O QUE TODO TÉCNICO DEVERIA SABER

Com esse artigo encerro uma primeira parte que dediquei ao panorama atual do nosso basquetebol,claro, em minha visão de técnico e professor por mais de 40 anos dedicados ao seu desenvolvimento. Formam a base de um livro a ser publicado em breve, dedicado aos futuros professores e técnicos desse magnífico jogo. E termino a série enfocando alguns princípios que todo técnico deveria saber.
O princípio básico que todo técnico deve ter em mente é o permanente e progressivo
desenvolvimento técnico de sua modalidade, e que jamais esteja dissociado das questões éticas, das necessidades individuais e coletivas, e que propugne por conquistas culturais e educacionais. O objetivo tem de se fundamentar no patriotismo e na luta pelas oportunidades democráticas. A função social do jogo é o fator que deverá impulsionar a busca pela melhor performance possível,numa atividade que propiciará ao jovem uma experiência prática dos embates que advirão em sua vida futura. O jogo bem praticado e bem jogado torna-se uma “avant-première” da vida. Por todas estas razões o professor e o técnico têm de estar preparados para funções de liderança, fundamentais no preparo e orientação dos jovens, e na direção coerente e segura dos adultos. A relação com seus pares deve ser fundamentada na mais profunda ética, cuja manifestação básica é para consigo mesmo, e por extensão para com todos aqueles envolvidos no processo. O patriotismo deverá se manifestar sempre que se pretender importar soluções estrangeiras sem as devidas avaliações sobre a aplicabilidade das mesmas,  face às nossas particularidades físicas e sociais. De sempre tomarem o máximo cuidado na importação de modelos inadequados à nossa realidade econômica, que visam estabelecer uma dependência técnica e material de fundo puramente mercadológico. E que sempre procurem resgatar nossas verdadeiras raízes, atestadas por um passado brilhante
e vencedor. Para tanto torna-se necessário o estudo pormenorizado de nosso passado esportivo, daqueles que em situações econômicas quase precárias se comparadas com o tempo atual, sobressaíram no plano internacional, e que o fato de não possuírem registros de imagem e de dados estatísticos os tornaram desconhecidos pela juventude e pelos novos técnicos e professores. O resgate desse passado se justifica como uma tentativa válida de anteposição às influências de fora que se beneficiaram desse desconhecimento, e que nos levaram ao impasse em que se encontra o basquetebol brasileiro, pela perda de sua verdadeira identidade. O “basquetebol internacional” e o “modelo NBA” nos levarão ao cáos total se não resgatarmos nossa maneira de jogar, que se constituiu na quarta força mundial no século XX. Recentemente a CBB reuniu 20 jóvens jogadoras em uma clínica técnica para implantar rotinas técnicas em suas vidas nos clubes de origem, numa verdadeira apropriação indébita de talentos a serem orientados a um modêlo anacrônico e fracassado, onde até orientações visando ganho de massa muscular foram prescritas. Melhor faria a CBB se reunisse os técnicos dessas meninas para em uma troca de experiências procurassem um caminho adequado às nossas reais capacidades. Mas é claro que tentativas como essa feririam os conceitos enraizados de alguns que se propõem guardiões da verdade basquetebolística em nosso país, pois  seguir princípios e normas globalizadas é prova de atraso e de colonização intelectual, é um atitude de lesa-pátria, é um monstruoso crime. Com a proximidade das eleições na CBB, seria de fundamental importância que os técnicos questionassem a sí e entre seus pares da importância ou não de soerguermos o nosso basquete, ou se o modêlo atual padronizado de norte a sul é o que realmente queremos, ou mesmo se devessemos experimentar outros ou alguns daqueles que nos fizeram parte da elite mundial. Acredito que a velha guarda reunida em cada vez mais desenvolvidas associações de veteranos, muitos deles influentes em nossa sociedade e na politica do país, e que muito foram beneficiados pela pratica do basquetebol, pudessem influir decisivamente nesse processo de soerguimento, em vez de se reunirem para usufruirem o que pensam ser o melhor dos dois mundos, o saudosismo e o companheirismo. Creio que outra etapa deveria ser vivenciada, a de prestarem, com suas experiências e conquistas, a maior de suas performances, a justificativa do porque fomos os melhores, ação esclarecedora ora negligenciada em festivas reuniões de velhos amigos. Acredito com a mais absoluta convicção que o verdadeiro papel dessas associações ainda estará por vir, se vier, a influência estratégica e política que seus associados poderiam exercer junto a sociedade civil para um possível, porém dificil soerguimento de nosso basquetebol. Nossos técnicos precisam estudar muito a fundo o que fomos, o que conquistamos e como o fizemos. Copiar fórmulas prontas é facil e descompromissado, assim como adotarmos vicios modernosos nos tornam miseravelmente pobres em técnicas e táticas, quiçá estratégias. Somos os técnicos com “filosofias” de trabalho, sem sequer entendermos o que significa o termo filosofia. Fico imaginando se amanhã em todas as notas oficiais das federações brasileiras saísse uma nota proibindo o uso das pranchetas durante os jogos. Já imaginaram o resultado? Não? Então imaginem, faria um bem danado as conclusões que tirarem…

 



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