O DÍGNO E ATUALIZADO SENHOR…

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Sábado trabalhoso esse, vendo jogos pela TV desde o meio dia até dez da noite, e ainda dando um pulo no ginásio do Tijuca para assistir o Flamengo ser fragorosamente derrotado pelo São José do Edvar Simões, o setentão que se reinventa após ser vaiado em seu próprio terreno ao ser derrotado por uma equipe reserva do Bauru.

Mas antes, dois jogos tenebrosos, um feminino pela LFB, que me nego a comentar para não avolumar criticas que pipocam de todos os lados sobre a ínfima qualidade dos mesmos, e que nos remete a uma séria reflexão dos por quês de tanta precariedade técnica apresentada pelas equipes dessa emergente liga, preocupando a todos pelo futuro da modalidade frente a tantos obstáculos e ausência de interesse maior em sua evolução.

Outro jogo, pelo NBB6 em Fortaleza, também conota uma grande preocupação pela qualidade de duas equipes que ocupam as classificações mais baixas na tabela, apresentando um jogo claudicante, com 38 erros de fundamentos, a maioria em passes errados, convergência nos arremessos da equipe do Espírito Santo (14/28 nos dois pontos e 9/26 nos três), perdendo para a equipe da casa por 18 pontos, que ao privilegiar o jogo interior, frente a uma defesa muito fraca dos capixabas (29/48 nos dois e 3/17 nos três) conseguiu vencer com tranqüilidade, num jogo de muitos erros e técnica medíocre.

Em Brasília, ao lermos os números da vitoria do Palmeiras, constatamos que seu jogo interior (24/52 nos dois pontos e 7/17 nos três) contrastou claramente com a opção dos candangos pelo jogo externo (14/36 nos dois e 12/34 nos três) que é sua marca desde sempre, e que aos poucos vai sendo superado pelas vigilantes equipes que tem enfrentado, as quais ao empregarem uma defesa mais atuante no perímetro externo, vem baixando os índices de acertos nas enxurradas de seus longos arremessos, deixando em cheque sua defesa frente a um forte jogo interior para o qual ainda não soube desenvolver uma postura adequada, e mais ainda, colocando seu nominado técnico hermano numa situação bastante delicada, pois tem ficado mais do que patente a opção de seus melhores jogadores pelo jogo que estabeleceram nos últimos anos vencedores, ante um sistema mais controlado e cadenciado proposto pelo mesmo, numa atitude clara de oposição aos seus sistemas, e sua liderança.

Mas o melhor do dia estava guardado para ser visto na Tijuca, onde um técnico “das antigas”, bom como ele só, demonstra a cada jogo que dirige e orienta seus jogadores, que o olho no olho ainda é a melhor maneira de se chegar aos mesmos, com emoção e verdade, mostrando e demonstrando os movimentos e as situações práticas dentro da maior das pranchetas, a quadra em si, derrubando e afastando o biombo que se implantou entre técnicos e jogadores na figura anacrônica de uma prancheta midiática e impessoal, onde são rabiscados sonhos e quimeras de seus autores, dissociados das ansiedades e dúvidas que assaltam a todos quando confrontados com a dura realidade de uma oposição permanente, presente e feroz junto a eles, “fungando em seus cangotes”, e que tanto precisam de toques sutis de experiência, vivência e inteligência, que grafismo nenhum os alivia de tanta pressão. Ali, ao lado do grande Sergio Macarrão, comentávamos aquelas aulas de bom senso técnico dadas pelo idoso e jovial Edvar, provando da forma mais cabal possível, que ser atualizado e contemporâneo transcende o tempo, pois o limite nesse apaixonante e complexo jogo é a constatação de que a experiência válida é aquela vivida, no dia a dia, ano a ano, década a década de uma vida dedicada ao grande jogo.

Não aconteceram nós táticos ou formidáveis estratégias, e sim um corolário de incentivos e motivações voltadas ao jogo inteligente de pontuar dentro e fora ante uma defesa amorfa, e não se deixar atacar desenvolvendo contestações defensivas sempre presentes e fortemente atuantes, por todo o tempo, sem tréguas, sem concessões.

Foi uma grande resposta do veterano técnico, deixando em mim uma pontadinha de inveja por não lá estar também, fazendo parte de uma ala da Old School, que tanta falta faz ao soerguimento do grande jogo em nosso injusto país. Que continue trabalhando e demonstrando seu conhecimento e sabedoria.

Amém.

Fotos – Divulgação LNB. Clique nas mesmas para ampliá-las.



2 comentários

  1. Eduardo 19.12.2013

    Belo texto, parabéns.

  2. Basquete Brasil 19.12.2013

    Obrigado, prezado Eduardo, fico feliz que tenha gostado e aprovado. Um abraço, Paulo Murilo.

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