UMA SUTIL E DESEJADA CAMISA…

Daqui de longe sinto o respingar de um assunto pueril e grave ao mesmo tempo, onde o bom senso e a ética deveriam imperar sem maiores discussões. Uma atleta se negou a voltar a quadra em um jogo de seleção brasileira, não importando se oficial ou amistoso, se numa arena ou quadra de interior, se gostando ou não de quem a dirigia, se aceitando ou não a incumbência delegada, satisfeita ou contrariada, se figurante ou estrela, se bem ou mal paga ou segurada, pois naquele momento estava defendendo o seu país, envergando o objetivo de todo jovem saudável de mente e corpo, vestir a camisa símbolo de uma escolha sacrificada e exclusiva, premio para muito poucos, mas sonhada por todos.

E no momento que ela é negada publicamente, uma força maior é aviltada, humilhada e denegrida, sem desculpas, perdões ou concessões, já que de livre arbítrio, de livre pensar, sem pressões e coerções, por quem atingiu meta de cunho unilateral, por ser única e plena. É a negação de uma tradição que nasce e viceja eternamente, onde a morte não se faz presente jamais. Grandes atletas a vestiram, muitos e muitos já se foram, mas a tradição, intocada e perene subsiste para as gerações que virão no sempre de nossas vidas.

Porque discutir o indiscutível, porque a tentativa de minimizar e até achincalhar sua importância ante uma atitude tomada conscientemente, pois se contrário fosse ela não se permitiria ser vestida por um corpo e uma mente destituídos de ética e amor à pátria até aquele desenlace. Porque duvidar de sua transcendental importância para a formação de nossa juventude tão carente de incentivo e educação? Porque discutir o indiscutível?

Esse é um assunto que à flor da realidade nada teria de especial sob a égide de um princípio de ética desportiva, simples, coerente, definitiva., e não, servindo de escudo para disse me disse politiqueiro, oportunista e aventureiro. Técnicos, dirigentes, jornalistas, jogadores, torcedores, familiares, deveriam ver na exoneração definitiva de um jogador de tornar a vestir a camisa de uma seleção nacional que repudiou, não como uma punição, mas uma tomada de posição do mesmo perante suas obrigações e opções após ser meritoriamente escolhido dentre muitos. Ao negá-la escolheu seu destino de não mais envergá-la, abrindo caminho àqueles que um dia, talvez, a vestirão com o orgulho dos justos e dos ungidos.

Que cessem as discussões e dúvidas, pois muito trabalho está a espera na formação de base, tendo como incentivo maior o orgulho de um dia defender a camisa intocada e pura de seu país. Que assim seja.

Amém.



2 comentários

  1. Walter Carvalho 14.07.2009

    Professor Paulo Murilo,

    Brilhante comentario! Infelizmente o passado e a tradicao sao apenas detalhes esquecidos neste mar de interesse que esta levando o nosso esporte ao fundo onde a possibilidade de retorno cada vez mais se ve distante.

    Hoje estava lendo uma materia no Jornal O Globo e a manchete era “Fluminense demite o Parreira” Por que meu Deus em nosso pais profissionais como voce, o Parreira entre outros com experiencias comprovadas nao sao respeitados? Sera que Parreira esqueceu o Futebol? Sera que a experiencia adquirida nestes anos de dedicacao nao tem valor?

    O triste e que, alguns falsos moralistas e despreparados estao mais preocupados na manutencao dos seus cargos por isso aceitam as imposicoes indo ate contra a nossa patria e a tradicao de quem com muito suor, amor e etica a defendeu e continua defendendo.

    As atitudes desses atletas foram perdoadas mas a que preco? A consequencia sera terrivel! e destrutiva para geracoes futuras.

  2. Basquete Brasil 14.07.2009

    Walter, soube hoje que a Hortência desistiu da jogadora, e que ela está fora.Bem, fez-se a luz do bom senso, pelo menos isso.Quanto à não valorização dos mais velhos, pelo menos no meu caso demonstrarei aqui em Lisboa na quinta feira, na abertura do Congresso Mundial de Treinadores Lusófonos,inclusive com os técnicos da seleção brasileira presentes, que a velhice só me fez aumentar a experiência e a placidez daqueles que sabem o que dizem. A experiência valida é a experiência vivida meu caro. Isso ninguëm pode negar e me tirar, já que seleções e coordenações podem.Sigo tranquilo do dever mais do que cumprido, mas muito mais a cumprir. Um abração, Paulo.

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