O CANTO DAS PRANCHETAS…

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De inicio as criticas eram meio veladas, sutis, mas eram feitas com muita educação e gentileza. Agora são mais incisivas, até certo ponto irônicas, postulando uma inegável verdade, a de não darem certo, ou mesmo, serem descartadas no levantar dos bancos. Menciono as instruções via pranchetas, vicio alastrado e efetivado na maioria esmagadora dos técnicos desse enorme país, da base à elite, e que aos poucos encontram avaliações e criticas na mídia televisiva, como as do inicio desse artigo, de nunca darem certo, principalmente nos momentos decisivos de uma partida nervosa e tensa, onde o foco deveria ser reforçado no ajuste de pequenas falhas e decisões, jamais em estratégias e táticas de última hora, como as exibidas por câmeras ávidas em algo que absolutamente inexiste para todos aqueles que realmente conhecem o grande jogo, a jogada mágica e vencedora…

De uns tempos para cá, já vemos e ouvimos opiniões mais próximas da verdade, como – “Eu que joguei por muitos anos em alto nível não entendi nada do que foi mostrado, imagine os jogadores cansados e nervosos… você vai ver que não farão nada daquilo que foi exposto e pedido…”

Viu? Olha lá, o americano recebeu e queimou dali mesmo, e o pior…errou!

Exemplos como esse fazem o lugar comum da “era pranchetária”, onde litros e litros de tinta são gastos para não representarem nada menos do que “demonstração de conhecimento tático e prova de sabedoria”, pois estratégias e táticas são preparadas, discutidas, analisadas nos treinos, quando toda uma equipe se volta para o entendimento coletivista, treinando os fundamentos individuais e coletivos, e detalhando os sistemas como exercício básico para uma consciente e efetiva leitura de jogo, destinando os pedidos de tempo aos fatores comportamentais, técnicos e psicológicos emanados de um oponente no calor da disputa, quando importantes detalhes podem e devem ser corrigidos, e até alterados na busca do equilíbrio tático e de produção individual.

Mas não, como se desfazer de uma presença maciça de microfones e câmeras enfocando um estrategista empunhando uma prancheta e rabiscando os caminhos da vitória? Abrir mão de um tempo de TV desse nível, e em primeiro plano, jamais, pois o marketing é fundamental…

Então, é o que vemos em todos os jogos, aquele biombo estendido entre os técnicos e seus jogadores, evitando ao máximo a proximidade do olhar solidário e companheiro entre comando e jogadores, exercendo um linguagem unilateral e dogmática, quebrada algumas vezes através jogadores mais ousados e dispostos a não engolirem passivamente o que é imposto, mas reagindo em grupo ao não propugnarem nada do que viram e ouviram, dando razão integral ao comentarista velho de guerra de outros e memoráveis tempos.

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Nesse jogo, na hora mais decisiva dois tempos foram pedidos, um pela equipe de Bauru, que não precisava de prancheta para orientar os jogadores às penetrações e insistência no jogo interior, aproveitando a lerdeza do Paulão e a inexperiência do Lucas, e outro pela equipe de Franca, que a cinco pontos de diferença, com trinta e poucos segundos a jogar, deveria seguir na busca dos pontos seguros, pedidos pelo técnico, porém via prancheta, vendo o americano de sua equipe receber o lateral e dali mesmo tentar os três pontos. Poderia ser dito que o referido jogador, por não entender bem o português, e muito menos o que estava grafado na prancheta, queimou como veio, errando e anulando as possibilidades ainda existentes de buscar a partida, assim como poderia ser dito que àquela altura do jogo, uma conversa mais direta e incisiva (em inglês?) atenderia melhor as necessidades do momento…

Enfim, aproxima-se o momento em que tal discussão terá de apresentar um desfecho, quando técnico e jogadores passassem a se entender pela palavra bem colocada, pelo olhar compreensivo e confortador, pela troca de experiências práticas complementando os mundos interiores e exteriores de uma quadra de jogo, onde as verdades são mais sentidas do que movidas por grafismos midiáticos.

Mas algo de muito positivo deve ser anotado, a cada vez mais freqüente busca pelo jogo interior, que em conjunto da hoje quase unanimemente aceita dupla armação, nos aproxima de um jogo mais solidário e democrático, oportunizando a todos os jogadores, independendo de estatura e posições, exercerem seu potencial e talento, fatores esses que devemos festejar e parabenizar.

Poucos anos atrás demonstrei tudo isso no NBB2, junto ao atual técnico do Uberlândia, e agora pelo do São José, todos septuagenários, mas sabedores do que fazem, e principalmente do que dizem, e não do que rabiscam. Desconfio seriamente de que precisaríamos de mais alguns, a fim de reencontrarmos o caminho pelo soerguimento do grande jogo…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las.

 

 

 

 

 

 

 

 



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