UMA LUTA POSSÍVEL…

Tenho lutado na medida de minhas possibilidades e força para tentar sensibilizar os verdadeiros basqueteiros do meu país para que saiam do estado de torpor que se apossou da grande maioria deles, acomodados ao fato de não verem perspectivas de mudanças federativas e por conseguinte, no comando confederativo. Mas em um ou outro ponto deste enorme país já são esboçados movimentos antagônicos à situação que nos esmaga a mais de 12 anos, e um exemplo marcante vem lá dos pampas, da gloriosa terra gaúcha, que está a 60 dias da eleição para presidente da FGB, em que um dos candidatos é o atual presidente e postulante à CBB, Carlos Nunes.

Num artigo magistral e emocionante, o editor do blog Mais Basquete (WWW.maisbasquete.blogspot.com )Carlos Alex, exprime toda a situação existente no basquete gaúcho, e sua esperança infinita em uma mudança de comando na FGB, o qual reproduzo à seguir, como um exemplo que deveria ser seguido pelos demais estados, numa cruzada de renovação e esperança em tempos melhores. Eis o artigo:

Faltam 60 dias

“Sonho com o dia em que a justiça correrá como água e a retidão como um caudaloso rio.” (Martin Luther King)

Esse ano trabalhei para chegar no dia 28/11 e poder ter uma bela surpresa. E desde sexta-feira, 28/11/2008, tenho refletido sobre a situação atual e concluí: o basquete gaúcho merece um dos meus mais empolgantes textos. Livre, solto, sorridente, aliviado, vibrante e amoroso. Nada de ferocidade ou indignação. Não sei se vou conseguir, mas preciso me esforçar para traduzir em palavras o que senti quando recebi a informação que um grupo de basqueteiros transformou todos os anos de silêncio, de sussurros desconfiados, de ameaças e perseguições em um grito de liberdade. Saber que pessoas que enfrentei em quadra, que admirei da arquibancada e de técnicos que me inspiraram se mobilizaram – alguns ainda tentando fugir da razão, da auto-proteção que a mente determina para seguir o caminho que seus corações indicava – me lançou como um foguete ao espaço e, de lá, pude ver o Rio Grande do Sul pulsando, em plena sístole, jogando energia por todos os rincões. E sangue é vida e a vida dos que ousam nunca é mal vivida, como se em vão fosse. Não. Hoje os gaúcho podem ter a certeza que se fará luz novamente em nosso basquete e toda a energia jorrada nesses dias, através de nossas ações, se converterão e momentos de êxtase com a revitalização da forma de pensar e fazer basquete no RS.

Nesses dias só tenho conseguido pensar que verei o brado retumbante de técnicos, martelo e bigorna vibrarão novamente com o eco das torcidas e o prazer de jogar basquete voltará aos atletas, pois pisarão em quadra sabendo que só seu potencial técnico, sua determinação tática, seu esforço físico e sua armadura psicológica definirão o resultado de seus jogos. Voltaremos ao tempo em que um clássico SOGIPA X GNU me fazia sair de Bagé até nossa capital para me deliciar no ginásio da Quintino vendo Milho, Kawuin, Pitu comandarem suas equipes disputando cada milímetro da quadra, cada curva da bola e exaltando cada chuá, seguido de nosso descompromissado sorriso pela magnitude do feito. E eu lá, o guri de Bagé que driblava todos eles imaginariamente pelas subidas e descidas da Rainha da Fronteira, presenciando aqueles momentos históricos e aprendendo a ler o jogo, a analisar a frieza dos craques e a avaliar os meus limites.

Ah, meu sonho de ver um Corinthians Sport Clube, não mais com Ary Vidal, mas com seu legado e comandado pelas feras da casa, Bola ou Gilmar Weiss, não está longe. Lembrar, através dos novos talentos surgidos no Cestinha, dos moleques que eu enfrentara na adolescência e que jogavam ao lado de Brunão, Piru, Darci, Eleno, Muller, Nei, Gordo, entre outros, de uma época que meu coração batia forte quando enfrentava o Corinthians e eu projetava o dia que lá jogaria… Por golpe do destino, por mudança nas políticas esportivas, minha geração praticamente acabou não tendo essa fase adulta nas quadras, mas que disputamos jogos inesquecíveis tenho certeza que todos lembram.

Esses clubes rondam, ainda hoje, meu imaginário e minha emoção maior é ver a força de vontade de grandes nomes de nosso basquete lutando para reerguer o Cruzeiro, histórico clube de nosso esporte; ver a raça do jovem elenco do Java, jogando por prazer – amadoristicamente – e movimentando a região de Estância Velha. E o que dizer da resistência dos moleques do Santa Cruz Basketball que se recusam a ficarem de fora e continuam lutando bravamente a cada bola disputada, em diversos campeonatos? E entre os novos clubes, o trabalho de longa data do Ubirajara em Lajeado, reforçado constantemente pela persistência de Xis e Bira, tanto com as vencedoras equipes de base, quanto com o adulto que alçou vôo para todo o Brasil. E o que dizer do legado do saudoso César e do Cesare que culminou com a criação, pelo Rodrigo Barbosa, do Caxias Basketball e novo destaque estadual e regional, quiçá nacional em breve.

Esses novos dias surgem em minha mente há anos. Nunca desisti do sonho de ver um grupo sério, determinado, coletivamente responsável assumindo a responsabilidade de mudar o basquete de nosso estado que, nem nos piores pesadelos, imaginei que pudesse chegar ao fundo do poço. Nunca deixei de sonhar nesses anos que estive sepultado, expurgado como leproso da quadra de basquete por contestar o óbvio, o risível, por que nada mais o são os atos que suportamos nesses últimos 14 anos de ditadura sorridente e cordial no tratamento público, mas mal intencionada nas quatro paredes da FGB. Também vejo o basquete de Pelotas naufragar… Lembro de dias em que vi as tábuas da arquibancada tremerem e o barulho ser enlouquecedor e, mesmo assim, desfilar pela quadra da Marechal Floriano, sabendo do vazio que fazia a bola murchar no canto direito da entrada e penso que ainda temos solução para nossos jovens terem experiência semelhante as minhas memórias, dessa vez no Ginásio do CEFETRS em Pelotas ou mesmo do Militão em Bagé. Será novamente possível sair desse grito gemido e me sentir livre para ver o melhor do basquete gaúcho surgir e florescer, em jogos empolgantes e em quantidade.

Assim flutuo, entre as lembranças do passado e os sonhos para o futuro. Vamos contar, pois só faltam 60 dias, no máximo, para novas pessoas, com idéias oxigenadas assumirem a FGB, sob o comando de Jeffersson Garcia da Silva. E junto veremos muitos grandes clubes ressurgindo, como Guanabara de Livramento, União de Uruguaiana, Cruz Alta, Passo Fundo… Mas, por favor, não pensem que sou ingênuo ao ponto de imaginar que, como mágica, eles assumirão e tudo mudará. Não!!! Sei que precisarão de muita criatividade e muita produtividade para fazer multiplicar jogos, reduzir custos e elevar o nível do basquete do meu rincão.

Faltam 60 dias e eu acredito. Faça o mesmo: sonhe, acredite e mude a história do basquete gaúcho. Faltam 60 dias…

Eis um belo exemplo do que poderia ser desencadeado em todos os 26 estados restantes da União, todos em busca de uma nova, oxigenada e transparente realidade, única atitude com poder de soerguer o basquete brasileiro. Saúdo os irmãos do sul. Basta de omissão.

Amém.



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