O QUE NOS FALTA TREINAR.

Num hipotético exercício imaginativo,eis-me na incumbência de treinar,somente treinar nossos jogadores para o Mundial e com algum tempo para fazê-lo.O que faria?O que priorizaria?Que medidas tomaria?Disse que era um hipotético exercicio pelo fato de ter sido o único técnico de qualidade da minha geração que nunca teve a meritória oportunidade de treinar uma seleção brasileira,por motivos eminentemente políticos e discriminatórios.Vida que seguiu,e eis-me aqui imaginando o que faria,com a certeza de muitas décadas de experiência,de trabalho,de estudos e pesquisas,e,principalmente,pelo posicionamento frontal e combativo ante os desmandos que foram cometidos nos últimos 20 anos por administrações absolutamente catastróficas.Por nunca me omitir ,e jamais cooptar com as mesmas fiquei à margem do processo,mas nunca distante do mesmo.Mas,voltando ao inicio,o que faria? Primeiro assumiria o comando e nomearia tão somente um assistente,assistente mesmo,e não um segundo comando,assim como um bom e capaz preparador físico,e não um moldador de físicos.Um estagiário organizaria um pequeno sistema estatístico baseado em coeficientes de produção,e não percentuais de performance.Claro,que dominasse e soubesse interpretar os dados,e não manipulá-los pura e simplesmente.Um bom médico desportivo e um fisioterapeuta,e um mordomo competente completariam o grupo,e mais ninguèm,principalmente pseudos psicólogos que sempre se apresentam em vésperas de grandes competições, caminhadores em brasa viva e os oportunistas das palestras mágicas que levam às vitórias.Feito isso,quatro semanas em tempo integral de fundamentos e preparação física,principalmente aeróbica e de flexibilidade. Fundamentos de drible,pois nossos jogadores pensam que sabem driblar,mas desconhecem
essa dificil habilidade,principalmente na criação de espaços onde não existem.Passes longitudinais e sagitais à cesta,e nunca paralelos à linha final.Passes em movimento e de grande profundidade e extensão.Passes para o interior do garrafão sempre em ponto futuro,passes tensos e precisos,cuja responsabilidade é sempre de quem passa,e não de quem recebe.Fintas com e sem a posse da bola,sempre usando o corpo do adversário como pivô rotativo,que é a alma dos posicionamentos nos rebotes,principalmente os ofensivos.Quem os treinam?Se é que conhecem as técnicas de execução.As transposições de velocidade horizontal em vertical,chave para os saltos de tempo visando a posse da bola nos rebotes em movimento,e a anteposição não faltosa dos arremessos.As paradas e partidas,onde os jogadores se mantêm sempre em equilibrio instável,base para as mudanças rápidas de direção.O posicionamento estratégico dos pés nas atitudes defensivas,assim como os deslocamentos também defensivos junto ao corpo dos adversários em plena velocidade.A marcação pela frente dos pivôs em toda e qualquer situação de jogo.A marcação lateralizada,e não longitudinal da linha da bola.Os arremessos,ah,os arremessos,tão esquecidos,principalmente os de curta e média distâncias,em nome das enterradas e dos temerários e aventureiros arremessos de três pontos,território de uns poucos realmente providos de precisão para executá-los.O conhecimento do que uma tabela pode ser explorada em arremessos sob forte pressão,assim como poder executá-lo com razoável precisão mesmo em desequilíbrio total.O conhecimento quase mágico das potencialidades do controle do eixo diametral nos arremessos,e de uma simples lei de Newton nos dribles e nos passes.O conhecimento dinâmico do que seja um corta-luz,seja interno ou externo,o que vem a ser um dá e segue,e como utilizá-lo.O que deve e precisa conhecer sobre jogar contrário a posição da bola,e saber como ir de encontro a mesma.Promover a extinção de sinais semafóricos de jogadas,assim como nomeá-las com nomes e apelidos.Equipe treinada sai jogando,não precisa de formação coreográfica para iniciar a ação.O trabalho estafante e desgastante de dois contra dois,três contra três,e assim sucessivamente.A instrução sempre voltada à defesa,exatamente para provocar reações imprevistas a quem ataca.Treinar o sistema ofensivo,duramente,não para que dê certo em sua configuração,e sim que desencadeie no adversário atitudes,que quanto mais previsiveis forem,melhor serão os resultados da ação ofensiva,fator que elimina o desenho coreográfico,mas configura o buscado,porém dificil aproveitamento das falhas defensivas,sejam elas individuais ou coletivas.Esses fatores eliminam a famigerada prancheta,que cederá lugar ao entendimento prático do que realmente está ocorrendo na quadra de jogo,principalmente pelos jogadores,dando ao técnico a suprema oportunidade de instruí-los pelo ângulo das falhas e fraquesas individuais,sejam as mesmas do adversário ou de sua equipe.Essas preocupações pelos detalhes técnicos e pelas atuações individuais é que conotarão a produtividade coletiva,dissociada e afastada de um desenho canhestro, ilusório e fantasioso exposto em uma prancheta.Finalmente,adequar as capacidades físicas de velocidade e flexibilidade a principios de preparação física que realcem tais qualidades,e não condicionamentos que os entravem com a justificativa de que a força é a chave para o enfrentamento ante equipes que a previlegiam ,exatamente por não possuirem as qualidades que previlegiamos.Com esse preparo,o sistema escolhido fluiria sobre uma base fundamentada no conhecimento e dominio do que seja jogar basquetebol,e não sobre exibicionismos dissociados das reais necessidades de uma equipe de alta competição.Tanto jogadores,como a comissão técnica saberiam o que fazer e realizar em quadra,pois treinariam para tal,e não combinariam em torno de uma prancheta o que fazer ante situações que não treinaram,ou não têm competências para contorná-las e enfrentá-las.Claro que tudo isso não passa de um ensaio utópico para mim,mas que pode ser perfeitamente realizado por uma comissão de verdade,liderada por alguém que assuma a responsabilidade de um verdadeiro lider,e não um quarteto uníssono e como apregoam,homogêneo.Será?De verdade?Duvido.E como retoque final,ou inicial,desmontaria a conotação de grupo fechado,declarado por jogadores após a Copa América,e se preciso fosse afastando-os se mantivessem tal posição,pois nada que foi proposto hipotéticamente acima, funcionaria ante tais posições,que não cabem a jogador nenhum manifestar e apoiar.Falta somente um ano para o Mundial,e algo pode ser feito de produtivo, e que representará muito para o futuro do basquetebol em nosso país.Amen.



3 comentários

  1. Basquete Brasil 28.09.2005

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  2. Renttha de Souza Silva 14.11.2009

    Ah achei bom,mais naum foi direto ao o que eu estava procurando,vê se tem como melhorar ?
    bjos comentário de uma pessoa q quer seu bem e sucesso

  3. Basquete Brasil 14.11.2009

    Prezada Renttha, o que você procurava num artigo deste teor? E como posso melhorá-lo em se tratando de um conceito utópico ante à nossa realidade técnica? Ajude-me para que eu possa merecer seus votos de benquerência e sucesso. Obrigado, Paulo Murilo.

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