ARTIGO 400 – UM PREITO AOS QUE MERECEM…

Na semana passada recebi um régio presente com o envio de Portugal da única cópia existente do documentário que fiz sobre o Campeonato Mundial Feminino de 1971 em São Paulo, com sedes em Brasília e Niterói. Foi um filme em 16mm co-patrocinado pela ENEFD/UB (atual EEFD/UB), e a CBB. Filmei, editei, editorei e narrei-o numa aventura impensável nos dias de hoje. Mas foi feito e correu mundo, até que seus originais foram se deteriorando num canto de um lugar qualquer. Encontrei-os e corri para um laboratório profissional na tentativa de salvá-los. O orçamento foi de 6,500 reais em 2002, e por conta dessa quantia vultosa para meus padrões pedi ajuda da EEFD e da CBB, não encontrando disponibilidade financeira na primeira, e qualquer receptividade na segunda. Deixei os originais no laboratório e praticamente desisti de salvá-los. Com a copia recebida, voltei no laboratório e encomendei uma telecinagem pelo bom estado da mesma, e terei salvo o único documentário de técnica de basquetebol até hoje realizado no país. Soube que os originais foram enviados para a cinemateca do MAM, onde irei para a semana tentar, mais uma vez, salvar a obra.

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PREZADO MONCHO…

“Prezado Moncho, quero em nome de todos os técnicos brasileiros recepcioná-lo em nosso país, desejando sucesso em seu trabalho” – Foi com essa declaração que o técnico-comentarista, ou comentarista –técnico interrompeu o apresentador do programa Bola na Área da Sportv, no limiar das apresentações de praxe, deixando-o desconcertado. Com o pseudo aval da desunida comunidade técnica nacional, bem que poderia ter desejado os votos no seu nome em particular, antes de expor como auto denominado líder, uma opinião que não é unânime, e muito menos sua, apesar de reinvidicá-la sempre que de posse de um microfone. Logo a seguir imprensa por longos minutos o entrevistado, colocando-o ante suas concepções técnico-táticas no afã de vê-las referendadas e aceitas pelo espanhol, no que foi delicadamente contestado por posicionamentos sutilmente contrários ao que advogava, principalmente quanto à formula granítica de denominação de jogadores em 1,2,3,4 e 5. Foi nesse momento que o apresentador, didáticamente, explicou à massa ignara que aquela classificação numérica atendia a uma escala de altura dos jogadores, do mais baixo, o 1, ao mais alto, o 5 ! Realmente trágico, senão definitivamente constrangedor, e em rede nacional e à cores. Defendeu o técnico entrevistado, quase em tom inaudível, com uma tradução simultânea em off perfeitamente dispensável ante a afirmativa do mesmo que poderia se exprimir em português, que uma de suas concepções preferidas é a de atuar com três homens não muito altos, porém hábeis e velozes, e dois homens altos enfiados no garrafão, dando inclusive seus nomes preferidos, encabeçados pelo armador Huertas que se sobressai em sua terra natal. Nesse exato momento, o outro técnico-comentarista intervêm com uma colocação de transcendentalimportância para o futuro do nosso basquetebol – “Para você Moncho, qual a posição do Leandro, 1 ou 2 ?” – Com um sorriso de Gioconda, mal escondendo sua decepção faz o sinal da paz com os dedos, 2! Substituindo a palavra pelo gesto dimensionou a profundidade da pergunta, respondendo-a com o silêncio, através o sinal dos surdos.

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TRISTE,PORÉM PREVISTO,DESTINO.

Quantos de nós técnicos, pelo menos uma vez na vida, gostaríamos de treinar e fazer jogar uma equipe num ginásio condigno, tecnicamente adequado, com um piso, senão flutuante, pelo menos uniforme e aplainado, dando aos jogadores a firmeza e a certeza de que contusões poderiam ser minimizadas ante as exigências da intensa e brutal movimentação nas paradas bruscas, nos saltos sucessivos, nas intensas rotações, no arrastar antiderrapante de seus tênis, nas corridas com permanentes mudanças de direção, enfim, evoluírem num piso estudado e construído com esmero para eles? Pois é, por um pequeno lapso de tempo, numa arena gigantesca, nosso mal amado basquetebol pode privar de um solo em tais condições, ali num cantinho do autódromo do Rio, como se escondendo de sua destinação preconcebida por aqueles que o destinaram, não ao desporto, ao basquete em particular, mas aos shows, romarias, cultos de diversas religiões, e sabe-se lá quantas outras atividades que lá serão perpetradas.

Que técnico permitiria que uma senhora, do alto de seus abundantes quilos, calçando estiletes nos pés, distribuísse mossas pelo piso flutuante e macio, pelo simples fato de lá comparecer para idealizar formas de espetáculos nada desportivos, conforme atesta uma reportagem no suplemento Barra de O Globo, em 24 de fevereiro desse ano, num espaço que cálculos estimam em 2000 pessoas, que equipadas com estiletes iguais aos seus, o destruiriam numa única apresentação? E como avant-premiére da hecatombe que advirá, nem mais as demarcações de quadra subsistem, emoldurado pelos 15000 lugares em torno, como, não mais uma quadra de jogo, e sim um picadeiro de circo romano, para o Panis et Circenses que lá se instalará.

E já foi instalado, e continuará a sê-lo, pois em momento algum esse monumento ao desperdício, construído à sombra de verbas super faturadas, num total de 260 milhões, quantia essa suficiente para equipar todas as escolas públicas da cidade com um pequeno espaço coberto, uma piscina de 25 metros e uma mini pista de atletismo, equipamentos mínimos necessários em um país que se diz comprometido com a educação de qualidade, e projetos de força desportiva para o futuro.

Mas isso não interessa a elite de megalômanos que se apossou do esporte brasileiro, unindo suas vaidades aos interesses de construtoras, empresários do culto ao corpo e especuladores dos bens públicos, que são repassados aos mesmos por ninharias, gerando lucros que jamais reverterão ao interesse da população carente.

Onde estão as melhorias de transporte prometidas e que fundamentaram os projetos do Pan, e que voltam descaradamente à baila nos projetos do Mundial de futebol em 2014 e Olimpíada em 2016? A quem mais querem enganar, sentados nos refrigerados espaços do verdadeiro palácio em que se instalaram na Avenida das Américas, em meio ao estrangulado e caótico transito daqueles que tentam chegar ao trabalho todas as manhãs, órfãos dos transportes de massa prometidos e convenientemente esquecidos? Quando serão freados, antes que desencadeiem mais um crime contra a população, em nome de um absurdo progresso que passa a léguas de distância das mais básicas necessidades de nossos jovens em suas precárias e abandonadas escolas? Quando?

Mas, à sombra do que já foi feito, maquiavelicamente bem planejado, e magnificamente realizado, subsistem alguns detalhes que passam ao largo da compreensão do jovem desportista comum, aquele para o qual praticar, na medida do possível, uma atividade esportiva, nem sempre, ou quase sempre, im possível, principalmente dentro de suas carentes escolas, e que perenemente se torna vitima inocente da gangue do culto ao corpo. Já adulto, torna-se cliente de um sem número de academias, algumas tão gigantescas que se tornaram holdings no mega negocio, que seria inviabilizado em sua dimensão se existisse orientação de qualidade nas escolas, aspecto fundamental à cidadania, direito constitucional de todo jovem brasileiro.

Quanto ao basquetebol, do qual foi retirado o direito de ostentar o orgulho de ter o Ginásio Gilberto Cardoso, o Maracanãnzinho, como seu palco original e principal, por força de ter sido construído para o Mundial de 1953, e onde, dez anos mais tarde se sagrou Campeão Mundial, e que ostenta o nome do grande presidente do Flamengo, morto ao assistir uma final de basquete do campeonato carioca, que de conformidade com a declaração de um prócer do COB, ligado ao voleibol, passou a ser o palco de sua modalidade à partir do Pan-Americano, numa apropriação despropositada e provocativa, além de imerecida.

Não foi à toa que a Arena do Autódromo não recebeu um nome ligado ao basquete, como o complexo aquático ao lado, batizado de Maria Lenk, assim como em tempo algum, e de forma nenhuma, o COB jamais intervirá na auditoria das contas da CBB, que somente este ano alcançou a quinta cifra do montante destinado a todas as confederações, mais de 1 milhão de reais. Interessante, que por força de alguns de seus mandatários, ligados à natação, o complexo Maria Lenk passará a ser administrado pelo COB, legando a grande arena aos interesses empresariais. Ou será que, nenhuma chance deverá ser dada ao basquete, que por longos anos foi o segundo esporte no gosto do brasileiro, relegando o voleibol a uma posição secundaria, o que explicaria a bem vinda permanência do grego melhor que um presente à frente ad perpetuam da CBB?

Em verdade, quanto mais se estender o domínio da atual direção da CBB, mais amplo se constituirá o monopólio do vôlei entre nós, pois a par de sua inegável qualidade técnica, e de seus dirigentes e técnicos de ponta, a ausência de uma concorrência de peso, como foi outrora o basquetebol, sedimentará seu domínio, não só desportivo, como político-econômico. Logo, a declaração do grego melhor que um presente de que ainda mandaria no basquete por longos anos, se tornou conveniente a muitos olímpicos, não desejosos de riscos econômicos, políticos e de projeção de mídia, garantidos pela inépcia e irresponsabilidade do mesmo.E o pior, mesmo sabedor dessa conveniência, se mantêm, a qualquer custo no poder, pouco importando a qualificação da outrora brilhante modalidade, até o momento em que se tornar irreversível seu soerguimento, para tranqüilidade daqueles que já detêm o mando da maioria dos ginásios brasileiros, forrados com piso sintético, que senhora nenhuma calçada com estiletes ousaria pisotear. C’est La vie.

Amém.

DEBATES – OS CORTA-LUZES.

Encerrando essa serie Debates, abordaremos os corta-luzes, tendão de Aquiles da maioria dos jogadores brasileiros que o executam da forma mais primaria que se possa admitir, e que constitui quase uma unanimidade na forma mais primaria ainda de ensiná-lo. Sempre afirmei que no nosso país os corta-luzes são treinados, e jamais ensinados, originando nessa inversão de aprendizagem, uma situação híbrida, constituída de ignorância somada a arrogância daqueles que se imaginam dominadores de suas sutis técnicas, tanto por jogadores, como, e é lamentável, por muitos técnicos .

Seria interessante um debate profundo sobre essa técnica, responsável pelo sucesso, ou insucesso, da maioria dos sistemas táticos existentes.

E dando o tapinha inicial, republico o artigo que escrevi em 24 de junho de 2006:

O QUE TODO JOGADOR DEVERIA SABER 10/10

Que executar um corta-luz ou um bloqueio requer bons conhecimentos de mecânica corporal, sentido espacial,e principalmente atitude tática.Se deslocar com os braços juntos ou cruzados ao corpo, sugerindo ausência de intenções à faltas pessoais, mas deslocando o corpo no sentido do adversário visando cortar seu caminho, caracteriza não somente o ato faltoso, como anula qualquer vantagem conseguida por seu companheiro de jogada, pois a supremacia numérica no desenlace do movimento deixa de existir. A atitude mais comum em nosso basquete, e já bastante generalizada em todas as categorias, é a saída rápida de um dos pivôs para a além da linha dos três pontos, ao mesmo tempo em que o armador ou ala de posse da bola cruza com o mesmo em um movimento também muito rápido, no momento em que o pivô exerce um movimento blocante quase sempre em movimento, sobre o marcador do companheiro que dribla. Dois são os erros cometidos, o da movimentação do pivô se caracterizar em falta pessoal, e o armador seguir em frente marcado após a troca. O corta-luz corretamente executado propicia o bloqueio duplo dos dois defensores envolvidos na jogada, originando o escape livre do driblador, ou a fuga do bloqueador para a recepção do passe, e muito aquém do que se tornou lugar-comum, os movimentos podem, e muitas vezes devem ser lentos na construção do corta-luz, e rápido em sua finalização. Em outras palavras, o driblador deve encaminhar seu marcador lenta e pacientemente numa direção, ou local, em que ocorrerá o encontro com seu companheiro, de tal forma que o mesmo numa movimentação de pés em compasso, tanto prenda o marcador de seu companheiro, como junte ao mesmo o seu próprio marcador. Para tanto, o driblador ato antecedendo ao bloqueio mudará de direção, de tal forma que passe rente ao seu companheiro, originando dessa ação duas variáveis.A primeira, quando em velocidade de explosão mantiver os dois defensores atrás de si, permitindo sua livre investida à cesta. A segunda, raramente utilizada entre nos, quando o bloqueador ao se situar entre os dois defensores investir ele mesmo em direção à cesta concomitante ao passe executado por seu companheiro por cima daqueles. O primeiro corta-luz denomina-se “por fora”, o segundo, obviamente “por dentro”. São movimentos que não necessitam velocidade inicial, e sim em seu desfecho. O domínio espacial nesses sutís movimentos constitui o cerne do corta-luz bem executado, pois não são todos os jogadores que o possui, e quase nenhum sequer sabe utilizá-lo e desenvolvê-lo. O posicionamento futuro dos defensores em um trecho da quadra de jogo é o fator predominante para o sucesso de um eficiente corta-luz, e cabe em grande parte aos dois atacantes envolvidos no mesmo o direcionamento dos defensores no sentido da ação pretendida. O ponto futuro tão importante nos passes encontra na construção de um corta-luz sua dimensão maior, pois envolve destreza no drible, na finta, no bloqueio e no passe. O movimento em forma de compasso exercido pelo responsável nos bloqueios será sempre antecedente à movimentação do driblador, e nunca concomitante, pois dessa forma estará se movimentando no momento do bloqueio, o que caracteriza a falta pessoal. Por essa razão, o domínio espacial se torna fundamental, pois antecede a jogada que está sendo conduzida pelo driblador. Outrossim, essas movimentações podem e devem ser estabelecidas quando o corta-luz for realizado por dois jogadores sem a posse de bola. Jogadas do lado contrário a posição da bola deveriam SEMPRE obedecer a mecânica dos corta-luzes, sejam por dentro, ou por fora. Uma equipe bem organizada e treinada executará com eficiência, e muitas vezes ao mesmo tempo corta-luzes em situações antagônicas, dando a mesma um poder de ataque em que os marcadores dificilmente possam flutuar defensivamente, preocupados pela constante movimentação à sua volta. O bloqueio simples difere num ponto dos corta-luzes, ele é sempre realizado por dois jogadores sem a bola, geralmente no âmago do garrafão, e quase sempre em movimentação sagital à cesta. A função do bloqueio é a de retardar por uns momentos a ação defensiva, e não a anulação da mesma. Esse retardo pode propiciar um bom passe de fora para dentro do garrafão, e muitas vezes um bom atacante pode se utilizar de um outro marcador desvinculado visualmente de si para, num breve,porém rápido deslocamento lançar seu próprio marcador nas costas do mesmo, obtendo dessa forma de bloqueio espaço para sua jogada. O principal elemento técnico para quem exerce o corta-luz é o amplo posicionamento, o maior possível, de seu corpo e pernas, no intuito de oferecer um maior obstáculo aos marcadores, assim como, a maior qualidade que se exige ao driblador, ou não, envolvido na ação, é o de aproveitar ao máximo as possibilidades que em frações de segundo se apresentam em sua consecução. A atitude tática envolve basicamente o perfeito controle que possa ser exercido por sobre as variações nas velocidades de deslocamento, antes, durante e após o corta-luz, que se aproximará da perfeição quando construído com lentidão, desenvolvido com inteligência e concluído em velocidade. Mas, a maior qualidade dos corta-luzes para uma equipe, é grande possibilidade que os técnicos têm de desenvolver bons e efetivos exercícios aproveitando suas particularidades técnicas, as quais representam o ápice dos conhecimentos fundamentais do jogo, sem os quais nenhum jogador pode se considerar efetivo para sua equipe. Com esse artigo encerro essa série sobre fundamentos básicos. Oxalá tenham um bom proveito em seus treinamentos.

posted by Basquete Brasil @ 6/24/2006 10:47:00 PM

CONCEITOS X FUNDAMENTOS…

“Estamos iniciando uma nova geração nas categorias de base. O Sul-Americano Sub-15 classifica para a Copa América Sub-16 de 2009 que, por sua vez, garante vaga para o Mundial Sub-17 em 2010. Assim, temos que trabalhar essa geração com cuidado e antecedência, pois são muito jovens e inexperientes. Esta será a primeira de três etapas de treinamento, e os objetivos dessa fase inicial são desenvolver a parte física e introduzir os conceitos ofensivos e defensivos, para que assimilem bem o conteúdo. Além disso, convocamos um número bastante amplo de atletas para observarmos o potencial de cada um e desenvolver um trabalho a médio e longo prazo – explicou o técnico Christiano Pereira”.

Com este relato e posicionamento, o novo técnico das seleções de base da CBB inicia seu ciclo de influência na mais importante das categorias, aquela que definirá ao longo dos próximos anos o futuro da modalidade em termos nacionais e internacionais. E do alto de sua larga experiência, estudos e pesquisas, lastreado que está pela outorga que lhe foi designada pelo alinhamento político da FEBERJ com a CBB, delineado nas últimas eleições, quando o histórico estado opositor da situação confederativa, foi defenestrado, passando para a esfera de influência continuista da mesma. Como prêmio pelo bom e condescendente desempenho, é premiada com o comando da seleção Sub-15 masculina, a pedra de toque fundamental ao soerguimento do basquete no país.

E nosso experiente técnico inicia bem sua caminhada, que aliás, em seus primeiros passos, se alinha aos princípios técnico-táticos impostos de cima para baixo pela comissão sênior, como se fez corriqueiro nos últimos anos. Uma frase define esse propósito: “(…) Esta será a primeira de três etapas de treinamento, e os objetivos dessa fase inicial são desenvolver a parte física e introduzir os conceitos ofensivos e defensivos, para que assimilem bem o conteúdo (…)”. Ou seja, tudo aquilo que se pretende incutir de sistemas ofensivos e defensivos, disfarçados de conceitos, que se tornou marca registrada de todos os técnicos que assumiram nossas seleções nos últimos vinte anos, colocando-as dentro de amarras a serviço de concepções de propriedade absoluta dos mesmos, no auto-proclamado “princípios do basquetebol moderno” ( leia-se sistema NBA…), e que retira e afasta de saída aqueles jovens jogadores que não se adequarem a esse terrível critério. Anunciou-se a convocação de 39 jovens de vários estados, alguns deles de pouquíssima tradição em convocações, mas que contarão bons votos em futuras eleições e um ou outro convite para mudarem de estado. E o mais emblemático é que nenhum convocado pertence a equipe e ao clube do novo técnico.

Claro, que no decorrer da fase inicial de assimilação dos conceitos ofensivos e defensivos, somente aqueles egressos dos melhores centros, nos quais os fundamentos são levados um pouco mais à sério, continuarão na liça, sem maiores implicações de ordem técnica e ética para o corte dos demais, cumpridores de suas funções técnico-políticas.

Meus Deuses, mais uma vez se repete o que vem ocorrendo em outras convocações de divisões de base, onde a prioridade absoluta é a manutenção e imposição dos conceitos ofensivos e defensivos do jogo, e não a massiva prática dos fundamentos, formativos e corretivos, independendo de posições, estaturas e estados de origem, dados por competentíssimos mestres na arte de lidar com a bola, com o corpo, com a mente, para depois das fases planejadas, construir-se sistemas de jogo, sistemas de defesa, em concordância e adequação às características dos selecionados finais, e dos preteridos também. Nada mais absurdo do que sistemas apriorísticos, propriedade sufocante de uma geração de técnicos descompromissados com a dureza irreconhecida do ensino lento e gradual dos fundamentos, mas adeptos incondicionais dos resultados advindos de sistemas padronizados e pseudamente testados pela esmagadora maioria deles, e que mais do que claro, postos em prática em jogadores “peneirados”, fruto do trabalho dos trouxas da formação (parece inverossímil, mas existem…), exatamente dentro dos critérios que vem sendo adotado pela CBB e suas comissões de cunho político.

Desafio a novel comissão a adiar seus conceitos ofensivos e defensivos, trocando-os por uma histórica clínica, de preferência com a presença dos técnicos daqueles convocados, na qual ensinariam como se treinam os fundamentos, individuais e coletivos, suas minúcias, suas aplicabilidades genéricas e setoriais, dando aos jovens jogadores e seus técnicos a suprema oportunidade de aprenderem e apreenderem a arte dos fundamentos, deixando para a parte final o ensino dos sistemas, obviamente criados e adequados à luz da evolução técnica dos convocados em sua formação final. O contrário disso cheira a queima oportuna e descompromissada dos menos dotados tecnicamente, e a exposição pré-profissional dos mais talentosos, numa repetição tediosa e repetitiva do que vem ocorrendo sistematicamente por anos a fio. Os resultados desalentadores das divisões de base brasileiras é a prova mais do que cabal do fracasso dessa política protecionista e de nepotismo político, que substitui criminosamente o mérito pelo Q.I.

Lembro que, independendo de categorias e faixas etárias, seleções nacionais é tarefa para os melhores, os mais experientes, os mais reconhecidos pelos seus pares, principalmente nas de base. É a norma vigente naqueles países que lideram as modalidades esportivas no mundo.

E se vierem afirmar que treinarão conceitos ofensivos e defensivos num horário e fundamentos em outro, ainda assim mantenho o critério extensamente aplicado, estudado e pesquisado de que em categorias de base essa dualidade é didático-pedagogicamente inaplicável, pois denota aquisição de hábitos e rotinas díspares, e pré-dependentes, ou seja, só pratica com razoável precisão conceitos de jogo, aqueles com embasamento alicerçado nos fundamentos, e nunca o contrário. O resto é conversa fiada de quem sempre afirma que não tem tempo a perder com detalhes. É o campo fértil e onipresente das pranchetas de plantão, com seus inefáveis conceitos e soluções prét a porter.

Amém.

CAÇANDO MARAJÁS…

Para todos aqueles que não estão levando muito à serio o fato de que a Comissão do Congresso Americano para o controle do doping não esteja chegando nos calcanhares das duas ligas profissionais que mais resistem ao mesmo, a NHL e a NBA, ai está um artigo publicado no NYT de ontem, no qual o David Stern se sai com essa perola de cinismo – “Esta é uma área onde a legislação federal não é necessária”. Vamos ver até onde conseguirá protelar as investigações, que demoliram o futebol americano e o beisebol, sem contar com o atletismo, caçando medalhas olímpicas e recordes alcançados desleal e desonrosamente. Ai está a matéria:

Stern Urges Congress Not to Pass Testing Law

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Doug Mills/The New York Times

The commissioners and top union officials of the major professional sports leagues testifying at a House hearing on drug testing.

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By THE ASSOCIATED PRESS

Published: February 28, 2008

WASHINGTON (AP) — N.B.A. Commissioner David Stern was not about to back down.

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Doug Mills/The New York Times

Donald Fehr, left, the head of the major league players union, with Commissioner Bud Selig.

Summoned to Capitol Hill to discuss whether Congress should legislate drug testing in the major professional sports leagues, Stern took exception Wednesday to lawmakers’ remarks and stood up for his colleagues from the N.F.L., the N.H.L. and Major League Baseball.

“This is an area where federal legislation is not necessary,” Stern told the House Energy and Commerce Subcommittee on Commerce, Trade and Consumer Protection.

The hearing was upstaged by another panel. The Committee on Oversight and Government Reform asked the Justice Department to investigate whether Roger Clemens lied when he denied using steroids and human growth hormone at a sworn deposition Feb. 5 and at a hearing Feb. 13.

Wednesday’s hearing produced the rare appearance of the four commissioners sitting side by side with their sport’s union chiefs: Bud Selig sat near Donald Fehr, and Stern was next to Billy Hunter. Then there was the N.F.L.’s Roger Goodell and Gene Upshaw, and the N.H.L.’s Gary Bettman and Paul Kelly.

All tried to convince skeptical lawmakers that their leagues had taken steps to thwart steroid use and were awaiting a dependable way to detect human growth hormone, preferably through a urine test and not a blood test.

“In spite of the fact that they want to pronounce that they have it under control, I still think that it’s not fully under control,” said the subcommittee’s chairman, Representative Bobby Rush, Democrat of Illinois. “And we have to do more.”

Baseball had the most to prove, having implemented a stringent steroids policy only in the past few years. The N.F.L. began addressing the problem two decades ago, and the N.B.A. and the N.H.L. said steroid use was virtually nonexistent in their sports.

All four leagues have toughened their drugs policies since 2005, when many of the same witnesses — including Stern — testified before the same subcommittee. Several bills were introduced in the House and the Senate after that session, but none came close to becoming law.

“Let’s get it right this time,” Representative Joe Barton, Republican of Texas, said. “Let’s go ahead and get something into law that is acceptable. It’s no fun having this hearing every two to three years.”

That was when Stern interrupted, breaching protocol to point out the progress that had been made. “The sports leagues have gotten it right in the intervening three years,” he said.

Representative Marsha Blackburn, Republican of Tennessee, said: “Mr. Stern, I would suggest that we have not gotten it right enough. If we had gotten it right — if you all had gotten it right — we would not be here again today.”

Blackburn said the leagues should be doing more to stem substance abuse at the grass-roots level, and her comment to the witnesses that “you all have been very well coached” piqued Stern further.

“Enormous progress has been made,” said Stern, who referred to the “voluminous, uncoached record” of material made available to the subcommittee.

The commissioners and the union heads agreed that collective bargaining was the best way to address the drug problem, rather than a law from Congress that would apply to all sports.

Rush disagreed, saying the subcommittee would continue to pursue legislation. But he was not specific. “At the Olympics, they deal with a multitude of sports,” Rush said. “And they seem to come up with a pretty good way of looking at the differences but also the similarities.”

Selig said he met with Fehr and a group of players to discuss the recommendations of George Mitchell’s report. Selig said he hoped the “ongoing” talks produced a more transparent and flexible drug-testing program.

Rush said he was “extremely disappointed” that Vince McMahon, the World Wrestling Entertainment chairman, declined an invitation to testify. “Steroid abuse in professional wrestling is probably worse than in any professional sport or amateur sport,” Rush said.

A second panel included officials from the United States Olympic Committee, the United States Anti-Doping Agency, the National Thoroughbred Racing Association and the N.C.A.A. president Myles Brand.

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TEORIAS…

At 11:12 PM, Anonymous Anônimo said…

“Prezado Prof.Paulo Murilo,

Hoje fiquei perplexo do que escutei durante o jogo Flamengo x Vasco, primeiro apesar de ser mengão vi o técnico de Brasília dar um show(…) Mas o que me causou perplexidade foi a informação que o Neto assumiu o Ulbra de SP, com dedo da CBB, com o seguinte missão de levar o filho do Manteiga para o nacional e caso venha ser o técnico da seleção ou da comissão levar o filho do cara para seleção. Joguei contra ele aqui no Rio, ele é bom jogador mas dai ir para seleção esta longe, ainda que ficou quase um ano sem jogar. Adivinhem quem vai dançar? começa com N…..O. Adivinhem qual será a justificativa? Estou começando agora no basquete estou perplexo com o mínimo que tenho presenciado de comentários abertos nos ginásios.

Gustavo Silva”

Esse comentário foi postado no artigo ETECETERA E TAL… que publiquei no dia 21/11/2007, por um dos mais assíduos leitores do blog, e que apesar da postagem constar como anônima, fato que inviabiliza a publicação, segundo critério de não aceitar comentários apócrifos, vem assinado ao término do mesmo, corrigindo uma falha de acesso, não só do missivista, como de alguns outros que encontram a mesma dificuldade técnica para personalizar os comentários.

Aceito o comentário, apesar de ácido e de contundência marcante, temos de admitir que muito além de se tratar de uma menção fundamentada na teoria da conspiração, tem muito a ver com uma outra teoria, a do boato progressivo, aquele que reflete opiniões desencontradas, mas que projeta possibilidades insuspeitadas, o sempre presente Vox populi,Vox dei, principalmente o referente à equipe da Ulbra, senão vejamos e analisemos: Ontem foi publicado um ofício daquela instituição universitária, que conveniada com o Clube de São Bernardo disputou o campeonato paulista, se sagrando vice-campeão, para logo a seguir desfazer o convênio ( e aqui cabe um adendo, a Ulbra é uma universidade sulista, e que se situa no rol dos adeptos da atual presidência da CBB…), e refazê-lo com a equipe de Rio Claro, que passará a partir de hoje a competir no campeonato nacional, quando os demais clubes envolvidos na competição já disputaram cerca de dez rodadas! ( Como é possível uma equipe participar de um campeonato nacional somente à partir da décima rodada? Como?) No ofício citado, o contencioso da instituição descobriu (por que somente agora?…) que um item contratual com a SPORTV proíbe que uma equipe dispute dois torneios de caráter nacional no mesmo ano( E quem define isso é uma emissora de TV e não a CBB? ), e por isso a valorosa universidade, junto ao clube rioclarense, estaria alijada da primeira competição da nova Associação de Clubes de Basquete, reunindo os oito clubes fundadores, incluso o recém desmembrado Ulbra-S.Bernardo, que sem equipe, já que transferida para Rio Claro, se vê literalmente pendurado na brocha.

Mas um dado inquisitivo situa o boato progressivo mencionado pelo leitor Gustavo em seu comentário, num patamar constrangedor, o de que o técnico da equipe camaleônica é o mesmo já apontado, oficiosamente, como o assistente do espanhol contratado pela CBB, e que sua nova equipe, ao disputar o torneio nacional, será aquela única equipe paulista, capaz de ceder técnicos, jogadores e dirigentes para comporem a seleção brasileira, que disputará as competições internacionais deste ano, Pré-Olímpico inclusive. Quanto às demais equipes paulistas, vigorando o critério que afastou e liquidou a NLB num passado recente, ficariam fora do processo referente às seleções. Lembremo-nos mais uma vez, que por força desse critério, testemunhamos uma das transferências mais esdrúxulas de que temos noticia, por parte de um jogador, que ao trocar um clube da NLB por outro aliado à CBB, garantiu sua convocação para a fracassada seleção do mundial e pré-olímpico de 2007, igualzinho ao que vemos se repetir agora, só que um pouco mais ampliado, já que envolve, não só jogadores, como clube e técnico. E não será surpresa nenhuma uma “saudável” corrida de jogadores para se candidatarem à nova equipe, inclusive os ligados a clubes da ABCB, apaniguados e oportunistas, sem esquecermos os de Q.I. elevado e base de interesses políticos e pessoais inquestionáveis, se confirmadas as teorias, torcendo para que não passem de inocentes especulações.

Será um gostoso exercício aguardarmos o desenrolar dos fatos, para então concluirmos quais teorias podem representar algo de factível, se a da conspiração, ou a do boato. Por mim fico com a sabedoria popular, em latim ou português, Vox populi, Vox dei, a voz do povo é a voz de Deus.

Amém.

FALANDO DE SELEÇÃO…

“E ainda tem gente que escreve e comenta que o basquete brasileiro está acabado, e que os melhores jogadores estão atuando lá fora. Não é o que estamos vendo nesse campeonato, com jogadores de ótima técnica e grandes atuações. Que formidável jogo o que estamos assistindo”, afirmava o comentarista da ESPN Brasil na transmissão da final paulista.

Concordo com ele, e vou um pouco mais além, quando proponho que seja constituída uma seleção brasileira com somente jogadores que atuem no país, para treinarem de março até julho visando o Pré-Olímpico. Reunindo-se em fins de semana, e nos intervalos dos campeonatos, até que pudessem se concentrar nos treinamentos integrais dois meses antes da grande competição. Seria um desafio às qualidades técnicas e didático –pedagógicas do técnico espanhol escolhido para aquela difícil tarefa. Com hérnia ou sem ela, com assistente brasileiro ou não, se comunicando em espanhol, portunhol ou checheno, não importa, mas com razoável tempo para elaborar um bom plano de jogo e uma boa sincronia de equipe. Se não pudesse assumir tal tarefa, já que apalavrado e compromissado com os nomões de plantão, que um dos bons técnicos brasileiros fosse escalado, para este, que na minha humilde opinião, é o único modo plausível de se preparar uma seleção que tivesse como alvo uma difícil classificação olímpica.

Quanto aos delfins e cardeais, somente disponíveis e recheados de exigências e disposições nem sempre condizentes a atletas em suas melhores condições físicas e técnicas, que ao se apresentarem um mês antes do embarque(se é que poderiam atender às convocações aqui em sua terra…), disputariam democraticamente suas vagas em uma equipe razoavelmente treinada e ajustada, onde os mesmos (acredito que uns cinco no máximo…) poderiam somar suas qualidades e experiências para o reforço da seleção, e, o mais importante, contribuindo decisivamente para o desaparecimento, que se faz tardio, dos celebres e negativos “grupos fechados”, que tanto prejudicaram o nosso basquete nos últimos torneios internacionais.

Armadores como o Valter, Helio, Mateus, Fúlvio, Alfredo, Fred, somados a alas como Di, Marcio, Rogerio, Biro, Felipe, e a pivôs ágeis e moveis como Druri, Probst, Estevão, Maozão, Bambú, e outros que completassem uma lista inicial de vinte jogadores, plenos de vontade e determinação em defender a seleção, constituiriam o núcleo básico desse trabalho ao longo dos quatro meses mais importantes e decisivos para as nossas pretensões no restrito universo freqüentado pelas potencias do basquete internacional, ao qual pertencemos num passado não muito distante, e do qual nunca deveríamos ter saído.

Mas claro, que se trata de uma abstração aqui do velho técnico, que à margem e fora do circulo mandatário dos destinos do grande jogo, se mantém, exatamente pela distância de tão absoluto poder, a cavaleiro de situações espúrias e viciadas pela mais abjeta política desportiva de que temos noticia nas últimas duas décadas, manchadas e vilipendiadas por indivíduos descredenciados e despreparados dos mais ínfimos princípios diretivos e éticos, e que somente tem os estrábicos e míopes olhos voltados para seus intumescidos umbigos e egos convenientemente voltados às maiores ou menores vantagens que possam vir a auferir, política e economicamente.

A equipe de Franca, mesmo longe de repetir a última partida em seus domínios, teve suficientes trunfos para levar de vencida a de São Bernardo, dando continuidade ao renascimento do jogo veloz, sem deixar de ser controlado, da defesa na linha da bola, com os pivôs adversários tendo de fugir de suas posições pela marcação à frente que enfrentavam, da dupla armação de qualidade, da reescrita historia de um ala veterano, e principalmente, da contenção e objetiva direção de um técnico veterano, que aposentou a impessoal e fria prancheta, substituindo-a pelo dialogo olho no olho, e pela coerência diretiva ao exigir o que foi realmente treinado. Parabenizo a todos pelo muito bom e honesto trabalho.

Amém.

APERLTA , APERLTA…

“Aperlta, aperlta…” , gritava o possesso técnico instruindo à beira da quadra para que seu atleta Biro tentasse barrar as sucessivas investidas dribladas e fintadas do armador de Franca,que àquela altura estava adorando a “aperltação” que sofria, já que se desvencilhava com facilidade e podia efetuar suas assistências e arremessos precisos de dois e três pontos, desequilibrando o jogo, mas que poderiam ser um pouco mais dificultados se em vez de “aperltar” , seu marcador flutuasse um ou dois passos atrás, sem no entanto perder o controle exercido sobre o tronco do excelente armador, que por ser a parte do corpo com menor velocidade de deslocamento, tornar-se-ia possível mantê-lo num razoável campo defensivo, ao dificultar sua livre investida à cesta. Uma simples correção de postura (sempre os fundamentos…) e atitude poderia ter equilibrado as ações, em vez de berros equivocados de “aperlta, aperlta…” .

Logo a seguir a equipe de S.Bernardo cai numa defesa por zona 2-3 contra um ataque 1-3-1. Pronto, a festa se consumou com o Drudi, como um dos “uns” concluindo o que quis e o que não quis. E para culminar, o mesmo Drudi, agora se especializando na defesa à frente do do pivô, lançou-os, tanto o Argentino, como o Bambú, para fora do garrafão para terem a posse de bola, quebrando decisivamente o jogo interior, um dos pontos fortes da equipe do ABC.

Com pequenas, e incisivas mudanças técnico-táticas, a equipe de Franca vai se distanciando da mesmice que campeia no cenário do basquete nacional, principalmente ao inverter o seu próprio sistema de atuar, mas guardando na memória de seus jogadores todos os movimentos e jogadas que praticaram por longos anos, como um antídoto no enfrentamento de seus oponentes ainda aferrados ao velho e enraizado sistema de jogo. Como numa engenharia reversa, a equipe de Franca praticamente ”advinha” as linhas de passe formuladas pelos seus adversários, exatamente por tê-las empregado à exaustão, somando-se a este formidável progresso, a aplicação da verdadeira defesa linha da bola, que é a única que permite a permanente marcação dos pivôs pela frente, já que o sistema de flutuação lateralizada assim o permite com precisão e confiabilidade.

Um outro fator determinante foi a escalação do jogador Felipe, que apesar de muito alto tem um apreciável controle dos fundamentos de drible, fintas e passes, além de saltar e se situar muito bem nos rebotes, e arremessar com razoável precisão. Sem alarde, estamos vendo nascer uma nova plêiade de armadores com boa estatura e diversificação nos fundamentos, dotando-os de habilidades insuspeitadas até bem pouco tempo. Outro ponto a favor de Franca.

Finalmente, estamos testemunhando uma nova classe de prancheta, a taquigráfica. Impressionante a velocidade com que determinados técnicos deslizam em sua superfície amorfa como se estivessem num núcleo computacional, onde milhares de bits se comunicam a velocidades inimagináveis a um cérebro comum, como comuns são os cérebros de seus jogadores. E ainda mais quando todos sabemos que a grande lerdeza do sistema ocular em sua comunicação seletiva aos centros nervosos, torna o entendimento taquigráfico das novas e palpitantes pranchetas, absolutamente ininteligível.

E mais engraçado, é que o técnico de Franca, ao praticamente aposentar a taboinha pseudo-mágica, devolveu a relação olho no olho entre técnico e jogadores, que é o único canal possível de entendimento técnico, tático e comportamental dentro da real estrutura humana, onde o poder da linguagem, enérgica ou coloquial, ainda determina e qualifica as relações entre seres iguais. Mais um ponto, o decisivo, para Franca.

Seja qual for o resultado do próximo jogo, creio que os caminhos abertos por Franca, e seguidos por Minas, apesar do tropeço na Liga das Américas, motivado por uma quebra de planejamento ao incluir um estrangeiro destreinado dentro de uma equipe homogeneizada , fragmentando-a na reta final do torneio, já nos dão algum alento de dias, se não melhores, esperançosos e arejados. Torço de coração para que continuem o bom trabalho.

Amém.

PASSEANDO PELO INTERIOR…

“Essa é para os pessimistas, técnicos ou mesmo analistas que teimam em proclamar a decadência do basquete brasileiro. Que venham até aqui em Franca para constatarem a pujança do nosso basquete. Que dêem uma volta no interior de São Paulo, Baurú, São Bernardo, São Caetano, Piracicaba, Assis, Araraquara, para verem a renovação do nosso basquete, que está mais vivo do que nunca”.

Com esse preâmbulo ufanista o comentarista da ESPN Brasil iniciou seus trabalhos no primeiro jogo da decisão do Campeonato Paulista, em Franca. Só sinto a sua não menção de outros centros tão ou mais importantes do que São Paulo, principalmente em sua época de grandíssímo jogador que foi, como o Rio de Janeiro, hoje relegado a um basquete de aluguel de camisas, Belo Horizonte com seu clube de uma nota só, como o sul do país outrora recheado de participantes, e hoje relegado a uma ínfima parte do que foi, servindo de mercado a jogadores não aproveitados por seu megalópico estado. E por que não mencionar o nordeste, com sua tradição rompida de sempre apresentar bons valores, assim como o centro oeste, onde nem a grande capital do país consegue se impor em massa praticante, sobrevivendo de uma equipe que se manterá enquanto o senador zero voto a mantiver por capricho e interesses comerciais. Por que então não mencionar o óbvio? O de que a injeção de verbas privadas e de prefeituras no estado mais rico da nação é a razão de tal sucesso, que diga-se de passagem, já foi bem maior num passado recente? De mencionar em termos finais e justos de que São Paulo faz parte de um país onde educação e esporte não andam de mãos juntas como deveria ser, ao se testemunhar auditivamente os coros de “juiz vai tomar no…” e “ juiz filho da…” entoados por pais de família e seus filhos no ginásio da auto-proclamada capital do basquete brasileiro, para espanto do restante da população tele-ouvinte dos demais e olvidados estados, fatores menores e destituidos da importância capital representada pela pujança paulista ? Convenhamos peclaro comentarista, não soam bem tais colocações, ainda mais se tratando de um professor de tão alto e reconhecido gabarito.

Mas tais declarações nos remete a uma outra constatação, e essa sim, é de transcendental importância para o futuro do grande jogo entre nós, a realização da Copa de São Paulo, atração elevada à quinta potência pelo comentarista, incluindo uma sutil menção de que se a CBB não age em função da melhoria do basquete , a Associação de Clubes de Basquete, fundada pelos mesmos clubes que fundaram e depois traíram a NLB, estabeleceria os novos rumos a serem tomados, basicamente por São Paulo, que recentemente reconduziu o presidente de sua federação para mais um período de comando, exatamente pelo apoio dado a essa Copa. Mas não podemos esquecer que esse mesmo dirigente estabelecerá um dos votos de maior peso na próxima eleição para a presidência de CBB, onde até bem pouco tempo acumulava uma Vice-Presidência de Relações Internacionais, da qual se resignou teatralmente por divergências irreconciliáveis com o grego melhor que um presente.

Então, ficam e pairam no ar duas incógnitas, daquelas bem felpudas, que somente felpudas e matreiras raposas serão capazes de equacionar. A primeira diz respeito às convocações para as seleções brasileiras, para aqueles jogadores que não participarem do Campeonato Nacional, mas participarão da fortíssima Copa de SP. Lembremo-nos dos preteridos jogadores que atuavam na NLB, um dos quais, vivamente se transferiu para uma das equipes do Campeonato Nacional, gerido pela CBB, e que por causa dessa atitude foi relacionado para o Pré-Olímpico de triste memória. Como reagirá a FPB ante a possibilidade já posta em ação anteriormente? Ou existirá um acordo de cavalheiros irreconciliáveis para dirimir tal dúvida, numa ação de raposas premiadas?

A outra, mencionada acima, o voto paulista, que com sua força inquestionável, arrastará outros estados menos votados, mas sempre prontos a usufruírem as benesses advindas dos mesmos, conotando uma forte possibilidade de quebra no continuísmo diretivo cebebiano, mas que poderá estar atrelado a interesses quase nunca clarificados aos não iniciados nos mistérios que envolvem o desporto nacional ? A derrocada carioca nas últimas eleições, mais a continuidade da direção capixaba, somada a de São Paulo, pulverizou o perigo ensaiado pelos nove votos contrários na última eleição na CBB, tornando menos árido o caminho para a recondução, e conseqüente continuismo da política atual, absurda e irresponsável.

Qual a influência que verdadeiramente será exercida pela Copa de São Paulo dentro das perspectivas que ouso mencionar, e lembrar, para o soerguimento do basquete brasileiro? Qual relação entre CBB e Federação de Clubes será desencadeada na confrontação de campeonatos, que outrora derrotou a NLB ?

Acredito que enquanto o poder dos estados, e seus votos mágicos e poderosos, coexistirem ligados aos interesses de uma elite de raposas de alta estirpe, nosso bom comentarista, excelente professor e extraordinário ex-jogador, poderia propor que não só visitássemos o interior de seu estado na constatação de seu poderio, como incentivasse a todos para também passearem pelos demais estados, quando muito para, ao conhecê-los, estabelecerem a verdadeira compreensão de que não basta somente um deles ser a potência que é, sem o soerguimento dos demais. A revolução de 30 já deveria ter ensinado que separatismo não leva a lugar nenhum, mesmo na concordância e reconhecimento do poderio de seu estado, belo estado, natal.

O jogo foi excelente, com Franca demonstrando o poder de atuar com dois armadores de qualidade, e agora, maravilha, jogando fora do perímetro, estirpando aquelas maratonas que os obrigavam a perderem o foco das jogadas em estéreis bloqueios dentro e nos limites finais do mesmo, num auxilio permanente de armação, equilíbrio defensivo e acionamento efetivo dos homens altos jogando mais próximos aos rebotes. Aos pouco novas soluções ofensivas se farão presentes, eliminando também aos poucos os ridículos e engessados chifres, punhos, polegares, e outras bobagens afins, propiciando a aposentadoria mais do que tardia do terrível e constrangedor monólogo da prancheta, assim como microfones de lapela. Fica faltando a negativa de que microfones sejam empurrados goela abaixo dos técnicos naqueles momentos em que a privacidade se torna fundamental para o entendimento e acerto das ações dentro da quadra. Seria o mesmo que qualquer técnico se apossasse do microfone de um analista e comentarista para retirar do mesmo a oportunidade de exercer seu trabalho, sem interferências e sem despropositados palpites.

Estou curioso para testemunhar o desenrolar do que vem por aí, na forma bem ou mal acabada de uma Copa, e suas boas ou más conseqüências para o basquetebol, não só aquele bem jogado em São Paulo, mais o de todo o país.

Amém.