitória do Minas TC sobre o São Paulo FC-

Arremessos de 2 – 251/482  51,5%

Arremessos de 3 – 147/432  33,3%

Lances livres       – 161/234  68,8%

Erros de fund     –  142         20,2 pj

As médias finais foram de 35,8 tentativas convertidas e 68,8 perdidas por jogo nos 2 pontos, 21,0 e 61,7 nos 3 pontos, e 23,0 e 33,3 nos Lances livres, números condizentes com os da temporada regular em seus 120 jogos realizados.

Chegamos então a triste conclusão de que, na divisão de elite do basquetebol tupiniquim, os parâmetros de 70, 60 e 90 da elite internacional, está a muitas léguas de distância da nossa realidade, que decresce ainda mais nas divisões de base, principalmente na constrangedora teimosia do chega e chuta solidamente estabelecido…

Se considerarmos serem participantes do torneio, as oito equipes de melhores números na liga, poderemos exercer um pequeno estudo sobre alguns fatores que nos aflige:

– Estamos, como desde muito estivemos, muito mal nos fundamentos básicos do jogo, e de tal forma que, fica determinada a ofensiva em leque, ou seja, os cinco jogadores abertos, fora do perímetro interno, inclusive os alas pivôs, para, de forma avassaladora partirem para a cesta em largas e velozes passadas, a fim de sobrepujar defensores falhos e equivocados, quanto a correta maneira de brecá-los pela boa e eficiente técnica defensiva. Só que, mesmo tomando a frente do defensor, fatalmente encontrará coberturas eventuais, e nesse momento, os princípios técnicos de trocas de mãos e de direção se chocam com a dura realidade de não dominá-los, perdendo o controle da bola, e até das passadas. Com muita sorte, conseguirá uma falta pessoal a favor, ou desfavoravelmente, uma contra si próprio. Muitas e muitas jogadas dessas tem acontecido dentro do errôneo princípio dos “cinco abertos”, a grande arma do atual arsenal dos estrategistas de plantão, plenamente convencidos do poderio da armada americana/argentina que floresce a cada temporada nas franquias, em contra ponto a fraqueza de nossos jogadores nesse quesito, onde se torna cada vez mais corriqueira a presença em quadra de quatro estrangeiros e um único representante nacional do “jogo que você nunca viu, o NBB”…

Espaço para embalar…
E consequente bloqueio

E os caras estão dando as cartas de verdade, tornando uma falsa realidade a glória de muitos dos estrategistas de comandar uma equipe em que o idioma pátrio seja o menos falado, mesmo balbuciando muito mal os idiomas dos caras, que não estão nem aí para taís e insignificantes detalhes, quando o que importa é botar a bola embaixo dos braços, combinarem-se com seus pares, e barbarizarem ao seu modo, vencendo ou perdendo, dentro de um nicho de mercado garantido pela pobreza colonizada daqueles que os pensam dirigir, mas se comportam e agem como meros torcedores de beira de quadra, num erro estratégico que nos cobrará, em breve, um altíssimo preço…

Por acaso, o técnico da nossa seleção poderá contar com esse exército de estrangeiros meia boca em sua maioria no tremendo esforço para a classificação a Paris 2024? Sua solidificada proposta do chega e chuta (nos três artigos anteriores disseco essa proposta, inclusive com  fartos números), agregada ao princípio (?) da abertura em leque acima citada, ambas somadas a dura realidade de nossa carência maior, a defensiva, fundamento absolutamente desprezado desde a formação de base, gerando uma realista e justa apreensão, pelo simples fato de não possuirmos o domínio das técnicas básicas nos fundamentos do jogo, fator que sobra abundantemente nas equipes europeias, americanas, e por que não, argentinas também…

Internacionalmente nos apresentaremos com jogadores nacionais, pensando atuar como se estrangeiros fossem, abrindo em leque para os 1 x 1 de praxe, chutando com ou sem contestações, correndo, saltando e trombando mais ou menos próximos a eles, porém sem os conhecimentos fundamentais da base do grande jogo, e o pior, sem o salutar conhecimento e prática do fundamento maior, a arte de defender, defender, defender, que é aquele responsável pelo desenvolvimento de todos os outros, os ofensivos em particular, praticados individualmente, e acima de tudo, coletivamente…

Pensa realmente nosso head coach que possuímos tal tecnicismo atuando taticamente, como todas as equipes que enfrentaremos atuam em seu sistema único, enriquecido pelo pleno domínio dos fundamentos, mesmo em dupla armação e três alas pivôs ágeis e rápidos, porém sem o domínio daqueles, pensa mesmo?…

Acredito e temo que sim, pois se “atuam daquela forma e vencem, por que não nós também”, por que não? Afinal, parece que temos os melhores arremessadores de três do mundo, ou não? Grande parte de nossos jogadores acreditam piamente que sim, açodados e incentivados por nossos estrategistas, dirigentes, agentes, narradores e comentaristas, verdade ou ilusão?…

Veremos mais adiante, e já os vejo tropeçando em suas próprias pernas ao se verem marcados de verdade, anuladas suas tentativas de três ao se sentirem contestados e serem obrigados a alterar suas trajetórias, perdendo eficiência, e o mais emblemático, terem seus armadores (se jogar com dois), forte anteposição, sem ajudas, pois atuam no sistema único, onde um deles faz o papel de um ala (o tal armador 2), numa composição fajuta para não fugir do tal sistema, quando deveriam atuar o mais próximos possível, propiciando entre ajudas e bloqueios realmente eficientes fora do perímetro, enquanto os três grandes se situam no interno em constante movimentação, prendendo seus marcadores junto a si, em qualquer direção que se locomovam, criando espaços e brechas indefensáveis, a não ser com faltas pessoais…

Mas que nada, pois na concepção atual desses “gênios estratégicos”, sempre existirá um corner player para matar de fora, como acontece frequentemente com nossas fraquíssimas defesas, ao dobrarem sobre os que penetram, pois não dominam as técnicas de defesa 1 x 1, prato feito para as equipes estrangeiras de elite, que a executam com maestria…

E a pergunta que não quer calar inquire: Temos esses jogadores a nível dos que enfrentaremos?  Talvez uns dois, no máximo, porém irremediavelmente atrelados ao indefectível e profundamente burro sistema único, manipulado de fora para dentro das quadras, tendo pranchetas midiáticas e analfabetas na função de mensageiras de hieróglifos ininteligiveis que só funcionam na cabeça de uma turma absolutamente crente de que dominam o grande jogo, minúsculo para a imensa maioria deles todos, aos quais tentei alertar desde sempre em um artigo de a muito publicado, porém pouco levado a serio, infelizmente…

No entanto, uma conclusão pede passagem, a de que atuando em conformidade com as equipes do alto nível que utilizam o sistema único, porém dominadoras dos fundamentos básicos do jogo, jamais teremos chances de grande sucesso, já que altamente carentes no domínio dos mesmos, que é a base exequibilizadora deste ou de qualquer sistema de jogo, por mais simples que sejam, e que são resultantes de uma séria e poderosa formação de base e contínua aprendizagem e aperfeiçoamento nos mesmos, por toda a vida de um jogador…

Enquanto não atingirmos este patamar, urge que joguemos de forma diferenciada, profundamente coletivista, em ajuda constante, com conclusões mais próximas a cesta, logo, mais precisas, condicionando os longos arremessos a condição de complementos, e não básicos de uma equipe, como hoje ousam praticar, com resultados assustadores de tão ruins e perdulários, com acentuadas perdas de tempo, esforços físico e mental…

Quanto ao sistema defensivo, é preciso investir pesado na formação de base, assunto que defendi e aconselhei num recente artigo, e que mesmo carentes individualmente, passemos a defender na Linha da Bola, onde uma flutuação lateralizada compensa bastante falhas individuais, facilitando o posicionamento nos rebotes, pois seus princípios de cobertura se fazem bem mais coerentes e lógicos do que em flutuações longitudinais a cesta…

Atuando com dois armadores, jogando próximos, ajudando e interagindo juntos, alimentando continuamente os jogadores altos em deslocamento constante dentro do perímetro, mantendo seus defensores permanentemente no ! x1, garantindo dessa forma espaços cruciais, mesmo que pequenos, no âmago defensivo, propiciando conclusões perto da cesta, mais precisas e objetivas, com possibilidades reboteiras sempre presentes e atuantes, até mesmo para dificultar contra ataques adversários, possibilitando, inclusive, ótimos passes de dentro para fora, dirigidos aos especialistas de verdade nos longos arremessos, encontrando-os relativamente livres para conseguir bons resultados, colimando um princípio renegado por muitos, de que de 2 em 2 e 1 em 1, podemos atingir grandes placares, onde os tiranbaços de fora estariam restritos, por  sua baixa produtividade, como recurso complementar, e não prioritário, como estamos vendo a cada dia que passa…

Neste Super 8, venceu a equipe do Minas TC, título que, sem dúvida, deve ser comemorado, mas, que no entanto, sacramentou o novo ideário do basquetebol nacional, praticado por todos os integrantes da Liga, conceituando claramente o caminho técnico tático a ser trilhado daqui para frente, cujos reflexos, sem a menor das dúvidas, pautarão o comportamento dos jovens que se iniciam no jogo, e o mais impactante, definirá o comportamento de nossas seleções nos embates internacionais que nos aguardam…

Daqui a pouco estaremos frente a frente com a realidade classificatória, no masculino e feminino também, quando aferiremos, por mais uma vez, a quanto andamos na busca de um processo evolutivo que se esvai década após década, motivado por uma cegueira inconcebível, já se fazendo tarde, bastante tarde, um reencontro com nossas raizes, esquecidas raizes, que nos tornaram, no século passado, a terceira força do basquetebol mundial, o grande, grandíssimo jogo que teimamos em esquecer, nesse imenso, desigual e injusto país…

Que os deuses nos ajudem.

Amém.

`Foto – Reproduções da TV. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.


ABSOLUTAMENTE NADA…

O Prof. Sergio Machado, o grande Sergio Macarrão, medalhista olímpico em Tóquio, autor e editor do blog Kick da Bola, veiculou esse artigo em 21/5/2012, quando divulgou uma troca de mensagens entre mim e o Heleno Lima, onde comentamos as contundentes derrotas de nossos jovens sub 15 para argentinos e uruguaios, num final de ciclo olímpico para Londres, e o início de outro para a Rio 2016. 

De lá para os dias de hoje, após o ciclo Toquio 2021 resta uma pergunta – O que mudou em nossa formação de base ? Resposta? NADA…

* Colando do Professor Paulo Murilo

       Ressonância Magnética do Basquete Brasileiro

       Já citei aqui no blog, mais de uma vez, o Paulo Murilo, um dos ‘craques’ que formou a geração mais vitoriosa da história do basquete do Rio de Janeiro. Foi um tempo, onde a formação era espaço para professores. Quem ensinava sabia o que estava fazendo, onde queria chegar e como. Éramos todos meninos, Paulinho um pouco mais velho, mas já era técnico. Já era um dos ‘craques’. Epaminondas, Gleck, Barone, Paulo Murilo, Geraldo Conceição, Tude Sobrinho, Afro, Olímpio, Passarinho, entre outros, cada um em seu clube, formaram a geração que em 6 anos venceu 5 brasileiros de juvenis. (Assim como hoje, São Paulo dominava, e para surpresa do Brasil, o Rio acumulou essa série de títulos.) Heleno, também foi técnico de ponta no Rio, um pouco depois desses dias. Meu colega na faculdade, e profundo conhecedor de basquete.

      Recebi uma troca de e-mails entre os dois onde se comentava a recente derrota do Brasil para a Argentina no Sul-americano Sub-15 por mais de 40 pontos. Paulo Murilo fez um “triple double”, e por ele autorizado, publico aqui. Todas as loucuras que acredito, ditas dessa forma, nem parecem ser tão loucas assim. Parabéns Paulinho, obrigado. Como te disse, me senti muito melhor quando te li.

———- Mensagem encaminhada ———-

De: heleno lima <helenolima@hotmail.com>

Data: 19 de maio de 2012 13:57

Assunto: RE: BASQUETE ARGENTINO DA UM SACODE NA SELEÇÃO BRASILEIRA SUB-15 MASCULINA

Para: clippingdobasquete02@gmail.com

       Trabalhei muito nestas categorias. A diferença de um ou dois anos é muito grande. Diferenças desaparecem com o tempo à medida que ficam mais velhos. Nós levamos uma equipe com quatro jogadores de 15 anos, sete jogadores de 14 anos e um de 13 anos.

    Podem ter certeza isto explica tudo. Se foi estratégia foi errada. Não é possível que tenhamos somente quatro jogadores de 15 anos em condições de defender nossa seleção da categoria. Tem que haver uma explicação coerente a respeito disto. Levar uma diferença dos portenhos (Uruguai e Argentina) de 64 pontos não tem cabimento. Existe algo errado nisso. Gostaria de ouvir o Prof. Paulo Murilo que entende disso mais do que eu.  

       Prof. Heleno Lima

      O Clipping do Basquete do Alcir Magalhães veiculou a matéria acima, que culmina com o pedido do técnico Heleno Lima para ouvir minha opinião a respeito. Trabalhamos juntos no vencedor projeto do Olaria AC nos anos oitenta, com praticamente todas as categorias, do infantil à primeira divisão, com muita seriedade e competência, num tempo em que a formação de base, não só no Rio, como em muitos estados brasileiros, fluía e se desenvolvia, abastecendo as divisões superiores com jogadores bem treinados nos fundamentos e nos sistemas de jogo, com ótimos técnicos e professores, até o momento em que a modalidade se viu afastada dos clubes pela falta de incentivos e investimentos, até alcançar o estado de penúria em que se encontra.

    Some-se a esta realidade, outra mais perversa ainda, a decadência do ensino do basquete nas escolas superiores de educação física, que deixaram de oferecer três semestres da modalidade, assim como em outras, como o vôlei, o handebol, o futebol, a natação, o atletismo, passando-as a um mínimo insignificante, substituído-as por disciplinas voltadas às áreas médicas, como as fisiológicas, biomecânicas, psicológicas, etc., que passaram a ocupar as grades horárias prioritariamente, numa formação voltada à saúde, como resultado das anexações das escolas aos centros de ciências da saúde, em vez dos centros de formação de professores, onde estavam historicamente situadas. A realidade é que hoje a maioria destas escolas formam paramédicos de terceira categoria, fornecendo pessoal a academias e consultórios, como força de trabalho explorada pelas holdings do culto ao corpo que se espalham velozmente por todo o país, e com uma agravante a mais, com uma formação mais voltada aos cursos de bacharelato do que os de licenciatura, numa inversão absoluta de valores voltados ao processo educacional do país, com o abandono das escolas para a educação física e os desportos.

    Claro que a formação de base se ressente profundamente dessa formação nas universidades, refletindo tal despreparo didático pedagógico nas formações de base de todas as modalidades, que não encontram na maioria dos clubes os subsídios mínimos para suprirem tão vasta deficiência de ensino.

    Por conta de tal situação, ex-jogadores e até leigos são transformados em técnicos formadores, deficientes em tudo o que se refere ao processo educacional de jovens, mas sempre prontos ao sucesso rápido que os catapultem às divisões superiores e melhores salários, situações estas que os poucos convenientemente bem formados não conseguem equiparar, não só por serem minoria, como, e principalmente, por se tornarem onerosos por suas qualificações legais. Por conta dessa distorção, a maior parte dos jovens iniciantes ficam pelo caminho, e aqueles poucos que conseguem prosseguir o fazem eivados de defeitos e limitações, basicamente no instrumental mais precioso para a prática e o domínio do grande jogo, seus fundamentos.

     Outro e incisivo fator define tal situação com grande precisão, a padronização formatada de cima para baixo no preparo daqueles poucos egressos de uma formação altamente deficiente, por parte de federações alinhadas com uma confederação mentora de um único sistema de jogo, cuja maciça divulgação se faz através de clínicas e de cursos patrocinados por uma ENTB totalmente voltada ao mesmo, onde o planejamento, a aprendizagem e fixação do sistema suplanta em muito o ensino, que deveria ser maciço, dos fundamentos,  no que deveria ser o objetivo central a ser alcançado, pois nivelaria todos os jovens jogadores, independendo de funções, estaturas e posições, no pleno conhecimento das técnicas individuais e coletivas que os tornariam aptos aos sistemas de jogo que mais adiante conheceriam e treinariam, sempre respeitando suas individualidades e amadurecimento físico e emocional, variantes que oscilam de individuo para individuo.

     Por tudo isso caro Heleno, é que sempre me insurgi contra esta situação altamente irresponsável, e muitas vezes criminosa, por parte daqueles que ousam querer implantar formatações e padronizações em crianças e adolescentes, da forma mais absurda e, torno a afirmar, irresponsável possível.

    Os 64 pontos acumulados por nuestros hermanos, refletem essa catástrofe, com a mais séria das consequências, por se tratar do futuro do grande jogo, da categoria competitiva inicial, e que não merece ser tratada de forma tão abjeta. Se mudanças têm de ser feitas, é por aí que deverão começar, pela entrega da formação a pessoas qualificadas, altamente qualificadas, as mais qualificadas que possamos recrutar, de uma comunidade que pertencemos, eu e você num passado não tão distante assim, a comunidade daqueles que real e responsavelmente conhecem, estudam, pesquisam, divulgam e ensinam o basquete como deve ser ensinado. E você, como eu, sabemos que existem esses profissionais, só que nunca lembrados, sequer consultados, por quem deveria fazê-lo.

    Heleno, frente a esta realidade, o que mais dizer?

    Amém.

Foto – Reprodução da TV. Clique duplamente na mesma para ampliá-la.

*

Postado há 21st May 2012 por Sérgio Macarrão

REFÉNS…

Em um artigo publicado em 26/11/21, Sob Nova Direção, inclui uma tabela sobre os primeiros sessenta jogos do NBB, agora reproduzida

Contrariando firmemente a grande parte da mídia dita especializada, que conota 60% para os arremessos de 2 pontos, 40% para os de 3, e 70% para os lances livres, quando para o nível internacional, 70, 60 e 90 são os números aceitos e reconhecidos, além do número de erros não ultrapassar os 12/14 por jogo, vemos que estamos muito, muito abaixo do aceitável em se tratando de confrontos internacionais de peso, e não aqueles em que os adversários não atingem um mínimo de qualidade, como Ilhas Virgens e Jamaica, para os quais ousamos perder recentemente em outra classificatória similar: 

Os números finais( 60 jogos) espelham com nitidez esse enfoque:

Arremessos de 2 –  2236/4396   50,8%

Arremessos de 3 –  1103/3318    33,2%

Lances livres       –   1447/2071   69,8%

Erros de fund      –    1628            27,1 pj

Entendendo melhor, para os 2 pontos, na média, a cada jogo dos sessenta tabulados, as equipes converteram 37,2 tentativas e perderam 73,2. Nos 3 pontos, 18,3 e 

55,3, e nos LL 24,1 e 34,5, mais os 27,1 erros de fundamentos.

Vejamos agora o resultado dos seguintes sessenta jogos do referido NBB:

Arremessos de 2 – 1903/3652  52.1%

Arremessos de 3 – 893/2836    31.4%

Lances livres       – 1203/1684  71.4%

Erros de fund      –  1306           21.7 pj

Concluindo, para os 2 pontos, na média, converteram 31.7 e perderam 60.8 tentativas; Nos 3 pontos, 14.8 e 42.8, nos LL, 20.5 e 28.0, mais os 21.7 erros de fundamentos.

A competição continua, e se contabilizarmos mais dados semelhantes, pouco fugiremos das duas tabelas acima, principalmente se as compararmos com os índices de aproveitamento de 70, 60 e 90% exigidos para as altas competições internacionais, pois afinal de contas, é de encontro a elas que deveriamos caminhar a cada ciclo olímpico…

Muito bem, até concordo que são parâmetros para lá de exigentes, mas que não perdoam os 52.1, 31.4, 71.4% e os 21.7 erros por partida. se quisermos avançar técnica e taticamente no concerto internacional, ainda mais no olímpico…

Sem a menor dúvida, tais números espelham com rigor a realidade técnico tática do grande jogo entre nós, da base a elite, num comportamento praticamente padronizado, formatado que vem sendo nas últimas três décadas, onde a imposição do modo NBA de atuar, tornou-se um rígido e inflexível dógma seguido, aplicado e desenvolvido pela esmagadora maioria dos técnicos nacionais, e que agora, finalmente, explodirá nas seleções brasileiras, associado ao “chega e chuta” de invencionice tupiniquim, num preito autofágico que nos levará ao prana supremo, ou aos confins de um inferno que nem Dante visitaria…

Produto de uma pobreza para lá de franciscana, o “chega e chuta”, prestes a alcançar o estado da arte preconizado pela nova direção da seleção nacional, cujo líder já anunciou em rede que jogará como a NBA, pois afinal de contas afirma – “ganham todas as competições da forma como atuam”, tentando cristalizar paleontologicamente um sistema que somente se sustenta na realidade em que vivem, jamais a nossa, que ainda terá de saber administrar a pobreza atávica em que vivemos, bem antes de tentar galgar àquela realidade acima do equador…

Quando tínhamos personalidade própria, jogamos de tal forma diferenciada, que nem mesmo a turma lá de cima nos vencia com facilidade, perdiam também, inclusive grandes competições, mundiais, num singelo exemplo de coragem e técnica pessoal e tática de jogar o grande jogo, e não como hoje, quando simplesmente participamos, copiamos servilmente, e olhe lá…

O nosso formidável “chega e chuta” só se torna possível ante o vazio defensivo, fundamento individual mais do que básico, e para muito além, coletivo, mas que passa despercebido na formação de base, ante a presença castradora das defesas zonais, artifício e artimanha de técnicos/agentes, mais interessados em vitórias enriquecedoras de currículos, do que a formação competente e estratégica de bons jogadores, de jogadores de verdade. E é o que se testemunha nos jogos da liga de elite, o cúmplice conluio inter pares pela fragilização defensiva, estabelecendo os duelos de midiáticas bolinhas de três, com a participação de todos, onde o último a acertar desliga a luz do ginásio, indo saborear a “grande vitória”, enaltecida e deificada por uma mídia tonitruante e absurdamente ignorante, com muito poucas exceções, do que venha a ser basquetebol;;;

Ou será que acreditam em fragilidade defensiva por parte de europeus, americanos e…hermanos? Que acreditam na força dribladora de nossos craques, que necessitam atuar o mais longe possível da cesta, por não dominarem seu instrumento de trabalho, uma volúvel, inconstante e fugaz bola, em ações diversionistas, no intuito de terem muito espaço para partir em velocidade supersônica (a turma de fisiologistas garante que sim…), sobrepondo ao raciocínio e a inteligência, e muitas vezes duelando com a bola que pretensamente julgam dominar? Poucos, muito poucos temos atuando por aqui com esse domínio, em sua esmagadora maioria, estrangeiros, pois o “porraloquismo” (desculpem, não encontrei termo melhor) não é propriedade somente nossa, e a turma de fora prova a cada jogo essa certeza…

Fugimos do perímetro interno como o diabo da cruz, mais por inabilidade pessoal e covardia diretiva, do que o puro e nada saudável desconhecimento do que venha a ser jogar dentro da cozinha do adversário, terreno sagrado e somente penetrável por aqueles que gabaritam o jogo de 2 em 2 com a precisão dos bem formados, qualificando cada ataque com perdas recuperáveis, ao contrário do arrivismo inconsequente dos magos dos 3 pontos, com uma imprecisão matemática, mecânica e estatística em tudo e por tudo superior as tentativas de curta e média distâncias.,com perdas de precioso tempo incontornáveis. Mas como todos em quadra, de um lado ou de outro, rezam pela mesma cartilha, equilibram as perdas e os ganhos, numa ciranda dantesca de assistir, num pastiche mal ajambrado do que venha a ser o grande jogo…

-”Me cheira a prorrogação, que venha uma, duas, quantas vierem melhor”, ululam narradores, rezam comentaristas, ansiando ação, emoção, mesmo que técnica e tática inexistam no calor da refrega, fatores menores ante a digitação de likes e sinos, ante abraços aos fãns e lembranças a parentes, encontros para almoços, churrascos, ou um fraterno chopp, pois basquetebol pode ficar para depois…

Nos jornais, nas transmissões, a NBA dá as cartas, como se fosse do interesse nacional as bodas do provecto Lebron, os triples do Curry, as opiniões políticas do Paul George, etc e tal, nada a ver conosco, que pagamos uma assinatura para ler e se inteirar da campanha do Bulls, que ja  despachou o único brasileiro de sua equipe, mas festeja sua camisa, que só perde em vendas aqui, para a do Lakers, assuntos de transcendental importância para o nosso escanteado basquetebol, que não merece constar em página inteira, sequer a menção de sua liga maior, a tal NBA/nbb, lamentável…

Falam e trombeteiam sobre “basquete moderno”, “novos caminhos e filosofias”, “nova direção”? Por que não novos rumos para a formação de base, aumento significativo de carga horária de disciplinas desportivas nas escolas de educação física, subtraídas que foram pelas da área biomédica, atrasando em três décadas a formação de bons professores e técnicos, hoje substituídos coercitivamente no planejamento e comando por fisiologistas fazedores de atletas saltadores, corredores e trombadores, porém profundamente carentes do pleno domínio dos fundamentos desportivos, tornando-os reféns de pranchetas que exigem deles movimentos básicos individuais e coletivos que, simplesmente desconhecem, e o pior, não encontram praticamente ninguém gabaritado para ensiná-los (afinal, fica bem mais prático e fácil a troca das “peças”…), caracterizando a verdadeira tragédia por que passa o desporto neste imenso, desigual e injusto país…

Por tudo isso cada vez mais me afasto do grande, grandíssimo jogo, sem abandoná-lo jamais, resguardando uma sutil fresta de esperança em dias melhores, onde ainda possamos exercer algo que se aprende, se apreende em toda uma vida, a de amar incondicionalmente a arte de ensinar a ensinar, que tanto nos tem faltado, de verdade. Quem sabe um dia acordemos, um dia quem sabe…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV e do O Globo. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

O QUARTO MOMENTO…

Oito anos atrás publiquei o artigo TRÊS MOMENTOS (4/8/2013), que agora, num quarto momento, o complemento, dando ao mesmo a sua verdadeira e decisiva dimensão, pois nada mais enfático e realista, do que o testemunho emanado do mesmo sobre a nossa triste e pranteada realidade sobre a extrema fragilidade de uma nova geração prejudicada e perigosamente anulada, por sua mais frágil ainda preparação nos fundamentos do grande jogo, sem os quais, sob competente e indiscutível domínio, torna todo e qualquer sistema de jogo, tradicional ou avançado, simplesmente impraticável, e o mais relevante, torna-a escrava de pranchetas midiáticas eivadas de quiméricas projeções táticas, somente presentes e teoricamente efetivas na mente de estrategistas, dissociados da maior de todas as verdades sobre a arte de praticar o grande jogo, a de que sem o domínio total de seus fundamentos nada será alcançado como concepção de equipe, e sim uma frágil e errática competição de 1 x 1, onde falhas e erros ofensivos e defensivos, desvirtuam o espírito coletivista, substituindo-o por escaramuças individuais, onde o ego, em tudo e por tudo, tenta dar um novo sentido ao mais clássico dos desportos, aquele em que o sentir, dominar e aplicar seus princípios básicos e fundamentais, torna-o imbatível em sua proposta coletivista, principalmente no mais representativo de todos os fundamentos, os arremessos, aqueles que colimam a proposta competitiva de toda equipe séria e muito bem preparada e orientada…

Publicado três anos antes da Rio 16, hoje de triste memória, relembra assuntos que teimam em se repetir neste novo ciclo olímpico para Paris 24, e com um agravante, a formatação e padronização definitiva de algo assustador denominado “basquete moderno”, onde a autofagia insana dos arremessos de três pontos alcança patamares absurdos, na tentativa de desmonte de mais de 100 anos de evolução técnico tática do grande jogo, onde a cada evolução ofensiva, sucedeu uma defensiva, e vice- versa, originando um crescimento técnico equilibrado e coerente aos princípios que sempre o nortearam, muito ao contrário do que vem agora ocorrendo entre nós, onde a fragilidade e quase ausência, diria mesmo, permissividade consensual defensiva, permite e escancara essa ininterrupta hemorragia de longos arremessos, efetuados por todos os componentes de uma equipe, inclusive pivôs, quase sempre livres, para serem exaltados como “gênios”, esquecidos de que seus pares acima do equador, em sua bilionária liga, são pescados e filtrados dentre milhares de escolas, colégios e universidades, onde os fundamentos são levados a sério de verdade, com percentuais bem acima dos 40% considerados ideais aqui em terra tupiniquim. Sugiro que façam coro aos leitores dos artigos mais lidos neste humilde blog, da série ANATOMIA DE UM ARREMESSO, para, definitivamente entenderem que, convergência entre arremessos de 2 pontos e de 3, e perdas de esforço ofensivo na ordem de mais de 60% de tentativas falhas, torna e desfigura o jogo, de uma maneira tão absurda, que qualquer seleção internacional mediana jamais perdoará tanta fraqueza quando as enfrentarmos, fato indiscutível, que nem os “detalhes” podem servir de bode expiatório para justificar tanta cegueira…

Estamos a caminho, de forma célere, para mais um fracasso, apreciando de janela a jogadores estrangeiros, em sua maioria de técnica inaproveitada nas mais de quinze ligas profissionais do mundo, deitando cátedra e independência por sobre estrategistas equivocados e mergulhados em sua pretensa qualificação profissional, que se repetem e se copiam a mais de três décadas, incapazes, por força de um corporativismo atroz e profundamente injusto, de permitir novos e arejados tempos, a não ser toscas adaptações de algo que ouviram, ou mesmo viram de soslaio, sem sequer desconfiar de onde “o galo está cantando”, deixando, ou sendo forçados a assistir as filigranas, arroubos geniais e jogadas de equipe dentro de uma, por parte da maioria deles, perfeitamente alinhados e comprometidos com o “deixa ficar, para ver como é que fica”, pois afinal, foram contratados para vencer jogos, ao preço que for, noves fora a qualidade técnico tática do jogo entre nós, que para eles, nada significa, a não ser os dólares em jogo, ou não?…

Peço aos deuses que algo de positivo possa vir a ocorrer, sem os “monstros”, “ridículos” e “fantásticos tocos e enterradas” que povoam e são incutidos em nossos jovens aspirantes a jogador, para que simplesmente voltem a praticar, amar e desenvolver o grande, grandíssimo jogo de suas vidas, o que não é pouco…

Amém

TRÊS MOMENTOS…

domingo, 4 de agosto de 2013 por Paulo MuriloSem comentários(infelizmente…)

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Num primeiro momento anexo os números das três primeiras rodadas da etapa da LDB em São José dos Campos com os das duas etapas iniciais do torneio, e o que temos?

– Arremessos de 2 pontos – 1152/2506 (45.9%)

– Arremessos de 3 pontos – 362/1269 (28.5%)

– Lances Livres             – 762/1204 (63.2%)

– Rebotes                       –  2376 (79.2 pj)

– Erros de Fundamentos – 785 (26.1 pj)

Ou seja, mantêm a turma dos 17 aos 22 anos índices de arremessos muito abaixo do desejável nessa altura de suas carreiras, assim como insistem na enxurrada de bolinhas, ocasionando uma média brutal de rebotes pelo acúmulo de desperdício nas mesmas, e com equipes apresentando convergências inacreditáveis, como no jogo São José (13/28 nos 2 pontos e 12/28 nos 3), contra o Grêmio União (12/32 e 10/31 respectivamente), numa partida que me despertou a curiosidade de tê-la assistido, exatamente para acreditar no que veria, assim como constatar in loco ser verídica a inacreditável marca de 26 erros de fundamentos em média, numa prova cabal de que a persistir tão gritante falha, não iremos a lugar algum no universo do grande jogo. Mas na etapa aqui do Rio pretendo assistir pelo menos uma rodada, para me cientificar se tais distorções realmente existem, ao vivo e à cores, ou se não passam de falhas estatísticas…

Claro que boas equipes disputam o torneio, mas infelizmente serem aquelas que contam com jogadores que disputam o NBB, numa clara menção de que o título e a vitrine midiática superam em muito o discurso de que essa competição visa dar cancha aos mais novos em sua ascendente transição, esquecendo de que tal experiência deveria ser ofertada para todos aqueles jogadores que pretendem e sonham ingressar na liga maior, e não para aqueles que lá já se encontram, treinando e jogando com os melhores e mais experientes, garantindo títulos midiáticos e indevidos numa liga de desenvolvimento.

Por outro lado, lamentamos a presença de equipes completamente despreparadas, mal formadas e treinadas, num flagrante desperdício de verbas públicas que alimentam suas participações, e que deveriam ser direcionadas ao desenvolvimento regional, de onde sairiam aquelas vencedoras, para aí sim, num encontro nacional medirem forças por um acréscimo qualitativo, objetivando seu desenvolvimento real, e não feérico como está ocorrendo.

Num segundo momento, consigo sintonizar a transmissão de um jogo via internet da seleção brasileira no sul americano adulto feminino, jogando contra a equipe venezuelana, onde consegue a façanha de perder o primeiro tempo de um jogo assustador pela fragilidade nos fundamentos, todos eles, frente a uma equipe de uma fraqueza absurda, o que me fez desistir do restante da partida, pois em se tratando de uma seleção principal, renovada e com vistas para 2016, deixou-me assustado e absolutamente convicto de que muito poucas chances teremos naquela magna competição, em nossa casa, pela precária e inadmissível situação técnico tática em que se encontra, noves fora os ausentes fundamentos do jogo. Realmente lamentável.

O terceiro momento me foi dado pela estréia da seleção masculina no torneio quadrangular em Salta na Argentina, onde uma equipe bem renovada expôs o quanto de penoso caminho ainda terá de trilhar para alcançar um patamar qualificativo a maiores vôos, principalmente na urgente substituição de alguns super veteranos, que simplesmente não mais alcançam as exigentes valências necessárias ao embate internacional, tanto física como tecnicamente.

No entanto, novos e promissores valores ascendem a equipe, que claramente vai incorporando a dupla armação, às vezes tripla, pelos bons e jovens valores que se apresentam nesses novos tempos, e que se bem orientados, principalmente na interação com os também jovens e promissores alas pivôs, de uma geração que fatalmente sepultará uma tendência aos “cincões”, gerada por uma plêiade de técnicos, analistas, agentes e dirigentes, estreitamente comprometida com o sistema único, ou por desconhecimento real com o conceito NBA, que nos levaram ladeira abaixo no contexto internacional, poderemos evoluir de encontro a novas formas de jogar o grande jogo, com ritmo e cadência pensante na armação de situações táticas, e muita velocidade na conclusão das mesmas, atitude somente possível através jogadores ágeis, flexíveis, rápidos e argutos leitores de jogo, que é uma qualidade adquirida pelo intenso e duro trabalho, capacitando a todos, de que posição forem, inclusive, na real possibilidade de enfrentamento a equipes pesadas, atlética e artificialmente super dimensionadas.

E nesse ponto cabe um esclarecimento, sério e preocupado, dirigido àqueles responsáveis pelo aprimoramento físico, técnico e tático desses futurosos jovens, basicamente aqueles que se destacam na firmeza e precisão nos arremessos médios e longos, focando no aspecto da sintonia fina na execução dos fundamentos, dos arremessos em particular, que será prejudicada, e muitas vezes anulada, quando frente a um preparo físico inadequado e dirigido a aquisição de massa muscular, na maioria das vezes de fundo puramente estético e antinatural. É um crime confundir força com inchaço puro e simples, ocasionando travamentos e perda de sensibilidade dos finos e apurados gestuais técnicos, assim como comprometendo articulações e tendões despropositada e irresponsavelmente.

Fato é que o técnico Magnano se encontra à frente de uma concepção de jogo que nunca foi de sua predileção, mas frente à realidade que se apresenta tende a uma mudança conceitual, que poderá desencadear uma verdadeira revolução em nossa maneira de ver, sentir e jogar o grande jogo, ao ultrapassar a fronteira da dupla armação e os alas pivôs, interagindo entre si dentro do perímetro interno, zona conflagrada das grandes defesas de grandes equipes, que vêem naquele setor o solo sagrado a ser defendido ao preço que for, e que poderão ser derrotadas se falharem e caírem ali mesmo, na ante sala de suas cestas.

Mas para tanto, precisamos aprender e dominar a arte de jogar “lá dentro”, arte esta somente possível priorizando a velocidade, a flexibilidade, a ousadia de fazê-lo, assim como canalizando essa novel energia exercendo uma outra arte, a de defender, com as mesmas valências, velocidade, flexibilidade, ousadia, acrescentando mais uma e fundamental, a percepção antecipativa.

Enfim, acredito firmemente que ousaremos mais, evoluindo a partir daí para um novo tempo, uma nova concepção de jogar.

Assim espero, e humildemente sugiro ao competente Magnano que ouse sempre, pois esses jovens merecem ser proprietários de uma nova forma de jogar o grande jogo, e que poderá inspirar outros jovens como eles, e por que não, os técnicos também…

Amém

Fotos – Divulgação FIBA, LNB e reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las.

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O PAVOROSO TAPETE…

Brasil  77 x  53  Chile

        69% 22/32    2    15/38 39%

        25%   9/36    3      5/22  23%

        46%   6/13   LL     8/16  50%

                     53    R       31

                     15    E       11

            Brasil  81 x  55  Chile

         60% 18/30   2   15/35 42,8%

         41,3%12/29 3     4/22 18,1%

         60%     9/15 LL  13/16 81,2%

                      41    R     26

                        9    E     13

 Tabulando o Brasil nas duas partidas, obtemos:

          Arremessos de 2  – 40/62   64,5%

          Arremessos de 3  – 21/65   32,3%

          Lances Livres       – 15/28   53,5%

          Erros de fund.      –  24        12pj

Que convenhamos, são números muito fracos para uma seleção brasileira adulta, com jogadores atuando regularmente aqui e no exterior, finalizando a cesta mediocremente no fundamento definidor dos jogos, contra uma equipe fraca defensivamente no perímetro externo, e razoável no interno, sendo um fator a ser seriamente encarado para as próximas competições, assim como, uma repaginação completa em nossa forma de jogar, e para tanto, sugiro fortemente o robustecimento do jogo interno, ampliando o recebimento dos passes em movimento por parte dos bons e promissores alas pivôs, cruzando-se continuamente, obrigando o constante deslocamento dos defensores mais altos, originando espaços, que mesmo pequenos, se criarão na cozinha dos adversários, sendo constantemente abastecidos pelos dois armadores com passes incisivos, e não os de contorno, com figurações em oito que além de inócuas, consomem segundos preciosos em cada ataque, e evitando ao máximo a ida dos pivôs para fora do perímetro visando bloqueios, que podem perfeitamente ser exercidos pelos dois armadores, se forem os mais altos em quadra naqueles momentos, mantendo a trinca gigante, veloz e flexível no cerne defensivo, garantindo rebotes e segundas tentativas, provocando as faltas dos defensores pela ativa movimentação interna, para de 2 em 2 e 1 em 1, através arremessos curtos e médios, mais seguros e eficientes, estabelecer pacientemente o comando do placar, deixando os longos arremessos como uma opção pontual, e não principal da equipe, por força da indiscutível imprecisão dos mesmos, como atestam os números acima tabulados, e que aumentarão na proporção direta ao enfrentamento contestatório quando duelarem com equipes europeias, americanas e nuestros hermanos…

Uma equipe agindo dessa forma, otimiza cada ataque pelo aumento percentual de seus arremessos, confrontando as enormes perdas de esforço físico e mental pelas bem maiores falhas através o exagero nos longos arremessos, com seus baixos percentuais, se comparados com os de curta e média distâncias, é isso é inquestionável…

Porém, como venho divulgando e discutindo década após década, dentro e fora das quadras, uma seleção bem espelha o basquetebol que é jogado em seus campeonatos e ligas, e quando o mesmo é adepto fervoroso do sistema único, da formação de base ao adulto, com todos os envolvidos em seu desenvolvimento cumprindo a mesma cartilha, muito pouco pode-se esperar de modificação comportamental e técnico tática em suas seleções, a não ser uma ou outra inovação, que rapidamente é engolfada pelo tsunami da mesmice institucionalizada e do corporativismo arraigado e vigente no âmago do grande jogo, até que um dia, quem sabe, um bendito e almejado dia, saiamos desse pavoroso limbo, agora, mais do que antes, transfigurado e envolto num uniforme absurdo, como um tapete de mau gosto envolvendo os jogadores, cada vez mais distantes do nosso histórico, vencedor e heróico uniforme listrado, que um dia vestiu os mais importantes e brilhantes jogadores deste imenso, desigual e injusto país, e isso é inquestionável, também…

Amém

`Fotos – Divulgação Fiba Americas e CBB. Clique nas mesmas para ampliá-las.

CONSEGUIREMOS EVOLUIR?…

Brasil  77 x  53  Chile

        69% 22/32    2    15/38 39%

        25%   9/36    3      5/22  23%

        46%   6/13   LL     8/16  50%

                     53    R       31

                     15    E       11

Voltem ao artigo anterior, e comparem a última tabela lá publicada com a que inicia esse artigo, comprovando o estado terminal em que se encontra o grande jogo nesse imenso, desigual e injusto país, onde mandarinatos se estabelecem à margem do bom senso e do mérito desportivo, vide a condenação do expoente máximo do olimpismo tupiniquim, medalhado com 30 anos de prisão, pagando sozinho um crime cometido por muitos e muitos outros além dele mesmo, que quem sabe um dia pagarão…

O jogo repetiu o que dele se esperava frente ao propalado “basquete moderno”, ou seja, velocidade descerebrada, alimentada por um poderio desigual nos rebotes, muitos passes de contorno, bateção exagerada de bola, e a cereja do bolo, a chutação desenfreada, culminando na já tradicional convergência negativa de 36 arremessos de 3 ante os 32 de 2 pontos, sendo estes os responsáveis pelo placar a favor com seus 22 acertos. Nos 3, contrariando a incensada qualidade dos mesmos, foram somente 9/36 os convertidos com um fraquíssimo 25% de eficiência…

Com o desigual poderio de alas pivôs no miolo da defesa andina, perdeu-se a oportunidade (mais uma, meus deuses) de prepará-los em condições de jogo visando os duríssimos confrontos que enfrentaremos no desenvolvimento desta seletiva ao Mundial, em benefício da turma de fora, sempre pronta para as bolinhas, e inclusive induzindo a turma de dentro nas tentativas de fora, numa perda de eficiência nas segundas bolas que raia ao absurdo…

No entanto, analistas e comentaristas insistem em conceituar o  basquete moderno, aquele praticado na NBA, aquele que o mundo aceita praticar, aquele que tem em suas formações de base o segredo de seu poderio. E nós, como ficamos perante nossas limitações econômicas, sociais, educacionais, e principalmente técnicas e táticas, como?…

Num email agora recebido, o assíduo leitor e colaborador Fábio assim se expressou -(…) A impressão que me deixou é de um time “äfrouxado” em relação ao que vinha com o Petrovic. O Brasil se impôs pelos pivôs mesmo sem nunca os priorizar no sistema de jogo.

Era assim na geração anterior e continua sendo; o que de melhor produzimos são alas-pivôs, porém os despersonalizamos, desconfiguramos e, caso insistam em jogar dentro, são ignorados. É triste ver o Cipollini se aposentar, o Jaú ser subutilizado, o Dú Sommer abrindo pra chutar de 3, o menino Paulo Scheuer do Pato idem…Mas é a sobrevivência deles no basquete que está em jogo.

Priorizamos o perímetro sem sequer formar bons armadores. Yago e Georginho são ótimos jogadores, mas não sabem controlar o ritmo de um jogo e muito menos se destacam pelos passes.

Tanto que o Brasil virou e se mostrou levemente mais desenvolto com o Elinho na armação, um armador-passador que, servindo os pivôs, fez o time sair da saia justa que os dois anteriores citados não conseguiram fazer durante todo o primeiro quarto.(…)

Creio que não analisaria melhor, muito bom Fábio.

Torçamos para que amanhã melhore um pouco, pois precisamos  evoluir significativamente, o oposto do que aí está, simples assim, claro, se competência e preparo realmente existir, algo não tão simples, porém possível e desejável. Conseguiremos? Logo saberemos…

Amém.

SOB NOVA DIREÇÃO…

Dentro de umas poucas horas a seleção masculina adulta , agora sob nova direção, estreia nas classificatórias para o mundial, jogando contra a fraca equipe do Chile em Buenos Aires…

Como desde sempre faço, procuro projetar nas seleções nacionais, as resultantes do que fazemos e produzimos em nossa formação de base, nos campeonatos regionais, nas competições da CBB, e na liga maior, o NBB. Nessa seleção, dez jogadores atuam no NBB, e três no exterior, fator determinante no comportamento técnico tático de uma equipe com escasso tempo de treinamento, logo, predisposta ao comportamento usual que professam em terra tupiniquim, fator que, sinceramente, preocupa profundamente…

Como exercício persecutório, compilei alguns dados nas sessenta partidas iniciais do NBB, somente não contabilizando as duas restantes, pois os situei em seis módulos de dez, com mais um contendo os números finais, a saber:

-Módulo 1 com dez jogos-

Arremessos de 2 – 384/736   52,1%

Arremessos de 3 –  171/523  30,6%

Lances livres       –   223/343  65,0%

Erros de fund,     –    298         29,8 pj

-Módulo 2 com dez jogos-

Arremessos de 2 –  348/733  47,4%

Arremessos de 3 –  188/552  34,0%

Lances livres       –   254/352  72,1%

Erros de fund      –    274         27,4 pj

-Módulo 3 com dez jogos-

Arremessos de 2 –  393/737   53,3%

Arremessos de 3 –  196/570   34,3%

Lances livres       –   250/373   67,0%

Erros de fund      –    274          27,4 pj

-Módulo 4 com dez jogos-

Arremessos de 2 –  240/686   49,5%

Arremessos de 3 –  172/584   29,4%

Lances livres       –   234/321   72,8%

Erros de fund       –   289         28,9 pj

-Módulo 5 do dez jogos-

Arremessos de 2 –  394/740   53,2%

Arremessos de 3 –  197/547   36,0%

Lances livres       –   251/351   71,5%

Erros de fund      –    247          24.7 pj

-Módulo 6 com dez jogos-

Arremessos de 2  –  377/764   49,3%

Arremessos de 3  –  179/542   33.0%

Lances livres        –   235/331   70.9%

Erros de fund       –    246          24,6 pj

Contrariando firmemente a grande parte da mídia dita especializada, que conota 60% para os arremessos de 2 pontos, 40% para os de 3, e 70% para os lances livres, quando para o nível internacional, 70, 60 e 90 são os números aceitos e reconhecidos, além do número de erros não ultrapassar os 12/14 por jogo, vemos que estamos muito, muito abaixo do aceitável em se tratando de confrontos internacionais de peso, e não aqueles em que os adversários não atingem um mínimo de qualidade, como Ilhas Virgens e Jamaica, para os quais ousamos perder recentemente em outra classificatória similar…

Os números finais( 60 jogos) espelham com nitidez esse enfoque:

Arremessos de 2 –  2236/4396   50,8%

Arremessos de 3 –  1103/3318    33,2%

Lances livres       –   1447/2071   69,8%

Erros de fund      –    1628            27,1 pj

Entendendo melhor, para os 2 pontos, na média, a cada jogo dos sessenta tabulados, as equipes convertiam 37,2 tentativas e perdiam 73,2. Nos 3 pontos, 18,3 e 

55,3, e nos LL 24,1 e 34,5, mais os 27,1 erros de fundamentos. São números pavorosos, mas que conotam um comportamento técnico tático estabelecido rigidamente nas últimas três décadas, da formação de base ao adulto, culminando com o conceito revolucionário do “chega e chuta”, pois fica bem nítida a ausência de qualquer ímpeto contestatório defensivo sobre as bolas de 3, daí a enxurrada das mesmas a cada confronto, subvertendo o jogo, transformando-o num duelo insano de arremessos mais insanos ainda, e o mais constrangedor, contando com a cumplicidade de técnicos, dirigentes, agentes, jornalistas e jogadores também, todos unidos pelo novo, novíssimo tempo que se aproxima…

Claro que logo mais nos fartaremos de bolinhas, pela inexistência defensiva chilena, talvez uma ou outra jogada interior para constar e não pegar mal de todo, num resultado avassalador, avalizando um novo tempo, um novo e moderno basquetebol, quem sabe atuando em dupla armação, e lançando três homens altos e habilidosos no cerne do perímetro interior, numa descoberta ímpar no grande jogo tupiniquim, aquela que ninguém(?) ousou estabelecer até os dias de hoje…

Se os campeonatos nacionais de todas as categorias refletem os comportamentos de suas seleções no concerto internacional, a nossa não poderá se comportar diferentemente, ou não?…

Temos de mudar, radicalmente, basicamente, estrategicamente, pois somente dessa maneira poderemos emergir do abissal fosso em que nos encontramos, e para tal temos de modificar para muito, muitíssimo melhor os números que acima postei, a forma como ensinamos e preparamos nossos jovens, o comportamento e preparo de nossos professores e técnicos, inclusive no aspecto ético, dentro e fora das quadras, assim como um melhor preparo de uma mídia pretensiosa, pouco conhecedora do grande jogo, e enormemente voltada e comprometida ao basquetebol jogado acima do hemisfério norte, numa realidade diametralmente oposta a nossa, em todo e qualquer valor que tentemos comparar em estrutura, organização e poder econômico…

Enfim, vamos ao jogo, que aqui para mim, pouco representa em termos de mudança, ficando no aguardo de um adversário competente, que ao menos exerça o mais importante dos fundamentos, a defesa, que é algo que decididamente esnobamos, para a glória e o gáudio das bolinhas de três, noves fora os tocos e enterradas estratosféricas e “ridículas”…

Amém.

Fotos – Divulgação CBB e reprodução da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las.

PARA ONDE ESTAMOS INDO, E COMO?…

Houve um tempo em que falar de dupla armação soava como uma aberração técnica, como algo inverossímil, ilusório, enganador. Tornei-a verossímil, real, competitiva, e vencedora no Saldanha no NBB2, premiando os mais de 40 anos que a empreguei em todas as equipes que preparei da base ao adulto, no masculino e feminino, e com um insuspeitado acréscimo, três pivôs móveis deslocando-se aleatoriamente pela zona restritiva, em permanente movimentação, acionados pelos dois armadores também em continuas ações fora da mesma, criando pequenos espaços, porém letais pela proximidade da cesta, onde o percentual de acertos sobe exponencialmente, otimizando ofensivas com menos desgaste físico e alta produtividade, em contraponto a sucessão de erros nos longos arremessos, e em penetrações pouco eficientes pela carência nos fundamentos, para de 2 em 2 e 1 em 1 vencer jogos onde devem ser vencidos, pela precisão e inteligência, bem ao contrário do cada vez mais contestado chega e chuta, descerebrado e na maioria das vezes, irresponsável, equivocado pelo brutal glamour midiático de como é reverenciado…

De uma só tacada consegui desenvolver um sistema adequado e eficiente, tanto contra defesas individuais, como as zonais, ajustando somente o ritmo e a velocidade para cada uma delas, sem pedidos de tempo e interferências extra quadra, tão ao gosto dos estrategistas de plantão, absolutamente prontos para incutir suas jogadas de prancheta a qualquer pretexto em que as partidas forem interrompidas, pois necessitam provar eficiência profissional, vastos conhecimentos táticos, retirando e obliterando as oportunidades criativas e ações improvisadas por jogadores se bem ensinados, treinados e preparados com bases sólidas, advindas do competente e basilar treino, para o bem compreender, entender e ler o jogo em sua complexidade e beleza coletiva, onde a criatividade e o improviso consciente atinge seu mais alto patamar, e o mais importante e impactante, criando situações difíceis de serem entendidas e controladas por adversários formatados e padronizados pelo sistema único, o tal made NBA, onde ainda conseguem vencer pelo domínio absoluto dos fundamentos, nosso permanente e até o presente incontornável, tendão de Aquiles…  

Também e paralelamente desenvolvi um sistema defensivo individual baseado na Linha da Bola, com as flutuações lateralizadas, jamais verticalizadas, como são utilizadas pelas equipes brasileiras quando defendem individualmente, e onde as trocas são automáticas, tanto dentro, como fora do perímetro (vejam este jogo lapidar)…

Mas, toda essa estratégia foi desenvolvida tendo como base estrutural o extenso, demorado, detalhado ensino, treinamento e entendimento conceitual da essência do grande jogo, seus fundamentos básicos, sem os quais nada do que criamos, planejamos, pesquisamos e trabalhamos arduamente, exequibilizariam os sistemas propostos, com um grau plenamente aceitável de eficiência…

 Nas divisões de base, dirigindo equipes da Escola Carioca de Basquetebol, Flamengo, Fluminense, Vasco da Gama, Vila Izabel, Olaria, numa época dourada e recheada de grandes clubes e excelentes técnicos, sempre tive muitos deles, inclusive de seleções estaduais e nacionais, nas arquibancadas aos sábados à tarde, nos jogos do Infanto e Juvenís, para testemunharem novas formas de jogar o grande jogo, aceitando-as, ou não, mas sempre debatendo comigo detalhes e concepções das mesmas, numa sadia troca de opiniões e sugestões, pois era sabido de longa data que mesmice e repetição sistemática, jamais faziam parte do meu singular modo de ver, sentir e projetar formas diferenciadas de jogar, dando aos adversários a certeza de que para vencer teriam de se adaptar a uma inusitada, nova e ousada forma de conceber o grande jogo…

Foram muitos anos, décadas de muito trabalho, paralelo ao magistério, do primário à universidade, todos concursados, ministrando cursos aqui e no exterior, palestras, congressos, textos, artigos, encontros técnicos por este imenso, desigual e injusto país, doutorado no exterior com pesquisa experimental em basquetebol, lida lá fora, esnobada aqui em terra tupiniquim, mas cujas definições e conclusões, publicadas neste humilde blog nestes teimosos e desgastantes dezesseis anos, batem recordes de menções e procura, assim como os mais de 1600 artigos técnicos, táticos, didáticos, pedagógicos, administrativos, e de política desportiva, lidos e pesquisados a não mais poder, porém na maioria das vezes negados pelos que os acessam…

No entanto, da minha geração vencedora, fui o único que jamais foi agraciado na condução de uma seleção nacional, mesmo as de base, pelo simples motivo de jamais aceitar me submeter  a interesses confederativos e corporativos de qualquer espécie, mantendo minha sagrada independência e responsabilidade ética e pessoal. Claro que o QI jamais me seria sequer mencionado, pois vem revestido de trocas e escambos, onde as diversas partes se locupletam e prosperam, algo que combato e me enoja…

Então, minha gente basqueteira de verdade (dispenso agregados de última hora), quem de dentro deste coloidal mundinho da bola laranja saberia responder, ou mesmo tentar explicar “ os porquês” de após o excelente trabalho no Saldanha da Gama no NBB2, inovador, diferenciado e de qualidade inquestionável, a ponto de até hoje, onze anos depois daquela competição, continuar sendo copiado ( e mal, via vídeos aqui postados) em suas linhas mestras, sem qualquer menção de autor (somente o Renatinho o mencionou algumas vezes em seus comentários televisivos), e com um punhado de pseudos técnicos a frente de franquias que não são baratas, se repetindo, copiando-se uns aos outros, freneticamente, trocando jogadores (“peças” para eles) para continuarem a se repetir, bramindo pranchetas midiáticas, que de mágicas nada são ou representam, a não ser como vitrine de uma sapiência técnico tática que somente alguns poucos possuem na liga? Alguém saberia a resposta?

Eu as tenho, são tristes e constrangedoras, e acima de tudo, covardes…

Pois muito bem pessoal, creio que posso também exercer o contraditório neste imenso tsunami que vem cercando a nova direção da seleção masculina brasileira, porém com um pequeno preâmbulo, o fato, também inconteste, de que muito que defendo e pus em prática por mais de 50 anos, já conta com novos autores, que vêm utilizando a dupla, e até tripla armação (tapeação bem urdida de trocar inábeis alas por armadores cada vez mais altos), agora rotulados de armadores 2, 3, a fim de qualificar tecnicamente o jogo com melhores fundamentos, mas sem, em hipótese alguma, deixar de utilizar o sistema único made NBA, que agora se insinua como método de preparo de jovens em clubes e escolas nacionais, ousando inclusive, preparar professores e técnicos com seus métodos, avalizados por Cref´ s prontos pra provisionar a todos, numa afronta direta aos cursos superiores de educação física, únicos autorizados por lei federal a licenciar e qualificar professores e técnicos no país, ações estas que sequer encontram guarida no grande país do norte, que tem em suas escolas primárias, secundárias. colégios e universidades, a célula mater de seu poderio desportivo, realidade bem distante da nossa. Pergunta-se então, onde se encontra a ENTB/CBB para suplementar um pouco tanta defasagem, onde? Aliás, seu primeiro coordenador agora é o responsável técnico das seleções nacionais, numa evolução que me dá arrepios, só de pensar nas eternas pesquisas científicas que continuarão a assombrar nosso infeliz basquetebol…

Então, vamos aos fatos – Temos um novo comandante, jovem e profundo conhecedor do grande jogo, discreto, porém ousado e inovador, avesso aos malabarismos e encenações ao lado da quadra, despreocupado com as arbitragens, mas atento aos seus comandados, a tal ponto de exigir liturgicamente – Se estiverem livres, chutem, tendo ou não 2 ou 20 segundos de posse de bola, pois temos jogadores para agir dessa forma – Indo além, por ser recentemente a favor da forma NBA de jogar (se sempre vencem, tem de ser copiados), com defesa forte, rebotes precisos e transições (ainda defendo o termo contra ataque), nada justifica mais o chega e chuta com tais competências, utilizadas e exigidas por ele em suas equipes de clubes, mas que apresentam alguns e insofismáveis problemas, a saber:

– Nossa histórica fragilidade nos fundamentos básicos, que nem ganho de quilos e quilos de massa muscular desfigurando corretos biotipos atléticos, em nome de uma pretensa superioridade física, compensa, numa perda absurda de tempo que deveria ser empregue na aprendizagem das habilidades técnicas, já que ferramental do ato de jogar o grande jogo;

-Flacidez no ato de defender, cujas técnicas individuais são negligenciadas desde a base, originando hábitos posturais e posicionais, onde pretensas defesas zonais criam espaço interesseiro de muitos “formadores”, para a conquista de títulos em categorias em que a prioridade seria o domínio pleno dos fundamentos, principalmente os de defesa;

-A absurda e ilusória aceitação do sistema único, formatado e padronizado entre nós desde a base, com seus falhos e pouco eficientes corta luzes fora do perímetro, o jogo solitário de um dos pivôs, ante o imobilismo de seus companheiros situados para um arremesso de três pontos, além dos permanentes corner players, prontos aos disparos redentores;

-A nova moda dos cinco abertos, espaçados, todos na busca do 1 x 1, ponto crucial para os nossos dribladores, que são quase sempre mono destros, ou limitados na medida em que se aproximam da cesta, restando aos mesmos a volta compulsória da bola para fora do perímetro, objetivando o anseio maior do novo comandante, o arremesso de três, o chega e chuta;

-Perguntado no Podcast Ponte Aérea #185, como deverá jogar a seleção sob o seu comando, respondeu – Sem dúvida alguma, como se joga no basquete mais vencedor da história, o da NBA, justificando com juros o convite que a franquia dos Nets fez a ele e outros muitos treinadores internacionais para lá estagiarem, numa inteligente manobra de preservação mercadológica de seus patrocinadores nos países dos mesmos, assim como o recíproco convite ao Spliter que lá se encontra como um dos assistentes da franquia, mas que muito pouco poderá acrescentar no ensino dos fundamentos, necessidade básica de nossos jogadores, a começar pela ultrapassada posição de pivosão, e no ensino de arremessos, seu ponto mais frágil na carreira profissional, principalmente nos lances livres. O outro assistente premiado, somente agora se inicia na carreira, fato que fala por si mesmo…

-A quase certeza de que está imbuído de uma missão redentora, provar que sua maneira de ver, sentir, treinar e preparar uma equipe nos princípios que defende nos campeonatos nacionais e alguns internacionais seja o mais correto para nos reerguermos do enorme buraco em que nos encontramos, porém com um inquisitivo senão, o fato de que a grande maioria de nossos futuros adversários jogam da mesma forma, num mesmo padrão, com muito poucas exceções, porém possuindo uma enorme vantagem e dianteira pela prática sistemática dos fundamentos, desde suas bases (os argentinos aí do lado não deixam dúvidas), contribuindo decisivamente para melhores atuações no sistema único, fator que nos tem custado derrotas, que os “especialistas” sempre conotam aos “detalhes”…

-Finalmente, com quais jogadores nosso estrategista iniciante poderá contar com a qualificação dos armadores argentinos, americanos, virginianos, na seleção, e que em seu atual clube (do qual não irá se desgarrar como garantia…) contava aos magotes, além de ter sob contrato os melhores 3, 4 e 5 da praça, que no frigir dos ovos, e pelo fato de toda a liga jogar de forma tática idêntica, lhe auferiu títulos e garantias ao pódio maior, a seleção;

-Somente acreditarei nele e seu staff, a partir do momento que mudar o discurso inicial, arregaçar as mangas, e partir para algo que nossos adversários jamais imaginariam poder ocorrer conosco, ao assinar, desenvolver, estudar, pesquisar e aplicar sistemas que realmente inovem, envolvam e enfrentem essa mesmice para lá de endêmica, e que pelo discurso até agora apresentado, corre o sério risco de se perpetuar ad eternum, determinando nossa derradeira pá de cal…

-Assistindo alguns jogos da LNB, com sua média de erros de fundamentos bem acima dos 30 por partida, sua chutação desenfreada nos três pontos, seu posicionamento defensivo equivocado e profundamente falho, apesar de apresentar alguns bons e talentosos jogadores, me provoca imensa tristeza, principalmente por não me ter sido dada a oportunidade técnica, tática, didático pedagógica de continuar a contribuir no processo de melhoria do grande jogo dentro de uma quadra, condição sobejamente provada por toda uma vida voltada a seu estudo e compreensão, mas que os tempos em que vivemos, onde QI´ s vicejam e promovem qualquer um alinhado politicamente, me torna dispensável, menos aqui, neste humilde espaço, onde corporativismo nenhum jamais terá vez, onde democraticamente cedo espaço ao debate, ao contraditório, desde que assinado e autenticado, pois anonimato aqui, simplesmente foi, é e sempre será banido, restando a pergunta final – O que temem, do que tem medo, do inovador, ou da confessa incapacidade de competir contra algo que negam poder existir?…

Que os amados deuses se compadeçam do grande, grandíssimo jogo…

Amém. 

Fotos – Reproduções da TV, divulgação LNB, e arquivo próprio. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

DEZESSETE ANOS DE BASQUETE BRASIL, O HUMILDE BLOG ORIGINAL…

Ontem (11/9), completamos 17 anos de Basquete Brasil, um humilde, porém perseverante blog, que vem contando as coisas do grande jogo neste imenso, desigual e injusto país, e já lá se vão 1620 artigos…

Coisas, tais como, fundamentos, sistemas, treinamento, direção, planejamento, pesquisa, estudo, e acima de tudo, muito trabalho, contando e divulgando mais de 50 anos trilhando pedregosas estradas, percorridas com muito sacrifício e perene fé em dias melhores para o basquetebol brasileiro, tão carente, equivocadamente orientado, e pior ainda dirigido, principalmente dentro das quadras, pois fora delas, já de muito perdi as esperanças de que soergam o grande jogo, do imenso e interminável fosso em que vem sendo lançado década após década, sem um fim tenuamente perceptível…

Avanços e conquistas tecnológicas nos tem brindado com atletas que saltam mais alto, correm tanto quanto o vento, e trombam com a potência dos paquidermes, no entanto, se perdem nos dribles, nas fintas, passam mediocremente, não defendem, saltam fora do tempo, bloqueiam faltosamente, não leem corretamente o jogo, e finalmente, acreditam piamente que são os melhores e mais letais arremessadores de três pontos do mundo, mas que perdem bandejas, desdenham dos DPJ’s, e cobram os lance livres, onde maneirismos e caras e bocas, em muito superam a eficiência mínima admissível nos mesmos, e mesmo nos três, se encolhem e somem quando contestados eficientemente nos confrontos internacionais. Enfim, ecoa contundente a discutível relevância de preparadores físicos, fisioterapeutas e fisiologistas no ensino e preparo de jogadores que saibam o que vem a ser basquetebol, perante o constrangedor encolhimento de comissões técnicas, cada vez maiores, dividindo comandos na iníqua somatória de seus componentes, numa terrível e canhestra imitação do que é feito numa NBA cada vez mais impositiva, porém questionada por uma NCAA, em seu próprio país. Trata-se de impor ao mundo o jogo de 1 x 1, uma exigência mercadológica, através os 10 jogadores em campo, onde o coletivismo perde cada vez mais para o exacerbado individualismo, que vem se saindo vencedor no campo internacional, exatamente pela adesão dos países por esta sua forma de jogar, vencedora por possuírem os mais bem preparados jogadores nos fundamentos básicos, advindos das escolas primárias e secundárias de seu grande país, filtrando os mais habilidosos para suas franquias, e seu modo individualista de jogar, onde as poucas exceções contam-se nos dedos…

Implantar a tecnologia NBA de preparo de jovens em nosso país é um crime hediondo, pois suplanta em termos econômicos uma verdadeira política desportiva voltada às escolas, onde se encontram os desassistidos jovens de nosso país, com professores que pouco ou nada tem para promover o ensino desportivo de qualidade, que foi, é, e continuará sendo o maná alimentador da grande liga do norte, e não seus cursos voltados aos países de seu interesse político econômico, e que lá, pratica e numericamente inexistem…

Nos últimos oito anos, a investida comercial da NBA se expandiu em muitos países, principalmente naqueles de grande potencial consumidor de seus produtos associados, como a Nike, ávida por uma China, um Brasil, e por que não, uma Europa, que no entanto vem resistindo a tal avanço, e uma das persuasivas técnicas foi a internacionalização de seu campeonato com cada vez mais jogadores oriundos dos cobiçados países. Alguns deles conseguiram se impor a resistência afro descendente dominante na liga, mas a maioria tem se mantido como suplementos em suas equipes, porém presentes como garantidores do interesse mercadológico em seus países de origem. O mercado brasileiro é grandioso, e muito mais o da China e dos países asiáticos, justificando sua exponencial expansão…

No entanto, frente ao basquetebol que desde sempre praticamos, com as regras e princípios da Fiba, sendo campeão mundial e medalhista olímpico, estamos sendo confrontados com uma falsa e escorregadia realidade de que estamos a altura de um conceito NBA, negada a evidência inteligentemente omitida de que, como lá, não possuímos o lastro escolar que sustenta a grande e poderosíssima liga. Sobram sonhos de uns poucos dos nossos ao estrelato, condicionado quase que totalmente aos da terra acima do equador, com raríssimas exceções, europeias, como atualmente…

Nossa formação de base está sendo definitivamente sepultada em nome e indução de uma “nova filosofia”, a de atuar em gênero e forma de uma liga que nada, absolutamente  nada, nos representa e lidera no mundo do grande, grandíssimo jogo, e que apesar das enormes dificuldades, das limitações econômicas, sociais e educacionais, sempre se situou como verdadeiros e capazes adversários quando nos confrontos internacionais, num passado não tão distante assim, hoje esquecido, e até negado, por uma geração deslumbrada e colonizada de estrategistas subservientes e escravos de uma cultura inatingível, alimentada por uma riqueza que jamais atingiremos no plano social e econômico, quiçá no educacional e desportivo…

Precisamos reaprender a administrar nossa pobreza endêmica, porém repleta de coragem e criatividade, na busca de algo que se perdeu nos últimos trinta anos de imitação barata e oportunista, e centrismo em pranchetas midiáticas e profundamente vazias de idéias e conceitos factíveis, que tínhamos aos borbotões, hoje omitidos em nome de uma entidade que nos quer ver calçados e vestidos com os uniformes de suas franquias, oferecendo como elementos facilitadores a formação de jogadores e técnicos à sua imagem e semelhança, algo que não obtém em uma europa teimosa e independente, que joga uma modalidade com regras globais, em contraponto às empregues em uma competição moldada ao showbusiness, de onde captam a extrema riqueza que os permitem praticar um outro jogo, inexistente fora de seus limites territoriais, e que definitivamente nunca foi, é, e será o nosso, quando num longo caminho recobrarmos o bom senso e a vergonha na cara…

Nesta tremenda encruzilhada em que nos encontramos, sugiro veementemente uma ação baseada numa engenharia reversa, onde possamos empregar alguns estratagemas desenvolvidos e empregados durante muitas décadas nas escolas e universidades americanas, foco abastecedor da NBA, e cujos princípios e adaptações pontuais às regras internacionais, em tudo e por tudo alavancou suas técnicas fundamentais a patamares nunca alcançados pelos demais países, princípios estes que não constam do currículo das escolas de formação de jogadores e técnicos da NBA, que foca estruturalmente numa forma de atuar baseado num sistema único, onde as ações de 1 x 1 imperam absolutas…

Então, quais enfoques da formação escolar e universitária americana poderiam ser revertidos a nosso favor, de uma forma generalista e democrática, sem os ditames político econômicos da proposta da NBA?

Que tal irmos aos primórdios, aqui relatados em inúmeros artigos, que devidamente adaptados poderiam nos ajudar de verdade, e a preço módico, a tornar realidade aspectos e situações do grande jogo que praticamos um dia, e que foram subjugados por “científicos sistemas”e “novas filosofias de jogo”?

Ao reabilitarmos o sério e estratégico ensino dos fundamentos individuais e coletivos, nos capacitaríamos a sistemas diferenciados de atuar, antítese de um sistema único, que ao ser utilizado por todos, qualifica aquelas equipes com maior investimento individual, não importando a inexistência, ou mesmo falência do coletivismo. Desta forma, iríamos em busca da atuação diferenciada, criativa, intuitiva, através a consciente improvisação, estágio maior do jogo coletivo e altruísta, muito ao contrário do que vemos hoje acontecer pelas quadras do mundo, fruto de uma formatação e padronização fomentada e alimentada por uma oportunisticamente (mal) copiada NBA globalizada…

Pequenas adaptações e providências poderiam facilmente ser tomadas para uma segura retomada técnico tática em nossa formação de base, como as que publiquei no artigo O Ciclo Mambembe Que Se Inicia, em 10/8/21:

Que de alguma forma preparemos os jovens professores e técnicos através um currículo mais extenso nas escolas de educação física, com o retorno dos seis semestres dos desportos mais ligados às escolas (futebol, basquetebol, voleibol, handebol, atletismo, natação, ginástica, judô), grade esta que foi minimizada por disciplinas da área biomédica, quando da bem planejada, articulada e veiculada passagem dos cursos dos centros de ciências humanas (onde são formados e licenciados os professores, e não provisionados por Cref´s), para a biomédica, numa tacada magistral de um grupo, visando a criação e manutenção de uma indústria do culto ao corpo, originando, com a desculpa do benefício salutar, o mega negócio que se transformou na imensidão de academias. verdadeiras holdings, para as quais, a educação física e desportiva escolar tornou-se obstáculo para o mais rentável grupamento a ser conquistado, os jovens adolescentes.

– Que adotássemos algumas regras nos períodos da formação de base, a exemplo de alguns países, adequando a conquista das habilidades básicas inerentes ao jogo, a fim de priorizarmos o ensino dos fundamentos da forma mais ampla possível, e exemplifico com dois aspectos objetivos:

1- Defesa – proibição de defesas zonais até os 16 anos da formação de base.

                 – aumentos nos tempos de posse de bola de 35 seg para os jovens até os 13 anos, e 30 seg até os 15 anos, aumentando o tempo de posicionamento defensivo individual e coletivo, ampliando sua correta aprendizagem.

                – encerramento de qualquer partida que excedesse os 30 pontos até a idade de 13 anos, eliminando um sério fator prejudicial ao desenvolvimento educativo e emocional dos jovens iniciantes.

             2- Ataque -Proibição dos arremessos de três pontos até a idade de 15 

                               anos, liberando-os daí ´para diante, assim como a posse 

                               dos 24 seg.

                              – Que na idade até os 13 anos, fosse adotada as regras do 

                                mini basquete, principalmente a regra que somente 

                                permite que cada jogador participe no máximo de dois 

                                quartos sucessivos, e que pelo menos todo jogador 

                                participe de um quarto obrigatoriamente, usando bolas

                                e cesta adaptadas a sua biotipologia.

3- Que as categorias até os 11 anos somente disputassem competições municipais, mantendo os jovens próximos aos seus responsáveis, numa idade em que se solidificam os vínculos familiares, assim como permitindo que a categoria até os 13 anos disputasse competições estaduais, liberando as regionais até os 15 anos. Daí em diante disputariam competições regionais e após os 16 anos as nacionais. Dessa forma, as poucas verbas e investimentos poderiam ser otimizados sem deslocamentos caros e ineficazes, concentrando e ampliando as competições em torno dos macro sistemas municipais, estaduais e familiares, fatores fundamentais ao pleno desenvolvimento dos jovens, assim como criando polos desportivos plenamente auditáveis e de possível controle da aprendizagem fundamental e de sistemas autorais, evolutivos e, acima de tudo, criativos…

São pequenas e factíveis adaptações que de saída obrigariam os professores e técnicos a  ensinar o jogo de forma harmônica, respeitando os ciclos físicos e emocionais de cada jovem, que são naturalmente variáveis, e onde a maior conquista seria a evolução técnica de cada um em seu próprio ritmo, e não a vitória a qualquer custo, que somente beneficia currículos profissionais. A capacitação de cada técnico evoluiria pelo número de jovens que acendessem as divisões superiores, e a qualificação dos mesmos em seleções municipais, estaduais e federais, sendo avaliado anualmente dentro deste parâmetro, a ser regulamentado, ou seja, seria avaliado e promovido pela qualificação dos jovens orientados, e não pura e simplesmente por títulos conquistados. Sem dúvida evoluiriamos de forma consistente no adequado preparo de nossos jovens, democrática e tecnicamente.

Com uma competente EBTN, promovendo um ensino/aprendizagem de qualidade superior na base da modalidade (o que nunca conseguiram), alcançariamos em duas gerações uma evolução plausível  ao formarmos e termos uma base razoavelmente sólida nos fundamentos individuais e coletivos, sem formatações e padronizações técnico táticas, tão usuais no presente, passado que tem sido equivocado e frustrante, vislumbrando um futuro ainda pior, pois o reflexo do que aí está já não engana ninguém, e somente beneficia aqueles que no fundo odeiam o grande jogo, por não compreendê-lo, e por conseguinte, aviltando-o na negação de sua imensa grandeza…

Um ciclo se inicia, mudaremos? Torço para que sim, mesmo que lá no fundo dos meus ativos e lúcidos 81 anos, duvido dos que aí estão ditando regras, se já não bastasse essa criminosa e virulenta pandemia, que em breve passará. Quanto a eles, sei não…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV, Arquivo pessoal e Divulgação CBB. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.