LANCE LIVRE GANHA JOGO, E COMO…

Gosto de estudar o jogo, com calma e minúcias, sutil e cirurgicamente, e mesmo assim cometo algum erro, pois análises nem sempre são precisas, mas os números o são, vejamos alguns- O jogo foi vencido pela Alemanha por 11 pontos, convertendo 30 pontos nos arremessos de 2, 27 nos de 3, e 18 nos lances livres. O Brasil perdeu convertendo 36 pontos nos arremessos de 2, 21 nos de 3, e 7 pontos nos lances livres, ou seja, nos arremessos de campo empataram em 57 pontos, porém nos lances livres os alemães fizeram 11 pontos a mais, exatamente a diferença do jogo. O que esses frios números explicam técnica e taticamente, noves fora o elemento emocional, peso significante na equipe brasileira, exatamente por não encontrar respostas à proposta defensivamente vigorosa alemã em todo o transcurso da partida, ao contrário da nossa equipe, que muito oscilou neste importante fundamento coletivo? Explicam com alguma precisão os seguintes pontos:

– Ofensivamente, não soubemos coordenar a dupla armação com a movimentação dos alas pivôs dentro do perímetro, já que lentos e com mobilidade comprometida pela intensidade defensiva alemã, principalmente na anteposição frontal aos nossos pivôs, técnica jamais usada por nossos defensores, que ao marcarem os homens altos dentro do perímetro se encheram de faltas pessoais, daí os 18/24 lances livres cobrados pelos alemães. A seleção brasileira não cobrou um lance livre sequer nos primeiros dois quartos, e somente indo a linha num 7/9 nos dois quarto finais, demonstrando o quanto pouco investiu no jogo interno, mantendo, inclusive, um forte jogador neste importante fator no banco pela partida inteira, o Mariano, que bem poderia compor uma poderosa dupla junto ao Varejão, ou o Hettsheimeir, e quem sabe (claro, se tivesse sido treinada esta possibilidade) uma trinca suficiente para o enfrentamento com os gigantes alemães, e aí sim, bem assessorados e municiados pelos dois armadores de forma incisiva e vertical, quando um George poderia obter resultados bastante úteis a equipe, por sua altura e técnica. Nem ele, nem o Mariano jogaram um mínimo de tempo nesta partida decisiva, optando claramente a equipe pela chutação de praxe (7/25), e até mesmo os alemães fizeram o mesmo (9/31), convergindo bem mais que os brasileiros, vencendo-os pela lógica negacionada por uma equipe forte física e atleticamente, porém equivocada em sua forma de jogar uma final pré olímpica, a de não apostar, ou mesmo arriscar impor um ação interior decisiva, optando pelo escancarado vício que expus no artigo anterior, na crua abordagem da formação básica de jogadores que são os menos culpados de tanta insânia, produto do corporativismo endêmico que se apropriou do grande jogo desde sempre em nosso país…

A equipe alemã se classificou aos jogos de Tóquio nos vencendo nos lances livres, pois investiram pesado no jogo interior e complementar no exterior, exatamente o contrário do que fizemos, com o fervoroso ardor dos perdedores, e que continuaremos a sê-lo, se não invertermos a ampulheta de uma história forjada na mediocridade, na mesmice sistêmica que nos envolve em sombras, na tentativa de negar um passado não tão distante assim, em que éramos vencedores, e por que não, olímpicos…

Temos grandes possibilidades técnicas e táticas, se cuidarmos de nossa formação de base, nas escolas e nos clubes, na formação de melhores professores e técnicos, principalmente nos cursos universitários (onde créditos das  disciplinas desportivas foram muito reduzidos em favor das disciplinas da área biomédica), no aproveitamento dos professores e técnicos mais graduados e experientes nestas formações, que ainda continuam na luta inglória pelo devido e justo reconhecimento, e não entregues a um pétreo corporativismo que não admite contestações e livre pensar e agir ao contrário de seus objetivos mais pétreos ainda, se constituindo no obstáculo maior ao soerguimento do grande jogo neste imenso, desigual e injusto país. Se não mudarmos, continuaremos a não classificar nenhuma modalidade existente de basquetebol a cada ciclo olímpico, ao contrário do voleibol, que classifica todas as suas modalidades, pois investiu pesado no segmento que ensina, treina e forma jogadores, os técnicos, já que seus dirigentes não diferem tanto de seus semelhantes da bola laranja. Técnicos que, inclusive, criaram uma escola específica, hoje copiada pelo mundo, enquanto o basquete…

Creio que nada mais deveria ser dito, lastimável e constrangedoramente…

Amém.



8 comentários

  1. João 05.07.2021 (4 weeks ago)

    ..A mão pesou para alguns jogadores, a equipe foi afobada em muitos momentos do jogo, precipitou o ataque com as “famosas bolinhas” e cometeu muitos erros, como os lances-livre que o senhor citou…assim como no jogo contra a Rep.Tcheca no Mundial, novamente esta seleção não teve a paciência nem resposta ofensiva eficiente e sucumbiu contra uma defesa mais física..nosso basquete mais uma vez em momento delicado com futuro incerto pela frente, sem resultados expressivos a modalidade tambem recebe pouco investimento do COB ..chegamos ao fim de uma geração (Varejão, Alex, Marquinhos e outros) e vislumbro a chegada de uma nova safra de atletas sem as condições devidas de alavancar com sucesso o reerguimento do basquete nacional.. abraço e sáude Treinador.

  2. Alex 05.07.2021 (4 weeks ago)

    João, o nome correto desse “não teve paciência” é formação deficiente na base no fundamento dirble e consciência tático-coletiva (estar preparado para fazer pick and roll(s) e give-and-go(s) para furar o ferrolho no perímetro, quando se deparar com defesas que “batem” o tempo inteiro, como as européias).

    Aliás, quem não quer pegar defesas que “batem” o tempo inteiro como as européias, que nem vá a um Mundial ou a um Pré-Olímpico.

    Porque os europeus sempre estarão presentes nestas competições e vão continuar “batendo” e cometendo faltas o tempo inteiro… sem remorso nenhum.

  3. Alex 05.07.2021 (4 weeks ago)

    Quanto à “a mão pesou para alguns jogadores” não vamos mais tapar o
    Sol com a peneira e vamos dar nome aos bois:

    Sr. Vitor Benite (o “queridinho” da comunidade do basquete nacional).

    E não é a primeira vez que esse jogador amarela em partidas
    decisivas.

    Quem assistiu a Copa América de 2013 e a Copa do Mundo da China em
    2019, e não sofre de amnésia, sabe muito bem disso.

    Obs: Essa amarelada tb se verifica quando esse jogador é marcado
    individualmente e sucumbe diante uma marcação pressionada.

  4. Basquete Brasil 05.07.2021 (4 weeks ago)

    Prezados João e Alex, suas observações são precisas e pertinentes, cobrem um universo de carências de a muito comentadas e debatidas nesse humilde blog, porém faço uma ressalva sobre o Benite, jogador que foi premiado na última competição da La Liga espanhola, mas que nesse pré olímpico aparentemente falhou na partida decisiva. No meu ponto de vista falharam quase todos, na perda, inclusive, de bandejas, passes, andadas e muitos e muitos arremessos de três, que sempre agrego aos erros de fundamentos, afinal, é o arremesso o mais importante deles, por ser a finalidade do jogo. Mais do que nunca o enfrentamento àquela poderosa defesa germânica, só poderia ter sido efetuada através um sólido e muito bem treinado jogo coletivo, principalmente o relacionado a coordenação entre armadores e alas pivôs, quando situações de bloqueios e corta luzes, criariam espaços propícios a bons e seguros arremessos, de quaiquer distâncias, e não a busca individual pelas mesmas, que é o fator primário na facilitação defensiva, ainda mais quando esta age sequencial e permanentemente em coberturas e dobras agressivas e opressivas. Faltou a seleção essa compreensão e leitura de jogo, que são os elementos básicos a serem exaustivamente treinados, supervisionados e discutidos por todos, na perene busca pelo coletivismo, meta fulcral de toda equipe de alto nível. Faltou-nos essa percepção, e o resultado foi o que constrangidos assistimos.
    Um abraço aos dois. Paulo Murilo.

  5. Alex 08.07.2021 (4 weeks ago)

    Confesso que não sabia que o jogador citado recebeu prêmio(s)
    na última edição da ACB.

    Entretanto isso não quer dizer absolutamente nada.

    É o tipo de jogador que na gíria do esporte bretão costuma-se
    chamar de ‘jogador de clube’, ou seja, o jogador que arrebenta
    no seu clube (normalmente num clube europeu – no que se refere à jogadores brasileiros) e naufraga na seleção brasileira.

    Que é o que acontece com o jogador citado por mim… e não só no
    momento decisivo do Pré-Olímpico de Split.

    Senão vejamos: essas amareladas tb ocorreram na Copa América de
    2013 e na última Copa do Mundo disputada na China em 2019 (quem
    não sofre de amnésia sabe muito bem disso).

    Aliás, estas amareladas ocorrem não só pela pressão de disputar
    uma partida decisiva mas tb quando o mesmo é submetido a uma
    marcação individual ou se depara com uma defesa feroz, como a
    germânica.

    Se a comunidade do basquete brasileiro continuar colocando o
    jogador citado no pedestal de ‘referência técnica’ do nosso basquetebol, estamos no caminho de nos afundarmos, mais do que
    o buraco que nos encontramos.

  6. Basquete Brasil 11.07.2021 (3 weeks ago)

    Prezado Alex, discordo em parte com você, por não ser razoavelmente justo responsabilizar um único jogador por uma derrota coletiva, e por que não, de fora para dentro da quadra, por parte de uma comissão técnica( meus deuses, são quatro técnicos…), inábil e pouco atenta a um adversário que nada mais fez do que exercer uma sólida e agressiva defesa, sabedora da fragilidade de um adversário que, em tempo algum, se absteve dos vícios técnicos e táticos ofensivos acumulados nos últimos trinta anos, de conhecimento de todos, da China a Chechênia, o desconhecimento do que venha a ser um corta luz, um bloqueio eficaz, um dá e segue coordenado, uma finta em lado oposto, todas jogadas básicas para propiciar arremessos em condições ótimas de conclusão, fruto de uma preparação focada nos fundamentos básicos do jogo, função principal de técnico e assistentes, não só nas seleções, mas nas divisões de base também. Com esse terrível portfolio, por que culpar somente um, e não todo um conjunto emanado dessa lamentável realidade, como?
    Abração Alex. Paulo Murilo.

  7. Alex 11.07.2021 (3 weeks ago)

    Veja que não culpei o jogador citado pela derrota e eliminação das
    Olimpíadas.

    Eu quis dizer que se a comunidade do basquete brasileiro continuar
    colocando o jogador citado no pedestal de ‘referência técnica’ do
    nosso basquetebol, este referencial técnico (jogadoreS com estas
    características) está completamente equivocado e vai nos afundar
    mais ainda da canoa furada que nos encontramos.

    Na minha seleção não seria chamado sequer na lista inicial com 25.

    Obs: Os motivos da derrota e eliminação (pelo menos alguns) abordei
    no comentário anterior ao que se ateve ao jogador citado.

  8. Basquete Brasil 12.07.2021 (3 weeks ago)

    Prezado Alex, no artigo de hoje (12/7), creio ter dirimido dúvidas sobre a seleção, mas longe de esgotar o assunto.
    Um abraço. Paulo Murilo.

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