INSIDE (?)…

Paulo,viu o time jogar como você gosta? Vi, mas não do jeito que gosto, mas como deveria jogar sempre, lá dentro, na cozinha deles, e sendo abastecido por dois bons armadores, por todo o tempo, cirurgicamente, e contando com um ala que deveria estar por perto dos pivôs, para de dois em dois otimizarem seus ataques, como quase fizeram desta vez. Note que foram 7/16 de bolinhas de três, 21 pontos num total de 91, ou seja, 70 pontos de 2 e 1 pontos! Imagine a quanto iria o placar se a metade das bolas de três perdidas fossem trocadas por tentativas de dois? Cem pontos…

Mas foram bem melhores do que vinham jogando, e nunca uma briga nos favoreceu tanto em termos de ajustes táticos do que a travada entre o Marcelo e o Gutierrez, os dois melhores arremessadores de três de suas equipes, que alijados do jogo propiciaram como nunca o jogo interior, ora e vez quebrado pelas teimosas tentativas de três dos dois remanescentes cardeais, principalmente o Guilherme, que sempre se postava fora do perímetro, quando deveria estar mais próximo de seus dois pivôs, em bloqueios, em cruzamentos, todos em movimento constante, sempre bem colocados para os rebotes ofensivos, para a bola curta e precisa, e provocando faltas de seus oponentes, e o mais importante, bem posicionados para retardar e mesmo contestar os contra ataques adversários, que sem dúvida alguma será a grande arma dos americanos na segunda feira, como foi contra os dominicanos.

Então Paulo, como você gostaria de ver um time jogar com três alas pivôs sob dupla armação?  No caso da seleção, que pode sempre escalar dois bons e ágeis pivôs, contando com um ala de boa estatura e bom arremesso, como o Marcos (2,07), o Guilherme (2,05), o Marcelo (2,00) e o Alex (1,93), e três eficientes armadores compondo duplas sempre em jogo, tal sistema funcionaria muito bem na medida em que todos os jogadores se movimentassem ininterruptamente, mantendo dessa forma seus marcadores próximos a eles, atenuando muito as flutuações defensivas, comprimindo-os dentro do garrafão, quando ai sim, liberariam generosos espaços para arremessos médios de dois e mesmo os de três pontos.

E estão muito próximos deste cenário, bastando percorrer com atenção as fotos acima postadas, que revelam o quanto ainda teriam de evoluir para preencherem os mais importantes requisitos para executarem o sistema com precisão, começando com os deslocamentos constantes, principalmente após efetuarem os passes; a colocação de frente para a cesta de todos os jogadores nos arremessos, inclusive os pivôs; a presença constante do ala próximo aos pivôs, interagindo com os mesmos por todo o tempo, abrindo espaços sempre que a leitura defensiva assim o permitisse, e finalmente, que os armadores jamais saíssem do foco das ações, na entre ajuda e no domínio do perímetro exterior, agindo como armadores e não se comportando um deles como um ala adaptado.

Foto 1 – Raul na armação inicial, com os dois pivôs bem colocados, e o Larry penetrando, quando deveria ser esta uma ação do Guilherme, que se mantêm fora do perímetro, num típico posicionamento para um arremesso externo…

Foto 2 – De novo o posicionamento errado do Larry, onde deveria se encontrar o Guilherme…

Foto 3 – Mais uma vez o Guilherme fora do perímetro interno…

Foto 4 – Ação correta dos armadores, mas…

Foto 5 – Boa ação dos dois pivôs, mas sem a ajuda próxima do ala…

Foto 6 – Outra ação dos pivôs, mas com um deles na ala, desfalcando em muito o posicionamento para o rebote.

Enfim, a seleção se encontra num limiar auspicioso, na medida em que sua direção inove na maneira de jogar, já que impôs novos hábitos e atitudes, principalmente na disposição defensiva, pressionada, forte e atuante, mas que deveriam ser acrescidos de maior contundência ofensiva, mais ousada e diferenciada das demais equipes, fator que a qualificaria entre as mais instigantes da grande competição.

O técnico Magnano, com sua experiência e notória competência, sem dúvida alguma saberá percorrer o caminho árduo e pedregoso de uma competição que já venceu com méritos. Assim espero, assim torcerei.

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las.

11 comentrios

  1. Rodolpho 16.07.2012

    Excelente jogo contra a Argentina.

    A seleção mostrou uma grande evolução.

    Mesmo desfalcada, vencemos sem grandes sustos.

    Nosso maior adversário, no momento, é a parte clínica.

    Nenê limitado, Leandrinho ainda sem ritmo, Marquinhos perdendo alguns jogos. Isso deve fazer falta. Esperamos que tudo conspire a favor e cheguemos inteiros a Londres. Ai, só vejo o Caio Torres (que também não está bem fisicamente) destoando do resto do time. É o único que, em quadra, deixa o nível cair consideravelmente (e que falta faz o Rafael!).

    Adorei ver o Guilherme fora do garrafão. É o lugar dele no basquete internacional, de alto nível. Ele não tem a menor condição física de encarar os grandes pivôs do mundo na área pintada. E é muito habilidoso e inteligente pra alguém e sua estatura, deitou e rolou pra cima do Nocioni, o que não é pouco. O argentino saiu com 5 faltas ainda no terceiro quarto, tamanha sua lentidão pra acompanhar o ala de Brasília fora do perímetro.

    Curioso pra ver como a equipe americana vai encarar nosso forte jogo com 2 pivôs fortes. LeBron James, Kevin Durant e Carmelo Anthony terão um desgaste grande pra marcar embaixo da cesta. É importante dificultá-los ao máximo, já que a enorme disparidade de talento deve nos impedir de vencê-los.

    Vinte pontos de diferença tá de bom tamanho hoje. Mas que a prioridade seja colocar todos os jogadores testados em situações que encontrarão em Londres, ao contrário do que encontraram contra equipes fracas feito a chilena.

    __________

    Professor, 21 equipes no NBB5. E o senhor, em qual delas?

    Queremos te ver no Vitória!!!

  2. Ricardo Piloto 16.07.2012

    Muito esclarecedor seu texto junto às imagens. Faz parecer que o Guilherme atua, equivocadamente, na posição 2. Mas professor, na sua visão, o ala não deve se deslocar para o perímetro para auxiliar no passe?, Talvez para “descongestionar” o garrafão? Não sei se fui claro na minha pergunta.
    Abraços

  3. Giancarlo 16.07.2012

    Oi, Rodolpho,

    Se me permitir discordar… Em suas melhores temporadas na Europa, na Itália e na Ucrânia (liga nacional fraca, mas num time que competia nos torneios continentais), o Guilherme jogou como um ala-pivô, que atuava tanto dentro e fora. No sistema comum, vigente, ele era o PF, o 4. Contra um Nocioni envelhecido (hoje ele também é um ala-pivô na Europa), um Linas Kleiza ou demais pivôs, é justamente aí ele pode se sobressair como um adversário mais rápido. Jogando em demasia no perímetro, contra alas mais tradicionais (exemplo: Carlos Delfino), acho que a situação inverte: ele passa a ser lento.

    No jogo de gato-e-rato, o jogador ’4′ mais baixo pode pegar o grandalhão pela velocidade e ser presa fácil pelo tamanho. O ala ’3′ mais alto pode ser a presa fácil na velocidade e se impor pelo tamanho. A velha questão entre velocidade x força.

    Claro que, no jogo proposto pelo professor, essas denominações de posição iriam para o espaço e novas possibilidades surgiriam. Imagino que o Giovannoni seria um baita atleta para ele nesse quesito, por poder circular dentro e fora com facilidade, possuindo uma vasta gama de recursos: bate para dentro, joga de costas, tem ótimo chute de média distância etc.

    Por isso a frustração por vezes em sua insistência nos tiros de três pontos, como se não houvesse outras alternativas para seu versátil jogo, ainda que o Ricardo levante um ponto interessante: jogando como o falso PF, o ala aberto, ele limparia o garrafão para os pivôs maiores e infiltrações de Huertas.

    E vamos longe… Como o professor nos motra a cada rico artigo aqui.

    Existe esporte coletivo com tantas variantes como o basquete? Por isso amamos esse jogo.

    Abs,
    Giancarlo.

  4. Rodolpho 16.07.2012

    Giancarlo, se não me engano Guilherme teve fracas atuações na 1a divisão italiana (ou foi na segunda?).

    Mas enfim, entendo (e concordo) com seus argumentos.

    O “problema” é que não existem muitos jogadores da posição 4 que são lentos feito o Nocioni.

    O basquete vem mudando, não é o mesmo de 10 anos atrás, e cada vez mais os PF estão ficando rápidos. O mito de quem é alto não pode ser ágil está caindo de vez por todas. O próprio prof. Paulo prega isso há tempos.

    Guilherme é fisicamente frágil para a maioria dos pivôs de alto nível. Esses pivôs já não são tão lentos como eram 10 anos atrás. Hoje vemos jogadores acima de 2,05m correndo feito escoltas, na posição 4. A adaptação é fácil pra eles, inclusive poderemos ver isso hoje a noite, com os SF da NBA jogando de PF na FIBA.

    Infelizmente esse jogo de gato e rato (eu gosto muito) vem acabando. A tendência mundial é de jogadores cada vez mais fisicamente parecidos nas 5 posições. Uma quadra maior e um aro mais alto talvez acabasse com isso, mas tá bem longe de sequer ser cogitado.

    Abraço!

  5. Basquete Brasil 16.07.2012

    Que bela argumentação a de vocês, Rodolpho e Giancarlo, cada um com pontos importantes e argutos, debatendo situações técnico táticas muito acima das “opiniões torcedoras” que pululam nos blogs tupiniquins. Sem dúvida alguma o basquete transcende soluções fáceis e padronizadas (formatadas?…), pois exige um acurado sentido estratégico, onde a técnica individual se funde com a tática de jogo, formando um cenário onde ações e comportamentos ditam os resultados de uma equipe de alta competição, dai considerá-lo o grande jogo.
    No caso do Guilherme, apontei posicionamentos que deixaram de ser ocupados dentro do perimetro, na ajuda e suporte aos pivôs da equipe, todos eles com estatura próximas a ele, constituindo um terceiro (ala)pivô, com habilidade de transitar interiormente, com a mesma facilidade que o faz exteriormente, dotando-o (o mesmo com o Marcos, o Marcelo e também o Alex)de uma amplitude inesgotável de recursos, a começar pelo preciso arremesso de curta e media distância, numa zona aparentemente saturada de jogadores se estáticos se mantivessem, mas plena de passes e deslocamentos possiveis se em movimento constante, incluido aberturas ao perimetro externo. Ao se manter aberto frente ao jogo interior dos pivôs, esse habilidoso jogador abre mão de seu bom repertório de ações técnico individuais, se restringindo ao arremesso de três, que é muito pouco frente às suas reais qualidades.
    Enfim, prezados Rodolpho e Giancarlo, muitos são os fatores que tornam o basquete complexo, e por isso mesmo, apaixonante.
    Um abraço para os dois. Paulo Murilo.

  6. Basquete Brasil 16.07.2012

    Sim Ricardo, você foi bem claro, permitindo que eu coloque uma outra questão. Congestionamento no garrafão somente ocorre se houver ausência de movimentação dentro do mesmo, pois ao serem mantidos os defensores junto aos atacantes que se deslocam continuamente, espaços ocorrem normalmente, mesmo que aparentemente dificeis pelo espaço interior. Bloqueios, corta luzes e cruzamentos propiciam espaços majoritários, ora para atacantes, ora para defensores, e tal confronto definem os resultados de um jogo, de um campeonato. O certo é que uma boa e bem treinada equipe deve otimizar suas tentativas de arremessos, que quanto mais próximos à cesta, mais eficientes serão.
    Um abraço, Paulo Murilo.

  7. Basquete Brasil 16.07.2012

    Rodolpho, você me pergunta em qual equipe estarei no NBB5, e respondo, nenhuma que até agora tenha me convidado, desde o término do NBB2. Quanto ao Vitoria, quisera eu ter tido a oportunidade de dar continuidade àquele trabalho iniciado no Saldanha, mas o Alarico não quer, logo…
    Fico aqui na trincheira onde ainda posso trabalhar, ah, sem salário, mas fazendo o que amo (e entendo) de verdade.
    Um abraço, Paulo Murilo.

  8. Rodolpho 16.07.2012

    Professor,

    É algo pessoal (obviamente não precisa, e provavelmente não deve, ser divulgado) ou foi puramente profissional seu desligamento do Saldanha?

  9. Basquete Brasil 16.07.2012

    Prezado Rodolpho, em nenhum momento do meu trabalho em Vitoria tive qualquer desentendimento pessoal com o Dr.Alarico, muito pelo contrário, sempre nos relacionamos com educação e respeito.Acredito que tenha havido desinteresse na minha atuação profissional, por motivos que somente ele poderá esclarecer, se é que teve algum relacionado a minha pessoa.Publiquei dois artigos aqui no blog, colocando nos mesmos o meu ponto de vista a respeito, mas nunca obtive qualquer resposta. Os artigos podem ser acessados no espaço Buscar Conteúdo, digitando – O Vitoria do Alarico e Ao Alarico.
    Espero ter respondido a sua pergunta.
    Um abraço, Paulo Murilo.

  10. Rodolpho 16.07.2012

    Professor, pude agora ler os artigos.

    Como sou um novo frequentador do espaço, não sabia da existência de tais relatos.

    Tampouco sabia que o blog tem grandes artigos há tanto tempo. Por ser capixaba não me interesso mais pelo basquetebol local. Já paguei meus pecados por alguns anos na adolescência. O que acontece aqui é algo inacreditável. Quase a totalidade dos que têm o poder (sic) é mal intencionada ou incompetente, quando não ambos. Brigam por migalhas, pois não tem capacidade de nada mais na vida que não seja sugar a paixão da garotada apaixonada pelo grande jogo.

    Lendo esses artigos e pelo que conheço do meu estado te desejo que jamais volte a treinar um clube daqui. Provavelmente porque ambos ficarão com as duas últimas posições do NBB5 (se participarem) e o senhor merece coisa muito melhor pela honestidade e inovação.

    E em ano eleitoral, dinheiro público não faltará para equipes daqui. Faltará seriedade.

  11. Basquete Brasil 17.07.2012

    Olha Rodolpho, creio estar você sendo um tanto implacável, o que não se constitue uma boa forma de analisarmos situações conflitantes. Como afiancei anteriormente, em momento algum tive qualquer embate com o Dr. Alarico, que é uma pessoa altamente conceituada no estado, por ser um médico qualificado e dirigente esportivo respeitado. O fato de não ser contratado pela equipe que dirige, deve-se a uma opção do mesmo, que não discuto e respeito. No mais Rodolpho, vida que segue, que deve seguir sempre, a qualquer preço.
    Um abraço, Paulo Murilo.

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