FALANDO DE CONVERGÊNCIAS…

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(…) “Sei da importância do jogo coletivo e interno. Isso está na minha formação como jogador e filosofia de jogo, mas temos jogadores hoje na equipe diferenciados tecnicamente e com potencial de fazer 40 pontos num quarto, como no jogo de Brasília na fase anterior da Liga Sul-Americana (sendo 10 bolas de 3 pontos). Não podemos tirar essa arma da nossa equipe, mas temos que achar um equilíbrio e saber fazer a leitura e ter estrutura tática e conceitos para variar o jogo quando for necessário. Treinamos, falamos, editamos as situações táticas, tiramos o jogador no jogo, mas o tempero (a arma) está na mão do jogador e no momento do jogo. Essa leitura só melhoramos com treinamentos e jogos. Quanto a se incomodar com a crítica, respeito as opiniões, mas aprendi desde os 15 anos, quando iniciei no adulto de Franca, que fazemos sempre nosso máximo e as vezes isso não corresponde às expectativas dos outros. Isso é normal, o importante é nós termos nossa consciência tranquila do que realizamos.(…)

 

Numa boa entrevista cedida ao jornalista Fabio Balassiano no seu Bala na Cesta, o técnico de Bauru assim respondeu a uma pergunta sobre o excesso de arremessos de três pontos praticado por sua equipe no NBB7, cujo trecho acima pincei por considerá-lo importante e relevante ao atual momento por que passa o grande jogo em nosso país, com a célere escalada do jogo convergente que vem sendo praticado, não só por sua equipe, mas muitas outras da liga, exemplificando para os mais jovens que se iniciam, um caminho ambíguo e potencialmente falho, pois os induzem a uma forma de jogo equivocada e danosa ao desenvolvimento harmônico e desejável no domínio dos fundamentos do jogo, todos eles, preteridos que estão sendo pela “especialização” nos longos arremessos, que junto às enterradas conotam midiaticamente a essência do jogo, como apregoada insistentemente pela crítica especializada, num desserviço brutal a causa do jogo bem aprendido, treinado e jogado, principalmente na formação de base…

 

No entanto, ficou faltando algo em sua entrevista, algo sobre defesa, que em sua formação de jogador e posteriormente técnico teve no excelente Pedroca um exemplo a ser seguido exatamente nesse básico fundamento, que notabilizou inúmeras formações francanas por ele dirigidas, e que se vivo fosse, duvido que não pressionasse e contestasse com rigor essa hemorragia de bolinhas aventureiras e altamente imprecisas, que tem brindado a todos aqueles que pouco entendem a sutil logica do grande jogo, em seu permanente desafio de otimizar cada ataque realizado, com conclusões precisas, equilibradas e vencedoras, sem o enorme desperdício de energia e talento em perdas que em media vem atingindo 50-60 erros por jogo, fora os fundamentos que deixam de ser praticados frente a ‘facilidade” do “chega e chuta” ora em crescente ascensão…

 

Mesmo possuindo grandes especialistas de três, como explica na entrevista, tal fato prejudica em muito o desenvolvimento em reais situações de jogo, das ações internas, que nem os melhores “rachas” conseguem emular, deixando no vácuo uma plêiade de oportunidades. únicas e irrepetíveis, preciosas que se tornariam quando frente a equipes defensivamente mais bem preparadas, principalmente no plano internacional, fértil cenário que sua equipe almeja percorrer…

 

Guerra é um dos bons técnicos que possuímos, e um administrador exemplar, vide seu trabalho em Bauru já por longos anos, e que durante o primeiro congresso de técnicos no NBB2, me impressionou muito com sua aula de organização clubística, a tal ponto de terminada a mesma, e  públicamente, me inquiriu pelo fato de não ter formulado perguntas, ao contrário das demais exposições de técnicos, e ao qual respondi que o que havia aprendido naquele momento não daria espaço a perguntas, e sim aprendizagem…

 

Com a equipe e a organização que competentemente implantou em Bauru, fazer com que jogue na busca permanente da otimização ofensiva, deveria deixar de lado o desperdício lúdico e equivocado do jogo convergente, muito a gosto da mídia e de uma parcela de pseudos conhecedores do grande jogo, porém indo de encontro a uma forma diferenciada de produzir resultados compatíveis à qualidade de adversários no plano internacional, sinalizando um caminho pelo qual nossa seleção pudesse se pautar, com responsabilidade e coerência…

 

Amém.

Foto – Reprodução da TV. Clique na mesma para ampliá-la.

 

 

 

 



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