O ANESTÉSICO DAS CONSCIÊNCIAS.

Imperdível a matéria publicada no O Globo de hoje, domingo, com a entrevista do Presidente da Agência Mundial Antidoping, Richard Pound concedida ao repórter Fábio Juppa, que em determinado trecho da mesma perguntou: “A NBA não dá um mau exemplo para o resto do mundo ao permitir que jogadores usem substâncias ilegais para a comunidade esportiva?” Assim respondeu Richard Pound: “Algumas ligas profissionais incrementaram seus programas antidoping nos últimos anos. Foram pequenos passos na direção certa, graças às pressões da mídia e do Congresso americano. Mas ainda devem muito ao que é esperado delas, e não há duvidas que essas ligas, incluindo a NBA, precisam fazer muito mais na luta contra o doping. Eles devem parar e se perguntar se querem o esporte livre das drogas ou não. E têm de mostrar aos jogadores que substâncias que melhoram o desempenho carregam riscos significantes, assim como a pena que podem pegar. É necessário desencorajar os jogadores a usá-las, além de aumentar as sanções”.

De longa data é sabido, e convenientemente escamoteado, o uso indiscriminado de substâncias estimulantes por muitos jogadores da NBA, principalmente nas pré-temporadas, onde as exigências contratuais baseadas em observações e performances nos campos de treinamento, forçam muitos deles a procurarem o suporte dopante a fim de se apresentarem dentro das exigências físicas e emocionais que os garantam nas equipes, com bons contratos de preferência. Dentro de um universo de interesses e de extrema competitividade, o uso de estimulantes e anabolizantes se tornou corriqueiro, a ponto de chamar a atenção dos órgãos governamentais ligados ao combate às drogas e do Senado, com suas CPI’s no campo desportivo. Dois dias atrás, a Comissão do Senado implicou dois dos mais renomados jogadores de beisebol pelo uso de anabolizantes, e que juntamente com jogadores da NFL, a liga do futebol americano, foram as primeiras modalidades a serem investigadas com rigor. A NBA, sem dúvida, será a próxima a ser investigada, o que alterará substancialmente o cenário competitivo da mesma.

Muitas deserções de jogadores estelares em competições da FIBA, encontrarão explicações plausíveis, muito ao contrário das desculpas de que não iriam às ultimas Olimpíadas em Atenas por falta de segurança, assim como em Mundiais. Poderemos compreender as mudanças radicais no físico de muitos jogadores, que num curto espaço de tempo se transformam em massas disformes e enormemente pesadas, pondo em real risco articulações, sistemas cardiovasculares e renais. Mas o peso dos muitos milhões de dólares tende a justificar tais mergulhos no escuro, em um mundo irreal e perdulário, onde interesses de empresários, agentes e grandes firmas lastreiam e comandam a vontade dos jogadores.

Desde que iniciei este blog venho alertando a todos os verdadeiros esportistas sobre o perigoso avanço do doping no meio esportivo, em particular no basquetebol. E jamais me arrependi de abordar este tema tão controvertido e teimosamente varrido para baixo dos tapetes daqui e os lá de fora. Trata-se de uma hipocrisia institucionalizada a serviço de grupos muito fortes e de princípios mafiosos, que movimentam milhões de dólares, em evidente contraste com os milhões de jovens que ainda vêem o esporte com pureza e ideais olímpicos.

A entrevista é esclarecedora e de importância vital para o desporto mundial, nessa luta desigual pela lisura nos campos desportivos. Vale a pena lê-la e guardá-la, para conferi-la daqui a alguns anos. Quem sabe poderemos manter os princípios das competições justas e democráticas. Quem sabe…

O PUJANTE BASQUETEBOL.

“O basquete brasileiro mostra que está pujante, mais vivo do que nunca, apesar de alguns derrotistas dizerem o contrário( nesse momento fixa desafiadoramente as lentes da câmera). A entrevista do Varejão no O Globo mostra um atleta determinado a defender a verde e amarela, não importando a NBA aceitar ou não. O publico recorde de Brasília ai esta para comprovar o grande momento de nosso basquete”. Com estas palavras o técnico de Joinville iniciou seu discurso ufanista ao inicio do jogo contra Franca. E disse mais:”Podemos formar 20 equipes, com alguns estrangeiros de reforço, para voltarmos ao cenário internacional”. E finalizou: “Mas também precisamos mudar alguns conceitos de jogo, a exemplo do que a equipe de Franca vem aplicando”.

Vem o jogo, e com a equipe francana nitidamente rodando seus jogadores, no intuito de preservá-los para a maratona de jogos que terá de enfrentar daqui para diante, e o que se viu foi um enfrentamento dos atuais conceitos mencionados da equipe de Franca, ante os conservadores conceitos da equipe de Joinville, e que graças a excelente participação de seu pivô conseguiu equilibrar os quartos iniciais da partida. No derradeiro quarto, a equipe francana fez voltar seu quinteto básico, com o aproveitamento de seus três armadores e dois homens altos e liquidou a partida. Em nenhum momento se viu na equipe do sul um vislumbre, por menor que fosse, de mudança conceitual, e sim a mesmice que grassou e ainda grassa na grande maioria das equipes brasileiras. Logo, o discurso, apesar das indiretas àqueles que discordam veementemente da absurda situação por que passamos desde muito tempo, caiu no vazio, demonstrado na pratica, pela sua equipe. Seria de boa cepa, que evitasse tais manifestações que lhes são ofertadas por microfones globais, substituindo-as por um trabalho que visasse as tão propaladas mudanças conceituais.

Agora, afirmar que podemos formar 20 equipes de categoria, que juntamente com o reforço de estrangeiros nos levaria de volta ao cenário internacional, soa falso, muito falso. Seria mais ou menos como a equipe do Sunshales, que venceu Franca no Sul-americano, onde dois americanos praticamente derrotaram os brasileiros, aspecto muito bem descrito pelo comentarista da ESPN Brasil, ressaltando, que sem os mesmos a equipe argentina dificilmente derrotaria os brasileiros. Propugna-se então a volta do tempo em que as equipes só eram levadas à serio se possuíssem americanos em suas hostes, para gáudio e status de seus técnicos, que em muitos casos mal podiam dialogar com os mesmos em sua língua pátria.

E onde encontraríamos tantos técnicos “preparados” para liderarem tantas equipes de nível internacional, se mal nos agüentamos em pé atrelados aos conceitos que o televisivo técnico sempre foi ferrenho defensor, e ainda atual utilizador? Porque levantar bandeiras que nunca levantou, pelo simples fato de estar sempre plugado aos microfones globais? Porque o rancor com a critica, ainda mais quando emanadas por quem conhece as quadras, o jogo, as longas lutas por condições de trabalho, divulgando o grande jogo, democraticamente por todo o país, e que tem ajudado na formação de muitos professores e técnicos ao longo dos anos? A critica fundamentada é necessária quando está em jogo o futuro do nosso basquetebol, e que mesmo longe das benesses dos “open mics” se manifesta naqueles nichos tão bem descritos pelo Melk, as gloriosas trincheiras na internet, que vivas e atuantes não se deixam cooptar e influir por discursos ilusórios, interesseiros e, por que não, pujantes.

Concordo, porém, que devemos mudar conceitos, de jogo, de táticas, de planejamento, e de ética, e que os mesmos bem que poderiam renascer na bela cidade de Joinville, para a alforria do basquete brasileiro, mas com muito e dedicado trabalho, e menos discursos. Amém.

ENCONTROS EM SUNSHALES.

Foi um grande jogo, decidido pelos dois americanos do Sunchales no terceiro quarto, o mesmo no qual equipe de Franca decidiu os dois jogos em casa. Dessa vez, a inversão dos papéis deveu-se muito mais à ânsia de decidir a partida em tentativas individuais por parte dos francanos, dando a oportunidade de contra-ataques fatais através a dupla norte-americana em noite inspiradíssima. Faltou uma necessária quebra do ritmo alucinante imposto pelos brasileiros nos dois quartos iniciais, nos quais conseguiram igualar o placar, mesmo ante a grande pressão exercida pela assistência argentina, levando seus jogadores a um empenho defensivo muito forte, onde, mais uma vez, se destacou o porte e a atuação intimidadora do excelente pivô Battle. A atuação precipitada dos jogadores brasileiros no terceiro quarto selou suas pretensões de vitória, que nem mesmo a recuperação do controle técnico e emocional no quarto derradeiro foi suficiente para conseguir dobrar a equipe da casa. Ficou muito clara a ascendência determinante da dupla americana sobre os demais componentes da equipe, que sem os mesmos não fariam frente à equipe brasileira. Também ficou claro, que a distancia, antes muito acentuada, entre os jogadores argentinos e os nossos, já não apresenta tanta discrepância, o que nos habilita nos confrontos que se seguirão daqui para frente, a começar nos Jogos Pan-americanos.

Mas para tanto, urge uma grande renovação de conceitos técnico-taticos por parte de nossos técnicos, que de uma maneira geral ainda se guiam pelo modelo NBA em suas formas de direção de equipes. A utilização de dois armadores, e um rodízio dos homens altos no perímetro interno já se constitui em grande e bem vindo avanço, faltando-nos somente que invistam em novos princípios de jogo que complementem tais conquistas, assim como, também urge o desenvolvimento massivo de caráter defensivo, ponto fulcral ao desenvolvimento do nosso basquetebol.

Desenvolver modelos de jogo que priorizem a capacidade criativa de nossos jogadores, aliados a um efetivo e determinante preparo nos fundamentos, é o que nos falta para a grande retomada ao encontro do grande tempo perdido nas duas ultimas décadas. Somente os técnicos, imbuídos por princípios evolutivos, e repletos de coragem para resgatá-los, é que poderão mudar o estado retrogrado em que nos encontramos. Se isso vier a ocorrer, acredito que no espaço de um par de anos possamos restabelecer o tempo perdido, criminoso e estupidamente perdido.

Mas o ato final da aventura sul-americana, nos guardou uma grande surpresa, a presença irmã e xipófaga daqueles dois dirigentes que recentemente, de forma censurável e publica, se engalfinharam em fortes declarações de cunho político, rompendo os vínculos que os prendiam à doce teia do mundo cebebiano, numa bem sucedida tentativa de enganar o publico com falsas premissas de desacordo político. Lá estavam, segurando taças e distribuindo medalhas, após virem do congresso no paraíso antilhano, unidos, coesos, e rindo por dentro daqueles que caíram na encenação magistralmente concebida, não fossem raposões da mais pura linhagem. E ainda tem gente que acredita. Xeque mate do grego melhor que um presente. Aprendam, cresçam e apareçam.

SISTEMAS I – DEFESA LINHA DA BOLA.

Inicio uma serie de artigos sobre sistemas de jogo, defensivos e ofensivos, que empreguei nas equipes que dirigi nos últimos 45 anos, esperando que sirvam de estudos e indagações, por todos aqueles que se interessam pela compreensão do jogo. A cada mês publicarei um artigo que poderão vir na forma de fótos, como esse primeiro, diagramas e vídeos. Espero que gostem.

MICROFONE DE LAPELA.

Em duas partidas brilhantes Franca venceu a forte equipe do Sunchales, levando a decisão para a cidade argentina na próxima semana. Se pode vencer a final? Sim, e com autoridade, mas se iniciar o primeiro quarto com sua formação mais eficiente, a mesma que derrotou seu adversário no inicio dos terceiros quartos nas duas partidas. Na de hoje, como num preito ao sofrimento, Franca iniciou o jogo com dois armadores, o Helio e o americano, e três homens altos, numa tentativa de sobrecarregar o grande pivô americano do Sunchales. Acontece que a defesa argentina atua num rodízio quase perfeito embaixo de sua cesta, oferecendo ao atacante uma primeira possibilidade de finta, para a seguir, quando da tentativa de cesta, acontecer a cobertura, sempre voltada ao bloqueio, não importando a altura do mesmo, já que o norte-americano possui a noção exata da correlação tempo-espaço, fazendo-o imbatível, não só nos bloqueios, como, e principalmente nos rebotes, e o pior, cometendo muito poucas faltas. Esse embate desigual concorreu em tal acréscimo de confiança para o Battle, que no ataque praticamente pendurou todos os pivôs de Franca, fragilizando os rebotes da equipe. No momento que o técnico francano, ao inicio do terceiro quarto escalou seus três armadores, abdicando da luta desigual com o pivô argentino(?), jogando em torno do perímetro com maior velocidade, e penetrando fundo, na intenção de abrir espaços de dentro para fora do garrafão, no intuito dos arremessos de três pontos, conseguiu reequilibrar e dominar a partida, pois o grande pivô, sem a mobilidade exigida para o jogo externo, perdeu sua grande arma, a intimidação embaixo da cesta. No momento que Franca abdicou da luta interior, do jogo de choque, optando pelas escaramuças externas, onde a velocidade supera o embate físico, venceu as duas partidas.

Na Argentina, a equipe de Franca não se pode dar ao luxo de ao inicio do jogo, que é o último e decisivo, abrir mão de sua maior arma, o jogo veloz, incisivo, invasor e profundamente voltado ao desmarque, para que seus ótimos arremessadores possam usufruir de tempo suficiente para lançamentos firmes e equilibrados. Isso obrigará os argentinos a saírem debaixo de sua cesta, numa área em que o Battle não apresenta a firmeza do jogo de choque, quebrando um pouco a sua confiança, que respaldada em sua formidável presença defensiva, personaliza-o nas ações ofensivas, já que decisivamente presente nas duas cestas. Ao diminuir sua importância defensiva, atuando longe de suas firmes intervenções, muito de sua ação ofensiva se esvairá pela possível quebra de seu equilíbrio psicológico. Ao enfrentar um jogador com tão decisiva ambivalência, torna-se necessário diminuir em muito uma de suas funções, e nesse caso particular, tentando diminuir suas ações defensivas, atuando ao máximo longe de sua influência, de sua presença.

Claro, que são conjecturas baseadas em observações, nada mais do que isso. O técnico francano, melhor do que ninguém saberá, como tem feito, encontrar as melhores opções para sua equipe, mas, com uma pequena e sutil diferença: em Sunchales terá muito poucas chances de se insurgir contra a arbitragem da maneira como se insurgiu em sua casa, violentamente, e com o respaldo de 7000 torcedores, numa ação, que para o narrador e o comentarista da TV, surtiu pleno efeito, pelo menos em um dos juízes, o que é profundamente lamentável. Mas a transmissão da TV argentina nos dará algo bem positivo, assim espero, a não instalação nas lapelas dos técnicos de microfones, responsáveis pela transmissão direta, ao vivo e à cores, de todo um repertório de impropérios e palavrões para dentro das casas dos telespectadores, e sem pedir permissão para tal. O técnico argentino, com propriedade e grande dose ética, não permitiu tal ingerência em seu trabalho, o que foi louvável.

Enfim, fora tais inconvenientes de caráter educativo(se é que têm real importância) a equipe de Franca, tem apresentado boas perspectivas de mudanças no pobre cenário técnico do basquete brasileiro, sendo inclusive, seguida por outras do mesmo porte. Jogar com dois armadores já se torna uma realidade entre nós, faltando somente que se inove em sistemas adequados aos novos tempos, fugindo-se definitivamente do engessamento que nos foi imposto por modelos exógenos, que em nada combinam com nosso caráter e forma de jogar o grande jogo. Espero que continuem em tais e bem-vindas mudanças. Amém.

NA TERRA DE DOM BOSCO.

Ginásio repleto, 26 mil assistentes, num recorde admirável para os padrões brasileiros. Foi a prova inconteste do amor que o basquete ainda desperta em nossa sofrida gente, e que a turma de Brasília ainda resguarda a chama do esporte como fator de congraçamento social. Vivi quatro anos naquela cidade e bem sei do quanto amam o desporto. A epopéia para a montagem do ginásio após um show de rock na antevéspera, determinou os caminhos para o sucesso do jogo, num elogiável trabalho de equipe, com o Pedro Rodrigues dando os rumos do mesmo.

O jogo, como esperado, não originou grandes sobre-saltos a equipe da casa, pois o Flamengo, sem seus dois armadores titulares pouco poderia apresentar de concatenação técnica. Brasília, jogando com dois, e até três armadores simplesmente desconheceu o adversário, provando de uma forma definitiva que o exemplo oriundo do time de Franca, já encontra eco nas melhores equipes do país, nas quais se fazem presente uma acentuada e bem vinda melhora nos fundamentos do jogo pela presença dos mesmos, apesar do decréscimo na estatura das equipes. O inusitado, é que nenhuma das equipes mudou seus esquemas de jogo, somente qualificou-os com jogadores mais técnicos nos fundamentos, o que reduziu drasticamente o jogo de passes, em função do aumento do controle de bola e das fintas incisivas. Infelizmente, os pivôs ainda vêm para fora do perímetro tentarem executar canhestramente os corta-luzes, invariavelmente faltosos, numa falta de sensibilidade tática que chega a ser tocante pelo primarismo. Se dois dos armadores, jogando mais próximos os tentassem, os pivôs voltariam a atuar onde são realmente eficientes, próximos à cesta.

Numa segunda etapa a essa evolução, teremos, obrigatoriamente, de qualificar tecnicamente nossos alas e pivôs nos benditos fundamentos do jogo, e para tanto, além de novas (não tão novas, talvez relembradas) didáticas, terão os técnicos de plantão de se convencerem de que adultos, e mesmo veteranos, sempre poderão aprender e apreender novas técnicas, bastando para tal, que sejam orientados por gente competente e que realmente domine a essência do jogo. Técnico de prancheta e de esquemas tipo desembrulhe e use, jamais entenderá tal importância.

Por outro lado, os técnicos e professores responsáveis pela formação, terão que reformular alguns de seus estratificados e colonizados conceitos, para guinarem na direção do ensino profundo dos fundamentos para todos os jogadores, independentemente de funções e estatura, desde o mini, até seu ultimo dia como atleta de competição. Somente após essa profunda guinada, é que poderemos nos situar no avançado campo das táticas e das estratégias de jogo, já que estaremos possuidores e dominadores do passaporte para a excelência nos sistemas, o domínio dos fundamentos. Um bom caminho ainda teremos de trilhar, caminho este que deveria passar ao largo de clinicas voltadas única e exclusivamente ao processo de continuísmo da retrógrada turma que se instalou,como um feudo perpétuo, uma capitania hereditária de triste e continuada existência.

Alguns estados, meritoriamente, ensaiam a criação de suas associações de técnicos, fator primordial para nossa evolução no grande jogo. Com a existência das mesmas, num razoável tempo a criação e formulação de uma associação nacional daria amalgama a todas as outras, mas somente após a existência, organização e continuado trabalho das estaduais. Uma associação nacional antecedendo o trabalho e a importância das associações estaduais perverteria o cerne do trabalho associativo, onde o caráter regional tem de ser estudado, pesquisado e devidamente implantado. Qualquer tentativa de criação de uma associação nacional, mormente se patrocinada pelo órgão diretivo da modalidade no país, colocará por terra todo e qualquer esforço de democratização, desenvolvimento e implantação de novas políticas comportamentais, técnico-taticas, e principalmente, éticas.

Por tudo isso, foi uma maravilhosa experiência a que foi vivida em Brasília, enchendo-nos de esperanças em dias melhores para o nosso tão sofrido e maltratado basquetebol. Amém.

CONSIDERAÇÕES…

Num grande jogo, Franca venceu o Campeonato Paulista, ante uma equipe aguerrida, composta de alguns muito bons jogadores, abrindo uma ótima perspectiva no que concerne às nossas futuras seleções. Digo isso, porque assistimos um duelo de equipes iguais na forma de jogar, porém, seguindo o exemplo francano, escalando jogadores possuidores de bons fundamentos, na dupla armação, e até nas alas. E isso só foi possível com a presença em quadra de todos os armadores que dispunham, já que somente dois alas autênticos participaram na maior parte do jogo, Jefferson por Assis, e Rogério por Franca. Os pivôs se equivaliam, e procuravam manter um comportamento dinâmico no interior dos garrafões

acompanhando o jogo veloz dos armadores, principalmente quando penetravam driblando e fintando. O numero de assistências foi muito grande, exatamente por estes motivos. Defensivamente, pela total similitude tática adotada por ambas, a equipe de Franca levou alguma vantagem ao agir em antecipações, propiciando importantes retomadas de bolas e conseqüentes contra-ataques, ao passo que Assis primava mais pelo cadenciamento ofensivo, liderado por seu eficiente e muitas vezes brilhante armador Fúlvio. Mas um fator foi determinante na vitória de Franca, as cinco penetrações ao final do jogo executadas pelo veterano e renovado ala Rogério, que agiu como um ala de verdade, dominando bem o fundamento da finta em velocidade, preferindo a penetração para dentro do garrafão em vez da linha final, recebendo faltas seguidas, e convertendo eficazmente os lance-livres. Aos 36 anos, Rogério evoluiu nos fundamentos básicos, que aliados à sua grande experiência fez dele o elemento crucial na vitória francana.

O que salta aos olhos é a rápida aceitação do modo francano de escalar sua equipe por alguns de seus adversários, mormente Assis nas partidas do torneio final. Ficou provado que a qualificação na execução dos fundamentos fez com que os técnicos escalassem suas equipes com dois, e até três armadores, dinamizando as ações ofensivas, e incrementando substancialmente seus poderes defensivos. E ficou mais provado ainda a grande e urgente necessidade de incutirmos nos alas o gosto pelo treinamento massivo dos fundamentos de drible, fintas e marcação, tão zelosamente desenvolvidos pelos armadores, assim como implementarmos velocidade e agilidade a nossos pivôs, na positiva busca de uma performance perdida nos últimos vinte anos de vícios técnicos e colonialismo tático.

Ficará faltando encontrar, através estudos, tentativas, pesquisas sérias e de caráter evolutivo, de novas soluções ofensivas e defensivas, dotando nossos jogadores de sistemas dinâmicos que explorem ao máximo as potencialidades dos mesmos, e não o emprego de sistemas exógenos, mas que prontos para o consumo tanto cativaram, e ainda cativam a maioria de nossos técnicos, não muito preocupados e ciosos pela busca do novo e do inusitado. Essa preguiça funcional tem de ter um fim, e a prova de que esse fim é possível tem sido dada por Franca, Assis e Brasília em seus mais recentes jogos, mesmo que somente pelo fato de escalarem mais armadores do que vinham fazendo de longa e obscura data. É um começo, que representa um passo decisivo no reconhecimento da urgente e premente necessidade que temos de dotarmos alas e pivôs dos melhores e possíveis treinamentos de fundamentos. Somente assim reencontraremos o nosso verdadeiro lugar no concerto internacional.

Brevemente teremos de disputar torneios internacionais de capital importância para o futuro de nosso basquetebol, e desde já teremos de optar por dois caminhos, por dois comportamentos. Um, de sonharmos de olhos abertos com a participação daqueles que militam na NBA, que com a exceção do Varejão, não demonstram muito interesse em fazê-lo. Da Europa, o Spliter e o Huertas seriam, pela juventude e qualidade muito bem vindos à seleção. Os demais, bem poderiam sair de nossas equipes, se devidamente treinados e preparados nos fundamentos e em sistemas dinâmicos de jogo. Outro, o de mantermos o atual “projeto da múltipla comissão técnica”, amparado por uma mídia embevecida pelo sucesso técnico e econômico de jogadores que muito em breve falarão nossa língua com sotaque, e distanciados da necessidade de um tempo razoável de treinamento, obstados que são pelas cláusulas contratuais de suas milionárias equipes, pouco ou nada preocupadas com nossas necessidades de preparo adequado. Enfrentar essa realidade, baseada na constante ameaça da não participação estelar de alguns, e do medo incontido de preparar eficientemente os bons jogadores que possuímos em nossas equipes, medo esse respaldado pelo desconhecimento e pela incompetência técnica, nos faz, no momento, escravos de uma situação, que em tudo, e por tudo, aplaina os caminhos das desculpas e esfarrapadas explicações de um fracasso mais do que anunciado.

Precisamos com urgência renovar nossas esperanças, fundamentando-as em novas idéias e concepções, fatores advindos de cabeças pensantes e experientes, que são os ingredientes básicos daqueles que possuem o dom da liderança, e a coragem de exercê-la. Comando não se divide. Ele é assumido ante a vitória e a derrota. Por isso é solitário, é indivisível.

Quando num setor de capital ou menor importância nasce um problema, e que o responsável pelo mesmo não deseje que seja resolvido, o melhor que tem a fazer é nomear uma comissão. Mas se desejar equacioná-lo, nomeia um profissional competente, mesmo que não comungue com alguns de seus princípios . É o suficiente.

Se existe no país alguém desse porte? Eu mesmo conheço alguns, poucos bem sei, mas existem, e são muito, muito bons. A turma da CBB também os conhecem, mas…

DIA DA EDUCAÇÃO…DE QUEM?

Dia da Educação, lançamento do PDE para o setor pelo Presidente do país, entrevistas dadas por ministros e especialistas sobre o avançado e mirabolante plano de ação para os próximos dez anos, artigos, colunas e muitas paginas de jornais e preciosos minutos na TV, e muita, muita discussão. Mas, o que de importância realmente representa tanta exposição a um tema de tal relevância para qualquer nação que se pretenda importante no cenário internacional? Para nós, muito pouco, ou quase nada. Quando uma das vozes relevantes é a de um antigo ministro que desfez de seus pares como velhos retrógrados, e que deveriam ser excluídos das universidades federais, não fosse ele próprio um velho politiqueiro e profundamente ligado a interesses contrários às mesmas, assim como de outros próceres do atual governo, que sugerem aumento de verbas para aquelas universidades que admitirem decisivas e contundentes intromissões em suas auto-gestões, numa manobra de cunho chantagista inadmissível, devemos por as barbas de molho pelo que advirá de tal projeto, não só pelo terceiro grau, mas principalmente pela base do sistema educacional como um todo.
O fator primordial e prioritário para o sucesso de tal projeto, fatalmente teria de passar pelo ponto crucial, a remuneração condigna do grupamento que é responsável pelo mesmo, os professores. Nos quatro últimos anos que lecionei na FE da UFRJ, quando tive turmas da Pedagogia, além das que sempre tive da complementação pedagógica dos alunos da Educação Física, pude atestar que a grande maioria do alunado era formada de jovens que não conseguiram ingresso nos cursos tradicionais, como medicina, direito, ciências exatas e da natureza, economia, comunicação, entre muitas outras, ou seja, a pedagogia era o último bastião no cenário universitário para a maioria deles. Obviamente, o fator vocacional passava bem longe dessa realidade, o que de saída comprometia a necessária e estratégica qualificação para o magistério. Muitos cursos de complementação pedagógica, principalmente nas universidades particulares se viram repletos de profissionais liberais mal sucedidos, que com tal qualificação se propunham complementar salários como professores de segundo grau, numa manifesta tendência do quanto decaiu o ensino no país. E mesmo assim, milhares de alunos se vêem sem aulas por falta até mesmo desse maléfico tipo de profissional, principalmente nas ciências exatas.
Três décadas atrás, fui ao Palácio Capanema para falar com um amigo, que na ocasião fazia parte da equipe do Ministro da Educação. Fui convidado para na condição de ouvinte participar de uma reunião de trabalho, com a presença do Ministro. Ao termino da mesma, vendo-me calado e distante o assessor meu amigo pediu-me uma sugestão sobre o assunto debatido-a formação e a qualificação do professor-. Disse somente que só haveria desenvolvimento e qualificação do professor no país, no dia que houvesse um piso salarial comum a todos, da escola primaria até a universidade, e que a melhoria salarial estivesse ligada aos cursos pós-graduados que os mesmos fizessem em suas carreiras, qualificando-os academicamente. No atual PDE falam em piso salarial de 850 reais, quantia absurda em se tratando de remunerar a reserva intelectual da nação, aquela que pretende se lançar na vanguarda da ciência mundial. É de morrer de rir, para não chorar. Continuaremos a ter as salas de complementação pedagógica entulhada de profissionais liberais… Bem, já falei sobre isso.
E ao término dessa semana monumental, recebo um e-mail do amigo Luis dos Santos, professor e médico dos melhores, mas, que me perdoe ele, tenho de transcrevê-lo pela importância do assunto, a formação do professor de Educação Física, ao qual dediquei 40 anos de minha vida, defendendo sempre a sua reinclusão na área de ciências da educação, e não da área da saúde, onde alguns a introduziram com a desculpa de que a mesma se beneficiaria de maior status e conseqüente progresso profissional, quando no fundo, o projeto, bem sucedido aliás, era o de canalizar tal força de trabalho para a grande industria do culto ao corpo, magistralmente estabelecida em nosso país, e nas mãos de uma casta de poderosos empresários, garantidos por um CREF que respalda toda a iniciativa.
No Globo de 25/04/07, na reportagem sobre o PED, uma tirinha lateral da pagina enumera o que prevê o plano. Na penúltima inferência- Mais Educação- descreve: “Ações conjuntas dos Ministérios da Educação, Esporte, Cultura e Desenvolvimento Social para estimular a oferta de atividades escolares no contra turno das aulas. O governo vai financiar a construção de quadras esportivas nas escolas”. Ou seja, a integra do processo não pertence ao ministério de direito, e sim a um “pool” de interesses políticos, onde as verbas podem, e sabemos que serão, pulverizadas entre os diversos interesses partidários. Em um só ministério seria praticamente impossível, com verbas repassadas às escolas. Não foi atoa que o novo Secretário de Esportes é um estudante de medicina e ex-líder da UNE, e claro, do PCdoB. Este deveria ser, num país sério, um cargo técnico.
Eis o e-mail do amigo Luis:

Pseudo-Medicina ou Medicalização da Educação Física.

Na década de 60, dois Educadores, formados em Licenciatura de Educação Física, foram terminantemente contra a Educação Física ser incluída na área de Saúde: Paulo Murilo Alves Iracema e Mário Ribeiro Cantarino Filho.
Tendo formação dupla, como Licenciado em Educação Física e Bacharel em Medicina achei que ambos estavam errados, pois a Ed.Física cresceria como profissão ligada à Saúde, podendo se converter em uma das alavancas para a melhoria da Saúde, como se dizia à época e hoje se denomina como Promoção de Saúde, ou como aventavam Herodicus e seu influenciado, Hipócrates, em Prevenção de Doenças e Melhoria da Saúde.
Errado eu estava, o que reconheço com décadas de atraso.
Ambos previram que os LEF deixariam de ser Educadores e se tornariam auxiliares dos Médicos.
Mas tal fato também não ocorreu.
Ocorre pior.
Os Licenciados em Ed.Física embarafustaram no caminho evanescente e enganador do Metabolismo Energético baseado no enfoque restringente do VO2 e se autodenominam Fisiologistas sem terem experiência laboratorial em Bioquímica e Biofísica e tampouco em Fisiologia ou Metabolismo.
O que são, portanto?
Não dominando ou sequer conhecendo a alternância biológica da Fisiologia, a Patologia e a Etiopatogenicidade, não podem ser diagnósticadores, pois tampouco conhecem a Semiótica, realizam”AVALIAÇÕES FUNCIONAIS”, mas sem o caráter pragmático de avaliação de desempenho e com estas avaliações funcionais, baseadas em mensurações indiretas mediante parâmetros indiretos se propõem a avaliar o VO2 Máximo(ou o sub-máximo, vá lá)através da Freqüência Cardíaca-FC- apenas um referencial indireto- conseqüência de variações indiossincrásicas, sujeita a FC a fatores e influências biopsíquicas e sociais
e deste dado isolado e solto, se lançam em fazer diagnósticos clínicos, principalmente nas áreas das dislipidemias e patologias relacionadas a distúrbios metabólicos, tais como HipertensãoArterial e o Diabetes, cujos portadores não rotulam como doentes, mas sim portadores de condições específicas ou especiais…
Os LEF viraram pois praticantes de uma pseudo-medicina, pois não possuem formação médica, obviamente só conferida nas Escolas de Medicina e só faltam- talvez a maioria, deixo o benefício da dúvida, prescrever medicação aos indivíduos especiais. Alguns mais afoitos(ambiciosos, superficiais?)prescrevem medicação, sem nunca terem estudado Farmacologia.
Eis, pois que alguns se DOUTORAM, e aí usam indiscriminadamente o título de DOUTOR, na Sociedade, um título apenas ACADÊMICO E UNIVERSITÁRIO, esquecendo que quem chama os Médicos de Doutores. É a Sociedade, há algumas centenas de anos, em todas as Sociedades, talvez desde que o primeiro XAMÃ cuidou de um paciente, doente, alguém com alguma manifestação patológica.
Em frente. Pseudo-médicos,
MEDICALIZEM A EDUCAÇÃO FÍSICA, COMO NUNCA O FIZERAM OS MÉDICOS QUE CRIARAM A METODOLOGIA E A FILOSOFIA DE EDUCAÇÃO FÍSICA, mormente entre nós, nascido da Missão Militar de Joinvilleole-Point.

PS- Esse é o enfoque pelo lado médico da questão. O lado da educação física tenho manifestado em um sem número de artigos aqui publicados. A concordância de ambos os lados, de que a setorização da educação física na área da saúde prejudicou o aspecto educacional é inequívoco, ainda mais quando assistimos constrangidos o esvaziamento escolar, e o conseqüente aumento da juventude ociosa no país, e o pior, desprovida de saúde e de educação. Afirmo e reafirmo, o professor não pode ser formado como um paramédico. Educação é coisa bem mais séria. As grandes nações sabem muito bem disso.

DESCAMINHOS…

Quarto jogo da serie, ginásio repleto, e duas equipes jogando rigorosamente iguais. E de tal forma, que o pesado pivô de Assis foi substituído por um mais ágil e veloz. E tem mais, no quarto final as duas equipes atuaram com três armadores, mantendo somente um ala de fato e um pivô. Resultado? Um jogo extremamente rápido, com os armadores mais habilidosos se impondo pelos dribles, fintas e arremessos precisos, tanto na distancia, como nas penetrações. Obviamente, o numero de assistências foi bastante significativo, assim como as fortes marcações, principalmente nos dois últimos quartos. Com reservas mais experientes, a equipe de Assis chegou mais inteira no final da partida, conseguindo uma vitória que leva a decisão para um quinto e ultimo jogo.

Mas algumas particularidades do excelente jogo evidenciaram aspectos que o comprometeram como espetáculo esportivo, principalmente pela atuação de seus técnicos e da arbitragem.

Comecemos pelos técnicos. É inadmissível que dois professores se permitam instalar microfones em suas lapelas, para, em alcance nacional exibirem e destilarem um sem numero de intervenções altamente comprometedoras às suas importâncias como lideres, incentivadores e exemplos a serem seguidos por uma juventude ligada e interessada na apaixonante mensagem do esporte, com seus princípios éticos e de altíssimo cunho educacional. Palavrões eram emitidos sem cerimônia, aos borbotões, e até chamamentos de “cunho psicológico”, no entender de alguns, mas profundamente chocantes quando dirigidos a comandados em publico e em cadeia nacional- “Vai jogar c……! Vai te catar rapaz, até um moleque de juvenil é mais macho! Bando de frouxos…”. Os mesmos alguns podem argumentar que foi um chamamento, uma “chacoalhada na moçada”, etc,etc. Se em particular, no momento de um tempo pedido, e longe de ouvidos que não os da equipe, já seria um absurdo tal intervenção radical e violenta, imagine em rede nacional de TV, como um exemplo do que ocorre numa relação técnicos-jogadores! E desde quando um técnico sério se permite dirigir e orientar uma equipe composta de frouxos? E estes, não se considerando como tais, se permitem ser dirigidos com tanta violência verbal, e o pior, publicamente manifestada? Se a vitória ao final justifica tais atitudes, de ambos, jogadores e técnicos, algo está profundamente errado em nosso já tão errado basquete.

E de tal forma a importância da TV incide em certos comportamentos, que vimos e ouvimos uma admoestação de um dos juizes a um dos técnicos reclamantes- “Vai na televisão, veja o tape, veja que você está errado…”, e mais adiante-“ Não reclame, apitei a seu favor antes”. E o pior ainda estava por vir. Final do jogo, diferença de poucos pontos para Assis, e um copo é lançado na quadra. A falta técnica é marcada, como recomenda o regulamento da competição. De imediato um técnico acusa o outro de ter lançado o copo na quadra, mas o juiz não contra-argumenta, dando seguimento à cobrança da falta marcada. Jogo que segue com chances de vitória para qualquer um dos competidores. Então, numa decisão clássica de compensação,é marcada numa falta comum, uma ação anti-desportiva, sacramentando o resultado do jogo. Caberia agora a todos nos dizermos ao salomônico juiz, “vá ver sua infeliz decisão na TV”. Faria todo o sentido, ou não?

Quanto a acusação publica de quem lançou ou não o copo na quadra, aquela se perde nos afagos declaratórios de admiração e orgulho que ambos nutrem um pelo outro, manifestos ao termino da terceira partida, também transmitidos em rede nacional de TV, sempre ela, imutável e testemunha de tantos descaminhos. Salve ela! Talvez não…

EVOLUINDO, APESAR DE TUDO.

Assis e Franca seguem empatados para o terceiro jogo no sábado, agora na casa do primeiro. Duas equipes que se apresentaram rigorosamente iguais em suas propostas ofensivas, ambas se utilizando de dois armadores, e até três em momentos do jogo, trabalhando mais no drible e na finta, do que nos passes. A única diferença estava nos pivôs, já que Assis se utilizava de um centro pesado e bem mais lento do que os pivôs de Franca. No momento que a equipe de Assis substituía o pesado pivô por outro mais ágil, nitidamente equilibrava as disputas de rebotes nas duas tabelas, e graças à boa técnica de seus dois armadores, Di e Fulvio, conseguia se manter na dianteira do placar, pois ambos são excelentes arremessadores. Pelo lado de Franca, com seu agora costumeiro jogo de seguidas e bem executadas penetrações, somente se ressentiu de um evidente desgaste pela maratona de jogos que vem enfrentando, contando com poucas peças de reposição para o necessário rodízio. Defensivamente, ambas as equipes, graças às escalações de jogadores rápidos e habilidosos, desenvolviam forte anteposição ante jogadas que conhecem de cor, o que facilita em muito o jogo de antecipações. O grande fator positivo é o de vermos equipes fugirem aos poucos do rame-rame de passes em torno do perímetro, em nome de uma coreografia retrógrada e restritiva. O exemplo de Franca priorizando os fundamentos básicos do jogo encontrou na equipe de Assis um bem articulado seguidor, a ponto de vencê-la na primeira partida. Acredito que pequenos, porem decisivos passos, podem iniciar uma retomada do nosso verdadeiro basquetebol, criativo, audacioso e principalmente, veloz. De tal forma Franca evoluiu, que segundo o relato de um dos repórteres que transmitiam o jogo, seu técnico, no treino da manhã reclamava que a equipe estava chegando na zona de arremessos com 12 segundos em media, o que acarretava maior tempo de posse de bola para o adversário. Creio que deveria o técnico francano agradecer aos deuses tal disposição e técnica ofensiva, pois passaria a dispor de duas opções valiosas, a de concluir seus ataques em 12-16 segundos, ou estendê-lo até os 22-24 segundos. Feliz da equipe que possa sempre atuar com a possibilidade de tais escolhas.

Se houver continuidade nas propostas que apresentaram até agora, com suas corajosas e bem vindas mudanças, a tendência é que as demais equipes do país revejam seus conceitos mais do que estratificados, e evoluam para algo bem mais desejável, o reencontro do nosso verdadeiro basquetebol.

Mas, como nada é perfeito, os mesmos técnicos que nos brindavam apresentando equipes muito bem treinadas e personalizadas, também nos brindaram com atitudes que quase comprometeram seus bons trabalhos. O de Franca, como numa recaída, abandonou sua postura reflexiva dos últimos jogos, e acredito, pela pressão em torno da equipe e de sua necessidade de vitória (será?), voltou a levantar a imensa torcida contra a arbitragem, sendo seguido pelo de Assis, nos comportamentos agressivos e desrespeitosos, que mereciam exclusão, e não admoestações e bate bocas com os juizes. Palavrões lamentavelmente voltaram a ser vertidos, lançados ao ar por um mar de microfones, que estes sim, deveriam ser sumariamente proibidos, pois prejudicam em muito o trabalho dos técnicos quando enfiados goelas abaixo na ânsia de exclusividade. Infelizmente, são aceitos pelos próprios técnicos, como um mal menor, se comparados ao ridículo balé que executam nas laterais da quadra. Não fica bem a um sexagenário tais exibições coreográficas, e nem precisa disto para exercer seu bom trabalho. O outro técnico deveria saber que uma equipe joga com cinco, e não seis na quadra, pois em varias ocasiões o mesmo gesticulando desbragadamente invadia o recinto onde somente os jogadores deveriam estar. E assistindo todo esse circo, três juizes, isso mesmo, três ilustres juizes em sua discretas camisas abóbora fingiam nada ver, como os três macaquinhos que não vêem, não ouvem e não falam. Para tais nulidades, dois bons juizes seriam suficientes, como deveria ser em um país pobre como o nosso. Que outro estado poderá manter arbitragens em trinca como São Paulo? A bem da verdade, nem o próprio deveria adotar tal disparidade. A FIBA exige? Que ela pague o terceiro, e estamos conversados. O resto é pura imitação do primeiro mundo. Ser, e o pior, gostar de ser colono é lamentável.