UM CÉREBRO!PROCURA-SE…

A comissão técnica da seleção brasileira procura um cérebro para liderar,organizar e fazer jogar a equipe para a Copa América.Com alguns candidatos fora da disputa por motivo de contusões,e dois outros que só agora se integram ao grupo a comissão se vê em apuros na definição do referido cérebro.Afinal, jogador da posição 1 tem de ser 1,pois se 2 for poderá por todo o sistema de jogo a perder,ou seja,o cérebro de um 2 não vale o de um 1,quiça de um 3,um 4,ou de um 5!Desconfio até que não possuam cérebros na opinião da comissão,tal a importância que conotam ao tal cérebro 1.Mas se lermos entre as linhas do sistema que utilizam,veremos que o tipo de cérebro de que necessitam não é bem aquele que se caracteriza pela independência,pela livre iniciativa,ou pela coragem de assumir os riscos inerentes a quem lidera.O cérebro em questão deve ser aquele que de uma forma rígida lidere e faça acontecer os movimentos pré-estabelecidos pela comissão no campo de jogo,as coreografias que sempre cito como analogia da ação em si.Esta,que se caracteriza por um elevado grau de previsibilidade muito pouco destina ao 1 em questão atitudes de improvisação que possam vir a ferir conceitos pétreos e fora dos trilhos previamente pranchetados.Como os adversários tendem nas ações defensivas se anteciparem aos movimentos previsiveis,fica nosso cérebro na total dependência das soluções prévias emanadas de fora da quadra,fator que o torna uma espécie de marionete de teatro saltimbanco.Com a adoção de um segundo cérebro,ou um outro 1 na nomenclatura absurda,fica a comissão desconfortavelmente exposta a uma duplicidade de ações fundamentadas no momento em que ocorrem,fugindo dessa maneira do rígido controle de jogadas previamente estabelecidas.Logo,deduz-se sem maiores considerações que o sistema a ser adotado é o nosso também pétreo passing game,com um só armador,e suas consequentes ramificações,como a utilização dos homens altos em ações fora da linha dos três pontos;com a saida continua do armador do fóco das ações de organização de jogo em corridas sem nexo por trás da defesa;com a utilização de alas na função do armador sem as devidas qualificações daquele;com a perene ausência dos homens altos no rebote ofensivo;com o frágil e quase inexistente
equilíbrio defensivo;e por tudo isso,como uma resultante perversa,a premência de tempo hábil para a consecução de arremessos equilibrados e por isso mesmo,mais eficientes. Em suma,a teimosa e anacrônica “filosofia de jogo” dessa populosa comissão põe em risco,pela enésima vez,nossas já tênues chances de classificação para
o Mundial.Teimosia que não aproveita a lição dada pelas duas equipes finalistas do Campeonato Nacional,que ao se utilizarem de dois,e até três armadores,arejaram com algo novo o panorama embolorado de nosso basquetebol.Essas evidências não podem ser confundidas com saudosismos de minha parte,quanto ao que fomos e conquistamos no passado.Trata-se exclusivamente da constatação do fracasso de um modêlo anacrônico que nos tem sido imposto nos últimos 20 anos,calcado na NBA,fora da nossa realidade técnica e econômica,de pretensa eficiência,adotada pela facilidade da cópia pura e simples,sem as preocupações de adaptação às nossas realidades.Agora mesmo,a seleção dos Estados Unidos se organiza para a Copa América,dando preferência aos jogadores que atuam nas Ligas Européias,na tentativa de se adaptarem as regras e maneira de jogar no âmbito da FIBA.Mesmo que não obtenham sucesso,como seus antecessores da NBA,demonstram que a realidade da grande liga americana se contrapõe a do resto do mundo,e que para voltar ao topo têm de admitir tais discrepâncias.E nós,longe,muito longe de tal raciocínio teimamos no modêlo,que nem eles mesmos acreditam.Mas ainda temos tempo de mudar o padrão técnico,pois temos muito bons jogadores,apesar de deficiências de formação em alguns fundamentos,mas que podem ser atenuados com o aumento da prática dos mesmos.Quanto ao padrão técnico,a adoção de dois armadores de verdade,já qualificaria o dominio e posse da bola,assim como a precisão dos passes em velocidade,municiando os homens altos próximos à cesta,e não fora da linha dos três pontos.A defesa se tornaria mais rápida e flexivel,garantindo a nossa maior arma,os contra-ataques.A procura de um cérebro daria lugar ao acesso de dois,três,doze,todos atuando e interagindo com o de fora da quadra, que no momento é o que mais nos preocupa.



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