OS CARDEAIS.

Foi um segundo quarto revelador, e responsável pela imposição de um raciocínio técnico-tático tão óbvio, tão cristalino, que a douta comissão terá de rever certos “conceitos” impostos às nossas seleções nas duas últimas décadas, nas quais as nossas mais determinantes qualidades de grandes praticantes do grande jogo foram irresponsavelmente descaracterizadas. Neste quarto, três armadores puros se revezaram na quadra, em duplas, reforçando substancialmente o setor defensivo, e alimentando com boa técnica e grande velocidade os homens altos atuando dentro do perímetro ofensivo, assim como, tiveram fôlego e presença nas permanentes coberturas às falhas defensivas perpetradas pelos dois alas mais qualificados da equipe, o Marcelo e o Marcos, que não possuem,nem de longe, qualquer postura defensiva para atuar naquele nível, assim como ajudaram na marcação dos pivôs adversários que ainda são teimosa e pouco inteligentemente marcados por trás, anulando as características de boa mobilidade dos pivôs Murilo e Batista, perfeitamente aptos a exercerem a marcação à frente , fator que, dada às qualidades defensivas dos armadores, colocaria a equipe num patamar de efetiva e determinante qualidade. A diferença de 15 pontos ao final desse quarto o marcou como um caminho digno de ser seguido.

Mas, sempre o indefectível mas, apesar da boa dianteira no placar conseguida com muita luta e boa disposição técnica do grupo, eis que urge aplicar a estratégia de beneficiar todo e qualquer jogador pertencente aos quadros da NBA, mesmo que de menor categoria, sinalizando aos demais integrantes daquela família que os lugares dos mesmos estarão sempre à disposição a qualquer época, e para tanto, suas posições táticas dentro da equipe se amoldarão às suas performances ajustadas ao basquetebol que lá jogam. Aliás, o check list nenesiano já estabeleceu os parâmetros a serem seguidos, fazendo inclusive com que o notório arremessador de três pontos Marcelo desse a seguinte declaração ao jornalista Giancarlo Giampetro do site UOL :”Conversei com os técnicos, e agora minha função é outra. Os jogadores que estão fora vão chegar e terão volume de jogo maior, então já estou me adaptando a um outro formato, já pensando no Pré-Olímpico”. Mais claro que isso, impossível, pois já está se qualificando, e por que não, escalando para o Pré. E para não deixar margens a qualquer dúvida, somou 25 pontos no jogo de ontem, como se dissesse “humildemente”, que muda a forma de jogar, mas se der…

Aliás, esta sua característica camaleônica, e profundamente inteligente no trato com as indissiocrasias do meio em que atua e convive, já o tinha levado a trocar a equipe em que atuava na NLB, a mesma do presidente daquela liga e patrocinada por uma empresa telefônica e pelos cofres da Prefeitura do Rio, por uma outra pertencente ao campeonato da CBB, exatamente para preservar seu cargo cardinalício na seleção brasileira, cargo este que o torna “intocável” no elenco, como o elo aplainador da vontade do grupo que ensaia a volta para o Pré. As ausências por motivos clínicos dos outros dois cardeais, que se antepuseram à decisão nenesiana de não disputar as últimas competições internacionais, em parte contribuiu para o redimensionamento estratégico do Marcelo, colocando-o, por decisão própria, como o eixo de equilíbrio da seleção. O grande problema, e creio ser esse insolúvel, é a sua total inabilidade em defender, fator este que deixará a comissão pendurada na broxa se não se cuidar, pois um dos itens do check list nenesiano sugere a contratação de dois técnicos estrangeiros, mas que cá para nós, poderiam até ser nacionais, desde que afinados aos demais itens da lista. E não faltam candidatos, alguns de microfones nas mãos.

Vai a seleção aos tropeços pela indecisão técnico-tática se aproximando da medalha de ouro, mas profundamente dividida pelo que fazer e realizar na competição maior, aquela que definirá o nosso futuro internacional, apesar de que para mim, o futuro teria necessariamente de passar por uma remodelação de princípios técnicos e de comportamento profissional, visando a uma massificação dentro, por que não, do desporto colegial, para que pudéssemos vislumbrar um futuro menos doloroso que o presente que vivemos. Amém.

PS- O check list foi publicado no artigo “Missão Pré-Olimpico”-

24 Junho 2007

MISSÃO PRÉ-OLÍMPICO



2 comentários

  1. Clovis 28.07.2007

    Boa Tarde Dr. Paulo,

    Sabemos que discordamos quando o assunto é Nenê… Mas convenhamos, as exigências dele, é a de todos nós torcedores e técnicos que não estamos lá, somente o Sr Lula que não às vê!!!

    Pode ter certeza que para o Pré-Olímpico, ele vai jogar com dois armadores, até pq “Nenê exige isso”… Hehehehehehehehehe!!! Com certeza será Valtinho e Leandrinho, como titulares, e na ALA, o revezamento fica a cargo de Guilherme, Marquinhos e Marcelo Machado e por fim teremos 3 ótimos Alas-Pivôs se revezando, sendo eles Nenê, Varejão e Splitter, que terá apoio ainda de Murilo e JP Batista provavelmente!!!

    E teremos para revezar com Valtinho e Leandrinho, se Deus quiser e se o LULA for inteligente, Huertas e Alex!!! E vamos rumo à vaga nas Olimpíadas… Mas precisamos melhorar com urgência essa marcação no garrafão!!! Mas acho que será bem resolvida, com dois belos defensores, Splitter e Varejão!!!

    Um enorme abraço!!!

  2. Basquete Brasil 29.07.2007

    Prezado Clovis,que boa e salutar discordância.No artigo de hoje creio que respondo e coloco minha opinião, que ainda é um pouco discordante da sua.Um abraço,Paulo Murilo.

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