INVÍCTOS DE BASQUETEBOL…

Quatro da tarde de uma quinta-feira, ginásio às moscas e uma temperatura ambiente rondando os 35°. Eis o cenário perfeito para o encontro de duas equipes invictas no campeonato nacional.Maior absurdo e total incoerência, impossível. E ainda querem popularizar o basquete no país. Foi um jogo cansativo, medíocre e profundamente chato,muito chato. Duas equipes jogando rigorosamente iguais nos dois primeiros quartos, até na utilização de dois armadores, marcando deficientemente, e com erros de fundamentos acima da media. No segundo tempo, a equipe de Brasília inovou com o lançamento em quadra de quatro armadores, reforçando dessa maneira seu sistema defensivo, e contra-atacando em velocidade,

movida pela maior habilidade de seus jogadores nos passes e nos dribles.

Claro, que para o consumo interno, a utilização de quatro jogadores afeitos

aos movimentos e comportamentos de armação,deram à equipe o domínio e firmeza necessários para efetuarem mais e melhores ações de ataque, assim como, reforçaram o jogo de antecipação defensiva pelo aumento da velocidade. Mas quando digo para consumo interno, refiro-me à drástica redução da média de altura da equipe em quadra, fator altamente restritivo se a mesma estivesse disputando uma competição internacional, o que será uma realidade ao se situar nas primeiras colocações ao final do campeonato. E é exatamente nesse ponto que o nosso basquete se torna frágil e com poucas chances internacionais. Temos, com urgência de redimensionarmos o treinamento e preparo de nossos homens altos, alas e pivôs, para que os mesmos consigam atingir o domínio dos fundamentos o mais próximo possível dos armadores, principalmente nos passes, no drible e nas fintas. Podemos e devemos jogar com dois armadores, hoje na faixa dos 1,85 a 1,90 m., que para os nossos padrões é mais do que razoável, mas também necessitamos que alas e pivôs não continuem à destoar tecnicamente daqueles. E isso só será possível com treinamentos especializados desde à formação, e realizados por quem realmente conhece o ensino dos fundamentos.

Como disse anteriormente, foi uma vitória para consumo interno,

Para justificar investimentos feitos, para garantir uma liderança muito mais de valor político do que técnico. Em se tratando de uma equipe que representa a elite do basquete brasileiro, torna-se altamente preocupante o que possamos esperar dela quando, mais adiante, participar dos campeonatos sul-americanos, e quando alguns de seus jogadores vierem à representar o país pela seleção nacional.

Foi o jogo das péssimas defesas e do elevado índice dos arremessos de três pontos, mas também foi o jogo das bolas roubadas pelos quatro armadores do vencedor. Foi esse o diferencial. Cinco bolas interceptadas, dez pontos no marcador. Muito pouco para um jogo de lideres invictos, muita pobreza técnica, muita ausência tática. Mas é o que temos de melhor, o que nos coloca numa situação de indigência preocupante e profundamente angustiante. Sinto medo do que ainda está por vir. Sinto medo de não podermos estar competindo em London-2012.

REALIDADE CONSTRANGEDORA

Recebo o telefonema de um técnico amigo de longa data, e que hoje se dedica à administração de uma grande equipe que disputa o Campeonato Nacional. A conversa aborda a temática de sempre, que vai da nossa triste realidade aos esforços que uns poucos insistem na tentativa de soerguer a modalidade. Lá pelas tantas, nosso amigo descreve o esforço que seu técnico, da novíssima geração que ai está, despende no planejamento da equipe, nos acurados treinamentos, no estudo de soluções para o enfrentamento desgastante de jogos em diversos locais do país, e que sistematicamente é ignorado pelos jogadores de sua equipe, quando exigidos no cumprimento das táticas previamente treinadas e acordadas.

Jogadores que integraram e integram a seleção nacional se dão ao direito de ignorarem o estabelecido, tomando em mãos decisões que deveriam, por direito, serem tomadas pelo técnico, numa verdadeira prática de lesa direitos. Esse é o preço que a grande maioria dos técnicos tem pago pela adoção insensata do sistema único de jogo.A dedução atinge uma obviedade assustadora, pois, se todos, jogadores e técnicos, comungam os mesmos princípios e regras do jogo a ser desenvolvido, nada impede os jogadores de se acharem merecedores de exercerem o mando das decisões,já que calejados pelas repetições sistemáticas das mesmas,ano após ano,

independendo que técnico esteja no comando. É o preço que os mesmos pagam pela mesmice de suas orientações e pseudo-lideranças. É uma realidade que tem se avultado de forma tão contundente, que nos pedidos de tempo alguns jogadores falam e orientam mais do que alguns técnicos de elite. Claro, que se existissem opções técnicas como marca pessoal dos técnicos, muito desse nefasto processo de interferência seria anulado. No entanto, como num clube do bolinha, onde todos, técnicos, jogadores, dirigentes, e até jornalistas, estão engajados sob a égide de um basquete globalizado e prêt-à-porter, onde a fatia do bolo é dividida de acordo com o status de cada participante, manda mais quem cobra e ganha mais, quase sempre os jogadores, antepondo-se aos meios salários que muitos técnicos admitem receber. E aí de algum deles se resistir ao processo, pois entre um “jogador vencedor” e um técnico de ocasião, o dirigente nem pestaneja, sobra quem?

Recentemente assistia eu um dos jogos do campeonato em uma Tv portátil na varanda, quando nos segundos finais do jogo o técnico da equipe que estava atrás no marcador por dois pontos pede um tempo com a posse de bola. Sentou-se impoluto, empunhou a prancheta e iniciou a construção da jogada do jogo, aquela que levaria a equipe à vitória consagradora. Ávido para testemunhar em tela de 29 polegadas tão formidável e transcendental jogada, corri para a sala, troquei o canal onde minha filha assistia um filme, claro, sem antes me desculpar pela intromissão ( ela já está acostumada com os rompantes basquetebolísticos do pai), e assisti lívido, mas não decepcionado, a uma demonstração do que são capazes jogadores em não levar, nem em pensamento, à serio, determinações de seu técnico. Fizeram o que quiseram e perderam o jogo, assim como perderiam se tivessem seguido os rabiscos de seu técnico na prancheta. Uma prova inequívoca de insensatez coletiva, que é aceita e tolerada como norma comum, e que vem destruindo os poucos alicerces dos que restaram do nosso brilhante e saudoso basquetebol, dos grandes e inteligentes técnicos, dos grandes e verdadeiramente jogadores deste país.

Voltei ao canal original, onde ainda pude ver as cenas finais do filme em cartaz, A gaiola das loucas. Tudo à ver.

TÉCNICOS E TÉCNICOS II

Mesmo seriamente desfalcada de seus dois pivôs mais técnicos e experientes, Franca ofereceu resistência à equipe do Paulistano até os derradeiros 3 minutos da partida, demonstrando quão acertada tem sido sua opção de jogar permanentemente com dois armadores em quadra.Com essa atitude, seu sistema defensivo se tornou mais rápido e efetivo no perímetro, e exercendo a flutuação lateralizada, mesmo quando em zona,obrigava a equipe do Paulistano aos passes longos e em elipse, facilitando as recuperações lineares de seus defensores. Em algumas ocasiões essas recuperações eram tão efetivas, que os atacantes da equipe paulistana passavam da linha lateral, na ânsia de dominar a bola, após um longo e curvo passe. Sem dúvida nenhuma, a equipe de Franca, se estivesse completa, equilibraria a conquista dos rebotes, quando poderia, inclusive, vencer a partida. Sua tentativa de mudar um pouco o panorama técnico-tático do nosso basquete, torna-se elogiável, dentro da triste realidade com que nos defrontamos, testemunhando uma atitude estratificada por um único sistema de jogo, adotado pelas demais equipes.

Quanto aos técnicos, dois comportamentos de ambos, demonstram o quanto ainda teremos de evoluir para atingirmos patamares mais elevados no âmbito das relações humanas. Por parte do técnico de Franca, uma agressão verbal ao técnico oponente, quase provocou uma situação de conflito, o que seria lamentável em se tratando de dois professores e líderes de suas respectivas equipes. Pelo outro lado, em um pedido de tempo a três minutos do final, e sob a inclemente presença dos microfones e câmeras, saiu-se o técnico paulistano e da Seleção Brasileira, com uma lapidar frase –“Faz a p….. do chifre duplo c….!” . Com uma audiência de muitos jovens espalhados por esse enorme país, exemplos como estes, advindos de um centro mais evoluído tecnicamente, com certeza darão a eles péssimos exemplos comportamentais, os quais, com a repetida freqüência com que são externados, passarão a ser tornar naturais e difundidos, o que seria uma péssima influência, daqueles que deveriam, por formação, darem exemplos de desportividade e refinada educação.

Outrossim, os comentaristas cada vez mais se tornam ambíguos em suas análises, e tomemos um triste exemplo no jogo de hoje.Quando a equipe do Paulistano retornou para o segundo tempo, repetindo a escalação do começo do jogo, mereceu o seguinte comentário:“Não concordo com essa atitude do técnico, pois o Leandro, que terminou o segundo quarto com ótima atuação, deveria ter sido mantido como prêmio, e não retirado do jogo”. Logo a seguir, menciona o fato de que o técnico do Paulistano teria agido dessa forma por conhecer melhor seu jogador, e que a substituição é um direito dele. Ora, se essa é a realidade do jogo, melhor seria se tivesse ficado calado, e não lançando através seus esclarecedores comentários, um posicionamento de como agiria se estivesse no lugar do técnico paulistano. Afinal, sua função é a de comentar “o que vê, o que está sendo jogado”, e não o que faria se lá estivesse. Este é o maior erro cometido por alguns de nossos comentaristas, os quais ainda não se desligaram das ânsias e desejos de atuarem ao lado das quadras, e não fora das mesmas. São situações bem parecidas daqueles técnicos que há bem pouco tempo atuavam como jogadores, e que exigem de seus comandados atitudes e ações que “eles” tomariam se dentro das quadras estivessem. Trata-se do pior comportamento possível na prática do comentário e da técnica, entraves poderosos ao bom exercício profissional.

Como vemos, ainda teremos de evoluir muito para alcançarmos os níveis das nações mais desenvolvidas desportivamente, a começar pela qualificação dos técnicos, hoje promovidos por um sistema de apadrinhamento e marketing, pertencentes a um clube fechado e envoltos em interesses de políticas municipais, estaduais, e até nacionais para os mais abastados. No momento que a meritocracia for replantada entre nós, muito das mazelas que hoje testemunhamos deixarão de existir, pois passaremos a um estágio fundamentado no estudo, na pesquisa e na experiência acumulada, fatores estes fundamentais para a valorização profissional, e não, como hoje, representados e “autorizados” por um Cref fajuto da vida, que só tem como função o recolhimento pontual dos dízimos, daqueles que iludidamente se deixam convencer de que tal“obrigação” os tornam técnicos qualificados de basquetebol. Puro engodo, puro e criminoso engano. Urge uma formação melhor e mais responsavelmente qualificada, pois em caso contrário continuaremos a incorrer no erro da incompetência institucionalizada, que é a origem da nossa derrocada técnico-tática. Infelizmente essa é a nossa triste realidade.

ENGENHARIA REVERSA.

Quando nos anos 80 a Apple apresentou ao mundo seu computador Macintosh, com a primeira interface gráfica, depois copiada pelo IBM PC, uma pequena indústria no Brasil recriou o computador da Apple com tal perfeição, que foi processada pela mega companhia americana, tendo de encerrar o seu produto que tinha o nome de PC UNITRON. Para alcançar tal feito, já que o produto americano apresentava uma tecnologia fechada, os técnicos da Unitron se utilizaram de um recurso inovador, o que recriava a maquina à partir de seus efeitos finais, no que ficou conhecido por engenharia reversa. Foi um trabalho fantástico de inteligência desconstrutiva, mas que não pode prosperar ante os rigores da lei internacional de patentes.

Mas o que tem a ver Apple’s com o nosso basquete? Uma razoável tendência, bendita tendência, que já se vem manifestando no plano defensivo de umas poucas equipes, ante a completa dominância ofensiva que se efetivou em nosso país, através a utilização maciça de um sistema de jogo fundamentado no passing game, e que tanto nos empobreceu taticamente nos últimos 20 anos.

Como em todas as categorias e faixas etárias o mencionado sistema único ofensivo é integralmente aceito, desenvolvido e cristalizado, a dedução óbvia é a de que em tudo, e por tudo, todas as equipes se emulem nas movimentações, nas atitudes, nas posições estratificadas, nas exigências padronizadas e coreografadas, nos sinais de comando, e clímax dos climaxes, no comportamento consensual de jogadores e de seus mentores, os técnicos.

Num cenário tão assustador de aceitação explicita perante uma única escolha técnico-tática, torna-se também óbvia a possibilidade do surgimento de uma tendência antagônica, como em tudo que ocorre na natureza e em nossas vidas. Só que no caso do basquete, o emburrecimento se tornou tão ciclópicamente concretado, já que para a grande maioria funcionava dentro de seus limitados, porém pseudo lucrativos horizontes, que uma retomada antagônica somente agora, vinte e tantos anos depois, começa a se tornar, bem timidamente, numa possível e ansiada realidade. Em outras palavras, se todo mundo joga igual, percorrendo os mesmos caminhos ofensivos pela similitude coreográfica, que tal antepor ações defensivas a estes mesmos caminhos? Uma solução de simplicidade franciscana é a de treinar as equipes com 70% de enfoque defensivo se antepondo às movimentações que esta mesma equipe se utiliza em seus ataques, de uma forma sistêmica e repetitiva. Se todos os técnicos ao interromperem uma movimentação ofensiva em seus treinamentos, para instruir a defesa a um comportamento antecipativo, estará realizando, tal qual os técnicos computacionais acima mencionados, a mesma engenharia reversa empregue pelos mesmos ao reconstruírem de trás para frente o Macintosh da Apple. Essa atitude técnica, se torna de fundamental importância para que surjam, por uma questão de sobrevivência também técnica, novos sistemas e novas concepções táticas, pois a cada evolução técnico-tática ofensiva, deverá se suceder outra de caráter defensivo, e vice-versa, num caudal evolutivo, responsável pelo desenvolvimento progressivo da modalidade.

No entanto, trata-se de um trabalho complexo pelo aspecto decisório, corajoso, evolutivo e coerente para consigo próprio, para com a modalidade, e principalmente, para com o futuro. O que foi aparentemente ótimo ontem, e que se mantém temerariamente bom hoje, pode, com certeza ser péssimo amanhã, se não nos cercarmos de lastros fundamentados no saber, na autocrítica , e no bom senso. O basquetebol agradecerá penhorado todo e qualquer esforço que façamos pelo seu desenvolvimento, pelo seu bem fundamentado amanhã.

Amém.

SEM PIVÔS

Com três de seus quatro pivôs inabilitados por diversas razões, a equipe de Franca enfrentou a de Rio Claro, pelo Campeonato Paulista,com somente um pivô, o Estevan, que logo no primeiro tempo torceu o tornozelo, atuando mancando até o final do jogo. Mesmo assim, venceu a partida muito bem, pois atuou, como vem fazendo ultimamente, com dois armadores, um outro muito habilidoso na função de ala, e um veterano, porém disposto ala, completando a equipe. E tudo isso dentro do sistema usual, empregue por todas as equipes brasileiras. O diferencial foi, como vem sendo, a qualidade nos fundamentos de seus jogadores. Com um jogo veloz, controlado e eficiente, mesmo sem praticamente um pivô, envolveu o adversário com tal facilidade, pelo simples fato de serem superiores no manejo dos passes, do drible, das fintas, e consequentemente nos arremessos, já que, pela movimentação de toda a equipe, sobravam espaços para lançamentos livres, e consequentemente, equilibrados, sem contar os fulminantes contra-ataques originados pela grande velocidade imposta ao jogo. Foi uma vitória da técnica individual, mesmo manietada por um sistema caduco e inócuo.

As últimas atuações da equipe francana, deixa transparecer o grande e trágico equívoco em que se encontra o basquete brasileiro, a meio caminho de uma total reformulação técnico-tática, freada pela adoção maciça de um sistema único de jogo, que só nos trouxe atraso e derrotas no plano internacional, mesmo com a desculpa de que no plano nacional era o que bastava. E ironicamente, o técnico que mais se beneficiou no plano interno, com suas continuadas e repetidas vitórias, pela repetição ad eternum do tal sistema, apelidado pelo mesmo como “o moderno basquete internacional”, utilizado inclusive nas seleções nacionais que dirigiu, é o mesmo que, premido por uma tentativa de mudança, ou mesmo, convencido de que a mesma deva ser tentada, se dispõe à novos rumos, inclusive em seu comportamento no banco.Tem sido uma mudança claramente para melhor, e oxalá permaneça como atitude permanente e muito bem vinda.

Por outro lado, técnicos da nova geração se mantêm radicalmente à favor do sistema único, perdendo todos uma grande oportunidade de evoluírem e de fazer evoluir o basquete num todo, salto este iniciado e mantido pela equipe de Franca. Não se trata de adotarem um novo, e único sistema, e sim tentarem fugir da fatal armadilha da mesmice instituída, que é a panacéia dos preguiçosos e curtos de idéias, mas sempre prontos a usufruírem das “vantagens” de um sistema pronto, acabado e devidamente testado no plano de consumo interno, o que para a maioria deles é o suficiente e seguro para enfrentarem as toscas exigências de um mercado restrito e fechado. Se tem dado certo, para que mudar? Mudanças exigem investimentos em estudo, em pesquisas, e denotam um tempo que não admitem perder. Time is money, é a lei a ser seguida e obedecida, mesmo que os resultados nos afastem cada vez mais do cenário internacional.

E é nesse ano crucial que disputaremos, mais uma vez, a chance de uma competição olímpica, em torneios que nos classificarão, ou não, numa triste repetição de tentativas anteriores. Urge que mudemos nossa maneira de jogar, de pensar e de agir de conformidade com a verdadeira vocação de nossos jogadores, o jogo rápido, técnico e instintivo, características intrínsecas de nosso povo. Não acredito, honestamente, que alcancemos os resultados tão ardentemente desejados, mas, temos a obrigação de tentar mudanças arejantes, para num futuro à médio prazo termos reais chances de classificação olímpica. Até lá, muito trabalho pela frente, muito estudo e pesquisa, e acima de tudo, muita vontade de realmente mudar, para melhor.

IRREPREENSÍVEL…

Foi um fim de semana de arrasar. Jogos masculinos e femininos, e pelo menos um que preliminarmente parecia ser o mais equilibrado, Franca enfrentando Joinville na casa deste. E foi, com a vitória de Franca por um ponto. Falar deste jogo, no entanto, só faria sentido após as declarações do técnico da casa ao termino do primeiro tempo, quando afirmou que sua equipe teria feito um primeiro tempo irrepreensível, que em outras palavras significa correto; perfeito; impecável(Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa). Mas logo a seguir menciona que alguns arremessos tinham sido precipitados, que rebotes tinham sido perdidos, que algumas perdas de bola ocorreram…Bem, não foi uma produção tão irrepreensível como rotulou de inicio, corroborado pelo analista da Sportv em seu comentário sobre as estatísticas daquele meio tempo.Mas antes de se despedir pediu um tempo a mais de audiência para desancar os críticos e jornalistas que afirmam estar o basquete no fundo do poço, tanto administrativa, como tecnicamente falando, e que aquele jogo demonstrava o quanto estavam enganados. E assim fomos para o segundo tempo e a prorrogação, onde, por mais uma vez a equipe de Franca manteve seus dois armadores no comando do jogo, chegando mesmo a se utilizar de um terceiro ao final, quando mais necessitavam da posse controlada da bola, para propiciar penetrações e arremessos mais equilibrados, já que desmarcados.Do lado da equipe da casa o que mais chamava a atenção eram os seguidos arremessos de três pontos de seu pivô, e as falhas gritantes de seus claudicantes armadores.Salvo esse respiro de novidade que Franca tem oferecido com a utilização eficaz de dois,e até três armadores, continuamos, sim senhores, no fundo de um poço que não merecemos estar, pelo menos por nossas gloriosas tradições.Um dos grandes, senão o maior sonho da ciência mundial, perseguido por séculos, é o da busca do moto-continuo, a maquina que alimenta a si própria, sem paradas e sem reabastecimento. A ciência jamais conseguiu tal proeza, mas nosso basquete conseguiu o sistema, que tal qual o principio da moto continuidade, se repete ad infinitum. De norte a sul, leste a oeste, em todos os quadrantes que se jogue basquete, em qualquer das muitas categorias masculinas e femininas, se repetem os mesmos movimentos, as mesmas jogadas, onde os“punhos”,“polegares”,“5×5”se repetem monocordicamente, numa ciranda de absoluta falta de criatividade e quaisquer indícios de renovação, em nome de uma padronização absolutista e totalmente ante democrática. E como os participantes dessa farsa, técnicos e jogadores instituíram os posicionamentos gabaritados, as posições demarcadas em 1,2,3,4 e 5,com funções definidas em produção e comportamento tático, tornaram-se tais posições feudos, capitanias hereditárias de um tipo de jogador e de técnico imunes a mudanças que possam vir a representar ameaça ao pouco que sabem do grande jogo. A grande capa da mesmice, aceita e repassada através os diversos estágios por que passam os jogadores e também a maioria dos técnicos, garante a continuidade de tão monstruosa herança, calcada no que de pior pode acontecer ao gênero humano, a negação do novo, do desconhecido, do inusitado, a negação de se ver ante as incertezas do futuro.Mas também pudemos ver três rebotes ofensivos do pivô Estevan de Franca, realizados com giros de 180°, que o colocaram em posição de tripla opção, ou seja, o drible, o passe exterior, uma nova tentativa de arremesso.E por coincidência realizou as três. Foi uma grande e auspiciosa novidade, que aplaudo daqui desse pequeno blog, e desde já classifico como a grande e desejada novidade deste fim de semana, tão ou mais pobre que os das semanas antecedentes.Dois armadores habilidosos, um terceiro agindo como um ala também habilidoso, um pivô que gira nos rebotes, um técnico que,enfim,aposenta a inefável prancheta e se aquieta em seu córner, vendo o jogo sem paixão e com equilíbrio, podendo dessa forma passar a seus jogadores a tranqüilidade necessária e estratégica para vencer as partidas, são,sem dúvida, algumas pequenas conquistas que aos poucos poderão nos libertar da utopia da moto continuidade. Torço fervorosamente por isso, torçamos todos nós por isso, será o suficiente, amém.

CUCARACHA’S FANS

Constroe-se um ginásio para 15000 pessoas, ao preço de alguns milhões de suados reais, para o basquete do Pan desfilar imponente com suas seleções de grandes astros, liderados por comissões que se acham mais astros que os verdadeiros astros, na maior competição das Américas, classificada por alguns deslumbrados como a segunda maior competição mundial, perdendo em importância somente para as Olimpíadas, e o que, de repente acontece? Importância? Pois é caros basqueteiros, tão “importante” que os “Reis da modalidade” não porão seus caríssimos e personalizados keds em terrae brasilis. Os norte-americanos simplesmente não virão ao Pan, por considerá-lo inexpressivo, ao não influir em qualquer tipo de classificação para competições de maior envergadura. Ou seja, qualquer manifestação de ideal desportivo, congraçamento entre nações, irmandade continental, ou simplesmente, prestigiar uma competição entre nações vizinhas e historicamente amistosas, inexiste para o vizinho do norte, que não se dignará a um reles passeio pelo quintal ao sul do equador. Quero ver as carpideiras de plantão gastarem resmas de papel para justificar o injustificável, mergulhados na adoração fanática de quem nasceu para tiéte do inalcançável, do utópico principio igualitário.

E desde quando americano está interessado em um mercado futuro que se nega a uma ALCA? Interesses esportivos são os únicos motivos para a debandada?E não se iludam,as modalidades que enviarão representarão suas segundas e terceiras forças, pois mercados asiáticos e europeus, e até africanos, se mostram muito mais atraentes que um Mercosul qualquer da vida, que como qualquer vida, é passageira,claro, na concepção dominante deles.

E ficam nossos grandes estudiosos, planejadores e lideres esportivos metendo o pau em nossas, minhas, suas parcas economias em nome de uma competição que nos levará aos píncaros do reconhecimento internacional, para o enlevo de seus egos inchados pela ambição pessoal, a milhões de quilômetros de nossa verdadeira e urgente necessidade, a premente educação para nosso povo.

Na grande arena desportiva do autódromo assistiremos uma competição onde o grande competidor não participará, por considerar que simplesmente não valerá à pena, deixando, não a mim, mas a uma plêiade cucaracha, órfã e literalmente pendurada na broxa.

Creio que já se faz necessário voltarmos urgentemente para nossos problemas internos, em vez de gastarem-se milhares de textos em coberturas, entrevistas, tietagens explicitas e adulações constrangedoras, com um basquete que nos rejeita, esnoba e humilha de forma tão contundente. E não se iludam as demais modalidades, pois a esnobação não recairá tão somente com o basquete, pois eles sabem, bem mais do que nos, o que querem e podem alcançar com a força do desporto. Primeiro mundo é isso ai gente!

PS- Site elucidativo : http://www.usabasketball.com/schedule/calendar.html

DÚVIDAS, PERGUNTAS E MAIS DÚVIDAS.

Um novo ano que começa, e nas Tv’s uma publicidade visando o Pan, na qual a figura do Professor é enaltecida e lembrada, como aquela que descobrirá em um jovem o talento de atleta em sua formação como cidadão. Não é mencionada a figura do profissional de educação física, como alguns teimam em rotular tão importante e fundamental elo no processo educacional de um povo, e sim o Professor, licenciado nos cursos de formação para o magistério, pelas universidades e faculdades de educação física do país, referendadas e oficializadas pelo Ministério de Educação. Esse posicionamento legal os tornam parte indissociável do processo educacional, somente encontrado no universo escolar, no qual, em qualquer país evoluído e civilizado, são formados os profissionais liberais das ciências exatas e humanas, os artistas, os músicos, e os grandes atletas.Nesse contexto, torna-se inadmissível a existência de órgãos controladores e coercitivos, cuja única finalidade é a do exercício mantenedor de um mercado que somente beneficia a indústria do corpo, segmento dos mais, senão, o mais rentável business no país, e que de saída elimina a massa menos favorecida da população jovem,ou, a maioria. Já é hora de repensarmos a verdadeira, e pouco explicita verdade que se esconde na existência dos cref’s, conselhos de absolutamente nada que possa interessar ao desenvolvimento da educação brasileira, na qual se inclui a tão maltratada disciplina da educação física. No momento que a mesma, em conjunto com a música, o teatro e as artes plásticas forem reconduzidas aos seus patamares no seio das escolas, em congraçamento com as demais disciplinas, ai sim, teremos nossos jovens direcionados para uma educação integral, que é um direito constitucional, tão esquecido pelos poderes constituídos. Nesse universo, conselhos controladores e voltados a interesses obscuros, não poderão existir por definição, onde somente a transparência, a criatividade e o livre pensar fazem parte do processo educacional de um povo.

Vemos também, o nascedouro de uma lei que visa beneficiar o desporto nacional, e que de início poderá arrecadar 300 milhões de reais para serem empregues em…,a quem….,de que forma…,com que objetivos…

para quais finalidades? Tantas são as dúvidas, e as perguntas.O presidente do COB anuncia que os patrocínios não serão direcionados aos atletas profissionais, e que os projetos prioritários visarão a inclusão social,etc,etc. Mas, qual atividade desportiva no país é amadora? O vôlei? O basquete? A natação? O atletismo? O handebol, a ginástica, o remo, o tiro, a vela ? e outras mais? Em se tratando de equipes e formações de elite todas são profissionais, pois se dedicam integralmente às modalidades, e tendo em alguns casos o estudo vinculado aos contratos. Afirma ainda o dirigente que o esporte escolar e universitário serão beneficiados, num posicionamento que se antepõe às políticas educacionais do país, que obrigatoriamente deveriam pertencer ao MEC, e não a uma entidade civil como o COB. Então, como serão distribuídos e alocados tão altos valores advindos da iniciativa privada? Escolinhas de tudo espalhadas pelos campos e praias do país? Dirigidas e monitoradas por quem? Professores ou profissionais de educação física, bacharéis e leigos em sua maioria? Como serão justificados os valores empregues em associações, empresas, e clubes para pagamento a atletas profissionais? Ou a massa crítica será representada pela formação básica nos clubes e ligas pelo interior do país, acompanhada pela decente remuneração de professores e técnicos convenientemente preparados e orientados para exercerem seu trabalho?

Duvido, basta ver quais os maiores interessados na dinheirama, a começar pelo relator do projeto, o senador zero voto, dono de uma universidade de alcance nacional, com campis, autorizados ou não, espalhados pelo país, e que só em suas equipes de basquete emprega 3 milhões de reais, assim como desportistas donos e proprietários de grandes complexos voltados ao culto do corpo, e monumentais academias. Também duvido que as grandes empresas venham a patrocinar projetos de inclusão, em contrapartida às maciças exposições de mídia, que somente as competições adultas propiciam, com retorno publicitário garantido, e com um polpudo desconto no IR para completar o melhor dos mundos. É a máxima dos políticos em suas bases, para o qual obras subterrâneas, como malha de esgotos jamais rivalizarão com uma bela, e nem sempre útil ponte, visível e palpável.

Temo pelo projeto, a não ser que seja profundamente transparente, e que não se perca nas declarações ambíguas do inteligente e político presidente do COB. São 300 milhões possíveis de arrecadar? E serão em sua maioria empregues no preparo das seleções nacionais e nas equipes de formação das mesmas? E que uma parte será empregue em oportunos programas de inclusão social, e até em construção e manutenção de parques esportivos (ótimos para fixação de placas promocionais)? Que fale claro e em bom som, e não com as afirmações de que atletas profissionais não serão beneficiados, etc, etc e tal.

Tive um grande professor, o grande Peregrino Junior, que uma vez me vendo preocupado com uma decisão a ser tomada num processo administrativo me disse: Paulo, quando não se quer resolver um problema, nomeia-se uma comissão. Se quiser resolver, vá lá e resolva. Grande mestre! Preparemos-nos para assistir a constituição de um sem número de comissões para gerir essa bolada, e que segundo o mestre Peregrino…E todas bem remuneradas, pois afinal de contas, ensinar e divulgar esporte não é suficiente e rentável.

Que se diga e afirme que o destino dos milhões é o desporto de elite, da alta performance, e não escamoteá-los em projetos de inclusão e desporto colegial e universitário, que não é de interesse daqueles que gerarão o bolo, os patrocinadores da iniciativa privada, para os quais foi escrito e direcionado o Atlas do comandante Lamartine, e muito menos dos que realmente se beneficiarão da chave e do conteúdo do cofre. Simplesmente digam a verdade, já é o suficiente.

FIM DE ANO.

E o ano chega ao fim, melancólico e preocupante. Acompanhei os dois jogos que definiram o Campeonato Carioca, entre Flamengo e Rio de Janeiro, ou Pan 2007, sei lá, uma equipe montada e patrocinada pela Prefeitura do Rio de Janeiro, e administrada pelo Oscar, e o último jogo antes das festas pelo Campeonato Paulista, entre Paulistano e Joinville. Três jogos que bem definem o atual estágio do basquetebol em nosso país, ou seja, da mais melancólica e preocupante indigência técnico –tática jamais vista por estas bandas. Praticamente o que testemunhamos foi um patético torneio de arremessos de três pontos, equilibrados ou não, factíveis ou não, admissíveis ou não, perpetrados por todos os jogadores,independentemente se armadores, alas ou pivôs. Eram produzidos por quem chegasse primeiro na linha demarcatória, como se todos fossem especialistas dos mesmos. Uma vergonha jamais coibida pelos técnicos, e por conseguinte, cúmplices dessas desvairadas ações. No confronto paulista tivemos no primeiro tempo um total de 29 tentativas para 5 acertos, um descalabro, um crime inafiançável. E nenhuma intervenção dos técnicos. Jamais testemunhei tamanha falta de treinamento fundamental, e de conceituação tática. Mas algo de novo igualou as produções dos vencedores destes três jogos, o Paulistano e duas vezes o Flamengo, o fato de somente terem as rédeas dos jogos quando lançaram em quadra dois armadores puros, que mesmo, claudicantes em alguns dos fundamentos básicos, foram suficientes para levarem suas equipes à vitória, provando que um mínimo de domínio dos fundamentos de drible e passes, agilizam os esquemas(sejam lá os que forem), e conotam um relativo incremento às ações defensivas. Mas é muito pouco ante as exigências da modalidade, principalmente se comparadas ao plano internacional, que se aproxima célere pelas competições classificatórias para as Olimpíadas. A continuar tal descalabro, nenhuma, afirmo, nenhuma chance teremos de classificação olímpica.

Entrementes, na corte o pau canta cada vez mais alto, numa liga inchada pelos egos e pelos milhões de dólares, para deslumbre da colônia.O sistema padrão por aqui servilmente empregue, é o mesmo de lá, com a diferença da dinheirama transbordante de lá em contraponto com a indigência daqui. Macaquear é a palavra de ordem, nos sobrando talvez os cueiros travestidos de calções, os penteados e tiaras raciais e os ipods que padronizam a incultura de ambos. Nunca a NBA ficou tão contra a parede, desde que relaxaram o acesso às suas equipes aos não universitários e deficientes estrangeiros, em nome de uma multíplice internacionalização, que em momento algum escondeu os grandes interesses mercadológicos em jogo.O preço agora está sendo cobrado, com alguns dos espetáculos mais contundentes de violência e estupidez jamais vistos por aquelas bandas.

Finalmente, assistimos letargicamente o início de uma luta, de um lobby não muito velado, pela substituição da quadra comissão técnica de nossas seleções, numa atitude despropositada, já que totalmente fora dos planos continuistas patrocinados pela organização do grego melhor que um presente. Nenhuma mudança conceitual, organizacional e técnico –tática será factível sem o sustentáculo de uma direção confederativa à favor das mesmas. Logo, a prioridade é o acréscimo de votos federativos, que somados aos 9 discordantes (se é que ainda existentes) elejam uma direção propensa a tais mudanças, quando, aí sim, uma nova metodologia de escolha de técnicos, pelo sistema de mérito, dará inicio a uma nova era em nosso basquetebol. Até lá, todo e qualquer movimento sucessório, fundamentado ou não, somente reforçará entre nos os vícios que tanto combatemos, e que tanto lastimamos.

Que o limiar de um novo ano nos tragam boas idéias, bons projetos, e muita disposição para realizá-los, mesmo que ao preço de muitos sacrifícios e abnegação, que somados e distribuídos por entre os verdadeiros basqueteiros nos levarão, ou não, a dias bem melhores que a perpetuação do buraco em que nos encontramos. Amém.

SEM SALVAÇÃO…

Desde que fui apresentado a este fantástico mundo da internet, e não se vão lá muitos anos, o que me incentivou à publicação deste blog, adquiri o saudável hábito de percorrer diariamente os demais sites da modalidade, onde mais aprendi do que ensinei. E quando digo ensinei, deve-se ao fato de ter permanecido por mais de 40 anos lecionando nos três níveis de escolaridade, e de ter me dedicado a uma outra paixão, o ensino e o treinamento de jovens no basquetebol. Percorri todas as instâncias do ensino superior, aqui e no estrangeiro, percorri este enorme território brasileiro ministrando cursos e palestras, dirigi equipes de grandes clubes, excelentes colégios e seleções, me situei entre os pioneiros no emprego de tecnologias educacionais, cinema, fotografia, vídeo, tanto na universidade, como nas equipes que dirigi, e finalmente, num derradeiro esforço, desenvolvi tese experimental, que me deu o tão sonhado doutoramento, tendo como fonte inspiradora e campo de pesquisa, o amado basquetebol. Li e pesquisei muito, conheci muitas pessoas que leram e pesquisaram mais do que eu, no exterior, e principalmente aqui nessa infeliz terra, em seu abandono educacional. Fiz alguns e sinceros amigos, técnicos, professores, funcionários, e principalmente atletas e alunos, mesmo aqueles que reprovei, barrei e exigi entrega e dedicação. Estou aposentado do ensino superior, mas não do basquete, ao qual continuo dedicando meu tempo, minha experiência, e o pouco do saber acumulado nos estudos, na leitura ávida e constante, e no sonho de em breve retornar às quadras.

E na curiosidade sempre renovada de acompanhar os sites basqueteiros tenho me alegrado com a qualidade de uma turma jovem que não cessa de me impressionar com seus textos enxutos e de qualidade, sempre na vanguarda em busca de dias melhores para o grande jogo, sendo que alguns deles me honram reproduzindo artigos deste humilde blog. E no afã de participar cada vez mais deste salutar movimento, sugeri a um dos bons articulistas, o Rodrigo Alves do Rebote, que avaliasse a possibilidade de organizarmos um encontro destes formidáveis blogueiros, para tentarmos discutir os problemas que afligem a modalidade, no intuito de estudarmos sugestões para a melhoria da mesma, e que seriam divulgadas por essa grande ferramenta de mídia, que foi premiada como a capa do ano pela revista Time.

Mas de repente me deparo com um artigo (O Homem do Ano-Fabio Balassiano-Rebote) que julgo ter sido escrito como posterior reação à leitura de um livro que é a antítese do que prevalece no mundo do basquetebol, o do vitorioso técnico das seleções do voleibol brasileiro, Bernardinho, lido por um jovem de 23 anos ainda não suficientemente treinado e calejado para analisá-lo com a frieza característica e necessária a um jornalista de carreira.

O erro inicial é ter comparado modalidades díspares entre si, pois o voleibol em tudo e por tudo difere do basquetebol, a começar pela relação entre os oponentes, que não se tocam no vôlei, ao contrario do basquete, onde o corpo a corpo faz parte da essência do jogo. O contato físico altera, inclusive, o ensino dos fundamentos, onde sua execução se confunde pela imprevisibilidade comportamental e dinâmica dos defensores, prontos para a retomada antecipativa aos movimentos ofensivos. Os fundamentos do vôlei primam pela performance individual, pela execução precisa de seus movimentos e fundamentos básicos, saque, toque, cortada, e bloqueio, com as conseqüentes defesas aos mesmos, todos somados em movimentos de ataques e contra-ataques com altíssimos graus de previsibilidade, exatamente pela ausência do fator que o torna diferente do basquete, o contato físico permanentemente presente, tanto nas ações ofensivas, como, e principalmente, nas defensivas. O fator imprevisibilidade é a marca inconfundível do basquete. Outro fator diferenciado é o manejo da bola, que no voleibol é percutido, e no basquete conduzido, aspectos que conotam total e completa diferença no manejo cinético da mesma, e no ensino e pratica de seus fundamentos.

Se observasse bem qual literatura de basquetebol o autor inclui em sua bibliografia básica, veria que a mesma é totalmente voltada ao aspecto psicológico e comportamental daqueles grandes técnicos e jogadores, e que nenhuma daquelas publicações abordam o preparo das equipes em seu conteúdo de fundamentos. Quando muito enfocam o sucesso tático, exatamente pelo lado emocional, psicológico, e que não diferem muito nos esportes coletivos de contato e de lutas. É a típica literatura do ajude a si mesmo, das superações individuais, das crenças religiosas, do sucesso e da ascendência social. O autor, como grande técnico que é, inclui no seu preparo todas estas manifestações extra quadra, no que fez e faz muito bem. Mas daí conotá-lo como excelente técnico que seria no basquete? Negativo, pois o mundo formativo de um difere basicamente do outro, já que diametralmente opostos.

O talentoso e raivoso colunista,comete um outro e derradeiro erro em seu relato, ao afirmar:”Exceções – Para ser justo, nem todos os que freqüentam o basquete desconhecem o universo em que pisam. Marcel de Souza, técnico, e os jornalistas Melchiades Filho e Rodrigo Alves são os que se salvam. Não deixa de ser sintomático que os dois primeiros estejam fora da modalidade”.

Fica parecendo que só não sucumbem ao cataclismo de sua revolta aqueles dois que mantém uma sua coluna em seus blogs, e aquele outro mítico jornalista que em sua derradeira coluna o mencionou como um dos possíveis sucessores, e que constata que nem mesmo esses se salvam em sua opinião Puxa caro jovem, você é muito bom, não precisa de nada disso para ser grande, só precisa, crescer.