A BABA ELÁSTICA…

Foi uma vitória arrancada à fórceps. Por mais uma vez a equipe demonstrou uma grande carência de comando e decisão nas jogadas armadas, somente se impondo quando “se espalhou na quadra”, através forte marcação individual, forçando retomadas e conseqüentes contra-ataques, principalmente no terceiro quarto. O sistema defensivo nos quartos iniciais falhou seguidamente, quando o combate às tentativas de arremessos longos primaram pela indiferença e pela acomodação posicional. Temos na seleção jogadores que de forma alguma se situam num patamar mínimo de exigência defensiva, simplesmente não sabem marcar, e o pior, não se esforçam para melhorar tal deficiência. Com a dedicação defensiva do Alex e do Valter no terceiro quarto, a diferença de 14 pontos foi superada e revertida para uma de 12 pontos ao final do mesmo, numa reação oportuna e que garantiu a vitoria. Mesmo assim, no quarto final a equipe afrouxou a disposição defensiva, e novamente se viu ante a possibilidade de perder um jogo que não ofereceria qualquer obstáculo se houvesse um mínimo de regularidade e constância técnico-tática. A seleção brasileira carece de treinamento e de soluções táticas no jogo de meia quadra, numa indefinição que oscila entre a simples e a dupla armação jamais definida, tornando também indefinidos os papéis dos demais jogadores, basicamente os alas, dois deles nitidamente fora de forma física e técnica, assim como o grande e festejado pivô, que se apresenta fora do peso e com nítido despreparo aeróbico. Com tais indefinições e limitações físicas, uma decorrente fragilidade se avulta, multiplicada pela ausência de tempo hábil de treinamento e da ausência dos grandes nomes junto aos demais jogadores presentes ao mesmo. A equipe não está coletivamente preparada, restando a razoável forma de uns poucos jogadores e suas valentes e corajosas disposições à luta e ao sacrifício, o que infelizmente não ocorre com todos.

No jogo deste domingo, contra a equipe norte-americana, poderemos aquilatar com razoável precisão o quanto de despreparo técnico-tático atinge a equipe, já que os americanos tentarão de todas as formas imporem o seu modo de melhor atuar, baseado na grande e permanente velocidade por toda a quadra, escudados no mais forte de seus argumentos, a grande capacidade no desenvolvimento dos fundamentos básicos do jogo por todos os integrantes da equipe, dos armadores aos pivôs, começando por uma defesa rígida de linha da bola, e culminando com um ataque sem tréguas por todos os setores da quadra e sempre no sentido incisivo da cesta. Para enfrentar tão contundente modo de ação coletivista, duas são as únicas opções. Uma, a de acompanhar tal ação com um comportamento similar, numa esgrimáge em nada aconselhável, pelos inúmeros motivos apontados anteriormente. Outra, cadenciar fortemente o jogo, tornando-o o mais lento e acadêmico possível, similar ao comportamento da seleção argentina no Campeonato Mundial de 86 na Espanha, quando freiou a seleção americana em sua única derrota naquele campeonato em que acabou campeã. Esse jogo tornou-se um modelo clássico de como se torna possível vencer uma partida aprioristicamente perdida, revertendo tal previsão com inteligência tática e lucidez estratégica. Mas para tanto, se torna necessário um bom e forte período de treinamento, efetuado por todo o plantel, sem exceções e privilégios, o que de forma alguma aconteceu no preparo de nossa equipe. Mas mesmo assim, se tivéssemos que optar entre as duas formas de atuar mencionadas, sem duvida nenhuma o cadenciamento do jogo seria a opção mais inteligente e factual, o que nos daria uma razoável chance de bom enfrentamento. Nenhum corcel campeão de corridas reage de bom grado a um potente e enérgico bridão. O problema é saber utilizá-lo por um longo e paciente período de tempo, período este que um só armador seria insuficiente , exigindo, pela própria proposta redutora de velocidade e controle, a utilização de dois.

São conjecturas baseadas em experiências passadas e históricas, mas jamais destituídas de valor e coerência, e que podem ser levadas em consideração na medida em que para determinadas situações repetitivas somente um antídoto as farão inertes, e que mesmo assim não apresentando garantias de sucesso, jamais poderão ser descartadas em seu teor de exeqüibilidade. Coragem é o elemento fundamental para utilizá-las.

Infelizmente, ao percorrermos os mais diversos meios de mídia, observamos incrédulos a instituição quase absoluta de um endeusamento da equipe americana e sua quase mitificação no campo desportivo, numa tendência continuista e colonizada, para a qual, o destino lógico de nossos melhores valores só poderá ser plausível se situado nos caminhos dourados da NBA, numa adoração e veneração que beira ao paradoxismo conceitual, aspecto altamente nocivo ao futuro do grande jogo entre nós, pois carecedor de uma visão dentro da nossa realidade, no âmago de nossa juventude e na concepção de nossas autênticas necessidades, que é a tarefa mais importante e transcendental a ser implantada e desenvolvida pelos técnicos e professores do país. Essa dependência cultural e política é talvez o maior obstáculo que poderemos encontrar na construção de um sistema de jogo que possa enfrentar a galática equipe, e por que não, derrotá-la, senão amanhã, mas um pouco mais adiante, sob o signo do trabalho bem feito e da justa crença de nossa capacidade. Comecemos acreditando em nós mesmos, sem enterradas cinematográficas, sem uniformes absurdos, sem penduricalhos imitativos e macaqueados de uma cultura que não é a nossa, e principalmente sem as influências econômicas que alimentam nossa inferioridade, pagas, e bem pagas àqueles que trombeteiam uma nefasta e exógena influência que não nos diz respeito, sob qualquer aceitável e lógica condição.

Merecemos dias melhores, mas teremos que batalhar por eles, reunindo os bons e esquecidos cérebros de grandes professores e técnicos espalhados por este imenso país, pois enquanto esta tarefa não for reiniciada, com décadas de atraso, não conseguiremos e não iremos a lugar algum, e continuaremos nas mãos da corriola que ai está, entre nefastos dirigentes, pseudos técnicos, e moldadores da opinião pública com seus discursos voltados aos interesses hegemônicos do norte. Houve um tempo, não tão distante assim, em que vencíamos a todos , jogando o nosso jogo, exportando a nossa habilidade e cultura, quando tínhamos um imenso orgulho de rivalizarmos com todos eles, sem a necessidade servil de babarmos humilhantemente como muitos o fazem hoje, ao vivo e à cores. Amém.

PRANCHETA’S FALL !

Do mestre Veríssimo Use o mouse para ampliar

O TALCO MILAGROSO…

Depois do jogo de ontem, depois do frisson causado pelo mesmo em toda a crônica dita especializada, depois do show patriótico das pitonisas de plantão na reverência ao delfin e sua presença salvadora da honra nacional, depois de assistirmos um único jogador colocar a bola embaixo do braço e definir toda e qualquer jogada, na mais autêntica performance do “arma que eu chuto” vista nos últimos tempos, depois de uma vitória claudicante ante uma equipe fraquíssima, depois de tudo que assistimos incrédulos ante a passividade acachapante de uma comissão técnica, onde nem a prancheta milagrosa era levada muito à serio pelos jogadores em volta da mesma, e que um inédito e emblemático distanciamento dos demais integrantes da comissão”unida e uníssona” se fazia constrangedoramente notar, além da declaração da estrela da noite de que somente ao final da partida é que descobriu junto à quadra um talquinho que evitaria que a bola escorregasse das mãos, o que teria aumentado muito sua produtividade(deuses meus, sequer posso imaginar o que ocorreria…), pois bem, depois de tudo isso assaltou-me uma sensação de que algo de profundamente errado está ocorrendo, e que se não forem tomadas sérias e urgentes decisões, muitos e preocupantes problemas surgirão quando enfrentarmos equipes de verdade.

Inicialmente, constatou-se que técnico-táticamente nada mudou, a não ser o fato de um único jogador ter tomado em mãos a responsabilidade de ganhar o jogo sozinho, fazendo com que o comentarista da ESPN Brasil, quase sempre tranqüilo em suas análises, se exasperasse em algumas ocasiões em que tal atitude anulava qualquer disposição da equipe em jogar conjuntamente, provocando inclusive algumas tímidas ações de notórios individualistas de tentarem o mesmo caminho, com resultados nada promissores, principalmente nos segundo e terceiro quartos da partida. Ficou também muito clara a cada vez maior dificuldade que os dois bons jogadores que atuam na NBA têm no jogo de 1 x 1 sob as regras da FIBA, onde flutuações e ajudas dificultam sobremaneira suas atuações ofensivas, assim como a difícil readaptação às ações defensivas motivadas pelo mesmo motivo, as regras diferenciadas entre NBA e FIBA. Nosso delfin saiu com 5 faltas atuando por pouco tempo ao que está acostumado, e o Spliter já vai se enquadrando no novo esquema que terá de enfrentar em 2009. Saiu com 5 faltas também.

Jogamos com dois armadores, é verdade, fato que de principio parecia auspicioso, mas que rapidamente foi esquecido quando o Leandro resolveu, ou foi resolvido (Por quem, meus deuses? Grande dúvida…), a iniciar sua missão redentora de salvar a pátria vestida de bufantes calções. E aí foi o que se viu no primeiro quarto do jogo. E de tal maneira essa atuação foi marcante, que sua ausência inicial no segundo quarto e inercial no terceiro colocou o restante da equipe num marasmo conclusivo, que propiciou à medíocre seleção canadense uma aproximação perigosa e preocupante, que somente foi contornada com a repentina disposição do Valter em tomar às rédeas do jogo no quarto final, quando armou e defendeu com tirocínio e eficiência, inclusive fazendo o Leandro atuar como deveria ter feito desde o principio, com e para a equipe.

Temos pedreiras pela frente, e como já foram definidos os papéis que cabem a cada um dos integrantes da equipe, dentro e fora da quadra, fica a grande dúvida. Como realmente jogaremos esse importante e transcendental campeonato? Com dois armadores bem definidos e coordenados? Com um só armador como viemos atuando nos últimos 20 anos, o que tem nos custado caro nos torneios internacionais? Ou mesmo, numa confusa e difusa combinação de nada com não sei o que, ensaiada no jogo de ontem, e que por felicidade encontrou um adversário absolutamente incapaz tecnicamente de se aproveitar de nossa deficiência?

Treinamos muito pouco, principalmente os jogadores mais emblemáticos e ditos fundamentais. Jogamos fora um tempo precioso de preparo e lapidação antes e durante o Pan, quando, em vez de trombetearmos que seria um torneio de “passagem”, deveríamos ter investido determinadamente naqueles jogadores que efetivamente nos seriam úteis e presentes no Pré-Olímpico, este mesmo campeonato em que agora participamos sem sequer termos bem, ou razoavelmente treinado um verdadeiro e sólido sistema de jogo. O que vemos, é uma aplicação inodora e indolor (…mas que pode se tornar extremamente dolorosa) de um check list, que neste exato momento tem todos seus itens preenchidos pelos “xis” do grande delfin.

Que me perdoe a grande, unida e uníssona comissão, ou reassumem seu verdadeiro papel, mesmo teimando com suas antigas convicções, ou então veremos jogadores tomarem em suas mãos o comando da seleção, com talquinho ou sem ele, pois numa taba que tem mais cacique do que índio, vence aquele com o tacape maior e mais aderente com o talco milagroso.

Temos alguma chance? Sim temos, não muitas, mas temos. Falta-nos somente um assumido comando, que de posse de uma eficiente borracha, firme nos dedos com o auxilio do talco aderente, apague vigorosamente os “xis” apostos nos itens do check list, retomando o controle do leme de um barco que poderá estar indo à deriva pela inconsistência de comando e princípios técnico-táticos.

Precisamos reverter tal situação, com bom senso e muita coragem, Amém.

ENFIM, DEFINIÇÕES…

Ao jornalista Giancarlo Gianpietro do site UOL, o técnico da seleção brasileira deu o seguinte depoimento, logo após a confirmação dos doze jogadores selecionados para a disputa: “É uma segurança, você tem três jogadores na armação, um grupo forte nas funções 2 e 3, que permite revezamentos e deslocamentos de posição e um quarteto de pivôs excelente, da mais alta qualidade. A força do Brasil está aí : temos jogadores bons em todas as posições e podendo fazer rodízio”.

Enfim, temos a equipe escalada, e com quatro jogadores para cada posição na quadra : quatro armadores (desculpe o técnico e sua comissão, mas o Leandro é um armador, e dos bons, podendo atuar como um ala por suas qualidades técnicas), quatro alas e quatro pivôs, numa formação clássica indiscutível, que a torna equilibrada, veloz e versátil. Para não dar o braço a torcer, a comissão classifica o Leandro como ala, como um finalizador como “sugeriu” o delfin, mas ao escalá-lo na companhia de um Valter, ou Huertas, ou mesmo Nezinho, fazendo-os responsáveis pela armação dupla fora do perímetro, agilizará de tal forma a produção dos três homens altos que, de uma forma concreta poderão vir a atuar como pivôs móveis, deslocando-se permanentemente dentro do perímetro, forçando o jogo interior, pressionando seus marcadores, reforçando os rebotes, e criando espaços para passes de dentro para fora do garrafão, para a obtenção de arremessos de três equilibrados e com tempo hábil para suas consecuções.

Por fim, culminando um processo de idas e vindas, tentativas e acertos, convocações corretas e equivocadas, e indefinições de comando quanto a influências exógenas fora de propósitos, chegou a equipe à encruzilhada que definirá seu futuro olímpico, e chegou apresentando uma frágil tentativa de inovar seus pétreos conceitos de sistema de jogo, que se levado e desenvolvido com coragem e desprendimento, poderá transformar tal fragilidade em resistente patamar visando um futuro mais promissor, pois liberado do ranço de uma pseudo-liderança atrelada ao que de pior nos influenciou, terá a rara oportunidade de tentar encontrar e trilhar os mesmos caminhos que outrora trilhamos e percorremos , quando éramos respeitados pelo que criávamos e produzíamos, e não pelo que viemos copiando colonizadamente nos últimos anos.

As chances são poucas pela demora nas definições técnico-táticas, e pelo pouquíssimo tempo de efetivos treinamentos, mas deixam no ar e ao acaso uma sensação de que mudanças são possíveis, e com elas as esperanças de dias melhores para o nosso basquetebol. Assim desejo, e mesmo tênuamente torço para que seja possível. Amém.

ACONTECEU EM PORTO RICO.

Aconteceu um torneio em Porto Rico, reunindo o dono da casa, e as seleções da Argentina, do Canadá e a do Brasil. Nenhuma transmissão direta, muito menos em vídeo, sobrando mesmo um esboço de cobertura digital jogada a jogada em um site da FIBA. Talvez se fosse um jogo de voleibol, pudéssemos até imaginar com um mínimo de acerto a produtividade de cada jogador envolvido, mas mesmo assim, no caso, por exemplo, dos bloqueios, toda uma variável de detalhes posicionais e espaciais, seriam omitidos pela ausência do elemento mais importante para uma analise objetiva e isenta, o testemunho visual. E olhem que o voleibol pela ausência de contato físico entre os jogadores, apresenta sob uma analise estatística, uma maior compreensão sobre as ações dos mesmos na quadra, já que posicionais, com nenhuma interferência próxima que possa alterar a execução dos movimentos básicos do jogo, em uma analise estimativa razoavelmente aproximada, mas nunca a ideal, propiciada pela imagem gravada.

No caso do basquetebol, torna-se estéril qualquer análise de produtividade e ação física-técnica, no momento em que estas se produzem sob um embate antagônico permanente, gerando ações agônicas que visam o equilíbrio necessário à consecução das mesmas. As marcações visando uma quantificação estatística, em momento algum enumera tais embates, reservando seu limitativo espaço ao certo ou errado, ao positivo ou negativo, omitindo o fator determinante para o entendimento claro e objetivo da realidade, o testemunho visual.

Logo, a brutal quantidade de opiniões, divergências, convergências, criticas exacerbadas, algumas até ofensivas, postadas em alguns sites de debates, ficaram mais em conta da paixão e da passionalidade de seus participantes, do que a realidade omitida pela ausência do fator que direcionaria tais discussões a um patamar aceitável de opiniões, o registro da realidade televisiva.

Um dos jogadores selecionados como armador, em especial, foi tremendamente criticado, e até ofendido em sua filiação, numa atitude irascível e despropositada, muito além do que seria permissível se visto ao vivo e à cores, numa transmissão que diluiria determinados conceitos técnicos e comportamentais, omitidos pela frieza, quase sempre mal interpretada e analisada de uma tabulação estatística. Não defendo aqui a justeza de sua convocação, e até, em artigos anteriores defendi a nomeação de outros bons armadores que foram esquecidos, mas, em momento algum tais divergências opinativas podem ceder lugar a ofensas e insinuações nada abonadoras. Lastimável que ainda percamos tempo com opiniões apaixonadas e distantes da realidade de um jogo, de um grande jogo, que por ser grande exige também grandes, decisivos, abalizados, analisados e responsáveis posicionamentos técnicos, respeitando o outro grande fator e gerador de progresso, o posicionamento ético e respeitoso, colimadores do processo desportivo e social.

Durante a realização do torneio, não manifestei qualquer analise técnico-tática, exatamente pelos argumentos acima apresentados. Mas, para que não haja dúvida sobre o fato de que não levo à serio qualquer analise baseada em dados estatísticos, ainda mais quando os mesmos seguem a norma da analise percentual, retiro um único dado daquela enxurrada de números e tabulações, o tempo jogado pelos armadores convocados, incluindo mesmo o Leandro, como um dos quatro relacionados. Vejo com bons olhos que a comissão ensejou um torneio preparatório para testar situações em que dois armadores exerciam o comando da equipe, numa combinação de quatro fatores, que se bem equacionada e direcionada, tenderá a suprir a seleção de uma boa estratégia ofensiva, baseada num forte jogo fora do perímetro, assim como um reforço substancial ao sistema defensivo, dois fatores importantíssimos para os embates no Pré-Olímpico, onde as defesas serão muito fortes e decisivas para o fecho da competição. A prova do acerto da comissão, foi a constatação nada estatística, mas presente nos relatos jogadas a jogadas do site da FIBA, onde pudemos atestar o grande numero de passes entre pivôs que culminavam em curtos arremessos, jogadas essas somente possíveis em momentos de dupla armação, obrigando os homens altos a um constante deslocamento pelo perímetro interno, resultando nas conclusões ali mencionadas. Foi uma alvissareira constatação, bastante positiva se for realmente disseminada e incentivada daqui para frente.

A seleção é essa que se encontra em Las Vegas, com bons jogadores, apesar de que alguns, talvez melhores, ficaram por aqui. Mas, com boa vontade, perícia e inteligência no modus operandi da equipe, possamos nos sair um pouco melhor que em etapas pré-olímpicas passadas, apesar de que muito teremos de trabalhar, modificar e evoluir, para merecermos plenamente o patamar olímpico, cuja participação exige um outro tipo de enfoque participativo, o do soerguimento de nossa verdadeira forma de jogar, aquela que tivemos, e que tem sido afastada do nosso cotidiano por mais de vinte anos. Amém.

GUINADA ? QUEM SABE…

O sistema único de jogo foi tão drasticamente implantado no nosso basquetebol, que uma tentativa, autêntica e pessoal, ou movida por uma imperiosa necessidade de manutenção de cargos advinda de uma “sugestão nenesiana”, ou mesmo, pela lógica técnico-tática que vem se firmando no mundo do grande jogo, que cada vez mais se volta para os seus primórdios, onde a escalação de uma equipe se constituía em dois armadores, dois alas e um pivô, e que foi sempre mantida no basquete americano, mais propriamente o universitário. Não é coincidência o fato de que a equipe americana, treinando com o célebre Coach K, apresente em sua constituição um fortíssimo jogo exterior, com quatro armadores de qualidade para liderá-lo. Porto Rico, cuja influência exercida pelo basquete americano é notória, também anunciou a escalação de dois armadores, e claro, terá outros dois na reserva imediata, visando à rotação ofensiva, e muito mais, a defensiva. A Argentina já se utiliza de dois armadores há muito tempo, dando seguimento à tendência progressiva no basquete europeu na adoção dos dois armadores.

Por aqui, a influência brutal do modelo adotado na NBA, que objetiva o jogo de 1 x 1, tanto dentro, como fora do perímetro, e que nos tem, a exemplo dos próprios norte-americanos, levado a fracassos retumbantes nos últimos torneios internacionais, e que se baseia em um armador, dois alas, sendo que um deles exercendo também o papel de um ala-pivô, e dois pivôs pesados, se integrou de tal modo no imaginário de nossos técnicos, que os fizeram escravos colonizados desse modelo, que dentre suas piores influências, limitou as ações ofensivas ao comando de um único armador, violentando uma tradição do nosso basquete que sempre se utilizou de dois, responsáveis pelas nossas maiores conquistas. Claro que, dois outros armadores teriam de ser selecionados visando à necessária rotação, organizando os demais setores da equipe com quatro alas, ou mesmo alas-pivôs, e quatro pivôs.

Nossos jovens jogadores, e também, nossos jovens cronistas e jornalistas, presos ao modelo único implantado no país, e sendo maciçamente bombardeados pelo modelo NBA, com pouquíssimas incursões no basquete europeu, e não tendo compreendido essa influência no basquete argentino, talvez por um antagonismo movido por rivalidades no campo esportivo, se deixaram levar pela grandiosidade econômica dos irmãos do norte, com sua riqueza e promessas econômicas, além da bem pesada, calculada e implantada coerção cultural, aquela influência dominante que sucedeu, com maiores ganhos e vantagens, a hegemonia bélica.

Mas no puro campo desportivo, os próprios americanos, pelo menos aqueles que ainda acreditam na influência educacional do desporto, tentam reverter a perda da hegemonia do basquetebol no plano internacional, apesar de manterem o domínio econômico, mas que aos poucos vai se revelando menos importante estrategicamente quanto aquele, cujo apelo universal é mais bem aceito, numa realidade que tem de ser enfrentada para se manter hegemônico.

E ai temos desnudado o impasse que ora enfrenta nossa douta comissão técnica, a de tentar acompanhar essa tendência, que de nova não tem nada, simplesmente foi omitida entre nós por mais de vinte anos, por culpa da capacidade quase ilimitada que temos de macaquear o que de pior existe lá fora, sem ao menos levar em conta sua exeqüibilidade cultural e econômica entre nós. E quando digo acompanhar, o faço consciente de que tal situação não foi proposta pela comissão, e sim, foi produto de uma série de ocorrências e situações de domínio público, sendo que a mais influente foi a imposição por parte do delfin de um check list, que está prestes a ser concluído ao inicio do Pré-Olímpico.

Enganam-se aqueles que combatem três armadores na equipe, quando na realidade têm quatro, pois o Leandro pode e deve ser considerado um habilidoso armador-ala, exatamente nessa ordem de prioridade, ao contrário do Alex, do Marcelo, do Guilherme e do Marcos, que são única e exclusivamente alas, pois não dominam o fundamento do drible e da finta, que é básico nos bons armadores. Logo, se a comissão acertadamente pretende fazer a equipe atuar com dois armadores, aumentando substancialmente as qualidades ofensivas e defensivas da equipe que enfrentará tal formação advinda de americanos, porto-riquenhos e argentinos, necessitará de duas parelhas de armadores, para manter a produtividade da equipe em nível mais alto, o que seria bastante atenuado se viesse a improvisar um dos alas na função, para a qual são totalmente inabilitados naquele patamar de exigência técnica.

Garantindo a qualidade em torno do perímetro, poderá a equipe qualificar em condições vantajosas o jogo interior, com alas rápidos e finalizadores, e pivôs hábeis, reboteiros e com boa mobilidade. No entanto, tal atitude de mudança técnico-tática exigirá da comissão técnica uma verdadeira pré-disposição em realizá-la, e não adaptá-la às exigências de fatores exógenos advindas de quem não de direito. O passo está prestes a ser dado, e necessita de coragem, desprendimento, e acima de tudo inteligência, aquela que reverte situações técnicas, e até éticas, contrárias, transformando-as à favor do bem da equipe, apesar de parecerem representar o contrário. Esse ponto fulcral de qualquer processo evolutivo, é o que poderemos sempre definir como uma verdadeira e decisiva estratégia de comando, sem pranchetas e lapitopis caipiras.

Que me perdoem os jovens praticantes e torcedores, assim como os jovens e promissores analistas e jornalistas, mas a se confirmarem os quatro armadores na equipe, é a certeza de que dois jogarão efetivamente, o que mudará decisivamente o futuro do grande jogo entre nós. Amém.

OLHANDO PARA TRÁS…

Ao jornalista Giancarlo Gianpietro do UOL, o técnico da seleção brasileira deu o seguinte depoimento: “Quando o Brasil estiver disputando a vaga, tudo o que ficou para trás não vai interessar. Vai interessar a arma que tivermos lá. Não estamos falando de jogadores em inicio de carreira ou com dúvida sobre suas características. Está na cara que no mínimo um deles é imprescindível E disse mais :” (…) O time precisa de mais um pivô. É uma necessidade que supera qualquer coisa pessoal. O ideal era que o jogador já estivesse treinando, é óbvio. Mas o time precisa.”

Ora, ora, o que temos aqui? Aprioristicamente, o dito cujo, e é claro, representando os demais membros da comissão , não fossem todos “uníssonos e unidos”, ensaia uma velada desculpa a um fracasso iminente, a falta de treinamento da equipe, já que privada dos grandes pivôs da NBA. Meus deuses, e os que aqui estão no país, prontos para defendê-lo, libertos de cláusulas contratuais e outras coisitas mais, e que não tiveram a menor das chances para prová-lo? Se são considerados inferiores aos stars (Há controvérsias…), pelo menos estariam à disposição da douta comissão para aprimorar suas qualidades, e corrigir suas deficiências, o que seria possível com o tempo que foi destinado ao treinamento desde antes do Pan-Americano. Mas não, o delfin manda um recado direto e anuncia sua check list. Outros dois fazem juras de amor eterno à seleção sabendo de antemão que dificilmente poderiam servi-la, mas pousaram de patriotas e abnegados. Outro anuncia sua mudança tática de olho numa escalação que garanta uma exposição internacional, e nenhum deles treina junto aos demais pelos mais diversos e suspeitos motivos. Alto lá caro coach e preclara comissão, a coisa não é bem assim, não pode ser assim, não tem o direito de se manifestar assim, pois não estão lidando com trouxas e alienados. O grande jogo reúne em seu redor gente muito boa, boa até demais para o gosto de vocês, e que não podem aceitar tão primário engodo, tanta enrolação.

E quando afirma que o que ficar para trás não vai interessar quando a vaga estiver sendo disputada, desculpem caros técnicos, vai interessar sim, e muito, muito mais do que todos vocês imaginam, pois não podem ser esquecidas as manobras de bastidores, as convocações políticas e interesseiras, a aceitação impávida e passiva de imposições exógenas de quem, em hipótese alguma, poderia manifestá-las, sem uma grave quebra na hierarquia e de comando. E o pior, a dependência técnico-tática manifesta, quando afirma na reportagem que a equipe precisa de mais um pivô, e que um deles é imprescindível, cuja necessidade supera qualquer coisa pessoal, e mais, que o ideal é que o jogador estivesse treinando, deixando transparecer que mesmo não o fazendo, a equipe necessita do mesmo. Lamentável, e profundamente preocupante que uma seleção brasileira que se candidata a um torneio Pré-Olímpico seja dirigida, após um detalhadíssimo e preciosíssimo planejamento, por um grupo que mais precisaria de uma bússola, que poderia ser daquelas feitas de uma rolha e uma agulha de costura, mas que funciona melhor do que eles, e sempre aponta o pólo orientador.

E se o impasse se estabelecer, ou mesmo se um deles, os stars, vier a se juntar à equipe, o que fará a comissão sob o aspecto técnico-tático, ao dirigir um grupo destreinado, dividido entre atuar com um ou dois armadores, ou até sem nenhum, pois alas-armadores abundam no grupo, antevendo até a possibilidade anunciada por um dos cardeais passar a atuar como pivô, num desprestigio brutal a alguns bons e lutadores pivôs que não foram lembrados, e que aqui ficarão assistindo a incúria de uma comissão que se abraçará a uma prancheta milagrosa e a um lapitopi caipira que se reintegrará solenemente no banco mais vazio de idéias e concepções estratégicas ( …não confundir táticas, técnicas, sistemas com estratégias, por favor não!) de que se tem noticia e lembrança no nosso tão judiado basquetebol ? Mas nada disso interessará quando a vaga estiver sendo disputada, não caros técnicos? Sempre poderá acontecer uma dança do siri para alegrar a galera ignara, que assim mesmo torcerá com ardor, assim como eu, que gostaria sinceramente de estar errado na descrença pelo que enfrentaremos. Que assim seja, amém.

A PÂNDEGA…

Dentro de quatro dias a seleção brasileira embarcará para disputar um torneio em Porto Rico, como apronto para o Pré-Olimpico que se inicia no próximo dia 22. Muito bem, e a equipe? Dos nove pivôs convocados somente três treinam regularmente, Spliter, Murilo e JP Batista, dois que jogam na Europa e um por aqui mesmo. Dois se machucaram, um pediu dispensa e os três gigantes da NBA estão em vias de não atenderem a convocação, por motivos profissionais. Doze estão firmes segurando a brocha, mas para cada estrela que resolver assumir, um armador dos quatro que permanecem, ficará pendurada na mesma. Mas se nada se modificar até lá, vai ser uma pândega, pois a comissão “uníssona e unida” se verá às voltas com quatro armadores na equipe, sem sequer desconfiar o que e como fazê-los jogar, dentro de um padrão “sugerido” pelo delfin, que esboça uma atitude escapista, nada inovadora.

Entrementes, um dos cardeais já manifesta publicamente um posicionamento técnico-tático pretensamente revolucionário, se não fosse puramente oportunista, e somente possível num ambiente destituído de comando e disciplina, danças do siri à parte.

Numa entrevista ao jornalista do UOL, Giancarlo Gianpietro, o ala, agora ala-pivô esclarece à galera ignara-“Já renovei por mais três anos para jogar de ala-pivô. Agora defini minha posição lá. Se eu for escalado como ala-pivô, é uma opção tática que o Lula pode usar, porque a gente ganha chute de fora nessa posição, em uma arma que vem sendo usada internacionalmente cada vez mais.”

E o técnico responde:”O Guilherme é uma alternativa tática, mas seria uma coisa rápida, sem muito tempo. Colocá-lo definitivamente nessa posição a gente não vai fazer, mas ele pode transitar nas duas funções sem problema.”

É incrível que um debate desse teor venha a publico, onde um jogador, que vê sua posição de ala seriamente ameaçada por três jogadores mais ao gosto da comissão, o Alex, o Marcos e o Marcelo, se propõe a uma função para a qual existem alguns bons pivôs que sequer foram lembrados na convocação, um deles, inclusive, líder por duas temporadas seguidas nos rebotes, tanto defensivos, como ofensivos, o Probst. Sem falar em Estevan, Alirio, Marcio e outros que poderiam ter uma chance, pelo menos de treinar, chance esta dada a garotos sub-19, imaturos perante tal e enorme responsabilidade.

Mas o comando ainda se mantém fiel a seu planejamento com vistas à classificação olímpica, mantendo um grupo aberto às maquinações contratuais das estrelas mais interessadas em seus ganhos milionários, do que a defesa terceiro-mundista de uma seleção nacional, que será atendida magnanimamente na medida em que seus interesses não sejam afetados, apesar do check list exigido antecipadamente. Business is business, que assim entenda a comissão, e estamos conversados.

“ A única coisa certa é que não posso cortar um pivô. Para o resto, é uma questão de decisão. Se tivermos um reforço, será bem vindo. Se não, vamos com os doze que aqui estão.”

E se forem esses doze, vai ser, como disse no inicio, uma pândega testemunhar como um sistema mantido, desenvolvido e estratificado, em torno de um armador, se comportará através uma equipe que contará com quatro armadores, que tal?

Bem sei como utilizá-los, assim como uma plêiade de excelentes técnicos localizados em alguns dos países que vêm liderando o basquetebol nos últimos oito anos. Mas a douta comissão saberá utilizá-los com efetiva eficiência? Duvido, é areia demais para o caminhãozinho deles. Por isso rezam novenas para que um dos nenezianos compareçam à liça, inclusive o próprio, com ou sem check list. E não precisam nem treinar, como não o fizeram até a data de hoje.

Tremo nas bases só em pensar no que ocorrerá com a não classificação olímpica, já que cabeças rolarão, mas não, e com certeza, as certas. Raposas quando muito perdem alguns e chamuscados pelos, a cabeça, never.

Amém.

RÉQUIEM DE UM FRACASSO.


A despedida tem de ser lapidar, irretocável, suntuosa, com medalha de ouro no peito, hino nacional cantado à capela por 15000 deslumbrados e fervorosos patriotas, e eu, o técnico revolucionário, absoluto no comando e na preservação de uma “filosofia” única e personalista, me retirarei glorioso das quadras, mas continuarei na administração do legado implantado por vinte anos. Convoquei uma só armadora porque não existem outras à altura dos meus sistemas de jogo, e mesmo porque estamos carentes dessa posição. Outras jogadoras mais experientes não virão por motivos pessoais, e a Janeth cumprirá seu derradeiro papel de líder inconteste dessa equipe, dividindo comigo os louros da vitória. O novo técnico, dará continuidade à base que montei, para disputar o Pré-0limpico em setembro, quando classificaremos para as Olimpíadas.

Mas em seus devaneios cometeu um erro administrativo e organizacional ao não levar em conta (ou levou?…) que uma divisão de comando no espaço de um mês entre duas competições importantes, fragilizaria o processo inteiro, a não ser que houvesse continuidade técnica e a manutenção unificada de comando.

Não é o que se vê no atual momento da seleção brasileira sob nova direção. Armadoras surgem do nada antevisto pela liderança anterior, mesmo com a ausência da armadora do Pan, três outras são relacionadas, assim como, algumas boas veteranas podem retornar à equipe, deixando no ar uma leve desconfiança na existência de desavenças inter pares, ou mesmo incompatibilidades não só técnicas, como comportamentais. E mesmo sob sua supervisão , o novo técnico reconstrói a equipe com novas convocações e reconvocações que caíram no esquecimento proposital e nada elucidativo.

Então deu-se o inusitado, o imprevisível, uma equipe de universitárias americanas deu um banho gelado nas pretensões gloriosas do técnico que guardou para si a gloria nas terras cariocas sob os olhares magnetizados dos brasileiros em geral, quando o correto, a absolutamente correta atitude técnica seria que o novo técnico assumisse a equipe desde o Pan, para prepará-la com tempo hábil para a grande empreitada do Pré-Olimpico, e quem sabe, com as armadoras e as veteranas que se absteram do comando retirante. E a grande Janeth se despediu com a prata que poderia ter sido ouro, que merecia como ninguém, afastada de uma equipe como a que se desenha agora sob uma direção insurgente e vigorosa em sua primeira incursão na equipe principal. Perderam-se dois meses de preparação pelo afã vaidoso e egoísta de quem não estava satisfeito com as conquistas de vinte anos. O preço a ser pago poderá ser muito alto, irrecuperável, a perda da vaga olímpica, claro, nas mãos de um calouro sem a “vivência” , e eu diria, sem a malicia de raposa felpuda, das muitas que sobrevivem sob o manto do grego melhor que um presente.

Foi um réquiem digno das dimensões da arena de Jacarepaguá, onde o presidente da Confederação Brasileira de Basketball sequer foi agraciado para entregar medalhas às equipes vencedoras, se contentando na entrega de salvas prateadas à grande Janeth e ao técnico que se despedia, num final melancólico e constrangedor, à margem do protocolo olímpico.

As imagens dimensionam bem o réquiem de um fracasso.

SIRIZANDO…

Lembro-me como se fosse hoje. Era uma sexta-feira à tardinha, e estávamos prestes a iniciar um treino de equipe muito importante, pois representava o fecho de uma semana trabalhosa e exaustiva. A equipe era a seleção carioca feminina que se preparava para o Campeonato Brasileiro onde certamente duelaria com a seleção paulista numa final que definiria o quem é quem no basquetebol feminino da época. O ano era 1966. Um minuto antes de iniciarmos o coletivo eis que chega ao ginásio uma equipe completa de cinegrafistas de TV, repórteres e jornalistas. Baseados nas noticias em jornais que a equipe havia escolhido em votação interna a musica que a acompanharia nos intervalos dos jogos, um grande sucesso de Roberto Carlos, “Que tudo mais vá para o inferno”, queriam os jornalistas que a equipe dançasse rock para as câmeras, matéria que seria veinculada à noite no jornal televisivo. Imediatamente proibi a filmagem, pois eles ali não estavam para entrevistas, e sim para exibir as jogadoras de uma forma distorcida em suas reais funções de atletas e cidadãs. No jornal daquela noite, o cronista Sergio Porto fez uma contundente critica à não permissão dada por mim para tal e desnecessária exposição anti-desportiva, no que foi contestado através o direito de resposta garantido por lei.

Hoje me deparo com uma foto publicada no site do Rebote, onde vemos a seleção brasileira masculina durante seu treino para o Pré-Olimpico que transcorrerá em poucos dias, sendo liderada por dois infantilóides vesgos- televisivos em uma dança do siri, para depois arremessarem cocos e melancias às cestas, num espetáculo deprimente e que foi veiculado na Rede TV como “publicidade positiva” para o nosso infeliz basquetebol. Segundo o jornalista Rodrigo Alves, o técnico numero um parece não ter gostado da brincadeira, mas não a obstou, o que é profundamente lamentável.

Quarenta e um anos separam nossas experiências em situações correlatas, mas com desfechos antagônicos. Digo correlatas, não no aspecto e na dimensão da importância das equipes que nos foram dadas a liderar, e sim pelo aspecto puramente profissional, e por que não, professoral. Se naquela remota época, já existiam indícios do que poderia vir a representar a proposital e interesseira ligação esporte e jornalismo sensacionalista, imaginemos nos dias atuais, onde a mídia desconhece toda e qualquer barreira que a possa afastar da notoriedade, do estrelismo, da exposição geradora de celebridades fugazes, da incomensurável busca da fama, sem limites éticos.

Num primeiro e emblemático treino para a competição mais importante para o nosso basquetebol nos últimos anos, aquele que definirá nosso futuro internacional, vemos veiculada em rede de televisão que sua primeira ação técnica foi a exibição da dança do siri. Aguardo com incontida curiosidade se a mesma se repetirá em Las Vegas, sob a égide passiva e comprometedora de uma comissão técnica que marcha exatamente como os siris e seus primos caranguejos, de lado.

Meus deuses, realmente estamos muito mal. Nos protejam por favor. Amém.