PROTEGIDA SUBSERVIÊNCIA…

Ginásio cheio numa manhã de sábado, final da liga feminina de voleibol, ambiente festivo e colorido, famílias inteiras presentes, 11 mil não pagantes, já que subvencionados por uma confederação rica, poderosa e determinante na política desportiva do país, fruto de seus resultados marcantes nas competições internacionais, Olimpíadas em particular, resultados merecidos, que fique bem claro.

No agora rebatizado templo do voleibol brasileiro, que desde a sua construção para sediar o Campeonato Mundial de Basquetebol de 1953, e onde dez anos depois nos sagramos bi-campeões mundiais, e que sempre foi a casa dos grandes espetáculos do nosso basquetebol, hoje impera absoluto o voleibol, destinando hipoteticamente a arena multiuso da Barra da Tijuca, construída para os Jogos Pan-Americanos, como a substituta do outrora templo do basquetebol brasileiro. Mas, o que vemos acontecer através a frieza empresarial dos mandantes esportivos do país, é a transformação da grande arena em palco de shows, igrejas e sabe lá mais o que, terceirizada a um grupo francês a preço de banana, e renegada em sua gestão pelo COB, que assumiu as duas outras grandes obras vizinhas, o parque aquático e o velódromo, que são atividades esportivas não competitivas com o grande voleibol, cujos dirigentes, muitos egressos de suas fileiras, comandam e influenciam politicamente o desporto nacional.

Houve uma época, não tão distante assim, onde o basquete, o vôlei e o futsal disputavam arduamente os espaços nas quadras brasileiras, não só nos clubes, nas escolas, nas faculdades, nos próprios municipais e estaduais, numa luta de disponibilidades e horários, que aos poucos se transformou em verdadeira luta pela sobrevivência, principalmente pelo crescimento desproporcional do futsal ávido pela posse do terreno, que até aquele momento era dividido pelo basquete e o vôlei, duas modalidades de ensino altamente complexo, ao contrário do futsal com seu apelo popular e de fácil aprendizado. As quadras tinham as mesmas medidas, e pisos, que se não de estrutura ideal, mas que atendiam as necessidades daquelas atividades. Pouco a pouco o futsal foi se impondo, levando ao declínio a pratica do basquete, que ao contrario do vôlei não tinha as praias e as ruas de recreio como alternativa de pratica. Incontáveis espaços foram se rendendo ao futsal, fossem públicos ou particulares, levando, principalmente o basquete à derrocada e a participação cada vez menor dos jovens. Se vigorassem naquela época as medidas hoje consideradas oficiais para uma quadra de futsal, parecidas com a do Handebol, muito dos prejuízos sofridos pelo basquete teriam sido evitados, já que atuariam em espaços diferenciados. Por outro lado, as medidas bem menores de uma quadra de vôlei, permitiu que colégios, clubes e pequenas associações de bairro mantivessem o interesse do mesmo junto aos jovens, inclusive pelo equipamento e o espaço accessíveis à sua pratica.

E o vôlei se estruturou, se aperfeiçoou e estabeleceu padrões de excelência através dirigentes e técnicos comprometidos com o sucesso e o denotado trabalho, construindo uma estrutura em tudo particular, com pisos específicos para as grandes competições, e um centro preparatório dos mais avançados do mundo, enquanto o basquete, patinando em sua estrutura desgastada ante a avalanche do futsal, não soube, e não teve a audácia do vôlei, no sentido de inovações e busca da qualidade. Ao contrário, centrou sua atividade política no paternalismo e no centrismo de um grupo voltado aos seus interesses particulares, através o continuísmo administrativo calcado na troca de favores e benesses.

Pobre basquete, destituído do seu templo ( só falta a troca do nome de Gilberto Cardoso …), despejado da grande arena da Barra, onde o grego melhor que um presente na final do basquete feminino do Pan sequer foi convidado para a entrega das medalhas pelo COB, comandado por voleibolistas, que em hipótese alguma desejam o soerguimento do basquete, antigo concorrente a segundo esporte no gosto do brasileiro. E como numa prova de supremacia, submete o helênico dirigente à entrega do troféu de terceiro lugar na liga de vôlei, no seu antigo terreiro, a uma equipe paulista que também participa dos campeonatos de basquete. Todo sorridente, faz a entrega protocolar, sem sequer aquilatar o desprestígio de que se faz vítima, para gáudio daqueles que o suplantaram na lábia e na certeza da inamovível posição conquistada, que se manterá incólume e livre de uma nada desejável concorrência, enquanto o mesmo se mantiver no comando da CBB.

Infelizmente, a realidade política tem um peso descomunal na promoção desportiva no país, e o voleibol a tem sob controle, a ponto de abrir mão de 11 mil ingressos em uma final de impacto nacional, televisionada em canais privados e abertos, numa prova inconteste de poder e absoluta certeza da inquebrantável posição conquistada. E na sombra rasteira de todo esse poder gravita uma administração subjugada e mantida a salvo de suas nem sempre saudáveis ações políticas e administrativas, pelo poder que não o deseja sequer próximo do nível alcançado a muito custo. Raposas felpudas se entendem, e sabem muito bem manter a hierarquia da matilha, principio básico na sobrevivência do grupo.

Amém.

INDESEJADO DESFECHO…

Tudo se encaminhava para um bom desfecho, já que a equipe do Flamengo, acertando em cheio sua escalação inicial com dois autênticos armadores e três homens altos dispostos a brigarem pelos rebotes nas duas tabelas, jogando no aproveitamento dos 24 segundos de posse de bola, fazendo com que a equipe argentina se desdobrasse além do previsto para concluir seus ataques, e mais, encontrando pela frente uma dupla de armadores dinâmica no ataque e aplicada na defesa, se viram tolhidos no que têm de melhor, a movimentação ininterrupta e conjunta de homens e bola, que os habilita a arremessos livres e precisos. E por conta dessa disposição inicial, a equipe brasileira comandou as ações e o placar no primeiro tempo de jogo, no qual se utilizou de seis jogadores afinados e dispostos a levarem a vitória.

Terceiro quarto se inicia, e o que vemos? Duas substituições absolutamente desnecessárias, que nem a já difundida e inexplicável obrigatoriedade de rotações, implantada muito mais pela necessidade de fazer jogar determinados e valorizados jogadores, do que por necessidade técnica, quebra a homogeneidade da equipe apresentada no primeiro tempo, numa sucessão de arremessos de três pontos fora do aro, de penetrações solitárias e desequilibradas de um pivô cercado e sem apoio dos companheiros, de jogadas lateralizadas e inócuas por falta de coordenação coletiva, tudo isso culminando em sucessivos contra-ataques argentinos que rapidamente desfizeram a vantagem do primeiro tempo, e ainda impuseram 12 pontos à frente, antes do término do quarto.

Com a volta do armador e do pivô esquecidos no banco no terceiro quarto, a equipe conseguiu reencontrar um pouco do bom entrosamento dos dois quartos iniciais, mas já era tarde demais, e a derrota se fez presente inexorável. Nada adiantou o esforço abnegado e corajoso do Fred e do Helio na armação, assim como a luta desigual do Alirio, Amiel e Coloneze com os fortes americanos da equipe argentina, ao deixarem escapar uma vitoria possível, que manteria a equipe rubro-negra com boas chances de êxito na competição.

Infelizmente, certos conceitos técnicos, suficientes para os padrões de nossos campeonatos internos, não alcançam nem de longe os padrões internacionais, onde o sucesso de suas equipes sempre passa pelo aproveitamento integral de seus jogadores mais habilidosos e competentes na articulação dos sistemas de jogo, mesmo que não sejam aqueles apontados como as estrelas da companhia, geralmente pela mídia jornalística menos informada.

Urge uma reformulação de certos conceitos de qualidade, onde fundamentos bem executados e arremessos frutos de uma ação conjunta e coordenada, não cedam lugar a exibições de cunho personalista voltado ao culto de pseudo craques da bola laranja.

Torçamos para que a equipe do Flamengo reencontre na próxima terça-feira no Rio, a produção técnica apresentada no primeiro tempo do jogo de hoje, única forma viável e inteligente de enfrentar um basquetebol argentino organizado e coerente em sua forma de jogar, quando prioriza a prática e a qualidade dos fundamentos como pré-requisito aos sistemas técnico-táticos que usarão em suas equipes, fator primordial de seu sucesso , em todos os níveis, e faixas etárias.

Amém.

OS PSEUDOS…

Confusão formada, jogador mais influente da equipe excluído e automaticamente suspenso para a segunda partida, equipe nervosa e agressiva junto a arbitragem, técnicos brasileiros pseudamente revoltados, dirigentes também brasileiros dando carteiradas e fotografando as cenas absurdas, jogador paraguaio-argentino com um sorriso insuspeito insuflando a torcida, numa comunhão de valores historicamente inverossímil, e no fundo, em off, a torcida aos brados , compassados – Argentina, Argentina, Argentina… E todos nós, na distância televisiva, achatados nas poltronas sem ação ante tanta estupidez, despreparo e falta de vergonha na cara, desculpe, com uma tocante exceção, a figura imponente de um jogador que foi até lá para simplesmente jogar basquetebol, Alírio.

A equipe do Flamengo inicia o jogo com um armador e dois pseudo armadores responsáveis pelas ações ofensivas e coordenação defensiva, mas com um indisfarçável detalhe, já que dois deles ( os pseudos…)sob a mínima pressão defensiva se perdem em lateralidades, pois não são dribladores ambidestros, e fracos nas fintas de 1 x 1, e mais, absolutamente não tem atitude defensiva, permitindo que nos cruzamentos entre os dois armadores argentinos fora do perímetro a recuperação se faça por trás do companheiro, e não entre ele e o atacante, atitude técnica que, além de evitar a troca, mantém o mesmo sob vigilância a curta distância, evitando os arremessos de três. Mas estes são detalhes ínfimos para os que se consideram o máximo.

E foi exatamente no momento em que a equipe brasileira, tendo em quadra os seus dois armadores verdadeiros, exercia uma reação no placar, quando acertou a sua defesa e atacava com mais opções, é que os luminares rubro-negros iniciaram o projeto – Cuidado, vocês vão ter que jogar no Maracanãnzinho! Ouviram bem? Na nossa casa, onde o buraco é mais embaixo!! -

Acontece, que antes de desencadearem o projeto coercitivo, esqueceram que duas partidas teriam de ser jogadas no cercado do vizinho, onde o buraco não fica embaixo, e sim a 3.05 metros de altura, e no qual eles acertam com precisão cirúrgica de quem entende do riscado, e de projetos…

Hoje jogarão a segunda partida, na qual, pela ausência de um dos pseudo armadores, se verão obrigados a jogar, mais do que nunca, em rígido conjunto, onde as ações de armação de jogadas e precisão defensiva se farão de extrema necessidade, se transformando em um campo fértil de criatividade e técnica apurada nos fundamentos, principalmente os de drible, fintas e passes no ataque, e agressividade na defesa, aspectos intrínsecos a armadores de formação.

Se uma vitória não for alcançada no périplo pelas terras argentinas, mesmo que, por força coercitiva, ou não, da torcida rubro-negra que deverá lotar o Maracanãnzinho, duas vitórias serão insuficientes, pois a decisão será levada de volta para o sul, onde, como já se viu, os buracos ficam em cima, ao alcance dos melhores jogadores, da melhor equipe.

Estrategicamente falando o Flamengo foi uma lástima na Argentina, apesar de técnico-taticamente ter alguma condição de enfrentamento, claro, se privilegiasse os jogadores mais adequados às situações reais de jogo, e não às falsas premissas que teimosamente muitos ainda defendem, como a notória ascendência fundamentada em nomes, codinomes e pseudas qualidades, garantidoras de espaços e capitanias hereditárias, vícios exemplificados de cima para baixo, desde seleções e comissões técnicas, passando ao largo do comando central e inamovível, foco de todo um processo de declínio e total ausência de legitimidade. Uma pena.

Amém.

UM LEMBRETE ÀS VIUVAS…

Semana animada essa no ambiente basquetebolístico, com o grande Oscar provocando os iniciados e os calejados com afirmações tipo – “Os nossos jogadores são coadjuvantes na NBA (…). (…) Eles não decidem o fim do jogo, e a seleção brasileira só vai ser boa quando tiver jogador que decide”. Certo ou errado, tocou nos brios da turma que vê na NBA todo um projeto de vida, todo um sonho a ser vivenciado e tornado real através jogadores patrícios, representantes dos anseios quiméricos da referida turma. Os dólares, a projeção estelar, o showbiz, são apelos fortes demais para não serem desejados, mesmo que por delegação de um sonho. E logo ele, do alto de sua decisão de negar participação na grande liga, em função prioritária de vestir a camiseta 14 da seleção brasileira, o grande Oscar, autor do supremo crime de negar a materialização do grande sonho dos que hoje renegam sua escolha patriótica, vem a público externar uma opinião na contramão de seus detratores? Apesar dos pesares , de opiniões passionais, de rompantes desequilibrados, de impaciência política, de decisões intempestivas, esse grande jogador traçou seu destino com precisão milimétrica, viveu uma realidade, e não um sonho delegado por quem não mereceria materializá-lo, a classe deslumbrada que nega sua origem terceiro-mundista, e que não perdoa quem discorde de suas quimeras, envoltas na idioma do LeBron e do Odon, só para lembrar dos gatões.

E como se tornou lei para essa turma, de que o basquete somente toma forma definitiva de uma arte, se praticada pelos deuses do norte, um contra ponto estalou no âmago das consciências esclarecidas daquela região mágica, numa matéria publicada pelo portal UOL nessa terça-feira, sob o titulo – Técnicos querem nova postura na seleção de basquete dos EUA.

-O “fracasso” em competições recentes, como o bronze no Jogos de Atenas-2004, provocou uma série de reflexões sobre a seleção norte-americana de basquete. Para o técnico Mike Krzyzewski, uma mudança de comportamento será fundamental para que a equipe recupere o prestígio e o sucesso nas Olimpíadas de Pequim-, foi o primeiro parágrafo da matéria. “Eu acho que nos últimos anos, nós fomos arrogantes sobre o jogo, sobre aquilo que chamávamos de nosso jogo”,opinou o treinador. “Não é o nosso jogo, é o jogo mundial, e nós temos que jogar um jogo diferente quando estamos em partidas internacionais”.

É o relato de um dos mais prestigiados técnicos universitários, e atual técnico da seleção, e que encontra apoio em um de seus assistentes, Jerry Colangelo, do Phoenix Suns, que entende que a distância entre o “dream team” e outras seleções acabou quando a NBA abriu as portas para a entrada, em massa, de atletas de outros países.

“Eu costumo dizer que o basquete é o mais coletivo dos esportes. Quanto mais você joga com os outros, mais você melhora. Ficou provado nas Olimpíadas de 2004 que um bom time pode bater um time de estrelas”.

Como podemos atestar pelos relatos acima, nossos irmãos do norte estão em plena vigência de um plano de modificações profundas, em busca de um encurtamento que os separam do basquete jogado pelo resto do mundo, aquele que a média dos americanos faz questão de desconhecer, mas que no último campeonato universitário deu as primeiras e decisivas mostras de que tudo farão para que as próximas gerações retomem seu lugar no concerto das nações. E o Colangelo arrematou : “Nós pedimos a eles (os jogadores) que se comprometam a jogar pelo seu país, não apenas a jogar”, revelou. “Nos dois últimos anos, nós vimos nosso projeto se desenvolver a tal ponto que, não importa se é o LeBron James, o Kobe Bryant, o Jason Kidd ou qualquer outro jogador no time, todos eles se sentem parte de uma equipe”.

O Oscar tomou essa decisão duas décadas atrás, perdendo a oportunidade, apesar de convidado, de jogar na NBA. Hoje, as grandes estrelas americanas, com sua participação garantida na grande liga, iniciam um comprometimento junto a seleção de seu país, sem antes se submeterem a um novo tipo de atitude técnico-tática, que em breve se esprairá por todo o basquete jogado em seu país, na tentativa de rivalizar com o restante do mundo, tendência esta já adotada no último campeonato da NCAA, que em breve se verá forçada a admitir as regras internacionais, último óbice às suas pretensões de soerguimento internacional.

Enquanto isso, aqui na tropicália, as viúvas do basquete pasteurizado da NBA, reinvidicam uma pseuda supremacia técnico-tatica do mesmo perante e para nossa realidade, com o fervor dos colonizados culturais, escravos das enterradas tribais nem sempre politicamente corretas. A grande ironia, é que a contra ofensiva a essa tendência que os levaram a derrotas contundentes, parte deles mesmos, num mea culpa pranteado e constrangedor, diria até humilde.

Seria muito bom que nossos jogadores assumissem a seleção quando convocados, para, a exemplo dos americanos, serem solicitados a jogarem pelo país, e não somente jogar, e não transformarem a seleção em vitrine de projeção e oportunidade de grandes contratos. Esses são os pontos que lastreiam o posicionamento do Oscar, quando confrontado pela realidade de nossa seleção, e que os mais ferrenhos de seus opositores ousam negar, muito mais agora com o depoimento dos técnicos da seleção americana.

Certo, errado, controvertido, emocional, passional, não importa sua condição de ex-jogador, e sim, que no assunto seleção brasileira ele está com carradas de razão quando localiza a ausência de liderança dentro e fora da quadra, como o grande problema a ser enfrentado, principalmente por aqueles que teimam em utilizar a seleção como vitrine para seus inflados egos, jogadores e não jogadores.

Amém.

SISTEMAS – ESTRATÉGIAS…

Retomamos a série Sistemas, que tanto interesse despertou entre os técnicos, com debates intensos e altamente produtivos. O tema proposto é o da estratégia, assim definida no Dicionário Aurélio :

Estratégia sf.(…) 2. Arte de aplicar os meios disponíveis ou explorar condições favoráveis com vista a objetivos específicos.

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VERDADEIROS OU PSEUDO ARMADORES?

E a equipe do Flamengo conseguiu ir a final do Sul-Americano, brilhantemente aliás, vencendo a excelente equipe do Boca Juniors de forma convincente, apesar da enorme dúvida que se estabeleceu, ao retroceder taticamente perante sua ação demolidora de véspera, quando venceu o mesmo adversário por quase 30 pontos de diferença. Isto porque, utilizando-se de dois armadores puros, como o Fred e o Hélio, levou de roldão a forte defesa do Boca, sedimentada pela boa técnica nos dribles e nas fintas dos dois, que inclusive, deram uma enorme contribuição, por conta de sua velocidade e visão periférica, ao ampliar e exeqüibilizar um sistema defensivo eficiente e fora do corriqueiro padrão empregado pelas demais equipes brasileiras, ou seja, a defesa linha da bola, que se empregada em toda a sua potencialidade, principalmente na marcação permanente dos pivôs adversários pela frente, teria atingido sua eficiência máxima. Mas, para uma primeira etapa na utilização da mesma, saíram-se bem os jogadores rubro-negros, que pelo seu esforço e dedicação mereceriam ser instruídos, treinados e incentivados à defesa dos pivôs da forma correta, pela frente.

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COISAS VIRTUAIS…

O jornalista Giancarlo Giampietro publicou no portal UOL uma entrevista que fez com o auto-convocado jogador Alex, sobre a seleção que irá disputar o Pré-Olímpico em Atenas, em julho deste ano.

Perguntado a respeito do novo técnico, o espanhol Moncho Monsalve, assim se manifestou um dos lideres da seleção em Las Vegas : “Estava vendo nas entrevistas dele pela Internet – com o pessoal da Espanha, Marcelinho e Oscar. Não o conheço e não dá para criticar sem conhecer o trabalho dele. O mais importante é a classificação”. Como vemos, o nosso valoroso jogador evita criticas ao novo técnico sem primeiro avaliar seu trabalho na seleção, desconhecendo seu passado e somente conotando real importância à classificação da equipe para as Olimpíadas, num testemunho de quem se sente absoluto na convocação, e na pseudo liderança que costuma ostentar em entrevistas pela mídia. Aguardarei ansioso suas colocações técnicas e administrativas após o estágio probatório do espanhol, quando, ai sim, exporá suas opiniões à respeito do inditoso treinador, previamente rebaixado pela maior importância que dá à classificação.

“ Vamos ter quatro semanas de treinos. Acho que primeiro é conversar, reunir todo mundo na apresentação. O técnico vai chegar, e vamos ver o que ele está planejando. Temos de tentar combinar o jeito que vamos jogar e ver o que está errado – e não ficar cada um por si (…)”. Então, como podemos depreender com tais e profundas opiniões, mais uma das célebres reuniões (será secreta desta vez?…) se fará presente, inclusive, para examinar o planejamento do técnico, para daí em diante combinarem a forma de jogar, claro, corrigindo erros. Mais quais? Os possíveis (na ótica dos participantes da reunião…)contidos no planejamento, ou os secretos discutidos em Las Vegas?

Continuando :”(…) Sempre mudamos tudo o que combinamos, jogamos diferente e partimos para a individualidade. A gente fica um pouco desesperado, afoito. Tem de ter paciência, ir de pouquinho em pouquinho”. Ora, ora, o que temos aqui explicito em todas as letras? O fato de que obediência técnico-tática jamais passou pelas cabecinhas coroadas dos cardeais com respeito à ascendência técnica da extinta comissão de quatro técnicos. Jamais, e ainda tiveram o desplante de promoverem uma reunião espúria e irresponsável, e ainda mais secreta, onde peitaram a comissão e determinaram o cada um por si que se viu, e agora temos a confirmação pelo teor da entrevista. Que se cuide o novo técnico, cujo orgulho maior é o de ostentar a áurea de bom interlocutor e psicólogo de causas difíceis junto aos jogadores que dirigiu, mas que terá de se defrontar com um grupo de líderes que se compraz, fruto de um apoio descompromissado de uma parte da mídia, com os verdadeiros e legítimos caminhos que deveriam pautar o soerguimento do nosso basquetebol, em abocanhar lideranças sem terem o mínimo preparo e condição moral de fazê-lo, pois desrespeitam e ferem de morte os princípios de comando e disciplina, inerentes aos atletas de verdade, fatores que conotam as verdadeiras equipes.

Perguntado sobre as ocorrências em Las Vegas, e o que deveria ser evitado este ano, respondeu : “Problemas a gente não teve. Muita coisa que passou lá era virtual. Criaram picuinhas para ter um clima desfavorável a seleção. Pecamos porque a gente perdeu”. Incoerência parece ser sua marca registrada, pois suas declarações anteriores desmentem tal afirmativa. Afinal de contas, como explicar o fato descrito de que sempre mudavam o combinado, partindo para a individualidade, originando nos detratores picuinhas para provocar um clima negativo a seleção, viabilizadas pelo fato de terem cometido o pecado de perder? E mais, que muita coisa ocorrida era virtual? Mas como virtual (…Diz-se daquilo que, por meios eletrônicos, constitui representação ou simulação de algo real. Dic.Aurélio), se tais fatos foram transmitidos pela TV, inclusive a triste coação sofrida por uma jornalista que se atreveu a inquirir os técnicos e jogadores sobre a reunião secreta que acabara de acontecer, sendo ofendida e pressionada? Virtual? Uma ova que foi.

“(…) Pessoalmente, profissionalmente já estamos bem. A gente tem de se dar bem na seleção também, conseguir alguma coisa importante”. Que bom que atingiu a estabilidade, mas não custa nada perguntar quantas reuniões secretas organizou, ou ajudou a organizar nos Hornets e agora no Maccabi, para confrontar e avaliar as comissões técnicas dessas equipes? Pois afinal de contas a reserva nas mesmas não está a altura de seus predicados técnicos. Duvido que alguma, virtual ou não.

Finalmente, sobre as declarações do Marcos acerca dos fatos de Las Vegas, respondeu : “Ele não deveria ter falado coisas que não devia(…)”. Concordo se fossem, como afirma com convicção, virtuais, simulações da verdade, mas que provaram ser exatamente o contrário, mostraram a realidade do nosso basquete onde jogadores se convocam, se escalam e se reúnem para confrontar comandos e lideranças, atribuindo qualificações e reprovações dentro de equipes e seleções, claro, as tupiniquins, pois lá fora se vestem de anjos barrocos, em nenhum momento, virtuais.

Que os bons deuses nos protejam, virtuais ou não.

Amém.

UMA BOA PERSPECTIVA…

Aos poucos, devagarzinho, quebrando resistências, convencendo os céticos (e como os há entre nós…), conquistando adeptos, provando ser possível, e por que não, desejável, vemos aceita a possibilidade de jogarmos com dois armadores puros, numa formação básica, por algumas de nossas equipes de ponta. Infelizmente, e por razões de uma globalização técnico-tática, que nos foi imposta por uma geração de técnicos comprometida com os ditames técnicos advindos da NBA, a utilização de dois armadores ainda se enquadra no sistema de jogo padrão, onde a utilização de um único armador é a regra geral, que agora vem sendo adaptada substituindo-se um dos alas por outro armador de formação. Sistemas de jogo, onde a utilização plena de dois armadores atuando permanentemente fora do perímetro, integrados e ajudando-se mutuamente, tanto ofensiva, como defensivamente, inexistem em nossas equipes, escravizadas e habituadas ao sistema padrão.

Mas aos poucos algumas soluções vão surgindo, principalmente através o cada vez mais evidente entrosamento de algumas duplas, como o Helio e o Mateus em Franca, o Valter e o Ratto em Brasilia, o Fred e o Helio no Flamengo, alguns exemplos de que a formula da dupla armação de uma equipe pode ser tornar viável e bastante efetiva.

Sempre a defendi, por usá-la à exaustão em minhas equipes, adaptando soluções técnico-táticas específicas às características individuais de cada jogador daquelas posições, sempre complementados por três homens altos atuando permanentemente dentro do perímetro, em sintonia com os de fora, numa progressiva busca pelos melhores posicionamentos na recepção dos passes, nas ajudas às penetrações, na escolha dos melhores arremessos, no posicionamento multíplice nos rebotes, na ajuda permanente na defesa, e na busca incessante por novas e eficientes soluções técnico-táticas, por parte deles, os jogadores, que estão no campo da luta, enfrentando suas dúvidas e desafios ante adversários em constante mutação posicional, onde cada movimento ou jogada jamais é repetida, jamais guarda qualquer semelhança com às que a antecedem, seja na defesa, seja no ataque, tornando a experiência de jogar basquete numa perene e extraordinária descoberta de suas possibilidades individuais em concordância com as coletivas, compondo a essência desse único e apaixonante grande jogo.

O jogo dessa noite, entre o Flamengo e o Boca Juniors, espelhou um pouco a realidade exposta acima, na qual, dois excelentes armadores ditaram o ritmo e a correta direção que a partida teria de tomar em busca de uma vitoria inconteste e de promissora importância para o nosso basquetebol. Espero que nossos técnicos estudem a fundo possibilidades de jogo que aperfeiçoem o emprego da dupla armação, principalmente com a adoção de novos sistemas, que fujam do padrão que nos foi imposto ( e ainda continua a sê-lo através as clinicas oferecidas e aceitas pelas federações alinhadas com a CBB, numa atitude centralizadora e unilateral, emanada pelo mesmo grupo que nos tem empurrado o sistema padrão goela abaixo nos últimos vinte anos de obscurantismo e retrocesso atroz.).

Torço para que a equipe do Flamengo repita a bela atuação desta noite, quando muito, para provar que, com um pouco de audácia e vontade de mudar, a distância que nos separa da excelente organização argentina pode ser reduzida, mesmo por uma pouca, porém progressiva tomada de novos rumos, em busca de um tempo perdido, que já se prolonga em demasia. Assim espero.

Amém.

A FINAL…


A final foi eletrizante, assim como o espetáculo em seu todo, do ginásio à torcida, da organização e da divulgação competente pela TV e pela internet. Só não teço elogios à arbitragem, que deixou o “pau rolar” embaixo das cestas, numa atuação cujos critérios jamais passariam sob o crivo da FIBA. Numa arbitragem fundamentada nas regras internacionais, muitos, mas muitos jogadores sairiam com as 5 faltas pessoais antes do término do primeiro tempo de jogo. Exatamente por essa razão é que os grandes pivôs americanos se dão mal nas competições internacionais, pois a carga corporal que exercem sobre os atacantes, mesmo bloqueados corretamente nos arremessos, fazem dos defensores barreiras faltosas do peito para baixo pressionando-os lateral e intencionalmente, numa ação faltosa pelos critérios das regras internacionais. Se os americanos realmente desejam se rivalizar com as equipes internacionais, principalmente as européias, terão de adequar suas regras bem particulares aos critérios das regras internacionais, pois em caso contrário seus esforços de cadenciar os jogos, largamente empregado pela grande maioria das 64 equipes finalistas, cairão num vazio irrecuperável, aumentando a grande distância que ainda os separam da forma internacional de jogar.

Foi um espetáculo onde os fundamentos do jogo atingiram um grau de quase perfeição, nos dribles, passes, arremessos curtos e longos, rebotes e principalmente uma entrega na arte de defender inigualável, somente criticável se a colocarmos ante os padrões das regras internacionais, no que concerne à marcação dos pivôs e dos atacantes que penetravam no âmago defensivo. Dentro dos padrões e critérios que defendem e empregam, perfeitos.

Ironicamente, foi na falha de um dos fundamentos básicos que a equipe de Memphis perdeu a partida, nos lances-livres, principalmente os quatro perdidos a um minuto do final, quando colocaria, na conversão de um deles, os quatro pontos necessários que anularia uma reação de Kansas, mesmo convertendo um arremesso de três. Ao contrário, com a perda dos lances-livres permitiu o empate de Kansas a 2 segundos do final, quando uma falta durante o drible do atacante resultaria tão somente em dois lances, cristalizando a vitoria. Na prorrogação, a equipe de Kansas, embalada e incentivada pela brilhante reação, manteve os nervos sob controle e venceu merecidamente o campeonato.

No entanto, convenhamos que ainda falta um detalhe de primordial importância para que o basquete universitário americano sirva efetivamente de base, para o conveniente e decisivo papel de reconquista do prestigio internacional nas grandes competições internacionais, já que histórico campo de experiências técnico-táticas, impossíveis de acontecer na NBA, com seus critérios de profissionalismo exacerbado, que dificilmente mudarão, ou seja, a adoção das regras internacionais em sua plenitude, pois caso contrario, não atingirão seus objetivos.

Amém.

COLETIVISMO X INDIVIDUALISMO…

Na semana recém finda, assisti pela TV algumas competições esportivas, como um jogo do europeu de futebol, onde a equipe do Barcelona foi derrotada, e varias partidas do campeonato universitário americano de basquetebol. No jogo da equipe espanhola, chamou-me a atenção um comentário do analista da emissora sobre o comportamento retraído e silencioso do técnico holandês da equipe, sentado calmamente em seu banco, sem manifestações ostensivas na beirada do campo. O comentarista criticava aquela atitude passiva, argumentando da necessidade que o mesmo teria de agir, nem que fosse gestualmente, como uma satisfação aos torcedores, ao “demonstrar” trabalho e interesse pela equipe que passava por uma situação de derrota. Ou seja, defendia a síndrome da luz-vermelha, quando um técnico ao flagrar uma câmera focada em si (quando ligada emite uma luz vermelha ao lado da lente) imediatamente se põe ao lado do campo gritando e gesticulando para passar a idéia de participação ativa no jogo, mesmo sabendo ser impossível que seus brados sejam ouvidos por quem quer que seja dentro de campo. Mas ficam os gestos agressivos e passionais, que tem garantido muitos contratos pela sua “participação ativa” perante os dirigentes, mesmo sabendo ser inócua na realidade do jogo. O testemunho do comentarista põe em evidência, não só para ele, mas para uma grande parte da imprensa esportiva, como valorizam o mís en scéne oportunista e revelador de uma corrente de técnicos, mais preocupados com sua posição no mercado de trabalho, do que a equipe que dirige. Esquecem que o trabalho de um técnico é realizado nos treinamentos, intensamente, e em uma ou outra substituição que se faça necessária, além dos ajustes que poderá fazer nos intervalos dos jogos. Pererecar, dançar, saltitar, em atitudes de péssima coreografia ao lado de campos e quadras, além do ridículo a que se expõem , nada acrescentam às suas equipes, a não ser a demonstração da pouca qualidade técnica de seus treinamentos, onde deveria preparar a equipe, sem gestos, discursos ou câmeras focando seus inflados egos.

Outra intervenção abalizada criticava a tendência de alguns técnicos defenderem a preparação das equipes de basquetebol focadas basicamente na pratica dos fundamentos, privilegiando as individualidades, em vez do coletivo, que segundo sua opinião, levada pelo poder da mídia televisiva a uma quantidade enorme de cabeças jovens país afora, é a que deve prevalecer, no que é acompanhado por boa parte da critica basquetebolística nacional, num lamentável equívoco, pois omitem pela ignorância o fato inconteste de que a base coletiva de uma equipe é fornecida pelo preparo e pleno domínio por parte dos jogadores, dos fundamentos do jogo, sem os quais nenhum movimento técnico-tático obtém sucesso.

Dois enfoques equivocados, plena e estruturalmente equivocados, mas que preenchem rotineiramente muitos dos comentários feitos e emitidos por uma parcela da imprensa descomprometida com as bases autênticas do desporto, porém extensamente comprometida com as modas e os conceitos globalizados que privilegiam o espetáculo em função da educação e dos princípios sociais dos mesmos.

Nesta segunda-feira, assistiremos ao jogo final do campeonato universitário americano, na presença de 50 mil torcedores e alguns milhões espalhados pelo mundo, num espetáculo onde os princípios e as tradições universitárias americanas atingem o mais alto grau, quanto a importância do desporto na formação integral dos jovens daquele país, e onde não testemunharemos coreografias ao lado da quadra por parte dos técnicos envolvidos, e muito menos a negação da qualidade individual dos jogadores, que estarão inseridos no coletivismo de suas equipes, coletivismo esse garantido e lastreado pela competência e segurança de seus jogadores pelo pleno domínio dos fundamentos do grande jogo.

De um lado a Universidade de Kansas, sólida em seu preceito de jogo coletivo, pausado e altamente seletivo nos arremessos. Por outro, a Universidade de Memphis, com sua exuberante individualidade levada á excelência nos fundamentos de todos os seus jogadores, onde o coletivo massivo cede vez à improvisação, somente factível através o mais qualificado e sedimentado domínio dos mesmos, prenunciando uma batalha entre o determinante coletivo, contra o instigante individualismo responsável . Quem sabe nossos sábios comentaristas possam justificar alguns de seus equivocados pareceres, perante as duas realidades que comentarão, ambas tendo um condutor comum, seja no coletivismo, seja no individualismo, o domínio dos fundamentos.

E que esse exemplo seja seguido em nosso país pelos lideres técnicos das gerações que se iniciam na pratica do basquete, sem serem sugestionadas e estigmatizadas por conceitos técnico-táticos preestabelecidos, e sim orientadas a um preparo sensível, prolongado e qualificado das bases do jogo, os fundamentos, que consolidados serão a base futura de sistemas, tanto ofensivos, como defensivos. A negação dessa evidência somente corrobora a nossa proverbial tendência à minimização do competente ensino dos fundamentos, em beneficio de um coletivismo mantenedor do sistema único, no qual a prancheta representa e reflete o narcisismo de seu mentor.

Amém.