DOIS SUBLIMES MOMENTOS EM 2015…

P1120558-001Enquanto os Ministérios da Educação e Esporte encerram o programa “Atleta na Escola”, porque o governo não tem R$ 70 milhões anuais e frustram três milhões de estudantes, o ministro George Hilton (foto) lança hoje o Programa Luta pela Cidadania (PLC), “destinado a democratizar o acesso às práticas corporais de lutas e artes marciais, seguindo os princípios do esporte educacional”.

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Para isso, o Ministério fará convênios com órgãos públicos, prefeituras, por exemplo, e financiará a aquisição do material esportivo e pagará os instrutores. Num país de crise também na educação, as escolas têm instrutores capacitados para ensinar lutas e artes marciais a crianças e adolescentes?

 

Dois momentos sublimes para a educação e o esporte brasileiro neste absurdo 2015, começando com o trecho acima da matéria publicada pelo blog do José Cruz, quando o ME gloriosamente patrocinará o ensino de artes marciais aos jovens patrícios, creio que resolvendo de vez a problemática da violência nas escolas, com a adoção da porrada como instrumento de inclusão cidadã, onde o ensino dos desportos, das artes cênicas, da música cede espaço à cultura das cavernas, da pancada institucionalizada, através o ensino e o exemplo dos pedagogos da violência física, cultuados como heróis nacionais por uma criminosa minoria que deita as cartas na sociedade brasileira.

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O outro momento, inexcedível em sua grandiosidade, grava solenemente a grande impostação no púlpito das Nações Unidas, numa desfaçatez que amedronta pela frieza e absoluta certeza da impunidade, frente a uma colossal mentira em nome de “milhões de crianças”, torpemente afastadas do seu direito constitucional ao ensino de qualidade, à saúde e a segurança de suas famílias, em nome de uma aventura olímpica que nos envergonha pelo assalto a vultosos valores, desviados  das necessidades básicas de um povo propositalmente mal educado e inculto. Mas acredito que a justiça ainda se fará presente um dia, um dia…

Amém.

Fotos – Reproduções da internet. Clique nas mesmas para ampliá-las e acessar as legendas.

 

 

OCTAGON, UM PROGRAMA PARA TODA A FAMíLIA 5…

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Meus deuses, como pude esquecer o magnifico espetáculo para toda a família de daqui a pouco, mas ainda dá tempo, principalmente para nossas meninas, aquelas mais empolgadas pelo exemplo edificante de assistir a cores e em HD o embate entre duas mulheres num octógno quase restrito aos homens, mas nada que não possam ser igualados “pela porrada”…

Uma definição digna de uma pátria educadora é dada pelo agente da lutadora brasileira: “Quem viu o treinamento dela sabe o que ela pode fazer. É a tipica lutadora brasileira. Saiu da Paraíba, começou a treinar com 28 anos e aos 32 está lutando pelo cinturão. Tem vontade, determinação. Isso não é judô, é MMA, e Bethe vai dar muito soco na cara.”

Melhor impossível, ainda mais em rede nacional de TV, restrita a selecionados esportes(?).

Educação, cultura e progresso é isso ai, principalmente direcionado às nossas jovens…

Am.., desculpem, lamentável.

Foto – Reprodução de O Globo (1/8/2013)

NÃO FOI POR FALTA DE AVISO…

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“Se cada povo tem o governo que merece, porque não o basquete. Todos lá estão pelo caminho do voto (27), ou não? Então, o que está errado nessa equação?”

A CBB está em crise, não paga sequer pela vaga na Olimpíada pelo calote dado a FIBA na compra da vaga no Mundial, e agora, de pires na mão suplica por mais um patrocínio estatal, que não duvido nada, conseguirá com os avais do ME e do COB, pois é de suma importância para esse último, liderado pela turma do vôlei, que o basquete permaneça na mixórdia em que se encontra, garantia maior de que não oferecerá, por um bom tempo, perigo ao patamar  de segundo esporte no gosto do brasileiro, ostentado aos quatro ventos pela turma que, depois de um anunciado escândalo econômico administrativo, recobra o majestoso patrocínio do BB,  sem os arranhões expostos e cobrados à turma menor, a do grande jogo…

Fabio Balassiano vem a público com um excelente trabalho sobre as contas da CBB, suas falhas e dívidas milionárias, liderando uma torrente de comentários pela cobrança de explicações e pedidos de auditorias, que também acredito não dariam em muita coisa, face a blindagem ostentada por esse mundo nebuloso e interesseiro, garantido pelo corporativismo solidadamente implantado no mal fadado esporte brasileiro, refúgio de muita gente oportunista,  inteligente e letal, principalmente no manuseio das verbas oficiais depositadas meneirosamente em suas mãos, onde se lavam mutual e permanentemente, década após decada, num movimento ciclópico, aparentemente, sem fim…

Muitos e muitos reclamam da falta de apoio à luta “quase solitária” do Balassiano, mas esquecem que aqueles que ai estão no comando foram eleitos pelas federações estaduais, muitas delas se locupletando do festim, e que não estão nem um pouco preocupadas em mudanças, garantia do que ai está…

Engraçado que, indo de encontro a solidão do Fabio, muito aqui escrevi sobre o que agora está escancarado, muito mesmo, e para refrescar as cabeças que hoje bradam revoltas e pedidos intervencionistas, sugiro a leitura a seguir, e quem sabe, entenderão alguns “porquês” que assombram o grande jogo em nosso país:

Cronologia do Esquecimento (ou Recordando…)

Amém.

Fotos – Divulgação CBB.

 

APRENDENDO COM O WALTER…

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Tenho o imenso prazer de publicar esse artigo do Prof.Walter Carvalho, ex atleta no CR Flamengo, professor e técnico a longos anos radicado no exterior, estando agora residindo e trabalhando nos Estados Unidos. Curtam o explêndido texto do Walter.

 

Esporte no Brasil – Espiral decadência

April 27, 2015 coachcneto Basquetebol brasilBasquetebol na escola

Muito se fala em renovação mas pouco se faz. Cada vez mais os nossos esportes olímpicos estão mais elitizados com pouco investimento, ou nenhum, no trabalho de base e na formação de novos atletas.

Uma rápida ‘radiografia’ do cenário atual do esporte no Brasil revela fragilidades, clubes endividados, instalações sem condições de receber jovens, treinamentos e jogos, torcedores e professores qualificados cada vez mais longe dos estádios, ginásios. Sem mencionar que o esporte escolar e de base e inexistente no pais.

Já esta provado que os clubes brasileiros não tem condições de manter programas esportivos muitos com dividas de milhões e outros rumo a falência. Nossos jovens praticamente não tem mais onde praticar e aprender. A maioria de nossos atletas de elite treinam e estão sendo formados no exterior. As categorias de base, de onde deveriam sair os atletas que um dia brilharão nos clubes e na seleção brasileira, tem tratamento sofrível. Em vez de formar cidadãos e atletas, os clubes fazem, ou aceitam que se faça, de seus centros de treinamento um viveiro de revelações a serem vendidas o mais rápido possível para dirigentes e empresários realizarem seus lucros.

Nossa mídia praticamente abandonou a cobertura do esporte formação, esporte e competições amadoras. Sem eventos, sem patrocínio, sem retorno, e sem gente com credibilidade para administrar não há jeito do esporte sobreviver.

Muita gente, que faz parte da historia do esporte brasileiro,levanta uma questão interessante: existem federações que foram transformadas em um negocio privado por seus presidentes. Sem uma gestão profissional a maioria destas federações se transformaram em empresas privadas.As federações vivem de rendas publicas. Verbas estas que são “somente” utilizadas no esporte de alto nível. E verdade, se não fosse pela ajuda federal. o esporte no nosso pais JÁ estaria definitivamente falido e extinto.

O que notamos é que existem muitos amantes do esporte que entendem o valor do esporte para a sociedade e que querem mudar esta triste realidade. Por outro lado existem outros que morrem de medo de perder a ‘teta’ onde mamam as custas do esporte.

A identificação por clubes e pelo esporte elite exclui uma grande parcela do publico. Existem conflitos de interesse entre a finalidade recreativa dos clubes com o esporte de alto nível.

Acredito que para o Brasil ser a potencia no basquetebol de outrora, precisamos de um projeto que viabilize e massifique o esporte. O esporte escolar pela sua importância social e pedagógica no processo de formação do individuo, ressaltando a disciplina, o respeito a hierarquia e as “regras do jogo”, a solidariedade, o espirito de equipe e outros fatores do desenvolvimento humano. não tem recebido a atenção e a prioridade que merece. Faltam planejamento, programas, diretrizes, metas, acompanhamento de resultados etc.

É baixa a percentagem de praticantes de esportes em relação ao numero da população gerados principalmente pela ausência de uma politica para estimular a atividade em escolas e universidades. Para tal precisamos de um projeto que tenha como objetivo:

  1. Disseminar a pratica esportiva nas escolas.

  2. Contribuir para a identificação de novos talentos.

  3. Proporcionar oportunidades para desenvolvimento profissional de professores.

  4. Recuperar ou adequar as instalações esportivas das escolas e universidades.

Há insuficiência quantitativa e qualitativa de profissionais com especialização específica para o basquetebol tanto de técnicos para formar e treinar. O projeto teria que ter como objetivo a capacitação dos técnicos de base – não com filosofias de ataque ou defesa – ou que enfatize o plano tático como tem sido feito e sim com um embasamento maior no desenvolvimento de fundamentos. Estes técnicos precisam de um conceito e de uma metodologia de ensino onde eles possam adotar uma filosofia que venha atender as necessidades do esporte e das crianças que dele participam.

O conceito a ser adotado deveria ser o de criar jogadores especialistas do esporte e não da posição. Os técnicos responsáveis pelo trabalho de base precisam ser supervisionados e coordenados a nível regional e nacional por técnicos capazes e estudiosos que entendam o conceito de que formação e massificação do esporte são os objetivos do projeto. Precisam aprender a ensinar pois  o projeto requer os melhores “professores” na base, porem com salários dignos

Há,  também, a ausência de gestão em praticamente todos os níveis, Os dirigentes encaram o esporte de forma não profissional e, em sua maioria, não tem formação para atuar nesta área.

O desporto escolar não possui objetivos específicos. As escolas são despreparadas para o esporte.  Não há uma politica visando desenvolver a base esportiva nas escolas. Os professores se reciclam por conta própria mas ganham mal e então não se aprimoram. Existe falta de materiais esportivos em muitas escolas. As unidades escolares carecem de espaços, instalações e recursos humanos qualificados. O esporte é também pouco realizado em nível universitário apresenta problemas semelhantes aos das escolas quanto as instalações, materiais, etc. O que existe e fragmentado e visa apenas o imediatismo.

É preciso que as empresas e o governo entendam que o retorno no trabalho com a base e SOCIAL. Precisamos dar um basta na construção de obras e estádios faraônicos para a elite quando nossas escolas e clubes não possuem instalações e equipamentos adequados para a pratica desportiva. As arenas construídas com “verba do povo” hoje são elefantes brancos,  pois o alto custo operacional inviabiliza que os clubes as utilizem para jogos de campeonato regional e nacional.

Empresas interessadas em investir no projeto precisam de incentivos para tal e que haja maior controle sobre a utlização desta verba. Leis e incentivos que valorizem os patrocinadores. Especialmente, empresas envolvidas na produção de equipamentos esportivos, uniformes, equipamentos protetores e calçados, entre outros. com o crescente interesse das empresas pela atividade. Porem estas empresas só investem  nos esportes de alto rendimento que acontecem em lugares de repercussão nacional e não nas escolas.

Precisamos, também, valorizar a atividade curricular da educação física e massificar o desporto escolar. Estabelecer diretrizes e ações para que as escolas e as universidades sejam importantes formadoras de atletas e de cidadãos. Para tal precisamos de um projeto nacional que tenha como objetivo:

  1. Criar condições e exigir investimentos em espaço, equipamentos e materiais necessários.

  2. Incentivar a realização de jogos colegiais e universitários em todos os estados.

  3. Recuperar as instalações esportivas das escolas e universidades.

  4. Formar novos técnicos  “professores” e oferecer a estes salários dignos!

A importância do esporte para a sociedade tem reflexos significativos principalmente na educação e na saúde da população, podendo, também, contribuir para a superação de problemas sociais apresentados pelo pais.

Abre o Olho Brasil! Estamos perdendo esta corrida! Nossos jovens, cada vez mais, mal educados, estão ai querendo que vocês, governantes, os dêem condições de poder contribuir para o crescimento do pais! Porem vocês se negam a enxergar!

O Basquetebol esta sofrendo também com a falta de ações estruturantes e de desenvolvimento desta atividade nas escolas. Se tem uma coisa que o nosso esporte realmente precisa é de discussões sadias e de pessoas preparadas com novas ideias para uma gestão mais profissional e que atendam as necessidades de nossos jovens e sociedade.

Foto – Walter e eu num almoço quando de sua última visita ao Rio.

 

ONDE QUANDO TUDO COMEÇOU…

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Dois dias atrás fiz parte da mesa inaugural do I Seminário Regional sobre Prática de Ensino/Estágio supervisionado em Educação Física, atendendo o convite do Mestrado em Ciência da Atividade Física da Universidade Salgado de Oliveira – Universo – com o tema A Prática de Ensino e a Didática no momento de sua implantação na UFRJ (a primeira a fazê-lo no país), quando os pioneiros daquele momento fundamental da Educação Física Brasileira discorreram suas experiências e vivências, conforme a programação a seguir-

      A UNIVERSO realizará, no dia 15 de abril, de 2015, I Seminário Regional sobre Prática de Ensino / Estágio Supervisionado em Educação Física. O programa está assim constituído: A Prática de Ensino e a Didática no momento de sua implantação na UFRJ, a única universidade existente no Estado do Rio de Janeiro. Prof. Paulo Emanuel da Hora Matta (UFRJ/UERJ); Prof. Dr. Paulo Murilo Alves Iracema (UFRJ),Prof. Dr. Alfredo Faria Junior  (UFRJ/UNIVERSO). A Prática de Ensino e a Didática na Universidade Castelo Branco e na Universidade Gama Filho. Prof. Eugênio Corrêa (UCB) e Profa. Dra. Vera Lúcia Costa (UNIFOA / UCB). A Prática de Ensino e a Didática na Universidade Rural do Rio de Janeiro, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro e na Universidade Federal Fluminense. Prof. Dr. Marcos Santos Ferreira (UFRRJ), Prof. Dr. Evaldo Bechara (UERJ), Prof. Dr. Waldir Lins Castro (UFF). A Prática de Ensino e a Didática na Atualidade: as experiências da UNISUAN, da UNIVERSO e da FAMATH.  Prof. Roberto Santos (UNIVERCIDADE/UNIVERSO), Prof. Dr. Carlos Figueiredo (UNISUAM/UNIVERSO), Prof. Maurício Barbosa (UNIVERSO), representante da FAMATH. Os conteúdos das mesas constituirão os Capítulos de um livro a ser publicado.

Ao final da minha palestra, que brevemente veicularei aqui no blog, assim como a dos demais palestrantes, tive a honra de ser agraciado com uma placa comemorativa pelos longos anos dedicados à Educação Física Brasileira, no que fico lisonjeado e agradecido aos professores responsáveis pelo Mestrado em Ciência da Atividade Física daquela prestigiosa Universidade, na pessoa do Prof. Dr. Alfredo Faria Jr, com quem participei da introdução e os demais professores, quase todos ex-alunos nossos na UFRJ. Pena e muito lamentada a ausência, por motivo de saúde, do Prof. Paulo Emanuel da Hora Matta, um dos pioneiros daquela primeira hora da Didática/Prática de Ensino e Estagio supervisionado da Educação Física Brasileira.

Amém.

Fotos – Andre Raw. Clique nas mesmas para ampliá-las.

Foto de grupo – Professores Roberto Santos, Paulo Murilo Alves Iracema, Alfredo de Faria Jr., Léa Laborinha e Eugênio Corrêa.

 

SEMANA DEMAIS…

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Nesta semana e meia que nada postei no blog, tive a oportunidade de testemunhar alguns fatos bem importantes que passo a relatar:

– Primeiro, a significativa e bem vinda redução da artilharia de fora nos jogos do NBB, e claro, como alguns irão patrocinar, por influência direta das transmissões do March Madness da NCAA, onde predomina em essência o fortíssimo jogo interno, destinando os longos arremessos aos poucos especialistas de cada equipe, e jamais através a longa campanha emanada dessa humilde trincheira sobre a temerária validade dos mesmos, como o vemos e praticamos em terras tupiniquins…

Não importando a origem reducionista, é algo alentador assistirmos jogos onde a assistência interna vai se impondo aos poucos, incluindo os pivôs nas concepções ofensivas, e não somente como arrecadadores de rebotes originados pela sanha autofágica de um sistema de jogo absurdo e deplorável, mas que ainda está muito longe de uma autêntica mudança de hábitos, que necessitará de algum tempo para ser convincente e competentemente ensinados e auferidos…

– No entanto, tornasse um exercício aterrador sermos bombardeados por comentários televisivos raiando o inacreditável, quando em belos e bem disputados jogos da NCAA, nos deparamos com verdadeiras encíclicas de auto promoção, vaidades, ironias, piadinhas e outros penduricalhos perfeitamente dispensáveis, numa enxurrada de achismos e pitacos pouco críveis e de questionável seriedade, e que passam a kilômetros do que testemunhamos ao vivo e a cores, principalmente quanto a verdadeira revolução técnico/tática por que vem passando o basquete americano, principalmente em sua colossal base colegial, cerne inquestionável de seu poderio, liderado não mais pelo solitário Coach K, agora acompanhado maciçamente por seus colegas, muitos passando dos 65 anos, provando de forma magistral que experiência e rodagem ainda dão as cartas quando o assunto é o grande jogo, mas que ainda encontra no seio de nossas carpideiras, televisivas inclusive, saudades e menções sobre “cincões” e “bolinhas”, sem as quais não se ganham jogos, entre outras discutíveis e lamentáveis opiniões…

– Mas, eis que de repente, surge na telinha o presidente da novíssima ( pena que restrita) ATBB (ou ASBRATEC), discutindo aridamente com um trio de arbitragem, demonstrando a todos seus filiados (até agora parece que são 15, todos do NBB…) como deve se comportar éticamente um técnico nivel III galardoado pela ENTB/CBB, junto às arbitragens em jogos do NBB, que é o parâmetro para os técnicos de todas as divisões da modalidade no país, num irretocável exemplo para todos do que façam o que faço…

– E pela enésima vez assisto num jogo feminino o técnico insistir – “Sem utilizar o sistema não tem jogo…” Mas como fazê-lo se as jogadoras encontram na bola e no domínio de seus corpos os maiores obstáculos? Como jogar se não dominam o básico, os fundamentos, como?…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las e acessar as legendas.

 

ORANGOTANGO ANCIÃO (OU QUEM SABE, UMA INSTIGANTE VIAJADA SOBRE QUEM JAMAIS PREGOU UM PREGO SEM ESTOPA POR ESSE MUNDO AFORA)…

 

                                                                                                                                                                                                                            orangotango-velho-03-17929392-271x300

(…)De qualquer forma, a aproximação da NBA já vale como um baita reconhecimento ao trabalho da liga nacional. Serve como um gesto de aprovação ao trabalho feito até aqui, que pegou um esporte no buraco e o transformou num produto que atraiu o interesse estrangeiro, contando antes com aporte do ministério do Esporte e de uma patrocinadora estatal. No que vai resultar esse envolvimento, ninguém sabe ainda. “Ficam me perguntando o que esperar disso? Digo que não sei”, afirma Cássio Roque, o presidente da LNB. “Só sei que estamos ao lado da companhia certa.”(…)

Esse é o último parágrafo do excelente artigo do Giancarlo Gianpietro no seu blog Vinte Um, e que deixa no ar um mundo de expectativas quando o presidente da LNB afirma quando perguntado sobre a parceria com a NBA –   “Digo que não sei”(…) “Só sei que estamos ao lado da companhia certa.”

Muito bem, se o presidente signatário de tão impactante parceria, feita pela primeira vez no mundo pela mega liga americana, diz que não sabe no que vai dar, quem então saberá, eu, você leitor, quem?…

Macaco velho, digo, orangotango ancião que sou das idas e vindas do grande jogo em nossa terra, sinto atrás da orelha, não uma pulga se instalando, mais sim um baita e trombudo elefante, que me deixa muito, muito curioso, e mais ainda, preocupado…

Curioso, pelo simples fato do porque da mega liga se associar a nossa, quando mercados asiáticos e orientais, e mesmo europeus, economicamente promissores e fortes, não receberam (ou  dispensaram…) tal primazia, centrando para um mercado insipiente no mundo da modalidade, porém, precioso quando o foco de interesse maior da grande e hegemônica nação, representada por uma de suas fortes e poderosas ligas desportivas,  decide massificar sua presença no país, incutindo e sedimentando seus programas e sofisticada organização junto aos jovens, trazendo-os para sua esfera de forte influência esportiva, social, e por que não, politica também, pois afinal de contas, obter a simpatia e aprovação do segmento  jovem de uma nação, que virá a ser neste século a líder na produção de petróleo e proprietária da maior reserva de água do planeta (riqueza esta que será, em prazo não muito distante, disputada no tapa…), sem dúvida alguma se constituirá num excelente investimento, e rentabilíssimo negócio a longo prazo, como consta em sua longa tradição comercial globalizada, tendo o esporte como um importante elo nessa escalada hegemônica…

Preocupado, pelo fato de que constarão no processo educacional de nossos jovens, influências técnicas, sociais e políticas sobre tais riquezas, cabendo futuramente aos mesmos a condução do país de encontro à sua independência e total autonomia, ou subserviência gestora, perante o realismo de sua deficiente formação educacional e cultural, para  alcançar a garantia de que atingirão as metas de seu desenvolvimento, ou não, onde o sempre marginalizado desporto muito pouco  contribuirá nessa formação, ou não…

Torna-se importante que as futuras gerações pudessem ser também inspiradas por ícones desportivos, artísticos e culturais, nacionais de preferência, com seus exemplos de  luta e perseverança, envolvidas sob o manto de uma politica nacional de educação, de desporto, de artes, que muito auxiliaria aqueles que investissem pesadamente neste precioso nicho, no intuito de liderá-lo e orientá-lo em suas conquistas ou coercitivas entregas, e nada mais oportuno do que inteligentes tentativas, através influências exógenas venham a ocorrer, como uma liga majoritária do basquetebol mundial, cuja penetração e aceitação vem se tornando fortemente presente em nossas fronteiras, principalmente no segmento mais jovem, bastando somente investir, organizar e influenciá-lo in loco, para colher mais adiante o produto de seu planejado, ousado e bem pensado investimento…

Honestamente, não acredito em benemerências e ajudas para o progresso do grande jogo entre nós, advindas de uma liga que divulga abertamente seu interesse comercial voltado ao lucro, aos bons negócios, que tem às suas costas uma gigantesca base escolar, universitária e comercial alimentando e sustentando-a, em oposição à nossa realidade, extremamente distante daquele modelo, quando outros mercados ofereceriam à mesma, vantagens também rentáveis, a não ser que, num prazo razoável e de paciente espera, outros e estratégicos ganhos venham a beneficiar, não só os seus interesses desportivo/comerciais, como os de seu país num todo econômico, político e cultural, emoldurando uma inteligente, oportunista e estratégica parceria de quem sabe realmente o que quer atingir, e como conseguí-lo…

Mas, se por um outro lado, a mega liga aqui aportar, para simplesmente doar sua expertise no domínio e vasta experiência no grande jogo, visando seu desenvolvimento técnico, gerando sua popularização e decorrentes receitas parcimoniosamente divididas entre as partes parceiras, em equânime comando, acredito que sob tais circunstâncias a viajada seria muito maior, ou alguém duvidaria?…

Por tudo isso, teço sérias desconfianças sobre a mesma, sem objetivos explícitados, às claras, desprovida de amplos, abertos, e  democráticos debates, principalmente quando propostas deste porte se restringe decisoriamente a uns poucos, dentro de um cenário limitado bem aquém de nossas reais necessidades, e por que não, exigências, afinal, vultosas verbas públicas também estarão sobre a mesa para serem administradas, por quem, e com que objetivos?…

E muito mais me preocupa, a constatação da ainda presente continuidade histórica de nossa colonizada genuflexão atávica a interesses de nações que, desde sempre, investiram pesado em nossa reconhecida tradição de povo receptivo e afável, talvez receptivo e afável um pouco demais. Afinal, o próprio presidente da Liga afirma nada saber, mas sente estar na companhia certa, será?…

Amém.

Foto – Internet.

 

 

CONVERGINDO, DIVERGINDO, INDO…

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Chegamos a mais um ano de NBB, que recomeçará em duas semanas de “descanso e férias” para alguns, e merecido aconchego familiar para a maioria, com um único porém, o fato de serem todos profissionais, que tiram seu sustento dentro das quadras de jogo e treinamento, e que deveriam aproveitar ao máximo esses 12 dias, ou 24 treinos, para acertarem os fundamentos e a compreensão e leitura dos sistemas propostos por seus técnicos, que se apresentaram com muitas falhas, muitas mesmo, originando um pseudo equilíbrio técnico e tático, frente a mediocridade apresentada pela maioria das equipes participantes, mesmo as mais bem colocadas. Férias, descanso e aconchegos deveriam ficar para depois de maio com o encerramento da temporada, ai sim, com as benesses a que todos têm direito, vencendo, ou perdendo…

 

Foram muitos os jogos assistidos, com uma Sportv aumentando sua grade semanal (quem sabe a presença da parceria NBA/LNB tenha despertado seu interesse…), e as transmissões pela Web da Liga, onde constatamos a cada partida o quanto de mesmice técnico tática ainda prevalece na realidade da maioria, com uma ou duas exceções, muito pouco para uma reversão de importância maior…

 

Exemplificando:

 

– Num jogo com 36 erros de fundamentos, Franca com 14 e Pinheiros com 22, fizeram uma partida dura de se assistir, principalmente pela similitude de ambas no duelo de bolinhas (7/25 para Franca e 8/24 para o Pinheiros), que somado aos 36 erros apontados, desenharam um estilo de jogar que tem se tornado um lugar comum presente na esmagadora maioria dos jogos dessa competição, que deveria ser de elite, mas desculpem, não é, mesmo, basicamente se continuarem a competir dessa forma. Venceu Franca por ter se interessado em jogar um pouco mais dentro do perímetro (24/37 contra 16/34), através a competência dos bons pivôs que possui. Quanto ao Pinheiros, um pouco mais de disciplina tática seria bem vinda, o que pode ser conseguida se treinarem integralmente durante esse período de “descanso e férias”…P1090333-001

– Num outro jogo, Franca teve um duro confronto com Bauru, decidido no quarto final, quando perdeu para um convergente habitual Bauru (17/27 de 2 pontos e 10/29 de 3), equilibrando a partida através um forte e consistente jogo interior (22/43 contra 17/27), perdendo ironicamente a partida ao optar seus dois ataques finais por bolas de três, através seus dois argentinos, quando deveria, fortemente, fazer valer sua superioridade interna demonstrada até aquele decisivo momento. Errou taticamente e perdeu um jogo que poderia ter vencido…

 

– Em Brasília, o time da casa teve pouco trabalho para vencer um Ceará que definitivamente não se ajusta aos pedidos de seu técnico, não sei se por excesso ou escassez de informações movidas, mais pela emoção, do que pela praticidade, ocasionando uma catastrófica convergência de 15/32 arremessos de 2 pontos e 10/39 de 3, o que impossibilita qualquer análise séria e formal…

 

–  Então chegamos ao jogo de Rio Claro contra Limeira, onde ambas capricharam no jogo interno ( 28/43 contra 25/42), com Limeira mais solta ofensivamente pela intensa movimentação de seus dois, e até três armadores, e contando com alas pivôs de grande mobilidade dentro do perímetro, ocasionando durante a partida o fator decisivo, que a levou a vitoria, os passes de dentro para fora do mesmo para os arremessos equilibrados e livres de três pontos (10/24 contra 4/15 de Rio Claro), estabelecendo uma diferença determinante em sua vitoria. Essa equipe, que vem jogando de uma forma dinâmica e coordenada entre seus integrantes, quando pouco se vê imobilismos dentro de quadra, seja dentro ou fora do perímetro, desestabiliza as defesas mantidas em constantes deslocamentos, propiciando largos espaços para as penetrações e passes seguros, além do fator acima mencionado sobre os arremessos de três pontos. É sem dúvida a equipe que mais evoluiu taticamente nesse NBB7, justificando a colocação em que se encontra…

 

– Finalmente, ao fim dessa pequena resenha, não posso deixar de comentar um jogo que deveria ter sido equilibrado entre Pinheiros e Palmeiras, mas que infelizmente não o foi, por obra e graça de uma equipe absolutamente equivocada em sua forma de atuar tecnicamente, e ler o jogo da forma tática mais errônea ainda, pois convergindo fortemente (15/33 de 2 pontos e 9/32 de 3) ofereceu ao seu oponente as brechas necessárias à vitoria,  ao  duelar dentro do perímetro (18/36),  economizando seis tentativas na aventura dos três (10/26), obtendo a vantagem necessária para vencer uma partida com 29 erros (14/15), frente a um Pinheiros que tem na armação seus maiores arremessadores, quando deveriam se concentrar um pouco mais no abastecimento interno de seus pivôs, sempre relegados a um segundo plano. A não corrigir esse estilo de jogar, terá essa tradicional equipe muitos resultados desfavoráveis na continuidade da competição, sendo das mais necessitadas de um forte trabalho de reestruturação nesses 12 dias de intervalo…

 

Enfim, entre prós e contras avança esse pouco impactante NBB7, que infelizmente ainda patina na pista escorregadia da indefinição por algo realmente novo, ou melhorado, ou mesmo recauchutado de experiências positivas de antanho, que viesse revigorar um cenário já bastante cansado e desgastado frente à mesmice institucionalizada que ai está, altaneira, formatada e padronizada, por estrategistas bilíngues, e brevemente, quem sabe trilingues também, afinal de contas, uma parceria está a caminho, ou não?…

 

Desejo a todos um 2015 pleno de realizações, com muitas esperanças em dias melhores para o grande jogo, para a formulação de uma politica nacional desportiva de verdade, se é que pode ser possível estabelecê-la com os dirigentes que apontam no novo governo, mas que poderia começar a ser possível através a luta permanente e infatigável daqueles que realmente amam esse enorme e injusto país, propiciando a seus jovens a única e factível oportunidade de vida, sua educação de qualidade, direito constitucional de todos eles…

 

Amém.

 

 

A PARCEIRA MESMICE…

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Antes, tínhamos somente um ou dois jogos transmitidos por semana, o que caraterizava uma restrita opção para análise de equipes e seus sistemas de jogo, e quase sempre sem abranger todas elas, ao passo que agora, com transmissões via web e a cabo, temos uma quantidade de jogos bastante diversificada, oferecendo um panorama bem mais amplo do NBB7, além daqueles que podem ser vistos ao vivo aqui no Rio…

 

No entanto, algo se torna a cada transmissão mais claro, diria mesmo, transparente, em sua comprovação da mesmice técnico tática que se estabeleceu no âmago de todas as equipes envolvidas na competição, mesmice sistemática e comportamental, envolvendo a todas, técnicos,  jogadores, e analistas da mídia, como num trato corporativado e de espessa blindagem…

 

De uma partida para outra se sucedem monocordicamente sistemas, jogadas, sinais, roteiros, caminhos e desvios que ocorrem formatada e padronizadamente, onde variações, atitudes e improvisos não encontram espaço dentro e fora das quadras, numa rotina exasperante e retrógrada, mesmo na formaçào de base, espelhada numa elite estratificada no tempo e espaço de duas décadas…

 

E dentro deste cenário, impera a mediocridade institualizada, enraizada profunda,  inamovível, pelo menos até os dias de hoje, num desafio inicial que a “parceria”(?) LNB/NBA terá de enfrentar, pois aprimorar os espetáculos em seu entorno, na divulgação e no marketing institucional, pouco adiantará frente a pobreza técnica e tática dos jogos, que no final das contas é o produto a ser comercializado mercadologicamente a uma público que alimentará os valores e lucros da mesma…

 

Nesse estratégico ponto é que a “salvadora” parceria terá de encontrar meios para implementar qualidade as equipes, fator este que obrigatoriamente envolverá uma profunda reformulação na formação de base (que é função da CBB e do desporto escolar), na massificação e na preparação de técnicos e professores (que é responsabilidade dos cursos de educação física e desportos), meios estes que não firam e nem descaracterizem as legislações existentes, principalmente por parte de uma liga estrangeira, mesmo que aliada a uma nacional…

 

Então, ficam desde já expostas situações possíveis de conflitos administrativos, de ingerência formativa e profissionalizante, em área a ser respeitada, por estar bem delimitada a organizações de fora de nossas fronteiras…

 

Como farão é o desafio a ser transposto (ou não…) sem que sejam feridas as leis do país, em qualquer das áreas, educacional, cultural e trabalhista  pretendidas para a sua implantação legal, e que contam com projetos alimentados por grandes verbas federais a serem administradas, ao final de contas, por quem?…

 

Ganhar e auferir grandes lucros é a tarefa primordial (e anunciada…) da parceria, que para tal precisa desenvolver e aprimorar um produto que se apresenta hoje, no limite de tudo aquilo acima mencionado, e como os exemplos a seguir:

 

– No jogo entre Pinheiros e Paulistano, duas equipes atuando de forma quase idêntica, apesar de em alguns momentos a equipe da casa ensaiar formações triangulares, que seu técnico tenta implantar em seu jogo ofensivo, assim como implementar ações defensivas mais efetivas, encontrando, no entanto, grandes dificuldades de assimilação por parte de jogadores mais do que educados e focados no sistema único, que o praticam a longos anos, desde a formação, assim como seu adversário que incorre no mesmo e enraizado hábito, tornando bastante árdua a tarefa de uma mudança de atitudes técnicas, e acima de tudo, táticas. Venceu a equipe do Paulistano, por ter aventurado menos nos arremessos de três (5/19 contra 9/28 do Pinheiros), e ter jogado mais enfiada dentro da defesa da casa (26/51 contra 21/42), numa demonstração efetiva de que o fator precisão nos arremessos se relaciona a maior ou menor distância que são realizados, fator este que compensou um pouco o elevado número de 27 erros no fundamentos, simples assim…

 

 

– Num jogo técnica e taticamente parecido ao acima mencionado, inclusive no alto número de 29 erros de fundamentos, Minas e Franca se enfrentaram duramente, numa partida tumultuada por nervosos e reincidentes técnicos, projetando para dentro da quadra um alto grau de instabilidade emocional nos jogadores, propiciando um aumento nos erros individuais e coletivos, por conta das cobranças de fora da quadra. Assim como no jogo anterior, venceu Minas por concluir melhor próximo a cesta (19/37 contra 16/28 de Franca), e obter sucesso maior nas longas bolas (9/18 e 4/20 respectivamente), face a frouxidão defensiva de Franca no perímetro exterior…

 

– No terceiro jogo transmitido, as equipes do Palmeiras  e da Liga Sorocabana perpetraram um série de erros fundamentais, foram 32, numa partida que se caraterizou por mais um duelo nas bolinhas (10/27 do Palmeiras e 9/28 da Liga), e pela participação anárquica do armador americano Clahar de Sorocaba, responsável por belas conclusões e perdas decisivas de bolas, contrastando com a excelente participação do armador Neto do Palmeiras, além da explicita evidência da falta de condicionamento físico de sua equipe no quarto e decisivo final, levando-a a derrota e última colocação no NBB…

 

– São José e Flamengo repetiram mais um duelo nos três (7/20 contra 10/25, ou 37.7% de efetividade), percentual bem mais baixo que os 54.5% nas tentativas internas (20/46 e 28/42), numa endêmica e teimosa insistência, que não encontra uma explicação plausível  a tanta falta de bom senso e análise crítica. No entanto, pela maior frequência interior da equipe carioca, pode levar de vencida a aguerrida formação paulista, num jogo em que, positivamente, menos erros foram cometidos (9/11) se comparados com os jogos anteriores, fator que elevou tecnicamente o jogo…

 

Então, e por mais uma vez, fica bem claro o processo de mesmice endêmica que tanto critico aqui nesta humilde trincheira, reforçando a cada ano que passa a certeza de que o grande óbice que vem travando o crescimento técnico do grande jogo entre nós, passa irremediavelmente pela formatação e padronização técnico tática imposta ao mesmo, por uma geração de técnicos comprometidos e compromissados com o sistema único, que encontra no âmago da NBA seu grande difusor, tornando a parceria agora implantada e divulgada com a LNB, como algo que deve ser bem estudado e melhor ainda pesado, quando estará em jogo uma longa tradição de como encaramos e atuamos num passado não tão distante assim, e que nos levou técnica e taticamente a emular com as grandes equipes mundiais, inclusive a americana, exatamente pela pratica diferenciada na forma de jogar, bem ao largo do que hoje temos professado, nas sobras e dobras da grande liga do norte. Espero que o bom senso, o mérito, e o competente conhecimento nos leve a patamares acima, e não a um papel subalterno e suplementar dentro da realidade do grande, grandíssimo jogo…

 

Amém.

 

 

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JOVENS x VETERANOS…

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Depois de três transmissões de jogos do NBB7 pela web (a primeira com boa imagem, e as duas outras péssimas…), voltei ao formato no jogo entre o Bauru e Limeira, que apresentou imagem estável e nítida, porém, como nos anteriores, com sérios problemas de som, principalmente quanto ao comentarista Marcos, que com sua voz grave e coloquial, se torna praticamente inaudível. Uma boa mexida na equalização e reforço de timbre se faz necessária, ou que o mesmo respeite a distância correta do microfone…

 Quanto ao jogo, decepcionante, pois, e por mais uma vez nesse campeonato, se restringiu a um duelo aberto de bolinhas de três, contestadas, ou não, equilibradas ou não, até em contra ataques, fora as tentativas da moda, a dos pivôs, com um Jefferson triturando um 0/5, o Hettsheimer 2/6 e o Gui 0/4. a que o Murilo tentou, acertou, porém ele, o Jefferson e o Hettsheimer juntos só produziram 5/9 lá dentro, muito, muito pouco para os seus reconhecidos dotes de finalizadores internos…

Limeira seguiu atrás no duelo (13/24), mas concluiu um pouco mais de perto (14/35 contra 19/28 de Bauru) e foi mais feliz nos três (13/24, contra 7/25), definindo um jogo mais para pôquer que basquete, pelos inúmeros blefes propostos, principalmente nas coberturas de apostas…nos três.

Ao final permaneceu um gosto amargo de que poderia ter sido outro um jogo que se anunciava tecnicamente bom, mas que pendeu para a mesmice endêmica definitivamente implantada e sedimentada entre nós, e que se apresenta praticamente impossível de ser revertida, pelo menos por parte dos técnicos que aí estão, nacionais e estrangeiros, estrategistas que se julgam ser, e não são, absolutamente, não são…

Em um bom artigo em seu blog Bala na Cesta de hoje, o jornalista Fabio Balassiano inquere aos conhecedores do grande jogo no país, como fazer para que nossa nova geração tenha oportunidades de evoluir competindo em equipes recheadas de veteranos, onde parcos minutos são delegados à mesma, isso quando o são, obstruindo seu desenvolvimento na elite…

Bem, analiso por um outro ângulo, quando os vejo, a todos, acorrentados a um sistema único de jogo, com seus indefectíveis chifres, punhos, camisas, calções, hi lows, picks, cabeças, etc,etc e tal, desde as categorias mais iniciantes, direcionados a pranchetas inócuas e herméticas, cobrados coercitivamente pela obediência tática, coreografias dissociadas da realidade do jogo, ano após ano, num processo de alienação contrário ao livre pensar, ao experimento, à criatividade, em tudo e por tudo por onde passaram os veteranos de hoje, aqueles com que terão de disputar as parcas oportunidades de jogar efetivamente, e não fazerem número em jogos decididos, e que por conta dessa cruel realidade pouco, muito pouco, quase nada, prosperarão, a não ser como clones dos que aí estão…

Na elite, os erros que vemos cometer nossos consagrados armadores, nem sempre ambidestros, mais voltados às conclusões que aos passes, que por força de um sistema absurdo de jogo, se escondem do foco das jogadas, percorrem como fundistas metragens desnecessárias e desgastantes, se postam erroneamente no posicionamento defensivo, sofrem obliterações nas leituras de jogo, e raramente conseguem encaixar um bloqueio ofensivo, assim como vemos alas que não dominam o drible progressivo e suas fundamentais trocas de direção, que se atrapalham com as nuances fugidias de uma instável esfera que não dominam, que até desconhecem, no mesmo patamar de pivôs que em sua solitária luta, quase sempre são escalados para rebotes, pura e simplesmente, que não sabem (ou nunca os ensinaram…) se deslocar dentro do perímetro interno, dominando seus poucos metros de liberdade, driblando ou fintando, e até mesmo desconhecendo os pequenos milagres que se tornam possíveis com o conhecimento balístico e reflectivo de uma bola na tabela, ou mesmo num girar de 180 graus após alcançar um rebote, seja ele qual for…

Porém, todos, absolutamente todos sendo encaixados como peças amorfas de um puzzle tático, conduzido como marionetes de encontro a delírios pranchetados que a maioria dos analistas afirmam serem treinados “exaustivamente”, o que desminto veementemente, não o são, porque se fossem não precisariam ser trancritos pelos inenarráveis garranchos apostos em pranchetas midiáticas, posso assegurar…

E nossos jovens, perante essa realidade técnica, veem anulados seus projetos de jogadores elitizados, que claro, frente aos anos de mesmice veterana, pouquissimas chances tem de ansiar por uma competição mais justa e democrática, pois estando num mesmo barco, sem qualquer oportunidade de diversificação de sistemas de jogo, somente aguardarão a finalização de carreira daqueles, para darem continuidade ao processo, antecedendo às gerações formatadas e padronizadas que se sucederão…

Desde sempre lutei pela diversificação, pela criatividade, pelo livre arbítrio, pelo ensino plural, pelo conhecimento universal, pela tomada de decisões, pelo diálogo, pelo contraditório, enfim, pelo conhecimento diversificado que indus ao conhecimento do grande jogo, sejam jogadores, ou técnicos…

Não vejo, nem prevejo mudanças pelo que ai está, sacramentado e ungido por uma liderança comprometida com o corporativismo vetusto, fechado e lacrado pelo que temos de pior, a arrogância, a ignorância e a covardia…

Não à toa muitos jovens são dirigidos, legal, ou ilegalmente, no tempo, ou equivocadamente fora dele, para fora do país, a fim de serem “lapidados” por expertos agentes e técnicos que nem sempre são competentes de verdade, numa aventura que beneficia um mínimo de jovens promessas, dos muitos, e põe muitos nisso, que se perdem nessa difícil, enganosa e ilusória estrada do esporte profissional, sem ao menos prepará-los educacionalmente para enfrentarem um futuro quase sempre incerto…

O que nos falta?  Desculpem a franqueza, nos falta vergonha na cara, simplesmente isso, vergonha na cara, pois temos no país muita gente competente, mas que é segregada por um único e singelo motivo, pensam…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las e acessar as legendas.