SOU UM PROFESSOR

Dias atrás, amparado por uma campanha de mídia poderosa, e cara, comemorou-se o que designaram de “Dia do Profissional de Educação Física”. Ontem, sem qualquer alarde, a não ser uma oportunista menção por parte de um dos candidatos à presidência do país, foi lembrado ser o “Dia do Professor”, no qual orgulhosamente me incluo, em conjunto com todos aqueles que utilizam o magistério como força educacional e fonte de cultura. Minha formação e especialidade? Educação Física, que somada às demais disciplinas forjam cidadãos para o país. Nas escolas de primeiro e segundo graus, e nas universidades, propugnamos por mais e melhores ações na difícil arte de educar gerações. Também junto à associações e entidades públicas damos o nosso contributo sedimentado em muitos anos de estudo, pesquisa e dedicação missionária. E todos somos sindicalizados, unidos pelo ideal conjunto e amplo de princípios éticos que regem o sagrado dever de ensinar, perpetuando o saber e as conquistas sociais. Honrosamente me situo como um Professor, e não um profissional de educação física, atrelado e subjugado por um conselho que se acha no direito de manipular o trabalho, e pasmem, até a formação universitária de seus futuros e incáutos agregados. A nação brasileira, através suas Universidades e Faculdades de Educação e Ed.Física, preparam os futuros mestres, aráutos do sistema educacional, licenciando-os para o magistério, e que de forma alguma podem ser questionadas por um grupo de oportunistas que se apoderaram dos crefs da vida para imporem atitudes lastimáveis e condenáveis pelo país afora. Recentemente, invadiram, isso mesmo, invadiram o sagrado solo da UFRJ na Praia Vermelha, para, acintosamente prenderem e conduzirem sob escolta policial uma professora de Ed.Física que ministrava aula na piscina do campus, numa atitude torpe, covarde e destituida de qualquer amparo legal, já que em próprio autônomo universitário. Não vemos a mesma atitude tomada pelos valentes e corajosos crefianos, para não permitirem o trabalho ilegal, segundo seus princípios pseudamente legais, de um técnico de seleção brasileira de futebol, que em publicação na imprensa tem garantido seu trabalho por ser outro, formado, que assina por ele, garantindo a irregularidade. Cadê a coragem de enfrentar uma CBF, ou mesmo uma CBV cujo técnico, justamente laureado e competente, é formado em Economia? Mas uma professora, igual a muitas que labutam honestamente pela sobrevivência do dia a dia, pode ser humilhada e levada a uma delegacia de polícia, como se criminosa fosse, por se negar a pagar a soma que sustenta as benesses da corajosa horda, que ousa se imiscuir em um campo em que são incapazes? Urge que a sociedade brasileira atente para a perigosa escalada de um conselho que, sob a égide de uma lei conquistada nos bastidores do poder, se insinua, agora também no campo político, para perpetrarem um dos maiores crimes contra o sistema educacional do país, dicotomizando do mesmo um dos seus pilares, a educação fisica, que em conjunto com as artes, a musica e as matérias teóricas e práticas, formam a base da formação integral do cidadão, formação esta garantida pela constituição vigente. Que os milhares de leigos, autorizados e sem formação universitária, pelos cursos bem pagos pelos crefs regionais, e que formam sua massa crítica de associados, sejam por eles monitorados ainda pode-se entender, mas quererem controlar e dirigir a formação dada pelo ensino superior do país, é audácia demais. Para ganharem respeitabilidade, comecem pelos gramados dos grandes estádios, perante milhares de assistentes
no país afora, sob as lentes das cameras de televisão, coibindo o trabalho irregular sob sua ótica celetista, para aí sim, se situarem sob os artigos da lei que sorrateiramente impuseram ao país.
Prender uma honesta e desconhecida professora é papel de covardes e despreparados para exercerem o sagrado papel de professor. Por tudo isso me sinto honrado em comemorar(?) na data de ontem o Dia do Professor, junto aos milhares de colegas e companheiros que trabalham o dia a dia da nação. Não fui, não sou, e nunca serei um profissional de educação física, e sim um
orgulhoso PROFESSOR.



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