O VISIONÁRIO HELENO…

Hoje, num encarte de primeira página no O Globo, festejam-se os 200 anos do Banco do Brasil, onde o patrocínio aos esportes ocupa um invejável espaço no pôster que reproduz a primeira página daquele órgão de imprensa. Paralelamente a esta pomposa e muito cara divulgação na mídia, o jornal Ação, editado pela Associação dos Funcionários do BB, publica uma matéria com o ex-técnico de basquetebol Heleno Fonseca Lima, cujos trechos iniciais reproduzo aqui no blog. A matéria é assinada pela jornalista Tatiane Lopes.

-É com voz baixa e jeito simples que o aposentado do Banco do Brasil, Heleno Fonseca Lima, relembra momentos significativos em sua carreira e na trajetória da Instituição. O principal deles não faz parte da memória do Banco nem é de conhecimento de grande parte dos funcionários: a criação e a formatação da primeira campanha de marketing esportivo do Banco do Brasil, entre os anos de 1985 e 1987. “Foi o então presidente do Banco, Camillo Calazans, que autorizou a elaboração de um modelo de campanha baseada na modernização da imagem e na promoção da marca e do nome do Banco, por meio do marketing esportivo”, conta o aposentado de 67 anos.

No ano de 1985, Heleno ocupava cargo de assessor da Presidência e foi investido na função de “coordenador das atividades necessárias à divulgação da imagem do Banco”. Sob sua responsabilidade, o BB iniciou patrocínio à equipe esportiva nacional.

A modalidade basquetebol foi a escolhida, pois na época esse esporte tinha preferência da juventude e contava com participação de grandes ídolos, como Oscar, Marcel, Paula e Hortência.

“O presidente me encarregou de formatar essa ação estratégica baseada no marketing esportivo. Entrei em contato com a Confederação Brasileira de Basquetebol e idealizamos uma maneira de o Banco ter retorno. Colocamos o nome e a marca do Banco nos uniformes da Seleção Nacional de Basquetebol. Hoje o marketing esportivo evoluiu bastante, naquela época foi uma criação de marketing original e inédita no Brasil e no mundo”, conta.

Os anos seguintes foram de muito trabalho e reconhecimento por todo país. Nesse período, durante o Campeonato Mundial de Basquetebol, em 1986, na Espanha, também foi criada a primeira Torcida Verde e Amarela. “O sucesso foi absoluto e o nome e a marca do Banco apareceram nos uniformes dos atletas e em camisetas e bandeiras nas arquibancadas. O acerto dessa ação foi a base para a continuidade nos anos seguintes”, destaca o aposentado.

A campanha de marketing esportivo do Banco do Brasil tornou-se poderosa ferramenta de divulgação do nome Banco do Brasil, inclusive internacionalmente, ação estratégica que o Banco jamais abandonaria. Mas muito do que Heleno ajudou a construir ficou esquecido.

Segundo dados do BB, a partir de 1991 a Instituição começou a patrocinar o esporte brasileiro, na modalidade voleibol, época, também, em que foi criado o Circuito Banco do Brasil Vôlei de Praia. O site da Instituição, que dedica uma página para contar sua história de participação no esporte, não menciona que o pontapé para o marketing esportivo do Banco foi dado com o basquetebol.

É essa história triste que o aposentado do Banco do Brasil tenta reverter. Formado em Educação Física e em Marketing, Heleno, que se aposentou em 1994, voltou a trabalhar em 2007 na área de consultoria de Marketing Esportivo. “Durante reunião de trabalho, ao contar sobre a campanha desenvolvida para o Banco, no triênio 1985-1987, senti que as pessoas não acreditaram. Elas nunca viram isso escrito em lugar nenhum. Voltei para casa, fiquei chateado, pois havia me dedicado a criar e formatar um trabalho e estava desacreditado”, desabafa o aposentado.

A assessoria de imprensa do Banco do Brasil informou que nos relatórios anuais, publicados nos anos de 1986, 1987 e 1988, o Banco fez referência aos patrocínios esportivos para as seleções de basquete masculino e feminino. No entanto, o ano de 1991 marcou a institucionalização da área esportiva no BB e a formalização do patrocínio com a criação de orçamento específico e funcionários destinados para essa área.

Para Heleno, o tempo que passou não exime o Banco do Brasil de considerar a autoria da campanha como dele. “Questiono que se estabeleça a verdade no que concerne à criação e à formatação da campanha de marketing esportivo do Banco do Brasil para o conhecimento dos funcionários e de toda a população brasileira. Não se pode aceitar que uma Instituição bicentenária não registre em sua história a real origem desta campanha vitoriosa, com vários prêmios alcançados, que passou a fazer parte da própria história do esporte brasileiro”, explica.

E lamenta: “independentemente de ver a minha história apagada, de suportar ofensa a minha imagem de autor, considero a maior vítima o próprio Banco do Brasil, por ter parte de sua vida suprimida de qualquer menção histórica. Não quero de modo nenhum estabelecer polêmica com o Banco. Como funcionário aposentado, sinto-me no dever de ajudar a resgatar esses fatos da história do Banco, os quais tive a honra de evidenciar e deles participar. Tenho filhos e netos e quero poder contar uma história diferente para eles”, conclui.

Como vemos, coube ao basquetebol, pelas idéias do Heleno, a primazia do marketing esportivo no país, legando às demais modalidades o caminho que fez de algumas delas lideres nas competições internacionais desde então.

E o basquetebol, como pode perder tão poderoso e pródigo patrocínio, mesmo sendo a segunda opção esportiva do povo brasileiro? E logo para a modalidade que hoje ocupa com seus dirigentes o comando do desporto tupiniquim? Será que o volibol ostentaria seu atual poderio mundial sem as verbas públicas advindas do maior banco federal do país? O que ocorreu para que o basquete perdesse o patrocínio? Que forças poderosas atuaram nesse processo de inversão de modalidades?

São boas perguntas que deveriam ser respondidas pelos que dirigiram e dirigem a CBB, que a continuar em seu catastrófico modelo diretivo corre o sério risco de perder o atual patrocínio, também federal, mas sem o suporte e o apelo da entidade que completa hoje seus 200 anos de fundação. Parabéns para o BB e pêsames para uma pré-falimentar CBB, com o grego melhor que um presente se perpetuando em seu poder. E parabéns ao Heleno, com quem tive a honra e o orgulho de trabalhar no Olaria AC, pelo seu tirocínio e visão de futuro, mesmo que o presente não reconheça seu pioneirismo.

Amém.



5 comentários

  1. Torcedor 22.10.2008

    Senão estou enganado, a CBB perdeu o patrocínio do Banco do Brasil, pois usou o dinheiro para comprar a atual sede na Av. Rio Branco, no Rio de Janeiro.
    Grato

    Torcedor.

  2. Basquete Brasil 23.10.2008

    Caro Torcedor,por favor assine seu nome nos comentários para que possamos manter os critérios aceitos por todos neste blog,obrigado. A CBB já era proprietaria de uma sede no antigo Ed.Central,cuja venda levantou o montante de verba para a atual sede.A perda do patrocinio teve outras e politicas implicações. Um abraço,
    Paulo Murilo.

  3. Alexandre Lima 30.01.2010

    Espero que meu pai veja esse reconhecimento ainda em vida..
    Abracos,
    Alexandre Lima

  4. Basquete Brasil 30.01.2010

    Prezado Alexandre, que conheci muito menino correndo nas alamedas do Olaria AC, filho de grandes e inesquecíveis amigos, a Lou e o Heleno, sem dúvida alguma verá, não, já pode afirmar o pleno reconhecimento de seu pai, pois podem tentar enterrar uma verdade, matá-la nunca.Quem sabe e conhece o esporte brasileiro sempre teve conhecimento dessa verdade.
    Um abraço e muita saúde.Paulo Murilo.

  5. Lauro Valente omes 31.05.2010

    Tive o prazer de trabalhar com o Heleno na extinta GAGEX (Gerência Geral de Agências do Exterior) do Banco do Brasil. Na época ele tinha uma moto e de vez em quando me dava uma carona. Quero dizer ao Heleno que conheço parcialmente seu excelente trabalho em favor do basquete e me solidarizo com ele na legítima revolta pela falta de publicidade e reconhecimento de sua atuação.

    Lauro Valente Gomes

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