PESQUISA-UMA AVENTURA ALÉM-MAR I.

No saguão do auditório do ISEF(Instituto Superior de Ed.Física)em Lisbôa,hoje FMH(Faculdade de Motricidade Humana)eu esperava o resultado da Banca Examinadora da minha defêsa de tese de Doutorado em Ciências do Desporto,quando um jóvem de barbas se aproximou e perguntou se o estava reconhecendo. Honestamente disse que não,foi quando disse ser o Paulinho do curso de mestrado da USP, uma turma após a minha, do qual eu havia sido desligado 14 anos antes por não concordar na mudança do teor de minha tese, que por ser experimental não encontrou boa acolhida por parte do meu orientador.O Paulo disse que estava fazendo o doutorado no ISEF da cidade do Pôrto, e que alí estava para se cientificar de que, apesar da descrença de todo o pessoal que cursou o mestrado da USP 14 anos antes, que eu conseguiria defender a mesma tese negada pela EEF da USP. E foi o que aconteceu,pois tive homologada com louvor a tese de doutorado “Estudo sobre um efetivo controle da direção do lançamento com uma das mãos no basquetebol” em julho de 1992,e que era no conteúdo a mesma que havia sido negada a defêsa,a nível de mestrado, pela USP.Foi um trabalho brutal e que me custou muito tempo, muito dinheiro e escasso reconhecimento em meu país. Mas vale a pena recordar um pouco daquela odisséia amalucada,porém solidamente ancorada numa certeza de muitos e muitos anos de estudo, a de que, apesar de todas as nossas limitações,de dinheiro e equipamentos,poderiamos desenvolver no Brasil setores que estudassem o gesto desportivo tão bem, e com aspectos de ineditismo, quanto os maiores e mais prestigiosos centros de estudos do desporto no mundo. Gostaria de contar um pouco dessa aventura, para demonstrar aos jóvens professores que se formam do quanto podemos realizar com uma soma de coragem, estudo e competência. O doutoramento na Europa difere de um nos EEUU por não exigir créditos a cursar, exige sim, um bem fundamentado projeto de pesquisa, que ao ser aceito confere ao pesquisador as cotas necessárias à consecução do mesmo, pelo tempo que for preciso para o seu término.Enviei meu projeto e aguardei a sua aceitação inicial por 4 meses, quando fui convidado a defendê-lo em Portugal.Como não tinha bôlsa oficial do govêrno brasileiro, pela pendente situação com o mestrado da USP,consegui a dispensa da Faculdade de Educação da UFRJ onde lecionava,somente com os vencimentos legais.Mesmo assim embarquei e aguardei por mais 3 meses que o Conselho Ciêntifico da Universidade Técnica de Lisbôa me convidasse para justificar a validade e expressão do projeto.Fui aprovado e tive um orientador designado,o Prof.Dr.Francisco Sobral do ISEF.Iniciei então a construção do equipamento que projetei e desenhei.Com a valiosa ajuda de um marceneiro genial,Sr.Manoel,consegui montá-lo em 2 meses, quando iniciei a organização das metodologias que empregaria no estudo.Nesse estágio do trabalho começaram os grandes problemas de caráter profissional e familiar que me obrigariam daí em diante a atravessar o Atlântico por 14 vêzes, antes de ver terminado o trabalho, iniciado em 1986 e que se estenderia até 1992 quando defendí a tese.Nesse espaço de tempo algumas etapas tiveram de ser vencidas com muito sacrificio e determinação, e são estas etapas que passarei a descrever nos próximos capítulos.(continua)



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