PENEIRA,PENEIRANDO…

Houve uma época,nem tão distante assim,que existiam em nosso país os mais genuínos mestres do basquetebol,aqueles que”faziam”jogadores,que os encontravam,treinavam e lançavam nas equipes de base. Hoje,acontecem as”peneiras”,onde o que importa é encontrá-los semi-prontos,classificá-los pelas posições do”basquete internacional”,com prioridade na estatura,condicioná-los fisicamente,e pronto novos astros emergem no cenário nacional.Era dessa forma,nos primórdios do Futebol de Salão que se formavam as equipes.Organizavam-se torneios abertos,onde compareciam dezenas de jóvens,sentava-se com uma prancheta nos últimos degraus da arquibancada,e era só escolher os melhores.Estava pronta a equipe.Como naquela época o Futebol de Salão utilizava-se da mesma quadra onde eram praticados o Voleibol e o Basquetebol, aos poucos foi sufocando a ambos,não só pelo apêlo da
modalidade,mas pela facilidade de se constituirem equipes.Hoje seria quase impossível
acontecer a liquidação do basquetebol,pois as medidas que se exigem das quadras de Futsal são muito maiores,mais próximas do Andebol.Mas o mal já havia sido feito por quase duas décadas,e muitos clubes jamais se soergueram,e se orientaram para outras atividades.A”peneira”nasceu dessa forma,simplista,objetiva,pragmática.Livros técnicos de Futsal apareceram muito tempo depois da modadlidade ter sido implantada no país,ao contrário do basquetebol que é detentor da mais numerosa bibliografia dentre os desportos praticados no mundo.Bibliografia originada pela grande dificuldade no ensino e no treinamento do mesmo,pela complexidade de suas ações técnicas e táticas.Quando me deparo com a divulgação de uma dessas”peneiras”,me pergunto com incontida perplexidade:Quem ensinou esses jóvens a jogar? Porque basquetebol não se aprende sozinho,exige prática,que mesmo de pouca qualidade necessita de supervisão,correção,repetição,ações de domínio técnico.E advém a”peneira”,com subsequente escolha,e imediata constituição grupal,fácil,oportunista dissociada das implicações do ensino fundamental,trabalhoso e quase artesanal,mas que
os técnicos atuais rejeitam por terem acesso aos atletas iniciados pelos”trouxas”que teimosa e idealisticamente dão continuidade a obra maior,a formação do atleta.Mas claro,na quase totalidade não possuem os atrativos de uniformes bonitos e tradicionais,refeições balanceadas,mesadas atraentes.São inseridos nos principios do “basquete internacional”,ganham posições numeradas de 1 a 5,desandam a correr desordenadamente na quadra,se livram permanentemente da bola pela utilização obrigatória do Passing Game e,conquista suprema,se transformam em”especialistas” nos arremêssos de três pontos e nas enterradas.Poucos são realmente treinados nos fundamentos mais complexos do jogo,mas o que importa se outras “peneiras”acontecerão?
E por ai evolue o triste bloco de até bons jogadores,que por incúria e ignorância de muitos deixam de alçar à condição de excelentes praticantes.E vem a pergunta final,a que faço do fundo da minha concepção de basquetebol:Quando os verdadeiros formadores de jogadores terão a oportunidade que os “peneirantes”têm nos dias atuais? São segregados por estarem nas escolas?Respondam se forem capazes.É um desafio.



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