A CRUEL REALIDADE…

Li nesta semana uma matéria de qualidade superior, irrepreensível, magistralmente escrita, que retrata com a máxima fidelidade a agonia por que têm passado as últimas gerações de bons, ótimos, e alguns, excelentes jogadores, praticamente todos relegados a um ostracismo injusto e repugnante, graças ao sistema de jogo adotado pela esmagadora maioria de nossos técnicos ditos de elite, onde a criatividade clara e espontânea dessas gerações, foi esmagada e vilipendiada em nome de um basquete engessado e coreografado por aqueles que se auto intitulam, e até mesmo se consideram as estrelas do espetáculo.

Relegados e escalados em posições de 1 a 5, rotulados numa vitrine de ações óbvias e repetidas à exaustão, se mediocrizaram de tal forma, que o jogar o grande jogo se transformou numa alegoria de mesmices de jogadas de passos marcados, num simulacro de ações de 1 x 1, onde a ausência de fundamentação técnica os expõem a erros grosseiros, desesperadamente sendo levados a uma absurda compensação, através uma hemorragia suicida de arremessos de três, ante a sucedânea evidência da mais completa ausência de um coerente sentido defensivo, a outra vertente do processo.

The Kids ou o sonho cruel da realidade, publicado pelo Giro no Aro, em 28/6/11, é um desses artigos instigantes, crus, autênticos, que desnudam uma verdade no seu âmago, sem retoques, sem contemplações.

Desde o rock inicial (brilhante analogia…), até a analise de cada jogador, seus destinos e atualidade, que podemos sentir em toda a sua cruel realidade, o quanto de daninha e absurda tem sido a continuidade de nossa teimosia técnico tática ao globalizarmos o sistema único, limitador e castrador de talentos, que sem o aval da liberdade criativa levaram, e continuarão a levar promissoras gerações ao ostracismo absoluto, e mesmo ao abandono da pratica do grande jogo.

E num pequeno espaço da brilhante exposição o autor se debruça sobre o Lucas Costa, mencionando o breve momento que viveu no Saldanha no NBB2, sob a minha orientação técnica, quando o liberei, assim como a todos seus companheiros, ao encontro de suas potencialidades criativas, onde alcançou um elevado patamar de performance, possuidor que é de uma refinada técnica nos fundamentos, e no sentido coletivista que insisti para que o  desenvolvesse junto a equipe. Num vídeo que aqui veiculei, podemos observar uma das duas únicas participações do Lucas naquela retomada do campeonato, nesse caso num jogo contra o Pinheiros, a primeira partida da equipe sob meu comando, e logo depois contra o Paulistano, quando teve uma atuação  inovadora e memorável, mas que não me animei na época a veiculá-la aqui no blog, pela pressão em não fazê-lo, mas que  talvez o faça mais adiante.

Assim como o Lucas, muitos bons jogadores se prejudicaram nessa roda viva de uma mesmice endêmica que nos assaltou e judiou enorme e decisivamente, quando afastou a nossa maior qualidade, a coragem criativa, que se bem acompanhada, e, por conseguinte bem treinada nos fundamentos, embasaria sistemas de jogo abertos, responsável e criteriosamente abertos, e não manietados por jogadas coreografadas de fora para dentro das quadras, num rodamoinho que nos tem levado para o fundo lodoso da ignorância e do obscurantismo técnico tático, fator que considero ser o maior entrave na luta pelo soerguimento do grande jogo em nosso injusto país, e que têm como únicos beneficiários todos aqueles que se escondem sob o manto perverso de um corporativismo anacrônico e de profundos interesses pessoais.

O pessoal do Giro no Aro está de parabéns, e espero que continuem a percorrer o caminho das pedras, na busca de dias melhores para o nosso basquetebol.

Amém.

Foto-Lucas Costa em treino de fundamentos no Saldanha-NBB2. Clique para ampliá-la.

 



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