NADA, NADINHA…

Dois meses atrás uma reportagem sobre a preparação das seleções brasileiras, apontava para um protocolo entre a CBB e uma universidade paulista, no intuito de promover testes e aferições físico-cardio-pulmonares que, segundo o mesmo, dariam aos técnicos e preparadores físicos condições de adequarem seus treinamentos na busca do melhor condicionamento atlético possível, fator determinante a altas performances das equipes.

Muito bem, testes e aferições feitas através espirometrias, controles e aferições cardíacas , débitos de oxigênio, dobras cutâneas, saltometros , pliometros, fadigas induzidas, e não sei mais quantas “pesquisas”, e o que temos visto de relevante perante tanto cientificismo de última hora? Em termos de basquetebol, de ciência do treinamento, planejamento, estratégia e fundamentação técnico-tática, rigorosamente nada. Como nada transparece do excesso de adiposidades nada atléticas de muitas jogadoras desta seleção, fazendo da lentidão ofensiva, e principalmente defensiva, um cartão de visitas às avessas de todos os “doutores” responsáveis pelos avanços tecnológicos trombeteados mercadologicamente pela mídia, também nada especializada. Quando muito, a lastimar o tempo precioso de treinamento perdido nas elucubrações megalomaníacas e oportunistas de uma turma de cientistas que nada, nadinha, sequer desconfia o que seja desporto de alta competição, e suas exigências especificas, basicamente no aspecto técnico e de execução do mesmo, um degrau acima de seus relativos conhecimentos de fisiologia laboratorial.

E o que vimos na prática, principalmente nos momentos mais decisivos enfrentados por esta seleção, senão a cobrança irrecorrível de uma péssima seleção de valores, onde os mais primários conceitos de preparação física e adequação morfológica foram esquecidos, substituídos por uma imagem antítese do que deve representar uma equipe bem preparada física, técnica e emocionalmente. Como enfrentar pivôs adversárias esguias, porem fortes, velozes e elásticas, antepondo-as com massa adiposa raiando a obesidade? Onde estavam os cientistas para reduzir esta variável contraproducente à equipe e às suas pesquisas?

E também, como acompanhar defensivamente bem posicionadas as armadoras velozes e enxutas que enfrentamos, com um par de veteranas de excelente técnica, mas comprometidas pelo excesso de peso, fazendo-as alvos fáceis de dribles e fintas, e nulas nas tentativas de bloqueio a arremessos de longa distancia? E o pior de tudo, deixando no país a única armadora capaz de acompanhá-las e enfrentá-las paritariamente? De que adiantou a mudança de atuar com duas armadoras, se as mesmas, pela lentidão física não conseguiam exeqüibilizar suas rápidas percepções e opções ofensivas?

E foi exatamente essa limitação física que nos derrotou nos segundos finais da partida. A veloz e técnica Zobota recebe um passe seguro e sem anteposição defensiva, dribla para a cabeça do garrafão, reverte a direção, facilitada pelo cruzamento de pernas da Claudia, que é um sintoma claro de deficiência no deslocamento lateral motivado pelo excesso de peso nos quadris, comprometendo a flexibilidade de suas articulações inferiores, e ante a lentidão da Adriana, que impossibilita uma dobra salvadora, dribla entre as duas, enfrenta uma Ega relutante em se desgarrar da pivô que marca, e simplesmente faz uma bandeja frontal, dando a vitoria à sua equipe.

A ironia disso tudo, é que bastaria aguardar a equipe lituana numa formação zonal, fechando o garrafão e acompanhando de perto, até mesmo pela Claudia, ou melhor, pela Karla,mais veloz e enérgica, a mesma Zobota, para que não restasse à mesma a única opção de um arremesso longo, que naquelas circunstâncias ofereceriam a equipe brasileira uma chance bem maior de que a mesma errasse, ao invés de se ver derrotada por uma simples bandeja. Mas este pormenor tático, somente é facultado à percepção de técnicos experimentados, rodados, e rigorosamente antenados às potencialidades, necessidades e limitações das equipes que dirigem, principalmente em seleções nacionais. Uma visita aos bancos das equipes participantes desta Olimpíada, mostra o mar de cabelos brancos dos que lá estão, demonstrando seus conhecimentos, seus conceitos, suas lideranças, como premio maior pelo seu longo aprendizado, pelo longo e pedregoso caminho que percorreram e mereceram lá estarem, por mérito.

Que na próxima competição internacional, tenhamos um preparo mais acurado, recuperando fisicamente nossas melhores jogadoras, convocando com mais justiça, premiando a quem realmente se faz merecedora de envergar a camisa da seleção, afastando pesquisas oportunistas e inócuas, privilegiando todo o tempo disponível à melhoria das técnicas individuais e coletivas, para ai sim, promover sistemas de jogo adequados e factíveis às mesmas, pronunciando suas qualidades e atenuando suas deficiências, num todo homogêneo e vencedor.

Acredito que nossas jogadoras fizeram o seu melhor, se empenharam e foram diligentes e disciplinadas. Mas não foi o suficiente, assim como não foram suficientes e aceitáveis as opções de convocação e preparação da equipe em seu todo. Que terminem sua participação olímpica com dignidade e honra, pois merecem muito mais do que tiveram e alcançaram.

Amém.



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