O REINO DA PRANCHETA.

Na final da Liga Nacional de voleibol,em um jogo emocionante,não se viu em nenhum instante a figura de uma prancheta.E olhe que em nenhum esporte coletivo ela se adequaria mais do que o volei,por sua caracteristica posicional sem a interferência física de marcadores,a não ser nos bloqueios ,onde a proximidade dos jogadores é mais presente. A movimentação ofensiva e defensiva do voleibol cabe perfeitamente nas demonstrações gráficas de uma prancheta, pelas suas características de alta previsibilidade dinâmica. No entanto a maioria dos tecnicos de volei a dispensam solenemente,pois todas as formações e informações são exaustivamente passadas nos treinamentos das equipes, destinando os tempos pedidos nos jogos aos acêrtos e detalhes de execução o mais próximo possivel do diálogo e indução comportamental.Instruções individualizadas e sussurradas ao pé do ouvido,assim como fortes reprimendas coletivas tornam os pedidos de tempo em uma reunião de acêrtos,propostas e concientização do que precisa ser feito por todos na quadra.No basquetebol,o que vemos permanentemente,com pouquissimas e honrosas exceções, é a imagem fria de uma prancheta servir de lousa para rabiscos e desenhos desconexos, que pretendem equacionar toda e qualquer situação de jogo que porventura venha a
ocorrer.E ela tornou-se a estrêla mais focalizada em primeiro plano durante todos os
pedidos de tempo,como se daquele momento em diante,todos aqueles sintonizados na TV
passassem ao entendimento das ações que se desenrolariam a seguir.Na prática,muito
poucas vezes algo ali descrito acontecerá realmente,pois refletem mais os devaneios
do técnico,do que algo que foi previamente treinado e compreendido por todos.Mas verdade seja dita,nada se compara a uma exposição de midia do que o estrelismo das
pranchetas.Algumas,sabedoras de tal promoção,já ostentam publicidade estratégicamente
colocadas em suas bordas, substituindo a imagem dos atletas,e mesmo dos próprios técnicos.Mas a pior faceta das pranchetas é a constatação da pobreza tática galopante
de nossas equipes, pois se observarmos bem o que é descrito e desenhado nas mesmas
por TODOS os técnicos,veremos como são quase idênticas as formações e jogadas alí
propostas pelos mesmos,numa ladainha monocórdica que preocupa profundamente aqueles
que realmente conhecem e entendem basquetebol.A prancheta legitimiza o reino da mesmice,da ausência de criatividade e da mais absoluta falta de conhecimento estratégico,já que perpetua os”chifres”,os “punhos”,os”low and hight post”,os”coc”,
etc,etc,etc…em que as denominações mudam de equipe para equipe,mas que pedem as
mesmas e cansativas coisas.Pobres jogadores,amarrados e manietados por coreografias
totalmente destituidas de bom senso,e principalmente de audácia e coragem.E são esses principios que são divulgados exaustivamente por clínicas patrocinadas pela CBB,
principalmente em épocas de eleições,naqueles estados em estágio técnico abaixo do
mínimo aceitável,mas que garantirão os votos chaves na época devida.Pobres seleções nacionais que já vem de longos e longos anos escravas deste perverso sistema de comunicação entre técnicos e jogadores.Escravas de estatísticas fajutas e desprovidas
de precisão minimamente aceitável,agrilhoadas a um sistema de jogo absurdo e até
certo ponto criminoso.Desafio os técnicos a transformarem a quadra,em toda a sua extensão numa imensa prancheta,na qual terão de olhar seus jogadors dentro dos olhos,
terão de detalhar os macro e micro movimentos de atletas ávidos de novas técnicas,de
novas e sequentes descobertas,amplas,arejadas,e drasticamente fora dos acanhados e
covardes limites da atual estrêla televisiva,a inefável e castradora prancheta.Está
aí meu desafio,enfrente-o se forem capazes.



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