UM OLHAR (MÍOPE?) SOBRE NÚMEROS E TÉCNICA…

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Os números – São de arrepiar, e olhem que assisti a transmissão, logo, posso associá-los ao jogo em si, pois não diferem muito da verdade em quadra. A equipe vencedora de Brasília, convergiu num 18/31 de dois pontos e 14/32 de três, sendo que sete de seus integrantes arremessaram de três, com o Nezinho, e seu arremesso de peito e na passada perpetrando 7/12, sem que fosse contestado por ninguém do Pinheiros (bastava “encostar” no habilidoso jogador para ele sequer armar o bote…), numa partida em que sua equipe cobrou somente 6/9 lances livres, sendo os primeiros no terceiro quarto, demonstração mais do que clara de oposição defensiva nula, e mesmo assim cometeu 11 erros de fundamentos.

Seu oponente, também amassou o aro com vontade nas bolinhas (14/26 de três e 15/38 de dois), mas tentando timidamente chegar mais perto da cesta somente com o Morro, já que o Mineiro e o Bambu também se postaram para os tiros longos, já que os “armadores”Smith, Leandro e Shamell se preocupavam mais em definições pessoais. Seis de seus jogadores arremessaram de três, perfazendo no total de ambos os contendores treze pseudos especialistas nessa tão difícil arte de arremessar de longa distância, um autêntico recorde mundial, sem dúvida. É ou não é uma hecatombe, e com muitos integrantes de nossa seleção em quadra? Ah, e cometendo 12 erros de fundamentos, totalizando 23 com equipes de nossa elite…

Os técnicos, ah os técnicos, variaram da bronca e dos palavrões de praxe, da ingerência (consentida?…) de um assistente num momento decisivo de crise, até um (rê) início de bate boca com o sempre presente Shamell, e em português, assim como o hermano togado, ante uma encruzilhada onde jamais pensou se encontrar, no confronto de suas crenças técnico táticas, e uma realidade a ser vivida no ambiente do reinado das bolinhas, que caindo, ou não, retratam a turma que pensa transformar ao seu jeito, mas que anuncia ser ele a ser mudado, e muito bem pago por isso, o que pesa sobremaneira nesses tempos bicudos de economia instável, principalmente em seus pagos gaúchos…

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A técnica – Então, o que temos de realidade em nosso basquetebol em termos técnicos, que é o que me cabe analisar, apesar de também, como ex integrante do Conselho Técnico da LNB (que segundo o coordenador da Liga, Lula Ferreira, comunicando durante o primeiro Congresso dos Técnicos após o NBB2, de que todo técnico que tivesse dirigido uma equipe no NBB, e que mesmo sem trabalho, que foi o caso do Chuí, motivo da moção estabelecida pela perda do cargo em Uberlândia, teria assento permanente no Conselho, e que não valeu daí para diante somente para mim, daí me considerar ex…), poderia ter podido colaborar com um pouco da minha experiência e conhecimentos acumulados nos mais de cinquenta anos de intensa atividade e estudo, no que foi negado explicitamente, é que não posso concordar com uma colocação do Fabio Balassiano em seu excelente artigo de hoje, quando escreve – (…) “Desqualificar o que a Liga Nacional fez em cinco anos por causa de um problema técnico (que é muito mais estrutural do que qualquer outra ordem, diga-se) é de uma miopia atroz” (…)

Bem, coloquemos na pauta a lista oficial do atual Conselho Técnico da LNB, composto por: Alberto Bial, Claudio Mortari, Flávio Davis, Helio Rubens, João Batista, Jorge Guerra, Luiz Felipe Faria de Azevedo, Lula Ferreira, Régis Marrelli, e mais o Gerente do Departamento Técnico, Paulo Bassul, e teremos de frente todo o poderio desses nomes, que estruturalmente define a existência de um liga maior, cuja importância transcende um simples e prosaico “problema técnico”…

Toda a essência de uma modalidade complexa como o grande jogo, convive em seu cerne com os avanços e conquistas técnicas, tenha a instituição galgado e crescido em seus aspectos administrativos e econômicos, midiáticos até, mas que jamais colimará seus objetivos sem a fundamentação técnica, que antecede a tática, que se fundem na estratégia que objetiva a excelência e estabelece a tradição.

Sim, o grande problema da LNB é técnico, essencialmente técnico, pois somente congrega um núcleo, fechado e elitista de técnicos, corporativados e intransigentes em seus princípios formatados e padronizados (que é a pedra de toque da ENTB/CBB, apoiada pela LNB), mas que volta e meia, por teimosia e insistência no óbvio de alguns poucos que divergem de sua influência (esse humilde blog é um deles…), os tocam com a riqueza de evidências que até utilizam, mas jamais, e isso é um fator pétreo, declarariam a origem, e neste caso as exceções não contariam, existentes que são…

No momento em que saiamos da mesmice técnica endêmica em que nos encontramos, adotando sistemas outros que não o único que aí está, que privilegiarmos a base para valer, que prepararmos e atualizarmos técnicos através uma escola que faça jus a sua básica denominação – Escola – que capilarizarmos a informação técnica por esse enorme e injusto país, que escutarmos atentamente aqueles que concentram o saber desportivo do grande jogo em todo o país, e que finalmente estabelecermos uma associação de técnicos realmente representativa e forte, aí sim teremos ultrapassado o maior dos óbices que nos atrasa, o problema eminentemente técnico, que de saída poderia ser atacado com a reintrodução dos semestres voltados aos desportos, substituídos por disciplinas da área medica de saúde nas escolas de educação física em todo o país, voltando a preparar melhores  professores, e não paramédicos de terceira categoria, massa de manobra e exploração pela  indústria do corpo que se configurou e se estabeleceu no país, e que hoje movimenta mais de vinte bilhões de reais…

Amém.

 

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las.

 

 

 

 

 

 

 



3 comentários

  1. Walter Neto 14.12.2013

    Ola Professor Paulo,

    Tudo bem? Tive a oportunidade de assistir o jogo comentado aqui em sua coluna e fiquei assustado com o que observei. Acredito que falta um amadurecimento tecnico e tatico do nosso basquetebol e jogadores especialmente no que diz respeito ao controle do ritmo de jogo (por intermedio de defesa e ataque) e no selecionamento de arremessos.

    Em relacao a marcacao de 3 pontos, isto ja e um erro que os nossos jogadores cometem tambem na selecao brasileira. Durante o final do 3o-aquarto e no 4o-quarto – o marcador do Nezinho era alto e lento e este, apesar de nao saber marcar o arremesso de 3-pontos, nao poderia ser o jogador escolhido/indicado pelo tecnico para tal funcao devido a disparidade fisica e atletica.

    Observei tambem que nossos armadores – nao armam – eles so chutam e cometem erros incriveis e infantis em momentos criticos do jogo.

    Os nossos jogadores mais altos e fortes – devido ao plano tatico – que impera no nosso basquetebol – estao sempre muito longe da cesta – nao existe movimentacao tatica que os coloquem em situacao de cesta dentro do garrafao – de costas ou de frente para a cesta – por esta razao – o jogo e totalmente controlado pelos baixinhos (alas e armadores) executando a mema movimentacao ofensiva acima da linha de tres pontos sempre muito longe da cesta e sem levar em consideracao o tempo que falta para acabar o jogo e o placar… Resumindo a falta de controle e comando tatico das equipes dentro e fora da quadra me surpreendeu negativamente. Muito falha e muito amadora!

    Se os nossos atletas profissionais praticam o basquetebol desta forma – nao quero nem ver os jogos de divisoes inferiores.

    Ate breve.

    Walter

  2. Walter Neto 14.12.2013

    Outro ponto que eu gostaria de levantar e em relacao a utilizacao do ‘pick an roll” – esta movimentacao tem como objetivo aproximar o ataque (a bola) da cesta e nao ser uma tatica para o arremesso de tres pontos.

    Esta estatisticamente comprovado que o melhor arremesso de 3 pontos e o parado e nao em movimento “off-the-dribble.”
    Amen!

  3. Basquete Brasil 16.12.2013

    Pois é Walter, continua tudo sempre na mesma, nada de mudanças, sequer ensaios visando alguma, e desde as divisões de base, como se estivéssemos anestesiados por uma potente droga, que asfixia toda e qualquer tentativa de algo diferenciado na estrutura do grande jogo. Tenho a certeza de que essa terrível mesmice endêmica é o fator primordial do afastamento do público e dos patrocínios das quadras, empobrecendo progressiva e irremediavelmente a modalidade pela precariedade e deficiência técnica imposta à mesma por uma corriola que a odeia e despreza, e que não a quer de volta vitoriosa no cenário desportivo do país, não faltando, inclusive, dinheiro público, para que tal situação permaneça intocada.
    Enfim, Walter, somente nos resta continuar no trabalho ingrato pregando soluções, sempre e sempre, até um dia…
    Um abração, Paulo.

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