CORAJOSAS INOVAÇÕES.

E o Final Four chegou ao final, e com uma bela apresentação da estupenda equipe da Florida University, que deteve com maestria o ataque de Ohio e seu vetusto Greg Oden. A grande e bem-vinda novidade foi a confirmação de que nem todos professam o passing game na terra americana, e que novos e promissores ventos começam a soprar em direção a uma maior similitude do jogo ultra tradicional do basquete universitário americano com o praticado na Europa. O drible consciente e incisivo, sempre voltado em direção à cesta, assim como os passes semi-cegos desenvolvidos durante, ou logo após um processo de corta-luz, em ações antecipativas a qualquer reação defensiva, dotaram a equipe da Florida de um arsenal letal de pequenas escaramuças fora do perímetro, através seus habilidosíssimos armadores, e próximo á cesta nas constantes mudanças de direção de seus altos, rápidos e também habilidosos alas e pivôs. Não fosse o tempo de posse de bola de 35 segundos e teríamos um sistema de jogo muito próximo ao dinamismo das equipes européias, que muitos classificam de academicamente lentas. Um placar de mais de 80 pontos não pode ser caracterizado como de um jogo lento e controlado, ainda mais sob tal regime de posse de bola. Acho profundamente interessantes certos depoimentos de analistas sobre reformas, descobertas e lançamentos de modernas táticas e sistemas de jogo, sem que determinem, expliquem e demonstrem os teores dos mesmos. Simplesmente os anunciam, mas não enunciam, debatem, mas não explicam, promovem, mas não justificam. Revoluções táticas e sistemas modernos e avançados são anunciados e divulgados sem um mínimo de clareza do que realmente se tratam, a não ser pela insistência de que um ou outro jogador de maior talento os lideram e desenvolvem em suas equipes. No basquete universitário americano, de pétreas tradições, mudanças e novos ares custam muito a desabrocharem, pois o princípio que rege o inabalável prestígio dos técnicos, não só no seio das equipes, mas também no âmago das comunidades que as mesmas pertencem, torna o novo, o inédito, o avançado, um prato de difícil assimilação, pois põem em risco conquistas de muitos anos, tanto pelas instituições, como pelos técnicos.

Florida inovou em dotar sua equipe de grande velocidade em todos os seus setores, ao jogar com pleno equilíbrio tanto fora, como dentro do perímetro, e principalmente, por ter exercido a mais perfeita definição de defesa linha da bola, fosse marcando individual, zona ou pressão toda a quadra, indistintamente, sorrateiramente, em trocas permanentes por toda a partida. Ohio acertou sua única bola de três pontos nos 5 minutos finais do jogo. Seu técnico soube escolher os jogadores certos e adequados às suas propostas, ensaiadas na temporada passada, e sedimentadas na que ora findou, ambas conquistando os campeonatos. Fico imaginando o que poderiam alcançar se continuassem por mais uma ou duas temporadas, já que quase todos poderiam fazê-lo pelos regulamentos da NCAA, mas que desde já um movimento de dissolução do plantel, dos jogadores pelo draft profissional, e do assedio que seu excelente técnico passou a sofrer pelas universidades derrotadas, ameaçam sua continuidade. Pena, pois tal continuidade poderia, enfim, ditar os caminhos para o soerguimento internacional do basquete americano, e não deitar de lado a pequena revolução que desencadearam nesses dois anos de inovador trabalho. O peso dos dólares da liga maior são poderosos argumentos neste mundo globalizado, e agentes e investidores não perderão tempo com picuinhas olímpicas e mundias , afinal de contas seu torneio é conhecido como Basketball Worldchampionship, e estamos conversados.

Em tempo- O sistema de jogo da Florida, inovador ante os rígidos padrões das demais equipes se fundamentava nos seguintes princípios:

A- Sua defesa seguia os princípios da linha da bola com flutuação lateralizada, fosse marcando individualmente, fosse por zona, e sempre quando exerciam a defesa por toda a quadra. A flutuação lateralizada, ao contrário da longitudinal à cesta, poucas chances oferece ao adversário para os arremessos desmarcados de três pontos, já que obriga os passes em elipse, onde a recuperação linear defensiva propicia uma anteposição imediata e equilibrada, assim como situa seus defensores em posições de interceptação, que ocorreram em muitas situações, propiciando alguns dos contra-ataques que definiram a supremacia no marcador. B- No ataque, o jogo de duplas com incidência de corta-luzes externos colocavam o receptor do passe antecipado de frente para a cesta, obrigando a cobertura defensiva, anulando a dobra sobre o pivô, deixando-o sempre na situação de 1 x 1, que foi fatal para Ohio. C- Dispôs permanentemente os três homens altos em triângulo no garrafão de Ohio, dominando o rebote ofensivo em muitas ocasiões. D- Exerceu o rodízio de seus pivôs, principalmente visando a marcação do Greg Oden, que não agüentou o embate no transcorrer da partida. Somente num ponto a equipe da Florida falhou em algumas ocasiões, a saída da marcação pressão, provando que nada é perfeito em se tratando de uma competição desportiva.

CÚMPLICES DO CAOS.

Nos últimos meses muito se tem dito e escrito sobre o futuro da seleção brasileira nos próximos compromissos do Pan e do Pré-Olímpico. A numerosa comissão técnica afiança que a equipe brasileira disputará os dois torneios com sua força máxima, inclusive com os vultosos seguros garantidos e as verbas para pagamentos asseguradas. Não será por falta de dinheiro que a seleção não se apresentará completa. Mas, será que tal prognóstico representa a verdade? Teremos os grandes astros vestindo, enfim, a gloriosa camiseta? Ou, tudo não passa de fogos de artifício iluminando com suas cores o imaginário do torcedor comum, do articulista

de primeira viagem, do cronista empolgado, ou mesmo, do mais empedernido macaco velho de plantão? Sem duvida o macaco velho já viu todo esse colorido em outros carnavais, e dificilmente se deixará levar por tais leviandades. Já se discutiu dos porquês da negativa sistemática do Nenê, assim como das grandes dificuldades que nossos jogadores terão para se desvincularem de suas equipes da NBA, quando das épocas das competições, passando pelos básicos seguros, as gratificações pecuniárias, até seus relacionamentos com a comissão técnica. Claro, que o fato de vestirem o uniforme brasileiro, perante tantas prioridades discutidas, analisadas e bem pesadas, fica um tanto fora das grandes discussões e mencionadas prioridades, a não ser por um minúsculo pormenor, quase invisível, inaudível, até certo ponto ridículo, o fato de que tal uniforme, mesmo desacreditado e humilhado pela incúria das últimas lideranças, ainda pode servir de vitrine para catapultar candidatos à estrelas nos cenários milionários da NBA e dos grandes clubes europeus. Em uma entrevista dada ao Denver Post de ontem, transcrita pelo site Globosport.com>Basquete, o jogador Leandrinho do Phoenix Suns, assim se refere ao jogador Nenê que se nega jogar pela seleção-“Ele não quer ir.

Eu disse a ele que agora não é preciso pensar no que é certo e no que é errado. Temos que ir lá e jogar basquete, garantir vaga nos grandes torneios e pensar nos amigos que estão no Brasil à procura de uma oportunidade para jogar. Precisamos ajudar esses caras. E a única forma de ajudar é jogando pela seleção e levantando o basquete brasileiro”.

E pensar que num passado nem tão distante assim, jogar pela seleção era o ápice que qualquer jogador poderia aspirar, se orgulhar, se comover, sentindo-se cidadão e exemplo para os jovens desse infeliz país. Hoje, serve de vitrine na promoção de amigos e apaniguados, inclusive seus numerosos técnicos, que abdicam de suas lideranças em concluios visando dirimir e aparar divergências, numa perigosa e comprometedora inversão de valores, como a declaração do jogador Marquinhos ao mesmo site-“O Lula me ligou, e botamos um ponto final na história”. Ou seja, um dos técnicos da comissão liga para um jogador dissidente e acerta uma posição que deveria percorrer o caminho inverso, pois comando é via de mão única, garantia de isenção e postura decisória. Exatamente pela falta quádrupla desse posicionamento, que determinados jogadores se colocam como xerifes e lideres de um grupo fechado, opinando inclusive sobre normas comportamentais de quem deve ou não jogar pela seleção.

Creio que não devemos mais perder tempo na procura do que ocorre de errado no âmago de nossa seleção. Falta-nos os mais primários princípios que regem a atividade coletiva, ou sejam, liderança, conhecimento, competência, doação e por que não, por que não, patriotismo, sentimento que se sente cada vez mais impotente ante a avalanche de dólares e euros correndo e escorrendo por entre os dedos de alguns poucos jogadores e seus sagazes e frios empresários, para os quais globalização não pode ser freada ou tocada por sentimentos inferiores. Se passássemos a ver o desporto com os olhos esperançosos de um povo educado e culto, a crueza da globalização até poderia coexistir com os sentimentos de nação. Mas essa é uma história que ainda teremos de escrever. Até lá, o posicionamento do Leandro, do Nenê, da comissão técnica e dos dirigentes é que definem o nosso malfadado presente.

O PODER DOS TÉCNICOS…SE UNIDOS.

Recebo um e-mail do amigo Pedro Rodrigues de Brasília comentando sobre a próxima criação da Associação de Técnicos do Distrito Federal, estando seus estatutos já em mãos de um advogado para que a mesma venha a atender os ditames legais para o seu funcionamento. Eis uma excelente notícia, dando uma clareada no nebuloso céu do nosso basquetebol. Técnicos capixabas também se organizam para fundarem sua associação, faltando somente que a APROBAS, com sede em São Paulo, se reestruture como uma associação regional, e não nacional como se auto-promoveu desde sua fundação quatro anos atrás. Teríamos três estados importantes liderando essa nova realidade, a união associativa de seus técnicos, com todas as benéficas implicações que adviriam da mesma, nos aspectos profissionais, técnicos e até certo ponto políticos também. Seria de suprema importância que os técnicos dos demais estados seguissem os exemplos acima citados, inclusive trocando opiniões sobre as melhores formas de redigirem seus estatutos, obedecendo a suas regionalidades, estabelecendo os processos administrativos e técnicos dentro de suas realidades e posses, e integrando suas realizações e experiências visando o bem comum, para um futuro e hoje exeqüível banco de dados, que seria a pedra filosofal da futura associação nacional, aquela que realmente representaria os desejos e expectativas dos técnicos deste imenso país, pertencentes aos centros mais desenvolvidos, e aos de menor calado, igualando a todos no recebimento das melhores técnicas, as mais decisivas inovações, que seriam aplicadas dentro das possibilidades de cada um, dentro do realismo de seu dia a dia. As trocas experimentais e a publicação democrática de seus trabalhos e experiências, circulariam mais desenvoltas, dando a todos as oportunidades de estudo, reflexão e desenvolvimento profissional. Com o poder da Internet, cada site de uma das associações seria a matéria prima para o encontro de nossa verdadeira dimensão basquetebolistica, independendo de regionalismos e restrições econômicas e sociais, para a consecução daquele objetivo maior, a verdadeira compreensão do que venha a ser o basquete brasileiro. Sugiro que as três associações que ora estabelecem suas criações, que organizem um kit-associação, composto de espelhos de regimentos e estatutos, de setores que comporão as mesmas nos aspectos administrativos e técnicos, assim como sugestões para a captação de recursos para os seus funcionamentos, a fim de que os técnicos dos demais estados, na posse desses elementos, possam vir a constituírem organizações dentro de suas realidades regionais, mas aptas para o conveniente intercâmbio de idéias e realizações, sem as quais a futura associação nacional não poderia se estabelecer dentro de ditames democráticos, base inalienável de seu verdadeiro papel discursivo na busca do soerguimento do nosso basquetebol.

Conclamo todos à luta por estes ideais associativos, mesmo sabedor do grande atraso que ostentamos com relação aos países que hoje lideram a modalidade no mundo, mas sempre lembrando que no tempo passado em que éramos os lideres mundiais, associações de técnicos deram os primeiros e decisivos passos para se estabelecerem entre nós, fui inclusive o idealizador e um dos fundadores da primeira delas, a ANATEBA, e só não frutificaram por obra e força da CBB, contrária às lideranças que se estabeleciam, e que faziam sombra às suas medíocres direções. Mais do que nunca precisamos unir conhecimentos e ações que promovam uma verdadeira revolução no fundo do poço em que nos meteram, para de lá sairmos fortes e determinados à retomar nosso lugar no mundo do basquetebol. Amém.

ANATOMIA DE UM ARREMESSO III

Nos dois artigos anteriores sobre a anatomia de um arremesso, pudemos conceituar alguns princípios de controle direcional da bola, através o domínio do eixo diametral determinado no momento da soltura da mesma em direção à cesta. O posicionamento dos dedos polegar e mínimo em paralelo ao nível do aro, e eqüidistante dos bordos externos do mesmo, garantindo por projeção o idêntico posicionamento do eixo diametral da bola, estabelece o correto direcionamento do arremesso, em concordância com os dois outros fatores inclusos, a força e a trajetória. Aos demais dedos cabe a aplicação progressiva de força e aceleração, fazendo com que a bola gire inversamente em torno do eixo diametral estabelecido à partir daquele momento. Quanto mais distante da cesta, mais estes princípios de direcionalidade se tornam críticos, pelos mínimos desvios angulares responsáveis por imprecisões no lançamento.No entanto, sejam arremessos longos ou de media e curtas distancias, um outro fator se estabeleceu entre nós como de relevante importância, a estética do arremesso, onde o corpo e membros inferiores e superiores deveriam se manter em total equilíbrio estável, num todo harmonioso e elegante. Claro que nos longos arremessos este posicionamento poderia até estabelecer poucos desvios de trajetória e direção, mas nas medias e curtas distancias, principalmente nos arremessos após paradas bruscas e em total elevação, dificilmente os equilíbrios corporais se manterão sob controle, fator que para muitos tornam restritivas as tentativas nestas condições. Mas é exatamente neste ponto que o domínio do eixo diametral se torna fundamental, pois permite que se façam lançamentos precisos mesmo nas piores condições de equilíbrio corporal, bastando que se desenvolva a habilidade de manter o eixo sob controle direcional, em obediência aos princípios abordados e explicados anteriormente. Para ilustrar esse domínio, escolhi um arremesso curto em um dos jogos das finais da NCAA dessa temporada( fig.1), onde podemos observar que o eixo vertical x-y, que passa pelo centro de gravidade do jogador, situado na região pubiana, em ângulo reto com o solo, determina o grande desequilíbrio espacial do mesmo, mas, que mesmo assim, os dedos polegar e mínimo (fig. 2) se ajustaram nos princípios de direcionamento ( a-b), mantendo o eixo diametral paralelo ao nível do aro(c-d).

Dessa forma, afasta-se a necessidade do equilíbrio perfeito e estético como fatores necessários ao correto direcionamento da bola, e dá-se lugar ao posicionamento da mão impulsionadora como responsável pelo mesmo, não importando o posicionamento do corpo quanto ao equilíbrio espacial. São fatores que subvertem bastante certos princípios arraigados nas rotinas de treinamento da maioria de nossos técnicos e jogadores, que se bem orientados e com um bom conhecimento de causa poderão incutir e desenvolver maiores recursos de arremessos , mesmo que não muito ortodoxos. Acredito que valha à pena treinarmos tais tipos de arremessos, quando muito na tentativa válida de acrescentarmos recursos de controle e domínio de bola em sua sempre enigmática trajetória para a cesta. Sei que vale, pois muito os treinei e ensinei, com excelentes resultados. Tentem também, pois os arremessos conscientes passam pelo completo conhecimento de seus princípios e comportamentos espaciais.

A NBA E SUA CLAQUE.

Após três etapas o torneio da NCAA vai se aproximando do Final Four,

quando será definido o grande campeão da temporada. Com as transmissões da ESPN e do site da NCAA pude acompanhar com bastantes minúcias a maior parte dos jogos, fator restritivo à maioria dos jovens brasileiros que não possuem TV à cabo ou Internet em banda larga.

Mas mesmo assim, muitos deles acompanharam os jogos beneficiados pelo horário acessível. Em se tratando de uma competição universitária,

num país que leva o esporte à serio, esperava-se que os comentaristas brasileiros destes jogos enfatizassem a grande e decisiva importância que a dualidade esporte-educação representa na vida de todos aqueles jogadores.

Em uma única intervenção, um deles mencionou que a participação nas equipes exigiam de cada atleta um grau de no mínimo 2 pontos de aproveitamento escolar, numa escala de 1 a 5 pontos. Recentemente, em um filme passado entre nós, que retratava a vida do Coach Carter, este exigia sob contrato que os seus jogadores atingissem 2,5 pontos na escala para poderem jogar pela equipe de sua escola. E este foi o único momento que se tocou no assunto. Os demais comentários sempre se pautaram nas oportunidades que todos aqueles jogadores estavam tendo para entrarem no mundo da NBA, ou nas ligas européias, com seus salários que se aproximam cada vez mais daquela. A insistência nestes pontos, totalmente direcionados à profissionalização foram comuns a ambos os comentaristas, que exaustivamente apontavam aqueles que mais chances teriam em ser draftados pelas equipes profissionais, e pelo fato de que para muitos deles ao serem derrotados estariam se despedindo da vida atlética, como se aquele torneio não tivesse outra finalidade que a escolha dos melhores para a NBA e as ligas européias.Ironicamente, alguns comerciais descreviam exatamente este ponto, o de que todos aqueles jogadores poderiam se tornar médicos, advogados, professores , físicos ao término de sua participação desportiva, vencendo ou não os torneios. Mas estavam em inglês, limitando sua compreensão pela maioria de nossos jovens espectadores, e que não mereceram em nenhum momento um comentário que fosse à respeito de suas importâncias. Para os comentaristas o fator relevante era o estágio que alguns daqueles jogadores estariam obrigados a fazer nas universidades antes de poderem se transferir para as equipes profissionais, onde os milhões seriam mais importantes que um diploma superior. Exatamente pelo afrouxamento da obrigatoriedade da complementação do curso superior, que a NBA vem enfrentando uma acentuada queda na disciplina e no relacionamento dentro das quadras, motivadas pelo baixo preparo intelectual de muitos daqueles jogadores que, em numero cada vez maior, ascendem ao profissionalismo vindo diretamente das escolas secundárias e de países europeus, africanos e latinos. O desporto universitário americano têm uma histórica relevância na vida daquele país, não só na formação de grandes atletas, como em suas inserções no mercado de trabalho de alto nível para àqueles que não puderam seguir os caminhos do profissionalismo, ou sejam, a grande maioria. Perdem uma preciosa oportunidade os nossos comentaristas em colocarem em primeiríssimo plano o fator educacional e formativo dos jovens jogadores, em vez de se estenderem em opiniões de quem deveria ascender à NBA, como se para a realidade do basquete brasileiro fosse essa a única esperança para os nossos aspirantes a craques. Quantos de nossos ranqueados jogadores nos Estados Unidos e Europa preenchem seus tempos livres investindo em um curso superior, mesmo como ouvintes? Ou o mais importante é o sucesso da moda em seus ipods ou o penteado e a roupa de grife como marcas pessoais? Sabemos que com extremos sacrifícios, muitos de nossos atletas de elite, e não só no basquete, investem em sua educação, até na área superior, sem o apoio que deveriam ter de seus clubes, e que servem de exemplos a serem seguidos, mas, numa oportunidade impar, pois através um meio de comunicação massivo como a televisão, comentaristas se perdem em projeções de quem será draftado ou não pela NBA, em vez de enfatizarem o que realmente representa o March Madness para aquelas multidões que abarrotam os ginásios e a super audiência televisiva, compostas de antigos jogadores, seus familiares, ou mesmo alunos daquelas universidades, que com suas bandas e líderes de torcidas promovem o grandioso espetáculo de amor e reconhecimento que possuem de suas escolas, e, principalmente, o que devem às mesmas em preparo para as suas vidas, vencendo ou perdendo os torneios.

Infelizmente para nós, culturalmente superiores a eles, o que importam são os milhões, ou os poucos caraminguás que possamos amealhar das sobras que dispensam no dia a dia. Globalização e colonialismo é isso ai minha gente.

Prefiro o acesso via Internet, mesmo com seus irritantes congelamentos, mas pelo menos vejo e escuto os jogos em sua verdadeira dimensão, e não como palco de uma enorme e pungente frustração que assaltam nossos diligentes jornalistas, incapazes de usarem seu formidável instrumento de trabalho em prol de uma juventude, mesmo restrita pelos canais privados, mas ávida por mensagens, exemplos e incentivos que verdadeiramente enriqueçam suas vidas, fundamentadas no estudo, na arte e nos desportos, base cultural de um povo. NBA é detalhe para uns poucos. Educação é tudo para a maioria, pois faz parte dos direitos inalienáveis de toda nação que se considera séria.

NENÊ RIDES AGAIN…

E ai está o Nenê de volta, não para jogar pela seleção da qual afirma sentir falta, mas para condicionar tal participação após ocorrerem mudanças no comando do basquete nacional. Na reportagem no O Globo de ontem, comenta-“Sinto a necessidade de apontar o que está errado. Sinto falta de jogar pelo Brasil. Falaram muito sobre mim, houve especulação, mas sinto saudade, sou brasileiro e nunca virei as costas para o meu país”. Mais adiante continua-“Está mais do que na hora de se fazer a autocrítica e tentar salvar o basquete. Temos bons jogadores, potencial e público. Basta que os que comandam se mexam, conversem e resolvam os problemas. Que deixem a vaidade de lado, para o esporte retomar seu caminho e crescer, antes que seja tarde demais”.Acrescenta mais-“ O mundo inteiro joga basquete, em parte, como conseqüência da internacionalização da NBA.A liga começou a abrir espaço para os estrangeiros quando viu que havia basquete fora dos Estados Unidos, e quando viu que todos estavam jogando e que havia qualidade”. E finaliza-“A diferença é grande entre o Nenê que chegou e o Nenê que está hoje na NBA, não somente física, mas de amadurecimento. Na NBA, ou você é profissional ou não vai longe. Precisa mostrar resultados, mostrar serviço todos os dias”. Em síntese, este é seu o posicionamento, justificando o distanciamento da seleção para o Pan, e também para o Pré-Olímpico.

Comentemos um pouco acerca de tais declarações. De alguma forma Nenê deve sua projeção à seleção, pois foi num Goodwill Games na Austrália que despertou interesse nos olheiros americanos. Foi para os Estados Unidos como um ala-pivô de grande mobilidade e velocidade, habilidades estas destacadas por um físico atlético excelentemente equilibrado, e por isso, com as articulações bem dimensionadas às exigências de sua posição. Lá, desvirtuaram suas características, e por conseguinte seu físico, tornando-o um brutamontes para o exclusivo jogo under basket. Deu no que deu, suas articulações não suportaram o esforço e se romperam, e o pior, deixou-o à meio caminho entre ser um ala, ou um pivô de choque. No processo de engorda, negou-se a participar em seleções, já que o preparo eram em pré-temporadas, onde o acúmulo de proteínas, vitaminas e outras inas, são um lugar comum ao acesso restrito e doloroso à maior mina desportiva do mundo, onde os milhões se contam para mais dos 20 dedos que compõem o corpo humano. O outro pivô, Baby, não tomou os devidos cuidados nos prazos de validade e efeitos dos tais aminoácidos, e levou uma suspensão de dois anos da FIBA. Na quarta temporada, recuperado da séria cirurgia, 17 kg mais magro, e por isso atenuando bastante os esforços nas articulações dos joelhos, e atuando, por estar mais veloz, como um ala-pivô, vem fazendo jus aos 60 milhões de dólares de seu contrato. Em sua ótica de menino pobre do interior, nada que possa vir a ameaçar seu atual posicionamento deve ser esquecido, inclusive, e mais do que relevante, arriscar seu tênue equilíbrio físico-mental, em uma competição que possa por em risco o que alcançou com tantos sacrifícios e renúncias.

Mas, sempre o mas, como se situar perante a opinião pública de seu país, aquele que afirma amar e nunca esquecer, e até sentir saudades de jogar pela seleção? Pessoalmente, ou assessorado, não importa a forma, a saída, muito boa saída, é o ataque à administração caótica da CBB, com alguns rasgos de apôio aos outros jogadores e jogadoras que se antepõem a tal situação, principalmente quanto aos seguros e diárias não pagas, assim como as não tão veladas críticas à comissão técnica da seleção. Quanto às demais observações de caráter administrativo, até mesmo de política desportiva, cai no lugar comum de que tudo está errado, e que os verdadeiros desportistas deveriam abrir mão de suas vaidades e se unirem para a salvação do basquete brasileiro. Só uma ressalva, nenhum dos que aqui estão, dentro, ou fora das quadras, sequer sonham em se aproximar do que ganha para alimentar suas também vaidades, como os penteados, uniformes de grifes, e emissão de pontos de vista que nem de longe pensa em praticar, pois ao tentar fazê-lo poderia por em risco o que amealhou com seu trabalho nos últimos 3 anos. Seus argumentos, mesmo superficiais dialeticamente falando, se tornam poderosos na medida que adiam sine-die todo e qualquer posicionamento definitivo. Querem culpados pela atual situação do basquete brasileiro? Procurem e queixem-se ao mais próximo bispo de plantão. E quando o tal bispo escutar, auscultar e resolver a questão estarei pronto para envergar a gloriosa jaqueta verde amarela do meu amado país, milhões à parte e garantidos.

That’s the question.

PS- A internacionalização do basquetebol foi garantida desde a sua criação no seio da ACM, organização que levou aos mais recônditos lugares do planeta o grande jogo e sua mensagem coletivista. Se os americanos custaram, por teimosia e isolacionismo(vide as regras), reconhecerem sua existência out murals, é outro negócio, e que negócio!

MUDANDO CONCEITOS.

Nada mais prazeroso para um analista do que testemunhar a gradual e segura evolução de uma equipe brasileira, que foge do padrão imposto ao nosso basquetebol pela quase totalidade das equipes, indistintamente, se de base ou elite. A equipe de Franca, seguramente fugiu da mesmice técnico-tática que nos tem afligido nos últimos anos, ironicamente pelas mãos e ações de personagens que em muito ajudaram na implantação do sistema único de jogo, responsável pela débâcle do nosso basquete, e que alcunhavam pomposamente de “basquete Internacional”. O que vemos e assistimos atualmente, é uma equipe que de certa forma se auto-subverteu, pois composta basicamente por técnico e jogadores profundamente arraigados ao velho e tradicional passing game, de repente, como um pequeno milagre, inclusive pela evolução de veteranos jogadores, provando que nunca é tarde para acrescentar novas técnicas e movimentos, partem para uma renovação de conceitos técnicos, em antítese ao que apresentavam nos últimos anos. Jogar com dois, e até três armadores, e com homens altos habilidosos, rápidos e em deslocamentos constantes no perímetro interno, sem dúvida nenhuma tem apresentado excelentes e convincentes resultados, inclusive agora, no campo internacional. Na defesa então, os resultados têm sido magníficos, pois se utilizando de uma atitude antecipativa na linha da bola, somente possível em uma equipe composta em sua totalidade por jogadores flexíveis e velozes, solidificou um sistema defensivo antes frágil e de presença constante no combate ao PG, que é maciçamente utilizado no globalizado basquete mundial. Para que a consistência defensiva se tornasse eficiente por toda uma partida, falta ainda corrigir alguns posicionamentos em campo, principalmente na marcação à frente dos pivôs, com o conseqüente aperto da marcação do homem da bola, evitando ao máximo que esta chegue em boas condições de passe no âmago do garrafão. Ofensivamente, a ação dos armadores deveria se desenrolar com os mesmos bem mais próximos, ajudando-se mutuamente, inclusive nos corta-luzes, evitando dessa forma que um dos pivôs saia do garrafão para executar tal movimento de bloqueio, desfalcando o rebote ofensivo, e prejudicando um mais preciso posicionamento para a realização do mesmo. No jogo dessa noite contra a equipe do Uruguai, muitas dessas modificações técnico-táticas concorreram eficientemente para o sucesso do grupo, bem dirigido por um técnico que aos poucos abandona a intempestividade, substituindo-a por um posicionamento mais reflexivo e declaradamente evolutivo. A equipe de Franca resgata aos poucos a nossa maneira de ser e de jogar, o que é muito bom, e nos dá esperança de dias melhores. Espero que não fiquem por aí, e que não desistam de evoluir, para que possamos de uma vez por todas enterrar “os conceitos modernos do basquetebol internacional” tão difundido e divulgado por seu bom técnico, que corajosamente reavalia seus conceitos, o que é elogiável. Torço para que a equipe francana vença a inércia e abra novos caminhos ao nosso sofrido e maltratado basquete. Amém.

LOUCURAS DE MARÇO, ANÉIS E…CATS.

Computador consertado, estruturado, clarificado e limpo de poeiras internas e externas, pronto para mais uma coletânea de artigos nem sempre pertinentes ao querido basquetebol, esquecido pela mídia e minimizado pela maioria de nossos cronistas, exceto por uma plêiade de blogueiros de primeira qualidade. Então, vamos à luta!

Foi uma semana repleta de jogos, dos mais variados matizes, aqui e lá fora, sobressaindo-se os da NCAA em seu março de loucuras. Vimos bons jogos e outros nem tanto, com duas ou três equipes realmente diferenciadas, num universo que prima pelo sistema do passing game, enquadrado pela posse de bola de 35 segundos, onde a estrela maior e absoluta é a comissão técnica das equipes, secundadas por alguns bons e promissores jogadores, principalmente aqueles que divergem na quadra de alguns esquemas desenhados nas pranchetas de alguns técnicos que se acham, e até são considerados pela imprensa de seu país, acima de qualquer julgamento. Nada mais constrangedor do que a exibição ostensiva de um anel de campeão, através movimentos declaradamente ensaiados, seja na direção da equipe, seja nas entrevistas, e até observando “distraidamente” um jogo, por parte do vaidoso Rick Pitino, que tem como carro-chefe de sua atuação a exigência da marcação pressão toda a quadra por todo o tempo de uma partida. Fora isso, tome de passing game, como a maioria de seus colegas. A globalização desse sistema tem na NCAA todo o embasamento de que precisa a NBA para mantê-lo e desenvolvê-lo no mais alto nível possível. Mas justiça seja feita, em matéria de fundamentos o basquete universitário americano ainda se mantém como uma das grandes escolas no mundo, o que garante a concepção e execução do sistema único de jogo.

Mas, para justificar a regra, pelo menos duas equipes “destoaram” da mesmice reinante, UCLA e Florida, exatamente as finalistas do ano passado, com suas equipes de altíssima movimentação, ótima defesa, e constante troca de funções na quadra, provando que jogadores que dominam os fundamentos, pivôs, alas ou armadores, se destacam muito além de um sistema de jogo, mesmo que este seja o indefectível PG.

Alguns excelentes jogadores se destacaram nas diversas equipes, principalmente os armadores, que é, e sempre foi a grande arma dos norte-americanos no concerto internacional, ainda mais quando têm de manter uma equipe sob controle a cada ataque de 35 segundos, assim como têm de liderar suas defesas pelos mesmos 35 segundos ante seus adversários. Claro, que ao saltarem para as competições cujo tempo limite é o de 24 segundos, esse treinamento físico, técnico e mental fazem dos mesmos jogadores com altíssimo grau de controle e leitura do jogo. Por isso, sempre propugnei que fosse adotado em nosso país os limites de 40 segundos para categorias até os infantis, e 35 segundos para infanto e juvenis, Daí para diante os 24 segundos seriam adotados. Seria uma atitude de respeito ao desenvolvimento gradual por que passam todos os jovens em sua maturação física e mental, dando aos mesmos a oportunidade de um aprendizado seguro e dentro do ritmo de cada um.

Para esta semana, com os 16 classificados poderemos assistir jogos mais equilibrados, mas não muito diferentes taticamente falando, dos que até agora foram jogados, e torço para que, não só UCLA e Florida, sejam aquelas mais diferenciadas, e que outras mais apresentem algo de realmente novo. Duvido que isso possa ocorrer, já que a globalização e pasteurização do grande jogo é passagem de ida na terra do Uncle Sam.

Por aqui, seguem os campeonatos regionais e o nacional, e agora a liga sul-americana, que tratarei mais adiante.

E para não dizerem que de repente deixei passar algo inusitado, posso afiançar que depois de lidar com jovens por quase 50 anos, lutar pela lisura das competições e respeito às leis do jogo, não me contenho com os 18 anos do Greg Oden, que me parece um homem para lá dos 25 anos, como o LeBron, fator que fazem deles tão mais produtivos que seus companheiros de “faixa etária”. Desculpem, mais também eles sabem produzir autênticos e felpudos cats, e anabolizados. Um luxo.

DEI UM TEMPO…

Dei um tempo, e um bom motivo foi a queima da placa-mãe do meu computador, o que me fez parar por uma semana. E foi um tempo, curto bem sei, repleto de muita leitura e de alguns passeios elucidativos. Um deles, aqui perto de casa muito me fez pensar. Peguei o carro e fui até o autódromo, onde se constroi as arenas de jogos coletivos, de natação e saltos e o velódromo, para o Pan-Americano. Claro, não pude entrar, mas a grandiosidade dos estádios salta por cima da amurada, a mesma que transpús em 98 quando acompanhei o filho adolescente ao show do U2, e a um dos Grandes Premios da Fórmula CART. Em ambos, enfrentei os piores congestionamentos de público e carros que tenho lembrança em competições esportivas, e que foram muitas em mais de 50 anos acompanhando esportes. A infraestrutura do local continua a mesma de 15 anos atrás exceto o anel rodoviario construido à frente da Vila Olímpic, ligando-a à grande avenida do autódromo, e só. Nenhuma obra visando transporte de massa sequer foi esboçada e prevejo sérios problemas para o público que desejar assistir as competições naqueles suntuosos locais, principalmente os turistas. Mas as empreiteiras estão exultantes, pois a dinheirama correu solta,
assim como as firmas responsáveis pela administração e controle das competições, algumas extrangeiras, pouco têm a reclamar, sem contar a publicidade milionária. O ineditismo propiciado pela gratuidade das passagens aéreas para todas as delegações fez outra festa para a empresa nacional beneficiada, entre outras benesses a apaniguados e protegidos por esta orgia com o dinheiro público. E apesar de toda cornuópia, algumas competições correm o sério risco de terem seus indices técnicos minimizados pela precariedade de algumas instalações. Enquanto uma multidão de técnicos e especialistas em construções, organização, administração, turismo, cerimoniais, segurança, transportes e outras coisitas mais se locupletam, nossos atletas e técnicos se debatem entre necessidades das mais básicas, como por exemplo, locais condignos de treinamento, alimentação e técnicos bem remunerados. Mas estes são meros detalhes, numa competição em que somente em cinco modalidades os norte-americanos vêm com suas primeiras equipes, e inclusive, depois da negativa em comparecer, os americanos virão ao torneio de basquetebol com equipes compostas de universitários. Mas, a preocupação determinante, sem dúvida nenhuma, é a do deslocamento seguro e ordenado do público nos diversos locais espalhados pela cidade, que mantem sua estrutura falida de transportes, deteriorada nas últimas décadas. E a grande conquista decorrente dos Jogos para a população, a melhoria do transporte
metroviário, uma grande aspiração, foi deixada no papel, trocada por construções que pouco, ou nada acrescentarão às reais necessidades dos cariocas. Temo pelo sucesso dos Jogos, não só pelo baixo índice técnico esperado, mas principalmente, pelo nó górdio que terá de ser desfeito no tráfego dessa terrível cidade. Espero que consigam, mas duvido, honestamente.
Religuei o carro e retornei para casa, sem antes enfrentar uma retenção exatamente no grande trevo da Vila Olímpica naquele fim de tarde, num dia comum, sem maiores implicações desportivas. Dei um tempo em meus artigos, mas, infelizmente, recomeço sem muitas razões para otimismos patrióticos. Amanhã falo de basquete, prometo.

BEM VINDAS INOVAÇÕES.

Jogo final da chave de Franca do sul-americano de clubes, com o time da casa enfrentando o surpreendente Malvin do Uruguai. Um bom jogo,

enriquecido pela nova e já estabelecida postura tática da equipe francana,

com seus dois armadores de boa técnica, e três homens altos jogando dentro do garrafão em trocas constantes e velozes, garantindo os rebotes ofensivos por se situarem próximo à cesta, na contra-mão das demais equipes brasileiras envolvidas no campeonato nacional. Mas, em alguns momentos, o vicio dos demais jogadores assistirem parados as evoluções ofensivas de seu pivô, ainda mantem um resquício do posicionamento antigo, que se superado tornará a equipe difícil de ser batida. Em uma jogada no terceiro quarto ficou demonstrada a grande mudança no comportamento dos armadores de Franca, quando um deles, o Helio, após um passe lateral se infiltrou pelo garrafão, e de repente, como puxado pela cintura, retornou ao perímetro, o que o manteve “ligado” à jogada que se estabelecia naquele momento. Em outras ocasiões, manteria sua trajetória para trás da defesa adversária, para ressurgir no lado oposto, numa postura em que se desligava do foco da ação. Seus dois armadores agora jogam permanentemente fora do perímetro, e sempre ligados entre si e as jogadas que estabelecem para a equipe. Seus homens altos primam pela velocidade e energia reboteadora, atuando com grande e permanente mobilidade, propiciando grandes espaços às penetrações, exercidas com competência por todos da equipe. Enfim, a equipe retrocede um pouco no tempo, e privilegia o jogo baseado nos bons fundamentos de dribles e passes, tornando os corta-luzes mais práticos e eficientes. Pela permanente troca de posições, os arremessos de média e longa distâncias se tornam mais seletivos e equilibrados, pois se sucedem após passes vindos de dentro para fora do garrafão, garantindo o tempo mínimo necessário para sua realização êxitosa. Defensivamente, aumentou sua combatividade, principalmente pela incansável ação dos armadores, e pela mobilidade dos homens altos. Se decidir marcar os pivôs pela frente por toda a partida, será séria candidata ao título sul-americano, pois são os pontos fortes das equipes argentinas, seus formidáveis e ágeis pivôs.

A escalada qualitativa da equipe de Franca vem provar que a utilização de um único armador, e a existência de pivôs pesados e de pouca mobilidade, pode estar chegando ao fim, depois de um tenebroso inverno de atitudes e idéias, fundamentado na cópia canhestra do modelo que nos tem sido imposto nos últimos 20 anos, o modelo NBA, que nem mesmo eles mais acreditam, perante os repetidos fracassos nas competições internacionais.

Espero que essa bem-vinda novidade se mantenha, e que seja difundida pelas demais equipes brasileiras, principalmente nas divisões de base, profundamente engessadas ao exemplo advindo de nossas seleções nacionais. Torço para que isso ocorra, pois nos ajudará na escalada para fora do poço em que nos encontramos. Amém.