MEU ANO SABÁTICO…

Precisamente na data de hoje, um ano atrás, publiquei o artigo 1701 neste teimoso, resistente e independente blog, que desde 2004 vem lutando contra a mesmice endêmica técnico/tática, e mesmo estratégica, que lançou o grande jogo ladeira abaixo no plano internacional, fruto de uma realidade trágica que se instalou no plano nacional, sem que absolutamente nada de diferenciado fosse, sequer pensado, para, ao menos, frear os repetidos e cansativos desastres perpetrados por pessoas que no fundo odeiam uma modalidade que nao perdoa a mediocridade e a vassalagem, o mercado de influências, o escambo político, a enganaçao oficializada… Por tudo isso me dei um tempo, mantendo o Basquete Brasil aberto, porém nada postando, até a data de hoje. Mas algo de magico aconteceu neste ano sabático, pois como nunca tinha acontecido em todos os anos de sua existência, foi acessado intensamente nos últimos 365 dias, com a maioria de seus artigos revistos, principalmente os sobre técnicas individuais, algo bastabte esclarecedor…

Resolvi entao reabrir os trabalhos sob a égide dos já cansativos repetidos fracassos de nossas seleçoes, produtos diretos do que é adotado e desenvolvido em nossa formaçao de base, assim como vítimas crueis de preparaçoes equivocadas e destituidas de um mínimo de conhecimento do que vem a ser o grande jogo, o verdadeiro grandíssimo jogo. Por tudo isso, republico um artigo publicado em 9/2/2011, cuja atualidade é inquestionável, e que desnuda o grande vazio que o separa da data de hoje, um vazio doloroso e absurdo hiato de 15 anos, que em hipótede alguma deveria se estender,

Que os magnanimos deuses nos ajudem.

Amém.

DANDO AS CARTAS…

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011 por Paulo Murilo– Editar post– 15 Comentários

SELEÇÃO MASCULINA INICIA TESTES FÍSICOS
07/02/2011 22:38 h

Os 16 atletas da seleção brasileira de desenvolvimento realizaram testes físicos específicos para a prática do basquete. O fisiologista Rafael Fachina e o preparador físico Diego Falcão utilizaram fotocélulas para marcar o tempo dos atletas no teste de velocidade. Os jogadores ainda serão avaliados na plataforma twin plates da Globus, que tem como objetivo analisar os saltos.

“Estamos finalizando a primeira fase de avaliações. Os testes servem para verificarmos a resistência e a velocidade dos jogadores. Com os resultados, teremos informações de cunho científico para direcionamento do treino e também fazer um mapa do atleta, para que o preparador saiba o que esperar fisicamente de cada um. Alguns atletas já possuem um ritmo muito bom e outros estão começando a parte do treinamento de alto nível. Após esta primeira etapa, que tem objetivo diagnóstico, faremos mais duas baterias para controle e evolução da performance”, comentou Rafael Fachina.

“Cerca de dois anos atrás o nível de um jogador era bem inferior, mas isso já evoluiu bastante. Nosso dever é continuar e aperfeiçoar essa mudança. Outro objetivo será o de transformá-los em grandes atletas, não só na estatura que já possuem, mas em jogadores rápidos, ágeis e funcionais para o exercício da modalidade. Com isso, teremos um time com velocidade e forte defensivamente.

Além disso, deixar cada um com o melhor nível possível de condicionamento, claro que de acordo com a resposta biológica individual”, disse o preparador físico da seleção de desenvolvimento, Diego Falcao.

18 de Janeiro de 2011 Comente Adicionar aos favoritos Enviar a um amigo Imprimir

NBB

Que tal minha gente, formidável, não?

Sou do tempo em que preparávamos jogadores através doses maciças de fundamentos, com seus posicionamentos exagerados, tanto nas flexões, como nas extensões dos membros inferiores, dos alongamentos nos passes, do controle sutil e básico do centro de gravidade nas paradas, partidas, dribles e fintas com e sem a bola, do posicionamento nos rebotes, onde o saltar mais alto na maioria das vezes cedia o domínio da bola ao mais bem colocado, no controle e domínio do binômio tempo/espaço, da exigência posicional a fundo nos deslocamentos e acompanhamentos defensivos, das longas sessões de arremessos que acompanhavam uma estrita e bem detalhada progressão pedagógica, dos duelos 1 x 1, onde o drible, a finta e a defesa eram exigidos ao máximo em seus fundamentais detalhes, onde as praticas em duplas, trincas e quadras aprimoravam resistências físicas e mentais, onde os técnicos exerciam seus conhecimentos do grande jogo, de seus fundamentos, de seus reais e decisivos objetivos, e quando uma ou outra deficiência de ordem física se manifestava pelas diferenças naturais aos jovens, em obediência e concordância a seus ritmos biológicos, atividades de reforço e de cunho aeróbico, e mesmo anaeróbico, eram utilizados complementarmente aos exigentes fundamentos. E grandes gerações assim foram formadas, vencedoras em mundiais e olimpíadas, plenas de saúde e força, jogadores de altíssima qualidade em que se transformaram, e não somente atletas como o são fabricados nos dias de hoje.

Preparadores físicos definem quem salta, quem corre mais, quem resiste aos trancos, quem arremessa de maiores distancias, quem pode se transformar “em jogadores rápidos, ágeis e funcionais para o exercício da modalidade”, orientando e fornecendo ao “preparador”(?) “informações de cunho científico para direcionamento do treino”, como se fosse a peça mestra e maestra da equipe em seu todo, como cientistas que julgam ser, acima de qualquer liderança, mais propriamente, acima do Técnico Principal, que pelo seu lado abdica servilmente de seu comando e total responsabilidade, permitindo que sua equipe seja transformada num bando experimental de atletas, e não, de jogadores de basquetebol.

“Discurso de velho, de ultrapassado, etc, etc, mas esquecendo que, mais do que eles todos sou um Doutor em Ciencias do Esporte, cuja tese versa coerentemente sobre…Basquetebol, e não “Twin plates da Globus”, seja lá que  nome for, mas que bem sei serem absolutamente incapazes de ensinar, vejam bem, ensinar convincente e decisivamente um jovem a driblar, passar, arremessar, defender, rebotear e jogar em equipe, o grande jogo.

Mais uma geração de jovens promissores estará se transformando cientifica e laboratorialmente em atletas de “alta performance”, mas que continuarão a tropeçar nos dribles e nas fintas, a arremessarem orgiasticamente dos três pontos, a passarem fora do tempo, a disfarçarem que defendem, a praticarem o sistema único de suas vidas, “especializando-se” nas posições de 1 a 5, e sendo hipnotizados e manipulados pelas indefectíveis pranchetas, que definem e ordenam o que fazer e como se comportarem como grandes, eficientes e científicos atletas que o instaram a pensar que são, mas que sequer desconfiam do que poderiam vir a ser se jogadores fossem, se como eficientes, inteligentes, criativos e autônomos jogadores fossem ensinados e preparados a se comportarem, a se independerem, tornando-se dessa forma, plenos no conhecimento de si mesmos e na aceitação do espírito comunitário e de uma verdadeira concepção do que venha a ser uma equipe de basquetebol. E ainda fico imaginando se toda essa bateria de testes científicos tivessem sido aplicados num Shaquille, num Jordan, num Bodiroga, num Duncan, num Bogues, com suas dilexias, estaturas e obesidades juvenis, nenhum teria sido aprovado.

Mais uma vez incorreremos no erro, no supremo e suicida erro de substituir o preparo fundamental de jovens jogadores, a plena continuidade de seus estudos, pela premissa cientifica de quem absolutamente nada entende do grande jogo, absolutamente, nada, mas que praticamente, dão as cartas, em nome da ciência.  Mas que ciência, a do jogo? Creio que não…

Amém.

15 comentários

  1. Gil Guadron09.02.2011· Paulo.Excelente su argumento subrayando que el componente mas importante en el basquetbol es el tecnico .A los lectores de tan interesante pagina, principalmente a los colegas entrenadores de basquetbol , les invito a que valoren este extraordinario planteo del Doctor Paulo Murilo, mi amigo desde 1973 .Un excelente articulo, que define con diafana claridad las prioridades que un tecnico de basquetbol debe tener.Respetuosamente.Gil Guadron
  2. Basquete Brasil10.02.2011· Obrigado Gil, seu reconhecimento é muito importante para mim, pois somos tecnicos e professores engajados desde sempre na perene luta pelo engrandecimento do nosso amado basquetebol.Um abraço, Paulo.
  3. Thiago Tosatti10.02.2011· Professoro melhor artigo que eu li até agora sobre esse tema. Parabéns e que outros técnicos e professores que o lerem reflitam e passem a dar maior ênfase aos fundamentos.
    Mais uma vez Parabéns, Um abraço, Thiago
  4. Marcos Nunes10.02.2011· Professor,Penso que esta forma de trabalhar é baseada em cima do argumento de que o basquete de hoje é diferente do basquete de antigamente, se exige muito mais fisicamente, um jogo muito mais intenso, etc e tal.Eu concordava até então, pois ainda não tinha visto nada diferente. Quando vi o trabalho que o Senhor realizou no Saldanha, todos aqui de Vitória perceberam que existem outras formas de se trabalhar.A preparação física hoje em dia é cada vez mais importante no esporte, mas não ao ponto de inverter os valores como estão fazendo na CBB.Um abraço.
  5. André Luís Garcia Astolfi10.02.2011· Caro Paulo Murilo,vendo o jogo de futebol entre Brasil x França, ontem, pude ver onze atletas em campo pelo Brasil, não onze jogadores de futebol. Resultado: 0x1 França.Pernadas, caneladas, carrinhos, desespero, imprecisão…e esse jogo foi apenas cópia de outros com o mesmo final triste.Enfim, comparando com o basquete, ficaremos ou estamos assim hoje em dia? (pergunta retórica)Em tempo: no caso do vôlei multicampeão, esporte que pratiquei (amador) e acompanho, houve seleção física mas, obviamente, a qualidade técnica não decaiu, provando que grandes jogadores também podem ser jogadores grandes, apesar do Murilo ter 1,92m e ser MVP do mundial, e do Giba, antes.Um abraço, André.
  6. Basquete Brasil10.02.2011· Prezado Thiago, que não só reflitam, mas que tentem de todas as formas reverter esse processo autofágico em que nos debatemos. Hierarquia e mérito tem que retornar aos seus devidos lugares, sem os quais nada conseguiremos de prático e eficiente.
    Um abraço, Paulo Murilo.
  7. Basquete Brasil10.02.2011· Prezado Marcos, o ponto nevrálgico dessa amarga realidade, é o fato de que dentro de um único sistema de jogo, universalizado, vencem os que estiverem melhor preparados, fisicamente? tecnicamente? taticamente?
    São variaveis em torno de um único tema, o sistema único de jogo. O diferente quebra essa regra, por isso tem de ser expurgado.Mas um dia, talvez, o encanto possa ser quebrado, a fim de que evoluamos no grande jogo.
    Um abraço, Paulo Murilo.
  8. Basquete Brasil10.02.2011· Prezado André, assim como o grande ministro da educação Eduardo Portella se definindo com “estando”, e não sendo ministro, posso também garantir a você que estamos nesse impasse, mas com muita luta e trabalho não ficaremos por todo o tempo frente a ele.Será dificil, mas não impossivel avançarmos para tempos melhores, e uma ação que facilitaria muito essa retomada seria a volta dos cursos de Ed. Fisica aos centros de formação de professores, e não se chafurdando cada vez mais em centros de formação paramédica onde se encontram nas universidades brasileiras.O pragmatismo, ao se sobrepor ao humanismo, gerou toda essa deformação que assistimos nos dias de hoje. Seria um bom recomeço.
    Um abraço, Paulo Murilo.
  9. fernando10.02.2011· Professor o que me entristece e ver que a CBB, em minha opinião, esta julgando como desqualificados os clubes/tecnicos e a maioria dos atletas.
    Sei que querem fazer um trabalho diferenciado, e que anseiam loucamente por resultados a curtissimo prazo, até para justificarem sua gestão.
    Mas não vejo este tipo de atitude ou projeto ser tomado em outras modalidades.
    Desculpe se estiver falando besteira, e so uma opinião sincera.
  10. Basquete Brasil10.02.2011· Besteira Fernando? Em hipótese alguma. Besteira de grosso calibre é o que a CBB está fazendo com esses meninos da sub-19, com um projeto equivocado e pretensioso.
    Um abraço, Paulo Murilo.
  11. Michael20.02.2011· Eu tenho uma idéia de projeto para a CBB que relamente massificaria o Basquete. Distribuir bolas e tabelas Minibasquete nas escolas. Só isso, mas nada.
  12. Basquete Brasil21.02.2011· Tabelas e bolas para as escolas não resolveriam o problema de massificação, prezado Michael. Quadras e um subsidio para os professores atuarem fora de seu horario regular de aulas de Ed. Fisica, é que atingiriam resultados voltados à maior divuldação e implementação do basquetebol dentro do universo escolar. E não só o basquetebol, as demais modalidades também se beneficiariam, claro, se partes integrantes de uma politica nacional voltada à educação e o desporto. Esse seria o caminho, que sedimentou o desporto nas grandes nações desenvolvidas.
    Um abraço, Paulo Murilo.
  13. Michael21.02.2011· Prezado Paulo, concordo com você. Sóquis dizer que coisas muito mais simples do que uma seleção permanente trariam efeitos muito mais rápidos para o basquete. Tenho certeza quem sem o profissional qualificado não vamos dar esse salto.
  14. Michael21.02.2011· Completando. Prezador Paulo, discordo quanto às quadras. Acho que precisamos sim de quadras, mas precisamos de tabelas adequadas à iniciação.
  15. Basquete Brasil21.02.2011· Quando menciono quadras, quero dizer espaço para a pratica da ed.fisica, e não brejos e terra batida, como na maioria das escolas do país, e mesmo assim quando existem, prezado Michael.
    Como se trata de um direito constitucional do cidadão brasileiro, o não acesso à uma educação de qualidade, ai incluso a educação física, se constitui crime. Bolas e tabelas, assim como traves e redes equipariam as necessarias quadras, claro, se existissem.
    Um abraço, Paulo Murilo.

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MOMENTOS (FROM BERLIN)…

Paulo,quase quatro meses sem nada publicado? Como é possível? Jogou a toalha definitivamente? Sou arguido por um dos poucos leitores deste humilde e insistente blog, aquele exigente e intransigente amigo de longa data de convivência no grande jogo, implacável quando discordante de alguns posicionamentos aqui postados, mas sempre respeitoso e ético em suas precisas contra argumentações a alguns deles…

Não caro amigo, não desisti, só estou muito cansado de bradar no  deserto de idéias (se é que existem), na mesmice endêmica instalada no cerne de um basquetebol repleto de talentosos jovens, e falsas e incompetentes lideranças a orientá-los, por culpa de uma corrosiva influência exógena que absolutamente não nos diz respeito. Mas a adotamos, minimizando um passado de glórias e conquistas, dura e arduamente conquistadas, mas que aos poucos vai se consumindo no valão da mediocridade e ignorância do que o grande jogo representou para esse imenso, mal tratado e injusto país…

Hoje, praticamos o propalado e deificado “basquete internacional”, super espaçado, onde o 1 x 1 reina absoluto, assim como o tsunami dos arremessos de três dita a regra cegamente seguida. Sob a égide de um sistema (?) de jogo padronizado, que em nosso país tem sido implantado desde as divisões de base, ação esta que é refletida ipsi literis nas seleções municipais, estaduais e nacionais, pasteurizando uma forma absolutamente primária e previsível de se comportar em quadra, facilitando os sistemas defensivos de nossos oponentes, pela previsibilidade e precariedade coletiva, e inferioridade na prática dos fundamentos básicos do jogo…

Somos contemplados com muitos talentos, precarizados pelos reticentes e claudicantes fundamentos, fruto de uma orientação mais voltada ao sistema adotado, do que a intensiva prática daqueles, alma mater do grande jogo, ferramenta raiz de todo praticante, do início ao término de sua vida esportiva e competitiva, sem a qual nenhum sistema, por mais primário que seja, se torna plausível, compreendido, consciente e criativamente praticado…

Logo, o grande e prolongado hiato que inferioriza nossa forma de atuar, se localiza no ensino correto e intenso dos fundamentos, ação técnica e básica, alicerce na formação do tão sonhado coletivismo, perdido no vasto deserto de conhecimento autêntico do que venha a ser uma verdadeira equipe de alta competição, e não uma desenfreada orgia de personalismos e exibicionismos inconsequentes e em muitos casos, irresponsáveis…

O blog já publicou 1701 artigos, a maioria de cunho técnico e formativo, insistente e repetidamente didático, e por que não, pedagógico, mostrando caminhos, formas e roteiros que poderiam ser trilhados após serem discutidos e debatidos democraticamente, em reuniões, conselhos de técnicos, cursos sérios de formação, e não provisionamentos com duração de 4-5 dias. Tenho travado essa luta por mais de 50 anos, como professor e técnico, e nos últimos 20 anos, como editor e redator deste humilde blog…

Por tudo isso me sinto cansado, muito cansado, mas não a ponto de desistir, jogar a toalha, me calar, me indignar.

Inesquecível noite quando visitei o belo trabalho do Fabio no CEU Aricanduva em São Paulo, quando a pedido dele proferi uma pequen palestra para seus alunos.

Sigo e seguirei na medida do possível, lamentando perdas factuais, e algumas pessoais, como a recente e dolorosa partida do Fábio Aguglia, jovem professor e técnico formador dos melhores de São Paulo, perdido num lamentável acidente automobilístico, duas semanas atrás. Foi um dos mais assíduos colaboradores e amigo deste blog, atuante e lúcido, inteligente e incisivo em seus comentários, e que conheci pessoalmente quando do jogo da equipe que eu dirigia no NBB2, o Saldanha da Gama, jogando em São Paulo contra o Paulistano, Dali para diante, nossa comunicação se estendeu por 15 anos de discussões e análises sobre o basquetebol que tanto amamos e servimos diligentemente. Planejamos alguns projetos de estudos em formação de jogadores, assim como um podcast que abordaria formação e aperfeiçoamento de jovens praticantes, assim como jogadores da elite. Não foi possível, o Fábio se foi, mas a idéia se mantém e se manterá na medida em que eu a possa levar a frente, se os deuses assim o permitir…

Mas, caro amigo inquisidor, como ser e manter-se analista de basquetebol ao pinçarmos de um jogo do atual e corrente LNB um dado estarrecedor de 46 erros de fundamentos (Pato x Caxias), dentre jogos que apresentam dados semelhantes ou maiores (coletem, por favor), com médias de mais de 30 por jogo realizado (insisto que pesquisem), numa demonstração tácita de falência na correta execução dos mesmos, prova clara do quanto e do porque falhamos na consecução de jogadas e sistemas em seus momentos mais críticos, ou mesmo na hesitação ou negação de realizá-los, por inabilidade, ou insegurança prática…

Sinto-me cansado de sugerir a adoção de sistemas de jogo diferenciados, dinâmicos, criativos, a acima de tudo proprietários, aqueles que ressignificam uma equipe, uma forma de atuar particular e intuitiva, geradora de dúvidas e surpresas aos oponentes, e não um prêt à porter genérico e endêmico, marca registrada do que vem sendo aplicado desde sempre em nosso desditoso país, vítima e refém de um processo de colonização técnico tática advinda de uma matriz, cujo poder econômico  e formação colegial e universitária de jogadores e talentos inigualável, nos submete a uma realidade no momento inalcançável e utópica…

Olhando sempre em frente, com fé e esperança.

Por tudo isso, sempre propugnei trilharmos outros caminhos, outras ações e atitudes, dentro de uma realidade factível, onde a administração de nossa pobreza em recursos, deveria ser desenvolvida com doses maciças de criatividade e improvisações conscientes e audaciosas. Bem sei que não é trabalho para qualquer um, e sim para professores e técnicos que dominem com clareza e convicção os sutis e determinantes caminhos para ensinar, estudar, pesquisar e preparar equipes neste especial cenário em que se encontra o grande, grandíssimo jogo nesse imenso, colossal, desigual e injusto país.

Amém. 

Fotos – Arquivo pessoal. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

A GRANDE SACANAGEM (*)…

É muito técnico para pouco time…

Comecemos com o vídeo abaixo, vejam e ouçam com muita atenção a fala “incentivadora” do técnico do dia, já que no jogo anterior, quando perdemos de mais de 20 pontos, um outro técnico atuou, pois o deste jogo estava no Rio dirigindo sua equipe masculina no NBB, não esquecendo que a técnica americana, titular da Comissão, não poderia dirigi-la nesses jogos por imposição contratual com a equipe que coordena na WNBA, sendo a idealizadora desses amistosos como início de preparação da equipe nacional visando os Jogos Olímpicos de Los Angeles daqui a três anos.  Entenderam bem, com clareza? Pois é minha gente, nem eu entendi, mas o discurso para as jogadores foi feito, formatado num simulacro de equipe, na qual não dirigiu um único treino, antes de enfrentar, talvez, a mais poderosa equipe daquela liga americana…

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E que baita começo, sendo massacrada com 64 pontos de diferença para o Indiana, num jogo com o placar de 108 a 44, perdendo o anterior em Chicago por 89 a 62. Mas, o que realmente impacta no discurso é o fato de o sustentar  no espírito de equipe, aquela que não foi treinada, preparada, sequer orientada para um enfrentamento daquela dimensão, formada por maioria de jogadoras novas, altamente deficientes nos fundamentos do jogo, algo básico para a formulação de um simples sistema organizado, ofensivo e defensivamente proposto, que mesmo baseado num sistema único, no qual foram induzidas a praticar desde sua deficiente formação de base, sequer foi ensaiada sua utilização prática, que não poderiam utilizar, pois não foram preparadas a fazê-lo, mesmo com a existência de dois técnicos e uma técnica principal, noves fora o discurso, absolutamente irresponsável, pois a responsabilização sobre uma verdadeira equipe se fundamenta em sua intensa, repetida e competente preparação, e não num “vamos lá testar e nos testar”, não só numa seleção nacional, como em qualquer agremiação, por mais humilde que fosse…

Para bom entendedor, o que leva uma técnica(?) americana contratada recentemente, certamente com um belo salário, em dólares, a relatar em entrevista no Sportv, que viria ao país para treinamentos, conforme as circunstâncias, ou seja, não abrindo mão de seu contrato na WNBA, a não ser em visitas técnico turísticas na companhia de sua esposa, como se fosse parte de uma programação séria do mais alto nível para o soerguimento do combalido, e agora humilhado basquetebol feminino nas plagas de Chicago e Illinois, com ginasios abarrotados, curtindo e rindo às gargalhadas com a sangria de um um pastiche ridículo da outrora brilhante geração vencedora, que as submeteram em Pans Americanos e Mundial.

Campeãs mundiais, vencendo, inclusive, as americanas…
Campeãs Pan Americanas, vencendo, também, as americanas…

Foram à forra em cima de uma seleção nacional, a nossa, pois não sei de nenhuma outra, de país nenhum, que aceitasse tais confrontos, bem ao gosto hegemônico que ostentam desde que perderam em 94, para nós. As feições constrangidas da Damires dizem muita coisa…

O constrangimento da Damires.

São as menos culpadas, ou culpa nenhuma têm as jovens jogadoras brasileiras por tal e altamente comprometedor vexame a que foram forçadas a passar, num proposital confronto de técnicas individuais e coletivas, de preparo e controle físico adequado, onde sequer é esboçado um resquício de sobre peso corporal, mesmo na pátria dos hambúrgueres e frangos fritos, ao contrário de muitas de nossas jovens, pré ou mesmo obesas. Em se tratando de fundamentos então, sem comentários. Claro, que na ausência dos mesmos, um simples “dá e segue” torna-se uma montanha intransponível, assim como gestual e deslocamentos defensivos se tornam inexistentes, Arremessos então, lamentável, não são ensinadas a executá-los em técnica e precisão, mesmo…

O descondicionamento físico era patente.

Simplificando, esse é o projeto redentor e super avançado para o basquetebol feminino para o ciclo olímpico que se inicia? Mesmo se for visando 2032, já começa trôpego e, sinceramente falando, equivocado e aventureiro. Para 2028 já se prenuncia falido, mesmo que tenhamos duas boas pivôs, que nada poderão produzir sem as demais jogando em bom nível assistencial e técnico com elas. Não à toa a americana já insinuou a naturalização de uma sua conterrânea, talvez duas, para substanciar seu projeto redentor, no que considero uma afronta a história do basquetebol vencedor que tivemos somente com brasileiras, inclusive a comissão técnica. O exemplo da quantidade de estrangeiros na LNB, se espraia rapidamente no seio do grande jogo, num exemplo oportunista, arrivista e desleal com os jovens deste imenso, desigual e injusto país, aos quais, além da imposição coercitiva de um sistema único, anacrônico e profundamente burro, nos impinge uma vassalagem cruel aos novos técnicos, esquecendo e lançando ao ostracismo muitos daqueles que realmente entendem, e sempre souberam ensinar, treinar e preparar equipes de verdade, e não esse arremedo mal costurado de um jogo que não nos diz respeito  em tempo algum, jamais o foi…

O massacre anunciado.
Uma celebração a altura, assim como uma humilhação infame…

Muito poderia ser dito, comentado, mas nada que se comparasse a um discurso tão elucidativo proferido por um pai de jogadora de uma seleção tatibitate como essa, travestido de Head Coach genérico, que antes de ordenar que a turminha “se testasse individualmente, e também  testassem suas possibilidades coletivas”, muito, muito antes de serem preparadas para tentar fazê-lo consciente e consistentemente, nos planos pessoais, técnicos e táticos, tinha a obrigação didático pedagógica de após um longo preparo e treinamento, capacitá-las a disputa, a competição justa, e não ao confronto covarde, constrangedor e humilhante a que foram forçadas a se submeter. Real e profundamente lamentável.

Amém.

Fotos- Reproduções da TV. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

(*) – Desculpem o termo. Não encontrei um melhor.

NOTA – Depois de um longo tempo volto a publicar no blog, esse é o artigo 1701, infelizmente nada promissor, assim como os muitos que racunhei durante o retiro a que me forcei, por um simples motivo, cansei de testemunhar repetidamente, uma mesmice endêmica com enderêço certo, a debacle final do grande jogo entre nós, que somente não se concretizará, se uma radical mudança técnico tática formativa, em torno de uma estratégia estruturada por quem relmente conhece o grande jogo em sua essência, se tornar realidade, a qual, honesta e francamente, duvido que ocorra a medio longo prazo em nosso conturbado país, lamentavelmente. Publicarei artigos na medida do possível, se os deuses me permitirem ir um pouco mais além. P.M.

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ARTIGO 1700 – UMA INJUSTA, PORÉM COERENTE E TEIMOSA CAMINHADA…

Chegamos aos 1700 artigos publicados, coerente e teimosamente expostos à análise daqueles poucos, e mais teimosos ainda, leitores deste humilde blog, poucos, porém autenticados leitores, e não aqueles escondidos no anonimato espúrio, covarde, e que jamais aqui encontraram guarida…

Discutiu-se e discutimos muitas vezes, sensata e cordialmente, sob a égide do contraditório, respeitosa e equilibradamente, como sempre devem ser pautadas as grandes metas para o grande jogo, muitas delas esquecidas, vilipendiadas, rebaixadas a níveis intoleráveis, mas que aos poucos, tropegamente, tenta se reequilibrar ao encontro de sua grandeza, traída por aqueles que, no fundo o odeiam, por não a alcançarem, em seu opulente passado, frágil presente, e incerto futuro, se mantido o status quo administrativo e corporativo, que o agrilhoa às poderosas correntes de uma absurda mesmice endêmica técnico tática, patrocinada de forma colonial por influências exógenas, que nada tem a ver com nossa realidade social, educacional e desportiva, pautadas por enormes necessidades de cunho econômico e político…

Uma NBA jamais poderia influenciar técnica e administrativamente uma LNB que inicia uma dura caminhada em uma nação tão carente como a nossa, assim como uma CBB jamais poderia se dissociar da mesma num momento tão impactante e frágil como o de agora, no qual deveríamos buscar nossas mais profundas raízes, que teimam em subsistir, apesar de negadas em nome de uma vassalagem enganosa e interesseira, patrocinada pelo corporativismo técnico que nos tem levado de roldão, ladeira abaixo no campo internacional, onde outrora participavamos com honra e brilhantismo…

Publiquei textos e textos sobre essa triste realidade, porém dois deles definiram com bastante precisão o grave momento por que tem passado o grande jogo nesse imenso, desigual e injusto país, fazendo os mesmos parte do artigo 1700, a seguir reproduzidos. Me perdoem a ausência de ineditismo, compreensível se em anteposição a uma mesmice técnico tática que nos esmaga e humilha, por sua extrema pobreza criativa, e ausência de improvisação consciente por parte de jogadores manietados de fora para dentro das quadras, pobre e insuficientemente treinados nos fundamentos do jogo, cerceados por abomináveis pranchetas, “aquelas que falam”, ululantes pedidos da mídia de “estratosféricas enterradas e tocos”, e a ignorante cereja do bolo, “a chuva torrencial de bolas de três”, claro, com o consentimento de uma lamentável ausência defensiva e contestatória no campo de jogo, por ambos os oponentes…

Recordemos os artigos:

DIAS MELHORES…

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020 por Paulo Murilo– Sem comentários

Eis-me de volta a dois dias do fechamento desse tenebroso 2020, que se os deuses ajudarem, será substituído por um 2021 pleno de esperanças e recuperação da saúde física, mental e econômica de um povo sofrido e maltratado por um governo ignóbil e criminoso, porém democraticamente eleito pelo mesmo, que espero tenha aprendido a diferenciar o joio do trigo de uma vez por todas…

Tenho tentado acompanhar o NBB, mas o sacrifício é enorme pelo descalabro em que tornaram o grande jogo praticamente irreconhecível, pois dói, e muito, assistir um descerebrado corre corre, com arremessos insanos de fora, trombadas por dentro e uma média de erros de fundamentos de 28 por partida, complementados pela mais comezinha ausência defensiva, hoje trocada por “faltas estratégicas e inteligentes”, emoldurando um quadro aterrador, onde três, e até quatro estrangeiros (americanos meia boca em sua maioria), ouvem com ar blasé as perorações “altamente técnicas e estratégicas”, esboçadas em pranchetas de araque, para logo após se reunirem combinando ações próprias deflagradas pelo “extraordinário” sistema de 5 abertos, matreiramente escolhido pelos estrategistas de plantão, por se basear sequencialmente no 1 x 1, fator “mamão com açúcar” para os gringos se esbaldarem, lembrando suas históricas peladas em parques espalhados em suas maiores cidades, e no meio dessa espantosa empulhação, um punhado de bons armadores argentinos, que aos poucos vão aderindo a loucura geral, principalmente pela ausência de uma liderança técnica que estabeleça sistemas e comportamentos coletivistas, que é o mínimo que se espera de uma equipe bem treinada e orientada, e mais, devidamente ensinada no trato com os fundamentos, e exemplarmente, no trato com o instrumental básico do jogo, a até agora massacrada bola…

Toda essa parafernália enaltecida aos berros histéricos de narradores absolutamente ignorantes do que se passa nas quadras, confundindo e enganando espectadores que ainda amam o grande jogo, não esse ai, onde comentaristas falam e falam sem explicar uma linha sequer do que venha a ser um jogo bem jogado, mas pródigos em beijos, abraços e lembranças de ouvintes que não estão nem aí para o que veem, na medida que se sintam reportados e lembrados na telinha…

Por tudo isso rareia em mim a vontade de assistir a uma pelada profissional apresentada como o “NBB como nunca se viu”, e não vi mesmo, pois sou de um tempo em que jogavamos, e venciamos praticando basquetebol, e não esse pastiche de terceira categoria que aí está…

Oito anos atrás publiquei o artigo Um tiro no pé, que reproduzo a seguir, e onde podemos constatar que nada, absolutamente nada mudou de lá para cá, numa antevisão do horror que conseguiram, os estrategistas de plantão, implantar no que há de pior e retrógrado no grande jogo em nosso país, carente e empobrecido de criatividade, espontaneidade e improviso consciente, e não essa coisa pasteurizada, formatada e padronizada, por quem, na triste realidade, odeia o grande, grandíssimo jogo, por não o entender em sua essência e genialidade. Eis o artigo, com o qual desejo aos poucos que aqui ainda se preocupam de verdade, um próximo ano repleto de esperanças em dias melhores, com muita saúde e paz no coração.

Amém. 

O TIRO NO PÉ…

sexta-feira, 22 de junho de 2012 por Paulo Murilo– 5 Comentários

Meus amigos, do que adianta defender uma tese provada no campo de jogo por anos e anos, de que de dois em dois pontos podemos vencer jogos, atingir contagens elevadas, defender com mais precisão, agilizar tanto o jogo interior, como o exterior, dotar os jogadores do poder decisório em quadra, item tão temido por tantos técnicos, por aprenderem e apreenderem a arte da leitura de jogo, por sedimentarem no dia a dia dos treinos os fundamentos do jogo, ferramenta visceral para a execução dos sistemas ofensivos e defensivos, pela aprendizagem ao diálogo sobre o que treinam e jogam, entre si, e com seus técnicos, numa mútua relação de confiança, respeito e consideração, professando uma autêntica dupla armação, e uma corajosa e diferenciada ação interior através uma tripla utilização de alas pivôs, rápidos, ágeis, flexíveis, e acima de tudo plenamente participantes do jogo, e não coadjuvantes de uma interminável hemorragia de arremessos de três pontos, que tanto empobrece nossa autofágica maneira de jogar o grande jogo.

Foi o que ocorreu, pela milionésima vez no jogo com a Venezuela, quando de dois em dois pontos endurecemos um jogo perfeitamente ao nosso alcance, para numa falha sucessão de bolinhas de três, propiciarmos contra ataques venezuelanos que esticaram o placar além dos 20 pontos.

E o que dizer do jogo da Sub 18 contra os americanos, que jogaram dentro de nós, enquanto treinávamos a pontaria de fora, sem falar na brutal diferença na postura fundamental de seus jogadores, frutos de uma escola que nos negamos a praticar, trocando um tempo precioso de formação por formatações e padronizações de sistemas de jogo, numa opção equivocada e absurda.

Senhores, utilizar uma dupla armação adaptada ao sistema único é praticamente um tiro no pé, pois retira do foco da ação exterior um dos armadores, que ridiculamente vai executar bloqueios dentro do garrafão, e de encontro aos grandes pivôs, enquanto seu companheiro de armação se vira sozinho e sem balanço defensivo presente, além de somente poder contar para uma jogada incisiva com um dos alas, claramente inferiores nos fundamentos básicos de drible e passes, pela ausência do outro armador. O resultado se reporta aos passes de contorno, num crescendo inócuo e destituído de penetração aos pivôs, que por conta de uma movimentação sagital se postam de costas para a cesta, quando deveriam atacá-la de frente e em veloz movimentação, situando-se dessa forma um tempo adiante dos defensores, que é a arma mais letal para superá-los.

O que poderia dizer ou acrescentar a mais, frente a resultados tão medíocres por repetitivos, e tão solidificados por padronizações e formatações?

Nada, se frente a uma realidade imutável, sólida e corporativista.

Tudo, se uma fresta, por tênue que fosse, de repente, se abrisse para algo de novo, iluminando caminhos abertos pelo diálogo, pelo trabalho conjunto daqueles que realmente conhecem e amam o grande jogo, e que comungassem princípios e conhecimentos entre jovens e veteranos técnicos e professores, no reencontro de um destino rompido e violentado pela mesmice endêmica que tem ferido de morte nossa maior riqueza, a criatividade inata de nossos jovens, enclausurada que se encontra nos limites de uma lamentável prancheta.

Mantenho uma contida esperança, de que nossa seleção olímpica possa vir a romper alguns desses grilhões, apresentando um jogo voltado ao perímetro interno, através um pleno domínio no externo, equilibrando ações voltadas ao coletivismo defensivo e ofensivo, onde arremessos de media e curta distância, mais precisos e eficientes, se sobreponham definitivamente às aventureiras bolinhas, lastreado por um sistema defensivo ousado e corajoso, base verdadeira de uma equipe de alta competição. Que assim seja, torço e espero.

Amém.

Foto-Divulgação CBB. Clique na mesma para ampliá-la.

EM TEMPO- Agora,  oficialmente na America do Sul, estamos em quarto…

5 comentários

  • Rodolpho
  • 25.06.2012
  • Professor, apesar de ser um pessimista (ou realista) com relação à Seleção Brasileira, duvido muito que o Magnano repita os erros da seleção no sul americano.
    Mesmo desfalcada, a seleção marcou muito bem e foi contida nas bolinhas durante o pré-olímpico. A tendência é melhorar o que deu certo, principalmente com a chegada dos reforços da NBA, que entram em vagas de jogadores sem condições técnicas ou táticas de disputar uma posição decente em Londres.
    Obviamente o nível dos adversários será muito superior, mas nossa seleção tem bons nomes (quantas seleções tem um garrafão do nível de Nenê/Varejão/Splitter?), o que me leva a crer que podemos chegar nas quartas de final sem sermos taxados de azarões.
    Pra um país com um campeonato nacional novo (4 anos) e de nível tão baixo, com a maior parte dos seus participantes ainda em nível amador, além, é claro, da vergonhosa situação das categorias de base, ficar entre os 8 primeiros do mundo é um prêmio a cada atleta e membro da comissão técnica, que, mesmo sem apoio da CBB (muitas vezes com a confederação atrapalhando) conseguirão chegar a Londres numa condição privilegiada.
    E quando o Brasil chegou entre os 8 melhores de um Mundial ou Olimpíadas?
    E quando o Brasil chegou entre os 8 melhores de um Mundial ou Olimpíadas sem depender de milagres do Oscar (as vezes com Marcel)?
    Faz muito, muito tempo.
    Espero que o sucesso nas Olimpíadas (acredito nisso plenamente) não seja usado como mérito da CBB, pois não será. Será tão e somente mérito de cada jogador (e sua família) que sabe o que é conseguir chegar no nível mais alto do esporte sem apoio algum de sua pátria. E ainda sim criticado quando (realmente) não pode participar de alguma competição.
    Professor, poderemos vê-lo comandando algum clube num campeonato estadual adulto esse ano???
  • Basquete Brasil
  • 25.06.2012
  • Não esquecer as três medalhas olímpicas de bronze (Londres, Melbourne e Toquio), e os dois mundiais no Chile e Rio de Janeiro, todos conquistados pela geração que antecedeu a do Oscar, prezado Rodolpho. Não esquecer também que a FIBA relacionou o Brasil como a quarta potência no Basquetebol do século 20, somente atrás dos Estados Unidos, União Soviética e Iugoslávia.
    Sim, já fomos referência mundial no grande jogo, condição perdida pelas absurdas e criminosas gestões na CBB dos últimos 25 anos.
    Muito será o trabalho para o soerguimento do basquete no país, e quem sabe um bom papel em Londres ajude nesse esforço.
    Um abraço, Paulo Murilo.
  • Basquete Brasil
  • 25.06.2012
  • EM TEMPO – Rodolpho, não respondi a sua pergunta feita ao final do comentário – “Professor, poderemos vê-lo comandando algum clube num campeonato estadual adulto esse ano???”
    Mas o faço agora.
    Somente me verão dirigindo uma equipe em qualquer campeonato, municipal, estadual ou nacional, se for convidado, o que duvido muito que aconteça. Relatar treinamentos e jogos visando um maior conhecimento por parte dos jovens técnicos brasileiros, como fiz ao dirigir o Saldanha da Gama no NBB2, através relatos diários no blog, mantê-lo atuante e combativo ano após ano; propor na teoria e na prática intensa, novos caminhos técnico táticos para o nosso basquete; lutar com denodo pela urgência de um associativismo por parte dos técnicos de forma ampla e irrestrita; contrariar interesses de Cref’s e entidades que monopolizaram e lotearam o desporto nacional, minimizando e quase extinguindo o esporte como parte integrante do processo educativo nas escolas, canalizando toda uma juventude para os corredores e salas de mega academias; se negar a deixar de escrever e publicar nessa humilde trincheira em troca de possíveis colocações no mercado de trabalho; tudo isso são os reais fatores impeditivos ao meu exercicio profissional de técnico de basquetebol, apesar de muito necessitar economicamente do mesmo, face ao grande dispêndio financeiro que passei a enfrentar quando da quase perda de minha casa num processo espúrio e criminoso, além da conceituação de velho e ultrapassado, que é o estigma por que passam os profissionais acima dos setenta anos, independendo de sua formação e qualificação, neste nosso injusto e cego país.
    Mas sigo em frente, atuante e atento ao mundo que me cerca, pleno de esperanças e fé em dias melhores para todos nós que amamos o grande jogo.
    Não, prezado Rodolpho, me verem em quadra de novo é assunto proibido, pois dependeria de quem, assim como eu, propugnasse por algo antagônico ao que ai está. Logo…
    Um abraço, Paulo Murilo.
  • Rodolpho
  • 27.06.2012
  • Professor, o basquete há de pregar uma peça na gente (como a vida sempre faz) e muitos que querem o bem do jogo não esperam a hora de te ver no seu lugar, que é no comando de alguma equipe com estrutura decente.
  • Basquete Brasil
  • 27.06.2012
  • Amém, prezado Rodolpho, amém.
    Paulo.

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É A GLÓRIA, A GLÓRIA!!…

Tinha que ser no Natal, o prana, o presente supremo, enfim alcançamos a glória suprema, a NBA natalina, a NBA das multidões, com suas arenas lotadas e seus milhões de dólares que nos redime de um NBB “que ninguém nunca viu”, com suas arenas vazias, gerando um solitário eco, que bem representa a agonia do grande jogo nesse imenso, desigual e injusto país…

Nas páginas do maior jornal do país, semanas após semanas, enormes matérias expõe uma redentora NBA, com chamadas nobres, e páginas e páginas inteiras com a programação da grande liga, num investimento dirigido cirurgicamente aos torcedores e consumidores tupiniquins, principalmente os mais jovens, numa campanha direcionada aos interesses mercadológicos que a sustentam nesse bilionário mercado…

Enfim, é a glória, sufragando um investimento colossal, deixando as migalhas ao torneio “que ninguém nunca viu”, com suas dezenas de argentinos, outro tanto de americanos meia boca, alguns venezuelanos, um ou outro grego, e até um paraguaio, todos irmanados a rodados e experientes nativos, adeptos confessos do sistema único, garantidor de seus empregos, com uns raros jovens que em breve se inscreverão no draft redentor, somados a inacreditáveis “pranchetas que falam”, sobraçadas por estrategistas que bailam, caminham, gesticulam freneticamente ao lado das quadras, além de sistematicamente constrangerem as arbitragens, num espetáculo que beira ao circo…

Mas nada que se compare ao maior show da terra, aquele que arrasta o interesse pátrio, aquele que, mesmo sendo economicamente inatingível e factível aos nossos parcos recursos, direciona o nosso interesse ao interesse maior e coercitivo da turma acima do equador, pois é dessa forma que a banda toca, ao preço que for, até que recobremos a vergonha na cara. Quem sabe, um dia…

Amém.

Desejo aos poucos e teimosos leitores desse humilde blog, um Feliz Natal, e um esperançoso 2025 para o nosso tão maltratado basquetebol.

Fotos – Reproduções do jornal O Globo. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

A INVERTIDA ESPIRAL…

Por quanto tempo mais continuaremos nessa espiral invertida que tanto deprecia e castiga o grande jogo entre nós, tanto no aspecto técnico, como no tático, sedimentando uma mesmice endêmica que nos esmaga e humilha, deuses, por quanto tempo mais?…

Seleções são constituídas, dirigidas por nacionais ou estrangeiros, que juram de pés juntos revolucionar a forma de jogar, pensar, evoluir e desenvolver novos e inéditos caminhos, que nos redirecione equilibradamente às grandes competições internacionais, porém inócuos até hoje, repetidos que são os mesmos erros e equívocos…

Que são sérios e teimam em se manter na formação de base, que espelham as ações desenvolvidas nas divisões superiores, inclusive seleções, que exemplificam à base, todo o comportamento padronizado e formatado que direciona o grande jogo entre nós, mantendo-o rigidamente alinhado a um sistema único, originado na NBA, e tornado universal na maioria dos países que o praticam a mais de três décadas…

Por conta de tal descalabro, poucos técnicos ousam tentar algo de diferenciado como ação contínua, arriscando um ou outro movimento fora da curva, como a dupla armação básica, e uma tríade de homens altos atuando no âmago das defesas que enfrentam, como vemos, ainda que timidamente, acontecer nesse NBB, e mais timidamente ainda em nossas seleções, mas nada que iguale a enorme cisão técnico tática provocada pelo humilde Saldanha no NBB 2, que por tal comportamento libertário, foi demolido pelo sistema único, tanto como equipe, como direção técnico tática, profundamente indesejável pelo mesmo, sólida e dogmaticamente corporativado desde sempre…

O artigo reproduzido a seguir conta um pouco daquela fugaz, porém impactante saga, a dos dois armadores e três alas pivôs, que se continuada, teria influenciado positivamente o grande jogo, neste imenso, desigual e injusto país…

A COZINHA QUE DEFINE…

terça-feira, 23 de maio de 2017 por Paulo Murilo

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Saldanha_x_VV_1904saldanha-1case-saldanha_da_gama-foto_gilson_borba-f5fotoagenciaSaldanha_x_VV_16Criou-se no mundo do grande jogo no país a premissa de que, fora do sistema único que empregamos sofregamente a três décadas, nada mais viceja, a não ser a confirmação sistemática de tudo que emana da matriz do norte que deve ser conceituada como palavra final, como diretriz de via única, custe o preço que for, da formação de base a elite, nada podendo ser contestado, seja no âmbito técnico das equipes, seja na esfera da crítica, todos mergulhados de cabeça e de espírito no que de melhor convier para o progresso da modalidade, claro, na opinião formatada e padronizada de todos eles, menos e solitariamente, da minha…

Que, dando de frente a um parágrafo do artigo do jornalista Fabio Balassiano publicado em 22/5/17 no blog Bala na Cesta, a seguir mencionado:

(…)Sem a menor cerimônia, Bauru fechou o garrafão para impedir as cestas “de pertinho” e deu o perímetro para o Pinheiros arremessar. Como que dizendo “aqui dentro você não entra, então se quiser pontuar na gente vai ter que chutar de fora”.(…).

Fez com que me reportasse a uma curta, curtíssima, porém bem sucedida experiência que tive no Saldanha da Gama no NBB2, quando no oitavo treino de meia quadra 5 x 5, interrompi o duelo furioso entre defesa e ataque, para enfatizar a todos os que atacavam naquele momento – “Guardem bem, e não esqueçam ou se omitam  de que é bem aqui, dentro, no miolo, no coração da defesa que farão os ´pontos decisivos, entendendo agora o porquê de tantos exercícios de dribles, passes e arremessos que realizaram, e muito realizarão dentro desse exíguo espaço, na cozinha do adversário, onde as conclusões são mais seguras, de 2 em 2 e de 1 em 1 pontos, pois nada arrefece e desbasta uma defesa do que se vê liquidada e vencida “ aqui dentro” e “bem de pertinho”, minando sua moral e auto reconhecida solidez”…

E assim foi feito e entendido, por todos, sem exceções, ao som dos choques corpóreos, das inevitáveis pancadas, com um dos lados atacando com dois armadores e três homens altos permanentemente enfiados lá, “na cozinha”, numa louca, porém disciplinada movimentação aleatória e ao mesmo tempo consciente dos valores da improvisação, degrau mais alto do conhecimento técnico que exerciam dentro de seu sistema proprietário, enquanto do outro, tudo faziam, a meu pedido, para tornar estéril toda e qualquer movimentação dentro do sistema ofensivo que optamos desenvolver, como que nos adiantando ao comportamento defensivo de nossos futuros adversários, e por se tratar de um sistema híbrido, por ser o mesmo utilizado tanto contra defesas individuais, como as zonais, indistintamente, talvez variando somente quanto ao ritmo de jogo, e que para ser desenvolvido e treinado exige grande conhecimento técnico, tático, e coragem suficiente para aplicá-lo em toda sua essência inovadora, nada mais…

Infelizmente, depois de um belo recomeço em São Paulo, viu-se a equipe alijada de três de seus melhores jogadores, para enfrentar duas semanas de derrotas, algumas delas que não aconteceriam se sua unidade não tivesse sido quebrada daquela forma, mas, que um pouco adiante, reformulada em seus limitados recursos humanos, pode mostrar a muitas das poderosas equipes daquele segundo campeonato da liga, inclusive a campeã, como defender dentro e fora dos perímetros, dentro da mais irrestrita linha da bola, flutuando lateral e jamais longitudinalmente à cesta, e atacar com força e inteligência, jamais ultrapassando o limite seletivo dos 10/15 arremessos de 3, concluindo a maioria de seus pontos de 2 em 2 e de 1 em 1, “lá dentro” e “bem de pertinho”…

Duvidam? Então vejam, e não esqueçam, se realmente se interessam pelo grande jogo, aquele que foi jogado um dia de forma diferenciada em nosso país ( já lá se vão quatorze anos), de verdade, lamentando somente me ter sido vedada a continuidade do mesmo. Por que? Por quais motivos? Saberão responder?

Vencendo as limitações de um grande jogo.

Pensando o futuro – O grande jogo. toda sua essência inovadora

Uma data para recordar.

O desafio.

Me despedindo.

Amém.

Fotos – Minha homenagem aos grandes jogadores do Saldanha da Gama no NBB2, a quem tive a grande honra de dirigí-los. Clique duplamente para ampliá-las.

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VERGONHAS, A e B…

A– O Petrovic em recente testemunho ao programa Hello LA do Sportv, discorreu longamente sobre sua volta à direção da seleção brasileira, depois de dirigí-la de graça (?) no Pré-Olímpico para Paris, quando classificou-a na difícil competição…

Falou, discursou muito, no seu confuso portunhol, colocando-se como o arauto da nossa retomada do grande jogo ao cenário internacional, prometendo lançar cada vez mais jovens promessas no ciclo olímpico que se inicia, conclamando os técnicos tupiniquins que façam o mesmo em suas equipes, numa caminhada onde seu exemplo renovador deveria ser aceito e seguido por todos aqueles empenhados no ensino e aperfeiçoamento técnico tático a imagem e semelhança de seu esforço junto aos jovens talentos desse imenso, desigual e injusto país…

Guardou, surpreendentemente, a cereja do bolo ao final de sua retórica, brava retórica, a de passar o comando da seleção, se classificada a Los Angeles, a um técnico nacional, numa pungente renuncia, que no entanto gera uma outra real e objetiva pergunta – E se não classificar? Bem, os salários, altos e dolarizados salários de todo um ciclo já estariam devidamente embolsados, restando somente uma classificação no bojo de um formidável e inovador (?) projeto, que seria vivenciado por um brasileiro, que qualquer um nada, pouco ou muito conhecedor dos meandros do basquetebol pátrio já conhecem de cor, Spliter, um gênio que apesar de nunca ter militado até bem pouco tempo na direção de equipes, se situa acima de qualquer julgamento inter pares, por seu absolutamente incomparável conhecimento do grande jogo, em sua complexa sistemática, e profunda preparação de jogadores, técnica, tática e mentalmente orientados…

Meus deuses basqueteiros (ou não), onde se encontram nossos mais profundos, dinâmicos e competentes ases das pranchetas, “aquelas que falam”, aqueles que deitam prolixamente vastos conhecimentos fora e dentro das quadras, esbravejam contra arbitragens, gesticulam teatralmente quando se veem focados pelas lentes televisivas, emitem prognósticos e opiniões que nem mesmo eles acreditam, que se dizem conhecedores dos atalhos que levam às vitórias, mesmo estando todos sob a égide de uma sistemática formatada e padronizada, geradoras de uma mesmice endêmica que nos tem ferido de morte por algumas décadas, e da qual somente emergiremos com muito e penoso trabalho a médio e longo prazos, mas que encontra agora uma válvula de escape pelas mãos de um milagroso croata, e no razoável prazo de um ciclo, destinando magnanimamente seu ápice a um treinador nacional…

Grande Petrovic, puxa vida, agradecemos penhorada e emocionadamente tão grandioso e fantástico presente. Quanto a mim, já técnico experiente, o vi jogar ao lado de seu estreante irmão, Drazen, pela seleção da Iugoslávia contra a brasileira no ginásio corintiano nos anos 70, e que agora comanda nossa seleção em dois ciclos olímpicos, ostentando um salvador, renovador e hermético discurso, o qual gostaria imenso de, particularmente, não concordar e aceitar, por um único e singelo motivo, aprendido e apreendido com meus pais, mestres, alunos, jogadores, amigos e irmãos, o de ter vergonha na cara, simplesmente isso, vergonha na cara.

Primeira ação da partida, uma bola de três para o Flamengo…
Segunda ação na partida, outra bola de três para o Pato. Dai em diante uma incontrolavel e generalizada tempestade de bolinhas…

B– Imaginem um caótico jogo, com mais de 80 arremessos na partida, muito acima dos de dois pontos, mesmo que com uma prorrogação, imaginaram o absurdo tiroteio? Pois é. esse jogo aconteceu esta semana, Flamengo e Pato cometeram esta insanidade, e acredito que estão prontos para continuá-la, numa competição “como você nunca viu”, segundo os propagandistas da Liga, com pouca técnica, até concordam, mas com emoções extremas, pena que na presença de ginásios semi desertos, repletos de narradores e comentaristas ensandecidos com a profusão de tocos, enterradas e, claro, bolinhas em profusão. Eis os números:

               Flamengo   110  x  103     Pato

                           21/38      2      20/39

                           13/43      3      16/39

                           29/32     LL     15/18

                                57      R      34

                                12      E        9

Pelas continhas – Arremessos de 2   – 41/77

                             Arremessos de 3   – 29/82

                             Lances livres         – 44/50

                             Erros de fund.       –  21

Ficam perguntas no ar –  Quem marcou, defendeu nesta partida?

                                        Que maravilhosos sistemas propiciaram tantas tentativas livres de cesta?

Ouso responder- Ausência quase total de princípios de equipe, numa aventura colossal de individualidades, advindas de inexistência defensiva, e de liderança e comando responsável. Abreviando, uma descomunal pelada, onde a turma estrangeira se locupleta triunfante, e claro, no mais puro inglês, e por que não, castelhano também. Sobra-nos as pranchetas, “aquelas que falam”, e como…

O novo e prometido osmótico Delfin…

E no rufar triunfante dos tambores, emergirão nossas seleções, atuando como jogamos internamente, solidificadas pela sanha orgiastica das bolinhas de três, arremessadas por todos em quadra, de todos os quadrantes e formas, não fossemos nós (numa absurda crença geral) os maiores especialistas mundiais nas mesmas, contando, inclusive, com a progressiva aderência e anuência do Petrovic, que aqui aportou com um discurso oposto a essa forma arrivista de jogar, e hoje, cada vez mais, fã do estilo, garantidor de seu excelente e muito bem pago emprego, o qual se desfará ao passar o comando a um já definido (mas sutilmente não exposto) brasileiro, para a competição olímpica. Neste momento voltemos uns paragrafos atrás, onde uma pergunta se faz ecoar – E se não classificar? Pano rápido…noves fora as já equacionadas responsabilizações, num magistral projeto de ciclo olímpico…

O reinado das bolinhas…

Quem viver verá.

Amém.                                       

NÃO SE BRINCA COM A FORMAÇÃO DE BASE…

A Escola Carioca de Basquetebol – Rio de Janeiro 1963
Houve um tempo em que formávamos jogadores de alta qualidade, orientados e treinados por professores e técnicos de maior qualidade ainda, espalhados por esse imenso, desigual e injusto país, mas que mesmo assim trabalhavam, insistiam, e administravam com maestria a pobreza de meios e materiais que o circundavam, estudando, pesquisando e distribuindo seus saberes no seio de uma juventude ávida por conhecimentos, exemplos e motivada na aprendizagem do grande jogo, sem imposições exógenas excludentes, e absolutamente fora da nossa realidade social, econômica e porque não, política também. Por conta daquela outrora realidade, tínhamos jogadores formidáveis, da base ao adulto, talvez não os mais altos e robustos, mas plenos de técnica individual e sede de aprender, apreender o mais que pudessem, forjando-os aos embates mais duros e intensos, fazendo-os vencedores na América do Sul, três vezes em mundiais, e medalhistas olímpicos por outras três, sendo a modalidade classificada como a quarta força mundial pela FIBA no século XX, graças à excepcional formação que tiveram de professores e técnicos insuperáveis…

Hoje, nos afogamos na mediocridade, na mesmice endêmica, fruto da entrega colonizada a interesses midiáticos, econômicos, e porque não, políticos, advindos de um poder avassalador de uma sociedade que não nos diz respeito, que nos avista como clientes e utentes em potencial para os patrocinadores de suas franquias, que insidiosamente vem se infiltrando no ensino do grande jogo em nossas escolas, direito inalienável de nossas prefeituras, estados, nação, remetendo nossos jovens a um atavismo cultural que em absoluto não nos pertence, por incompatibilidade econômica, educacional e integração racial, justa e equânime…

A pouco tempo atrás, tínhamos em plena ação na grande rêde uma boa quantidade de sites e blogs voltados ao basquetebol, como o Clipping do Basquete, o Rebote, o Bala na Cesta, o Vinte e Um do Giancarlo Giampreto, o Draft Brasil, o KickdaBola, comandado pelo Sérgio Macarrão, medalhista olímpico, professor e técnico do mais alto quilate, e do qual extraio uma matéria que expõe com clareza a grande importância de um passado não tão distante assim, mas que, infelizmente, se vê cada vez mais, sepultado em nome de uma realidade atroz e cruel, que aí está escancarada em sua crueza e abjeta realidade…

Peço ao Sérgio que não se aborreça pela lembrança, pelos bons tempos em que competiamos com lealdade, ética, e acima de tudo, com conhecimento e responsabilidade, relembrando e elogiando o Heleno, que nos deixou a uma semana, e que deixará uma imensa saudade.

Amém.  

 

* Colando do Professor Paulo Murilo

       Ressonância Magnética do Basquete Brasileiro

       Já citei aqui no blog, mais de uma vez, o Paulo Murilo, um dos ‘craques’ que formou a geração mais vitoriosa da história do basquete do Rio de Janeiro. Foi um tempo, onde a formação era espaço para professores. Quem ensinava sabia o que estava fazendo, onde queria chegar e como. Éramos todos meninos, Paulinho um pouco mais velho, mas já era técnico. Já era um dos ‘craques’. Epaminondas, Gleck, Barone, Paulo Murilo, Geraldo Conceição, Tude Sobrinho, Afro, Olímpio, Passarinho, entre outros, cada um em seu clube, formaram a geração que em 6 anos venceu 5 brasileiros de juvenis. (Assim como hoje, São Paulo dominava, e para surpresa do Brasil, o Rio acumulou essa série de títulos.) Heleno, também foi técnico de ponta no Rio, um pouco depois desses dias. Meu colega na faculdade, e profundo conhecedor de basquete.

      Recebi uma troca de e-mails entre os dois onde se comentava a recente derrota do Brasil para a Argentina no Sul-americano Sub-15 por mais de 40 pontos. Paulo Murilo fez um “triple double”, e por ele autorizado, publico aqui. Todas as loucuras que acredito, ditas dessa forma, nem parecem ser tão loucas assim. Parabéns Paulinho, obrigado. Como te disse, me senti muito melhor quando te li.

———- Mensagem encaminhada ———-

De: heleno lima <helenolima@hotmail.com>

Data: 19 de maio de 2012 13:57

Assunto: RE: BASQUETE ARGENTINO DÁ UM SACODE NA SELEÇÃO BRASILEIRA SUB-15 MASCULINA

Para: clippingdobasquete02@gmail.com

       Trabalhei muito nestas categorias. A diferença de um ou dois anos é muito grande. Diferenças que desaparecem com o tempo à medida que ficam mais velhos. Nós levamos uma equipe com quatro jogadores de 15 anos, sete jogadores de 14 anos e um de 13 anos.

    Podem ter certeza isto explica tudo. Se foi estratégia foi errada. Não é possível que tenhamos somente quatro jogadores de 15 anos em condições de defender nossa seleção da categoria. Tem que haver uma explicação coerente a respeito disto. Levar uma diferença dos portenhos (Uruguai e Argentina) de 64 pontos não tem cabimento. Existe algo errado nisso. Gostaria de ouvir o Prof. Paulo Murilo que entende disso mais do que eu.  

       Prof. Heleno Lima

      O Clipping do Basquete do Alcir Magalhães veiculou a matéria acima, que culmina com o pedido do técnico Heleno Lima para ouvir minha opinião à respeito. Trabalhamos juntos no vencedor projeto do Olaria AC nos anos oitenta, com praticamente todas as categorias, do infantil à primeira divisão, com muita seriedade e competência, num tempo em que a formação de base, não só no Rio, como em muitos estados brasileiros, fluía e se desenvolvia, abastecendo as divisões superiores com jogadores bem treinados nos fundamentos e nos sistemas de jogo, com ótimos técnicos e professores, até o momento em que a modalidade se viu afastada dos clubes pela falta de incentivos e investimentos, até alcançar o estado de penúria em que se encontra.

    Some-se a esta realidade, outra mais perversa ainda, a decadência do ensino do basquete nas escolas superiores de educação física, que deixaram de oferecer três semestres da modalidade, assim como em outras, como o vôlei, o handebol, o futebol, a natação, o atletismo, passando-as a um mínimo insignificante, substituído-as por disciplinas voltadas às áreas médicas, como as fisiologias, biomecânicas, psicologias, etc., que passaram a ocupar as grades horárias prioritariamente, numa formação voltada à saúde, como resultado das anexações das escolas aos centros de ciências da saúde, em vez dos centros de formação de professores, onde estavam historicamente sediadas. A realidade é que hoje a maioria destas escolas formam paramédicos de terceira categoria, fornecendo pessoal a academias e consultórios, como força de trabalho explorada pelas holdings do culto ao corpo que se espalham velozmente por todo o país, e com uma agravante a mais, com uma formação mais voltada aos cursos de bacharelato do que os de licenciatura, numa inversão absoluta de valores voltados ao processo educacional do país, com o abandono das escolas para a educação física e os desportos.

    Claro que a formação de base se ressente profundamente dessa formação nas universidades, refletindo tal despreparo didático pedagógico nas formações de base de todas as modalidades, que não encontram na maioria dos clubes os subsídios mínimos para suprirem tão vasta deficiência de ensino.

    Por conta de tal situação, ex-jogadores e até leigos são transformados em técnicos formadores, deficientes em tudo o que se refere ao processo educacional de jovens, mas sempre prontos ao sucesso rápido que os catapultem às divisões superiores e melhores salários, situações estas que os poucos convenientemente bem formados não conseguem equiparar, não só por serem minoria, como, e principalmente, por se tornarem onerosos por suas qualificações legais. Por conta dessa distorção, a maior parte dos jovens iniciantes ficam pelo caminho, e aqueles poucos que conseguem prosseguir o fazem eivados de defeitos e limitações, basicamente no instrumental mais precioso para a prática e o domínio do grande jogo, seus fundamentos.

     Outro e incisivo fator define tal situação com grande precisão, a padronização formatada de cima para baixo no preparo daqueles poucos egressos de uma formação altamente deficiente, por parte de federações alinhadas com uma confederação mentora de um único sistema de jogo, cuja maciça divulgação se faz através de clínicas e de cursos patrocinados por uma ENTB totalmente voltada ao mesmo, onde o planejamento, a aprendizagem e fixação do sistema suplanta em muito o ensino, que deveria ser maciço, dos fundamentos,  no que deveria ser o objetivo central a ser alcançado, pois nivelaria todos os jovens jogadores, independendo de funções, estaturas e posições, no pleno conhecimento das técnicas individuais e coletivas que os tornariam aptos aos sistemas de jogo que mais adiante conheceriam e treinariam, sempre respeitando suas individualidades e amadurecimento físico e emocional, variantes que oscilam de individuo para individuo.

     Por tudo isso caro Heleno, é que sempre me insurgi contra esta situação altamente irresponsável, e muitas vezes criminosa, por parte daqueles que ousam querer implantar formatações e padronizações em crianças e adolescentes, da forma mais absurda e, torno a afirmar, irresponsável possível.

    Os 64 pontos acumulados por nuestros hermanos, refletem essa catástrofe, com a mais séria das consequências, por se tratar do futuro do grande jogo, da categoria competitiva inicial, e que não merece ser tratada de forma tão abjeta. Se mudanças têm de ser feitas, é por aí que deverão começar, pela entrega da formação a pessoas qualificadas, altamente qualificadas, as mais qualificadas que possamos recrutar, de uma comunidade que pertencemos, eu e você num passado não tão distante assim, a comunidade daqueles que real e responsavelmente conhecem, estudam, pesquisam, divulgam e ensinam o basquete como deve ser ensinado. E você, como eu, sabemos que existem esses profissionais, só que nunca lembrados, sequer consultados, por quem deveria fazê-lo.

    Heleno, frente a esta realidade, o que mais dizer?

    Amém.

*

Postado há 21st May 2012 por Sérgio Macarrão

Marcadores: Opinião

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RECORDANDO…

(Da direita para a esquerda), Heleno Lima, Ari Vidal, Paulo Murilo e Alcir.

Recordando um amigo de verdade, leal, irmão, solidário, e profundamente ético…

Heleno Fonseca Lima, professor e técnico, além de funcionário exemplar do Banco do Brasil, o verdadeiro criador, executor e divulgador pioneiro no mundo, de um projeto onde um banco estatal patrocinou uma modalidade olímpica, no caso, seu amado basquetebol…

Estampou na gloriosa camisa o logo inconfundível do BB, na competição olímpica, no mundial, por poucos anos, até que o teve usurpado pelo vôlei, numa tacada política e de interesses econômicos, guindando aos píncaros uma modalidade que, até aquele momento histórico se pautava pela mediocridade técnica e parco interesse popular…

Heleno lutou pelo reconhecimento pioneiro de seu trabalho, teimosa e arduamente, e não o conseguiu em vida. Mudou seu foco para o vasto mundo dos cavalos de milha, criando e os treinando, atingindo metas com sua filha amazona, campeã em competições nacionais e internacionais, até que seu corpo e mente o levaram ao limite suportável. Meu amigo Heleno se foi na semana passada, quietamente em seu sítio de Brasília, sem ostentar seu reconhecimento meritório, sua luta pelo grande jogo, numa omissão imperdoável à sua pioneira visão de incentivo ao desporto de alto nível, mesmo desvirtuado, neste imenso, desigual e injusto país…

O brilhante desportista se foi, deixando no ar uma etérea e sutil atmosfera de injustiça ao seu pioneirismo, porém uma formidável certeza em todos aqueles que o conheceram e admiravam sua liderança e indestrutível esperança em dias melhores na educação e no desporto escolar e clubístico, no plano administrativo e nas quadras, onde tive a honra de privar de sua confiança e cumplicidade nos gloriosos anos de Olaria AC, quando lá se fazia basquetebol de verdade…

Equipe principal do Olaria AC, tendo a direita os técnicos Paulo Murilo (assistente) e Heleno Lima (técnico principal).

Perdeu o desporto brasileiro, eivado de incompetência, onde aqueles poucos que realmente o conhecem, são defenestrados em nome de uma realidade frustrante e retrógrada, e um deles, dos melhores, nos deixou…

Sentirei imensas saudades do amigo, a quem presto minha humilde homenagem, nesse também humilde espaço, enquanto sobreviver o amor ao grande jogo, o basquetebol de nossas vidas.

Amém.

Fotos- Arquivo pessoal. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

20 ANOS DE BASQUETE BRASIL – UM HUMILDE E TEIMOSO BLOG…

Neste mês de setembro, no longínquo ano de 2004, dei partida a esse humilde e teimoso blog, numa ação da qual jamais me arrependi.e ao qual devotei, e ainda devoto, todo um conhecimento acumulado em décadas de estudo, pesquisa e trabalho prático em prol do grande jogo, neste imenso, injusto e desigual país, sem esmorecimento e sem concessões, ao preço que fosse, custasse o que custou e vem custando, ano após ano, até quando puder ir, quem sabe…

Pensei em publicar um texto comemorativo, mas logo desisti, pois nada temos a comemorar no momento medíocre por que passa o basquetebol nacional, onde uma mesmice endêmica impera absoluta. Mas algo deveria ser publicado, algo que espelhasse uma realidade possível, factível, objetiva, e acima de tudo realista, e dentro das nossas possibilidades…

Imediatamente lembrei do artigo publicado quando dos dezessete anos do blog, crú, instigante, provocativo, mas no entanto, lúcido e esperançoso em dias melhores para o grande jogo, que até agora em nada mudou, numa crise que já alcança quatro décadas, refém que se encontra de um corporativismo técnico, em tudo e por tudo comprometido com o status quo vigente, garantidor de um posicionamento hermético e indevassável…

Eis o artigo:

DEZESSETE ANOS DE BASQUETE BRASIL, O HUMILDE BLOG ORIGINAL…

domingo, 12 de setembro de 2021 por Paulo Murilo–  6 Comentários

Ontem (11/9), completamos 17 anos de Basquete Brasil, um humilde, porém perseverante blog, que vem contando as coisas do grande jogo neste imenso, desigual e injusto país, e já lá se vão 1620 artigos…

Coisas, tais como, fundamentos, sistemas, treinamento, direção, planejamento, pesquisa, estudo, e acima de tudo, muito trabalho, contando e divulgando mais de 50 anos trilhando pedregosas estradas, percorridas com muito sacrifício e perene fé em dias melhores para o basquetebol brasileiro, tão carente, equivocadamente orientado, e pior ainda dirigido, principalmente dentro das quadras, pois fora delas, já de muito perdi as esperanças de que soergam o grande jogo, do imenso e interminável fosso em que vem sendo lançado década após década, sem um fim tenuamente perceptível…

Avanços e conquistas tecnológicas nos tem brindado com atletas que saltam mais alto, correm tanto quanto o vento, e trombam com a potência dos paquidermes, no entanto, se perdem nos dribles, nas fintas, passam mediocremente, não defendem, saltam fora do tempo, bloqueiam faltosamente, não leem corretamente o jogo, e finalmente, acreditam piamente que são os melhores e mais letais arremessadores de três pontos do mundo, mas que perdem bandejas, desdenham dos DPJ’s, e cobram os lance livres, onde maneirismos e caras e bocas, em muito superam a eficiência mínima admissível nos mesmos, e mesmo nos três, se encolhem e somem quando contestados eficientemente nos confrontos internacionais. Enfim, ecoa contundente a discutível relevância de preparadores físicos, fisioterapeutas e fisiologistas no ensino e preparo de jogadores que saibam o que vem a ser basquetebol, perante o constrangedor encolhimento de comissões técnicas, cada vez maiores, dividindo comandos na iníqua somatória de seus componentes, numa terrível e canhestra imitação do que é feito numa NBA cada vez mais impositiva, porém questionada por uma NCAA, em seu próprio país. Trata-se de impor ao mundo o jogo de 1 x 1, uma exigência mercadológica, através os 10 jogadores em campo, onde o coletivismo perde cada vez mais para o exacerbado individualismo, que vem se saindo vencedor no campo internacional, exatamente pela adesão dos países por esta sua forma de jogar, vencedora por possuírem os mais bem preparados jogadores nos fundamentos básicos, advindos das escolas primárias e secundárias de seu grande país, filtrando os mais habilidosos para suas franquias, e seu modo individualista de jogar, onde as poucas exceções contam-se nos dedos…

Implantar a tecnologia NBA de preparo de jovens em nosso país é um crime hediondo, pois suplanta em termos econômicos uma verdadeira política desportiva voltada às escolas, onde se encontram os desassistidos jovens de nosso país, com professores que pouco ou nada tem para promover o ensino desportivo de qualidade, que foi, é, e continuará sendo o maná alimentador da grande liga do norte, e não seus cursos voltados aos países de seu interesse político econômico, e que lá, pratica e numericamente inexistem…

Nos últimos oito anos, a investida comercial da NBA se expandiu em muitos países, principalmente naqueles de grande potencial consumidor de seus produtos associados, como a Nike, ávida por uma China, um Brasil, e por que não, uma Europa, que no entanto vem resistindo a tal avanço, e uma das persuasivas técnicas foi a internacionalização de seu campeonato com cada vez mais jogadores oriundos dos cobiçados países. Alguns deles conseguiram se impor a resistência afro descendente dominante na liga, mas a maioria tem se mantido como suplementos em suas equipes, porém presentes como garantidores do interesse mercadológico em seus países de origem. O mercado brasileiro é grandioso, e muito mais o da China e dos países asiáticos, justificando sua exponencial expansão…

No entanto, frente ao basquetebol que desde sempre praticamos, com as regras e princípios da Fiba, sendo campeão mundial e medalhista olímpico, estamos sendo confrontados com uma falsa e escorregadia realidade de que estamos a altura de um conceito NBA, negada a evidência inteligentemente omitida de que, como lá, não possuímos o lastro escolar que sustenta a grande e poderosíssima liga. Sobram sonhos de uns poucos dos nossos ao estrelato, condicionado quase que totalmente aos da terra acima do equador, com raríssimas exceções, europeias, como atualmente…

Nossa formação de base está sendo definitivamente sepultada em nome e indução de uma “nova filosofia”, a de atuar em gênero e forma de uma liga que nada, absolutamente  nada, nos representa e lidera no mundo do grande, grandíssimo jogo, e que apesar das enormes dificuldades, das limitações econômicas, sociais e educacionais, sempre se situou como verdadeiros e capazes adversários quando nos confrontos internacionais, num passado não tão distante assim, hoje esquecido, e até negado, por uma geração deslumbrada e colonizada de estrategistas subservientes e escravos de uma cultura inatingível, alimentada por uma riqueza que jamais atingiremos no plano social e econômico, quiçá no educacional e desportivo…

Precisamos reaprender a administrar nossa pobreza endêmica, porém repleta de coragem e criatividade, na busca de algo que se perdeu nos últimos trinta anos de imitação barata e oportunista, e centrismo em pranchetas midiáticas e profundamente vazias de idéias e conceitos factíveis, que tínhamos aos borbotões, hoje omitidos em nome de uma entidade que nos quer ver calçados e vestidos com os uniformes de suas franquias, oferecendo como elementos facilitadores a formação de jogadores e técnicos à sua imagem e semelhança, algo que não obtém em uma europa teimosa e independente, que joga uma modalidade com regras globais, em contraponto às empregues em uma competição moldada ao showbusiness, de onde captam a extrema riqueza que os permitem praticar um outro jogo, inexistente fora de seus limites territoriais, e que definitivamente nunca foi, é, e será o nosso, quando num longo caminho recobrarmos o bom senso e a vergonha na cara…

Nesta tremenda encruzilhada em que nos encontramos, sugiro veementemente uma ação baseada numa engenharia reversaonde possamos empregar alguns estratagemas desenvolvidos e empregados durante muitas décadas nas escolas e universidades americanas, foco abastecedor da NBA, e cujos princípios e adaptações pontuais às regras internacionais, em tudo e por tudo alavancou suas técnicas fundamentais a patamares nunca alcançados pelos demais países, princípios estes que não constam do currículo das escolas de formação de jogadores e técnicos da NBA, que foca estruturalmente numa forma de atuar baseado num sistema único, onde as ações de 1 x 1 imperam absolutas…

Então, quais enfoques da formação escolar e universitária americana poderiam ser revertidos a nosso favor, de uma forma generalista e democrática, sem os ditames político econômicos da proposta da NBA?

Que tal irmos aos primórdios, aqui relatados em inúmeros artigos, que devidamente adaptados poderiam nos ajudar de verdade, e a preço módico, a tornar realidade aspectos e situações do grande jogo que praticamos um dia, e que foram subjugados por “científicos sistemas”e “novas filosofias de jogo”?

Ao reabilitarmos o sério e estratégico ensino dos fundamentos individuais e coletivos, nos capacitaríamos a sistemas diferenciados de atuar, antítese de um sistema único, que ao ser utilizado por todos, qualifica aquelas equipes com maior investimento individual, não importando a inexistência, ou mesmo falência do coletivismo. Desta forma, iríamos em busca da atuação diferenciada, criativa, intuitiva, através a consciente improvisação, estágio maior do jogo coletivo e altruísta, muito ao contrário do que vemos hoje acontecer pelas quadras do mundo, fruto de uma formatação e padronização fomentada e alimentada por uma oportunisticamente (mal) copiada NBA globalizada…

Pequenas adaptações e providências poderiam facilmente ser tomadas para uma segura retomada técnico tática em nossa formação de base, como as que publiquei no artigo O Ciclo Mambembe Que Se Inicia, em 10/8/21:

Que de alguma forma preparemos os jovens professores e técnicos através um currículomais extenso nas escolas de educação física, com o retorno dos seis semestres dos desportos mais ligados às escolas (futebol, basquetebol, voleibol, handebol, atletismo, natação, ginástica, judô), grade esta que foi minimizada por disciplinas da área biomédica, quando da bem planejada, articulada e veiculada passagem dos cursos dos centros de ciências humanas (onde são formados e licenciados os professores, e não provisionados por Cref´s), para a biomédica, numa tacada magistral de um grupo, visando a criação e manutenção de uma indústria do culto ao corpo, originando, com a desculpa do benefício salutar, o mega negócio que se transformou na imensidão de academias. verdadeiras holdings, para as quais, a educação física e desportiva escolar tornou-se obstáculo para o mais rentável grupamento a ser conquistado, os jovens adolescentes.

– Que adotássemos algumas regras nos períodos da formação de base, a exemplo de alguns países, adequando a conquista das habilidades básicas inerentes ao jogo, a fim de priorizarmos o ensino dos fundamentos da forma mais ampla possível, e exemplifico com dois aspectos objetivos:

1- Defesa – proibição de defesas zonais até os 16 anos da formação de base.

                 – aumentos nos tempos de posse de bola de 35 seg para os jovens até os 13 anos, e 30 seg até os 15 anos, aumentando o tempo de posicionamento defensivo individual e coletivo, ampliando sua correta aprendizagem.

                – encerramento de qualquer partida que excedesse os 30 pontos até a idade de 13 anos, eliminando um sério fator prejudicial ao desenvolvimento educativo e emocional dos jovens iniciantes.

             2- Ataque -Proibição dos arremessos de três pontos até a idade de 15 

                               anos, liberando-os daí ´para diante, assim como a posse 

                               dos 24 seg.

                              – Que na idade até os 13 anos, fosse adotada as regras do 

                                mini basquete, principalmente a regra que somente 

                                permite que cada jogador participe no máximo de dois 

                                quartos sucessivos, e que pelo menos todo jogador 

                                participe de um quarto obrigatoriamente, usando bolas

                                e cesta adaptadas a sua biotipologia.

3- Que as categorias até os 11 anos somente disputassem competições municipais, mantendo os jovens próximos aos seus responsáveis, numa idade em que se solidificam os vínculos familiares, assim como permitindo que a categoria até os 13 anos disputasse competições estaduais, liberando as regionais até os 15 anos. Daí em diante disputariam competições regionais e após os 16 anos as nacionais. Dessa forma, as poucas verbas e investimentos poderiam ser otimizados sem deslocamentos caros e ineficazes, concentrando e ampliando as competições em torno dos macro sistemas municipais, estaduais e familiares, fatores fundamentais ao pleno desenvolvimento dos jovens, assim como criando polos desportivos plenamente auditáveis e de possível controle da aprendizagem fundamental e de sistemas autorais, evolutivos e, acima de tudo, criativos…

São pequenas e factíveis adaptações que de saída obrigariam os professores e técnicos a  ensinar o jogo de forma harmônica, respeitando os ciclos físicos e emocionais de cada jovem, que são naturalmente variáveis, e onde a maior conquista seria a evolução técnica de cada um em seu próprio ritmo, e não a vitória a qualquer custo, que somente beneficia currículos profissionais. A capacitação de cada técnico evoluiria pelo número de jovens que acendessem as divisões superiores, e a qualificação dos mesmos em seleções municipais, estaduais e federais, sendo avaliado anualmente dentro deste parâmetro, a ser regulamentado, ou seja, seria avaliado e promovido pela qualificação dos jovens orientados, e não pura e simplesmente por títulos conquistados. Sem dúvida evoluiriamos de forma consistente no adequado preparo de nossos jovens, democrática e tecnicamente.

Com uma competente EBTN, promovendo um ensino/aprendizagem de qualidade superior na base da modalidade (o que nunca conseguiram), alcançariamos em duas gerações uma evolução plausível  ao formarmos e termos uma base razoavelmente sólida nos fundamentos individuais e coletivos, sem formatações e padronizações técnico táticas, tão usuais no presente, passado que tem sido equivocado e frustrante, vislumbrando um futuro ainda pior, pois o reflexo do que aí está já não engana ninguém, e somente beneficia aqueles que no fundo odeiam o grande jogo, por não compreendê-lo, e por conseguinte, aviltando-o na negação de sua imensa grandeza…

Um ciclo se inicia, mudaremos? Torço para que sim, mesmo que lá no fundo dos meus ativos e lúcidos 81 anos, duvido dos que aí estão ditando regras, se já não bastasse essa criminosa e virulenta pandemia, que em breve passará. Quanto a eles, sei não…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV, Arquivo pessoal e Divulgação CBB. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

6 comentários

  1. Fábio Aguglia26.09.2021· Prof. Paulo Murilo,17 anos desse blog que tem relevância ímpar no basquete brasileiro.Parabéns e obrigado por compartilhar tanto conhecimento.Fez a diferença na minha formação como técnico, na forma como hoje vejo o jogo e nas escolhas técnico/táticas que faço.Muita saúde ao senhor e vida longa ao blog, conte comigo sempre.Fábio Aguglia
  2. Basquete Brasil27.09.2021· Muito obrigado Fabio, sua presença e permanente apoio ao blog só nos honra sobremaneira, e espero que continue a nos presentear com seus comentários justos e precisos. Vamos em frente, até quando os deuses permitirem. Um grande abraço. Paulo Murilo.
  3. João29.09.2021· Treinador..grato por expôr seus conhecimentos..parabens pela coragem e perseverança em mostrar o outro lado deste basquete brasileiro das ultimos décadas, tão carente de pessoas que realmente respeitam e estão preocupadas com o futuro do grande jogo neste país…apesar de estar afastado das quadras pode ter certeza que as suas considerações são de extrema relevância e estão completamente inseridas , principalmente, no contexto atual do que estamos presenciando…vida longa ao blog..muita saúde treinador…abraço.
  4. Basquete Brasil06.10.2021· Prezado João, creio que o recente artigo publicado responda suas dúvidas e questões sobre o nosso indigitado basquetebol. Agradeço sua audiência, sempre rica e incentivadora, e assim como você, espero que dias melhores hão de vir para o grande jogo que tanto amamos e respeitamos. Abração.
    Paulo Murilo.
  5. DAQUI A POUCO… at Basquete Brasil26.01.2022· […] é preciso investir pesado na formação de base, assunto que defendi e aconselhei num recente artigo, e que mesmo carentes individualmente, passemos a defender na Linha da Bola, onde uma flutuação […]
  6. SÓ MAIS UM POUQUINHO… at Basquete Brasil16.05.2022· […] é preciso investir pesado na formação de base, assunto que defendi e aconselhei num recente artigo, e que mesmo carentes individualmente, passemos a defender na Linha da Bola, onde uma flutuação […]

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