ESCOLA, ESCola, Escola, escola…

A Rêde Globo, através seu Jornal Nacional, iniciou ontem uma série de reportagens sobre a importância da Educação Física no sistema escolar em vários países. O primeiro país focado foi a China, e hoje foi a vez dos Estados Unidos. Em ambos, o que não será muito diferente nas demais reportagens, a importância da escola, como fator irradiador de progresso para qualquer país que se julgue merecedor de um lugar destacado no concêrto das nações, principalmente para seu próprio povo. A Educação Física sempre estará associada a este progresso, assim como as Artes Plásticas, a Dança, o Teatro e a Música. Estas atividades estarão sempre , e indissolúvelmente ligadas às demais disciplinas de um sério curriculo escolar, como base da educação plena e incluída nos direitos constitucionais básicos dos cidadãos de qualquer nação séria, justa e igualitária. Seus professores são universalmente licenciados por Universidades, Faculdades de Educação, submetidos a rígidos padrões de comportamento em estágios probatórios supervisionados por professores experientes e dedicados. Assim também o é em nosso país, onde podemos encontrar cursos formadores de professores de alta qualidade, e onde a tradição de ensino é mantida.Se os poderes públicos subestimam e desvalorizam os formandos
com baixos salários e propositais ausências de políticas educacionais, não podemos negar que a base existe, porém não coexiste com tais políticas de depreciação do ensino público gratúito e de boa qualidade. Esse é o pungente drama da educação no país. As licenciaturas, que atendem a todas as disciplinas, inclusive a Educação Física, são a função básica de nossos cursos superiores qualificados pelo MEC, mas que sofreram um processo dicotômico na Educação Física com a implantação dos bacharelatos, porta de entrada para o desenvolvimento das atividades desportivas fora do âmbito escolar, dando início à formidável indústria do culto ao corpo, e que
originou os ambigüos e políticos conselhos de ed.física, os famigerados cref’s. Escudados em uma lei que foi implantada obscuramente, estão de algum tempo se entronizando no campo escolar,
fator altamente comprometedor e abusivo. Sua massa crítica e coercitiva de associados foi formada pelos inúmeros cursos de atualização realizados pelo país, “autorizando” todos aqueles que exerciam atividades de ensino desportivo, sem que tivessem formação acadêmica regular.
Milhares foram autorizados, voltando-se agora para os egressos das Escolas de Educação Fisica, e, inclusive se imisqüindo nos concursos públicos em autarquias municipais e estaduais, e já pretendem estabelecer provas de suficiência aos formandos do ensino superior. Esquecem, que não possuem autoridade moral e formal para tal pretenção, pois confrontarão os cursos superiores formadores dos licenciados em todas as disciplinas do curriculo educacional do país.
O Professor de Educação Física não é um profissional bacharel de educação física, ele é um Professor, que atende as exigências de uma licenciatura plena, passaporte inalienável ao magistério de todos os graus de ensino, como é regra geral em todas as nações sérias deste planeta, e que, em hipótese alguma deva se submeter a conselhos normativos à serviço da grande e poderosa indústria do culto ao corpo, seletiva e elitizada, totalmente à margem das necessidades da juventude brasileira. Os próximos programas evidenciarão o supremo papel da Educação Física no âmbito escolar, juntamente com as demais disciplinas, num mutirão qualitativo, que toda nação séria promove para o desenvolvimento de seus jovens. Mostrarão,sem dúvida, que a educação física é parte integrante da formação dos jovens, não só para forjar futuros campeões, mas, e principalmente, para ajudar decisivamente na preparação de cidadãos produtivos e sociabilizados. A Escola é o cerne do processo de cidadania, e não é lugar para orgãos e setores normativos fora de seu âmbito. Nos dois programas até agora apresentados não vimos o envolvimento de profissionais, e sim de Professores de Educação Física, dentro de suas escolas, e não em caras e exclusivas academias, nem sob a batuta de personal trainers, atividades endossadas e controladas pelos cref’s tupiniquins. Que fiquem por aí, e deixem a Escola, a sagrada Escola em paz.



4 comentários

  1. Alexandre Rocha 15.11.2006

    Caro professor. Sou defensor de um modelo de esporte na escola no Brasil. Mas decisões como esta, creio, vem de cima. Assim toco na questã da nossa venerada UFRJ e as demais universidades publicas, que a despeito de possuirem estruturas nunca de fato procuraram estabelecer um modelo esportivo similar às universidades norte-americanas ou européias. Atletas como Fernando Scherer se queixaram entre outras coisas da dificuldade de conciliar estudo e treinos pela inflexibilidade dos professores e coordenadores de curso.Quais são as barreiras para a mudança?

  2. Basquete Brasil 18.11.2006

    Caro Alexandre, a maior barreira é aquela que mais cedo ou mais tarde será superada
    pela necessidade vital de investimento em educação no país.Não que os políticos assim o desejem, mas é, inclusive para eles, uma questão de sobrevivência.Nosso país só conseguirá ultrapassar a barreira
    terceiromundista pelo investimento maciço em educação,beneficiando a todos os segmentos da sociedade, inclusive o desporto,aspecto indissociável do processo.Será um processo lento e gradual, mas inadiável, caso contrário nos lançaremos no atrazo irremediável.
    Não há outro caminho.Um abraço,
    Paulo Murilo.

  3. Gil Guadron 03.12.2006

    Respetado paulo:
    Com o devido respeito a seus lectores e voce por meu mal Portuguez, desejo expresar a cita de John Wooden, ele es professor de ingles e ex-basketball coach de “UCLA”
    O antropologista foi pra o mato pra estudiar uma primitiva sociedade e falo pra o curandero y le pregunto si ele , o antropologista poderia falar com la mais importante pessoa na region.o curandero lo guio por o mato e se detuvo no claro e, exactamente no frente deles estaba o velhinho, canoso, fraco, rodeado de garotos.
    O antropologista pergunto si isse cara era o rei. Nosso Rei pergunto sorprendiso o curandero?
    Voce pergunto por a mais importante pessoa?o presento ao nosso professor.
    Obviamente a tribu nao era tan atrazada. Elos estaban tao avanzados pra conhecer que nao a otra pesoa mais importante em uma sociedade que o profesor.

  4. Basquete Brasil 04.12.2006

    Prezado Gil,na constituição mexicana pós-revolução zapatista,tem um pequeno artigo que registra:Mesmo nas cidades mais pobres e longínqüas,os professores terão direito a um par de sapatos.Infeliz da nação que minimizar o papel do professor em sua formação, o que,infelizmente,ocorre em grande parte do Brasil.Mas acredito que dias melhores virão.Sou um eterno e incorrigível otimista.Um abração,Paulo.

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