FIM DE ANO…

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Termina o ano, que de certa forma não foi um bom ano para o basquetebol de nossa terra, ainda perseguido e enclausurado na camisa de força de um pesadelo difícil de ser removido, a mesmice técnico tática endêmica e por isso mesmo, asfixiante.

Com a universalidade do sistema único, cada vez mais visceralmente aceito, muito pouca coisa de diferente, inusitada e corajosa pode prosperar perante a rigidez ciclópica e corporativa que o impõe coercitivamente, sem um mínimo de concessões a algo que o conteste.

Talvez, a incorporação de um fator complicador a tentativas de fuga ao onipresente sistema, com a inclusão generalizada da alta velocidade em sua consecução tática, o que evidenciou e escancarou de vez o verdadeiro grande vilão que coisifica a sua mais básica carência, o desconhecimento das mínimas técnicas na execução dos fundamentos do jogo, vide a ontem terminada LDB, quando nos seus dois jogos finais foram cometidos 78 erros de fundamentos (40/38 respectivamente), e onde o Flamengo se sagrou seu lídimo e incontestável campeão, que parabenizo pelo título, nunca pelo basquete jogado, mas que mesmo assim foi o melhor dentre todos.

Não repetirei números gerais da rodada final, iguais ou piores das que a antecederam no desenrolar de toda a competição, mas sim uma básica amostragem do que ocorreu em números nos dois jogos finais, ou sejam:

– Nos dois pontos    –  72/190 – 37.8%

– Nos três pontos     –  23/72   –  31.9%

–  Lances livres        –  30/49   –  61.2%

–  Rebotes                –   151     –   75.5 na média

–  Erros de fundam. –    78      –    39.0 na média

Frente a estes números de duas finais onde a maioria dos jogadores já participam do NBB, podemos, infelizmente, projetar a catástrofe do que ocorreu nos 300 jogos da competição, onde fundamentos foram violentados, arremessos de três atingiram cifras inacreditáveis, e sistemas defensivos simplesmente inexistiram, dentro, e principalmente fora dos perímetros, numa proporção tão preocupante, que ouso conscientemente relatar que, fora a pretensa importância pratica que movimentou esses jovens nos seis meses de competição (espero que as necessidades escolares tenham sido levadas em consideração pela Liga), tática e fundamentalmente nada acrescentou aos mesmos, pois praticaram um jogo anacrônico e muito além dos mínimos parâmetros de qualidade a essa altura de suas caminhadas, fruto de uma sistemática formatada e padronizada por uma geração de técnicos compromissada com a mesmice endêmica gestora do corporativismo a que estão ligados, garantidora de seu trabalho “homogêneo”, espelhado numa ENTB/CBB, veiculo autenticador do que ai está coercitivamente implantado.

Enquanto não evoluirmos e fugirmos dessa horrenda influência prisional, não iremos a lugar nenhum nos planos regional, nacional e conclusamente, no internacional, com ou sem hermanos acima e abaixo do equador nos prestigiando…

Porém, otimista renitente que fui e sempre serei, aspiro que novos ares rondem o grande jogo em nosso imenso e injusto país, e que se faça presente à meritocracia na educação e desporto pátrio, única forma democrática para que consigamos sair desse limbo cultural em que nos encontramos desde sempre.

Um feliz e prospero ano de 2014 para todos, leitores ou não, críticos ou não, com muita paz, progresso e saúde.

Amém.

 

Foto – Reprodução da TV. Clique na mesma para ampliá-la.



14 comentários

  1. Henrique Lima 31.12.2013

    Os especialista de três que não conseguem acertar a cesta,
    lances livres perdidos em números espantosos
    e desperdícios, muitos, inúmeros, infinitos e todos os tipos …

    E tudo converge para os fundamentos básicos que não temos.

    Retrato fiel e real do nosso péssimo basquetebol, seja base,
    seja adulto.

    E o senhor sempre lutando pra abrir as mentes dos que não tem o conhecimento e o estudo que deveriam ter mas posam de “especialistas” daquilo que não sabem …

    Que continue forte nesta trincheira em 2014 !

    Um abração !

  2. Basquete Brasil 31.12.2013

    Aqui estarei enquanto saúde tiver, Henrique, e não recuarei um milímetro que seja nessa luta inglória. Quem sabe ainda terei a oportunidade de treinar uma equipe em uma dessas ligas, com principio, meio e fim, quando tornaria a provar que podemos jogar de forma diferenciada o grande jogo, fugindo da mesmice que aí está, emperdigada, solene, e acima de tudo burra e arrogante.
    Sonhar à véspera de um novo ano é permitido, apesar dos pesares.
    Vida que segue Henrique, vida que segue…
    Paulo.

  3. Gil Guadronl 01.01.2014

    UMA SITIUACAO EMOCIONAL

    Face 30 años tive que abandonar El Salvador , meu pais de origem , para viver nos EEUU, meu pais adoptivo. Entao adorando tanto o basquete, atendi os entrenos, Clinics os grandes maestros que me permitiron estudiar sus formas de entrenar, sus estrategias etc.

    Com toda securanca puedo asegurarles que mi gran amigo Paulo Murilo, meu amigo por cuasi 40 anos e um verdadeiro maestro do basquetebol , injustamente discriminado do basquetboll brasileiro ; pais ao que quero en demasia.

    Estudie en Fundao en 1972 , E sim en algo pode ajudar ao jovenes tecnicos de tan prezado pais, no duden en escribir a Pablo sobre algum topico e com o major pracer dare resposta a seus preguntas. Nao a perfeita , no a unica , mais meu respuesta.

    Desejandoles um bom 2014

    Prof. Gil Ovidio Guadron Herrera.
    Claro respondere en castellano

  4. Basquete Brasil 01.01.2014

    Com o pé direito entramos nesse 2014 que promete muito junto à comunidade jovem do basquete, e a dos veteranos também. E você, Gil, estará nessa linha de frente comigo e todos aqueles que amam, estudam, pesquisam, divulgam e trabalham pelo progresso do grande jogo no país. Obrigado pela sua sempre presente colaboração, amigo Gil. Um abração, Paulo.

  5. Walter Neto 03.01.2014

    Ola Professor Paulo,

    Alguns anos atras, aprendi e passei a utiizar um sistema de analise estatistica nos EUA. La eu aprendi a analisar a performance estatistica de nossa equipe por intermedio de evidencias objetivas, ou seja, analise pratica do jogo alem de pontos, rebotes e assists.
    Para utilizacao deste sistema temos que assumir de que uma equipe, se controlando os turnovers, teria como media entre 70-80 posses de bola por jogo.

    Basedo nesta media, eu posso analisar e eficiencia ofensiva e defensiva de minha equipe utilizando os calculos matematico descritos abaixo.

    Eficiencia ofensiva (media de pontos anotados por 80 posses de bola)= (pontos anotados * 80)/total de posses de bola
    O calculo acima mostra a performance ofensiva de nossa equipe durante a competicao.

    Para medir o total de posses de bola voce pode utilizar o calculo abaixo:
    Posses de bola= Arremessos tentados + 0.5 x lances livres tentados – RBO + TO

    Para Analise defensiva ou seja quantos pontos por posse de bola sao anotados contra a nossa equipe, utilizamos o seguinte calculo:
    Eficiencia defensiva (media de pontos anotados contra nossa equipe): (Ponto contra * 80) / Posses de bola do adversario

    Outros calculos, baseados em 80 poses de bola por jogo):

    1. Eficiencia no Arremesso de 3 pontos= (arremessos + .5 (total arremessos de 3 pontos) / total de arremessos)

    2. Media de turnovers baseado em 80 posses de bola por jogo= (turnovers*80/posses de bola)

    3. Media Rebote Defensivo= RebD / (RebD + Adversario RebO)

    4.Media Rebote Ofensivo= RebO / (RebO + Adversario RebD)

    5.% de Arremessos Real (pontos anotados por oportunidades de arremesso)= Pontos/(2*(Arremessos tentados + (.44*lances livres tentados)

    6.Oportunidades de arremesso= Arremessos tentados + 0.475 x Lances-livres tentados

    Durante o intervalo e termino de jogo –utilizamos o calculo acima para comparar a performnce de minha equipe e a do adversario – caso haje muita diferenca – isto se deve ao numero de rebotes.

    7. Contribuicao defensiva de cada jogador= ((RebD * .511 + Roubadas de bola * 1.60 + Tocos * .98 + pf * -.22)/minut0s) * 40

    8. Lance livre= (lances livres anotados/arremessos tentados

    9. Media de turnovers= TO/(Arremessos tentados – Rebote Ofensivo + Turnovers + 0.4 * Lances livres tentados)

    O meu interesse na utilizacao deste sistema e na coleta dos dados acima e poder analisar a performance de minha equipe e a dos meus adversarios.

    Baseado nesta analise e comparacao, eu posso preparar e treinar a minha equipe de uma forma mais efetiva (cientifica e pratica) durante os treinamentos e conhecer melhor o meu adversario, fatores estes muto importantes na elaboracao de um ‘plano de jogo’ a ser adotado contra cada um dos nossos adversarios.

    Espero que estas informacoes possam de alguma forma agregar valor e conntribuir aos dados que voce tanto estressa em suas colunas e artigos.

    Ate breve.

    Walter

  6. Walter Neto 03.01.2014

    Ola Professor Paulo,

    Falando em Plano de Jogo. Quando observamos uma equipe adveraria analisamos o seguinte:

    1. Se esta possui banco de reservas a altura dos titulares e para que posicoes.
    2. Quem sao os jogadores principais da equipe adversaria especialmente os cestinhas, os que controlam o ritmo de ataque do adversario.
    3. Os passes chaves para a movimentacao do adversario.
    4. O lado que o ataque ou armador adversario costuma iniciar suas movimentaoces.

    As respostas para os itens 1,2 e 3 irao determinara a minha pegada defensiva – ou seja: uns terao a linha do passe negado, outros serao marcados pela frente especialmente os pivos se na posicao de pivo de baixo. Outros receberam uma marcacao sem muita pressao (flutuaremos mais nestes.

    5. Procuramos sempre negar a linha do passes aos cestinhas e deixamos sem muita pressao defensiva alguns jogadores que acreditamos precisamo ter mais posse de bola pois isso nao ira beneficiar o adversario.

    6. Se esta marca zona ou individual em situacoes especiais. E se pressionam e em que situacao gostam de pressionar.

    7. Observamos tbem a saida de bola em situacoes especiais e apos cesta.

    8. Quantos reboteiros a equipe adversaria possui na tabua deensiva e ofensiva – especialmente entre os que iniciam o jogam – ou seja se a equipe adversaria so possui 2 bons rebotes defensivos – e quantos vao para o rebote ofensivo – dependendo da resposta gostamos de atacar a cesta adversaria com 3 e 2 retornam para a transicao defensiva e no rebote defensivo manteremos 3 ou dois gugindo para o contra-ataque com 1 ou dois jogadore.

    Professor Paulo acima listo apenas alguns dos pontos importantes que observamos e como preparamos a nossa equipe para jogar contra os nossos adversarios, infelizmente quando eu assito os poucos jogos transmitidos pela internet – nao consigo observar e entender o plano de jogo das equipes – ja na pegada defensiva pois o marcador do armador esta sempre dando os dois lados para o adversario iniciar a jogada e os pivos sao na maioria das vezes sao marcados pelas costas e nunca tocam na bola pois o jogo e dominado no perimetro e alem da linha de tres pontos.

    Ate breve.

  7. Walter Neto 03.01.2014

    Ola Professor,

    Gostaria de compartilhar um trabalho de defesa que aprendi com o Coach K. Este e um trabalho fantastico e continuo. Vale a pena dar uma olhada neste video…
    http://www.coachingtoolbox.net/basketball-practice/defensive.html

  8. Jose 03.01.2014

    “(espero que as necessidades escolares tenham sido levadas em consideração pela Liga),”
    Professor, isso nem passa pela cabeça da Liga, muito menos nas dos Clubes, alguns até oferecem escolas, mas geralmente são aquelas mais fracas, cuja presença muitas vezes é relevada. E assim vamos caminhando, eu (clube) finjo que dou estrutura educacional (cobro notas, etc) e você (atleta) finge que aprende e tem diploma. Depois quando tudo isso acabar aí o senhor me fala no que dá!

  9. Basquete Brasil 04.01.2014

    Walter, comentários como estes enviados por você é que qualificam esse humilde blog, na linha de frente da inclusão de técnicas realmente úteis aos jovens (aos veteranos também)técnicos de nosso país. Os “assim é que se faz” e “espelhem-se nos craques” têm de ceder vez “aos que realmente entendem e divulgam seus saberes” sobre o grande jogo.
    Tenho muitos destes trabalhos do Coach K aqui comigo, presenteados que foram pelo GIL, mas ainda me sinto inseguro sobre suas veiculações pelo blog, por se tratarem obras protegidas por direitos, que ainda não tenho licença para reproduzi-los, mesmo sem auferir lucros financeiros com os mesmos. Mesmo assim, abro o seu link enviado para que a turma jovem entendam, de uma vez por todas, o significado do que venha a ser um drill.
    Quanto às estatísticas, excelentes por sinal, ainda se tornarão pouco acessíveis para muitos, pela complexidade no tratamento dos dados, o que exige um quadro mínimo de profissionais junto às equipes para processá-las. Quem sabe, com o desenvolvimento da Liga possam lá chegar…
    Por outro lado Walter, processos mais simples para obter dados e processá-los pelas técnicas dos coeficientes de produtividade (pontos positivos e negativos geradores de um valor, que divididos pelo tempo de jogo de cada jogador indicaria o coeficiente), sistema que desenvolvi e utilizei na base do Fluminense nos anos oitenta, poderia ser ainda utilizado (publicarei um artigo sobre o mesmo)e divulgado pela simplicidade e efetividade nos resultados, não sendo necessário uma equipe para obtê-los.
    Enfim Walter, muitos fatores ainda se encontram à parte no desenvolvimento do grande jogo entre nós, cabendo a nós todos lutarmos para que esses óbices sejam dirimidos, porém, com conhecimento e trabalho técnico avançado, muito diferente do “vamo que vamo” que ai está formatado e padronizado pelo corporativismo vigente e aparentemente inamovível…
    Um abração, Paulo.

  10. Basquete Brasil 04.01.2014

    Prezado José, sempre baterei nessa tecla, sempre, pois antes de ser um técnico, sou professor, e modéstia à parte, dos bons, mas que infelizmente vão sendo desvalorizados a cada ano que passa, por um governo interessado em manter o cabresto social sob controle, o qual perderia frente a um povo educado de verdade, jogadores e desportistas inclusos.
    Mas dia virá que o povo, acordando aos poucos, virará o leme da história, sem dúvida alguma.
    Um abraço para você José, Paulo.

  11. Luiz Gomes 04.01.2014

    Caros professores Valter e Paulo Murilo
    Tenho feito algo semelhante sobre os cálculos mencionados pelo professor para o NBB 6.
    Se tiverem interesse:
    http://nbbemnumeros.wordpress.com/
    abraço
    Luiz

  12. Basquete Brasil 04.01.2014

    Prezado Luiz, recentemente acessei sua pagina e gostei muito, inclusive a coloquei nos meus favoritos. Sem dúvida um bem estruturado trabalho, porém um tanto inacessível á maioria das equipes, não só da liga, como para as da base, por se tratar de um trabalho que exige um setor especializado para processá-lo. No entanto, como fonte de consulta para as mesmas se torna bastante interessante e instrutiva, sendo de grande valia para os técnicos. Parabéns pela iniciativa, e sucesso na mesma.
    Um abraço, e sucesso no trabalho. Paulo Murilo.

  13. Walter Neto 06.01.2014

    Ola Professor Paulo,

    Estou enviando abaixo palavras do Phil Jackson:

    “Basketball is a simple game. Your goal is penetration, get the ball close to the basket, and there are three ways to do that. Pass, dribble and offensive rebound.

    Exatamente o oposto esta sendo ‘doutrinado’ no Brasil, ou seja, estamos jogando além do perímetro de 3 pontos. Penetração a cesta, chutar de mais próximo a cesta não são prioridades.

    O ‘bom’ deve ser arremessar de 3 pontos com baixa porcentagem de aproveitamento por posse de bola! Mas o dia que acerta ganha o jogo! Porem perde o campeonato! Desculpe o sarcasmo pois e uma vergonha os números apresentados pela LDB – que potencialmente será o futuro do nosso basquetebol!

    O basquetebol brasileiro na sua formação técnico e tática tem que ser repensado de uma forma muito seria!

    Amem!

  14. Basquete Brasil 07.01.2014

    Walter, se por acaso alguém da FIBA estabelecer a linha dos 4 pontos, acredite, estaremos na dianteira dessa nova regra, e sabe por que? Dá menos trabalho e envolvimento com fundamentos, criatividade, táticas, sistemas, estudo então, nem pensar. Lembrar palavras simples de Phil Jackson soa estranho para essa gente arrivista, aventureira e oportunista, fantasiada grotescamente de técnicos, “estrategistas”. Honestamente Walter, já não os aguento e tolero mais, chega…
    Um abraço, Paulo.

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