TELHADOS DE VIDRO

“Mas fulano, ele tem de substituir a fulana, que está mal!” “Concordo, e para isso é que existem os assistentes, para chamar a atenção dele…” ” Sei que sou técnico também, mas aqui minha função, sem faltar a ética(?), é de informar o público…” “Nesses momentos são empregadas as jogadas especiais, que devem ser treinadas(…), e ele deve ter treinado…”. “Não entendo essa jogadora com a experiência que tem não ter participado dos jogos, e que para mim deve haver algo mais sério entre ela e o técnico…”. E por aí vão os “abalizados comentários” dos técnicos atuantes convidados para comentar o trabalho de seus colegas, TODOS profundamente interessados em passar aos ouvintes o que deveria estar sendo feito na quadra, o mesmo que dissessem-“Faríamos melhor!”. E na quadra, sem direito de resposta, mesmo perante erros decisivos, a comissão técnica via ir ladeira abaixo seu conceito de jogo equivocado, mas teimosamente mantido. E na fala constrangida de quem realmente lá esteve e lutou a grande Hortência se esforçava em analisar o que via, e não conceituar o que não devia, numa atitude ética, contraditória com os demais analistas. Mas, qual minha opinião? Creio que, pelo posicionamento que venho mantendo nos inúmeros artigos publicados nesse blog, o que ocorreu
neste jogo contra a Espanha, reflete com absoluta precisão, quão absurdos tem sido os caminhos
trilhados pelo nosso basquetebol nos últimos 20 anos, escravo de administrações caóticas e desprovidas de um mínimo de competência, assim como, a omissão proposital e interesseira da grande maioria de nossos técnicos ditos como “de ponta”, em suas guerrinhas particulares, egoístas e desprovidas de inteligência, todos no afã da conquista do velocino de ouro, não importando os meios, desde que sejam bem sucedidos em suas pretenções. Pretenções estas que passam pelo ridículo de defenderem associações de técnicos e de jogadores, defenderem o diálogo interpares, cursos de aperfeiçoamento, bibliografia especializada, e um sem número de outras
“salvadoras” propostas, sem que nunca tenham sequer pensado em realizá-las, principalmente quando lá estiveram, no cimo deste monte de coisíssima nenhuma. Nossa seleção de guerreiras,
boicotadas e esquecidas em suas lutas para sobreviverem das parcas migalhas que lhes dirigem
todos estes”abnegados”, que se locupletam com suas glórias, voltando-lhes as costas a seguir,
num movimento cíclico que beira à insanidade, não tiveram hoje, em sua solitária luta contra as espanholas, a ajuda que deveriam, por suprema justiça, ter de uma comissão técnica defasada
e voltada para si mesma, assim como jamais tiveram efetiva ajuda e consideração por parte
daqueles outros , que sentados em seus gabinetes de aspones, ou empunhando microfones tecem loas aos seus conhecimentos,inóquos ante a realidade da quadra. Meu gurú de bons e pertinentes ensinamentos, meu pai, dizia do alto de sua encanecida vivência e sabedoria-“Filho, quem tem telhado de vidro, não joga pedras nos dos vizinhos”. Que os deuses o tenham.Amém.



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