O REINADO DAS “BOLINHAS” II…

Eis um mistério insondável, o de que uma defesa por zona só pode ser rompida por arremessos de fora, e para isso, “tome bolinha, bolinha e mais bolinha”…

Não sei em que vetusto alfarrábio, ou mesmo no mais recente livro técnico de basquete que afirme tal absurdo, a não ser aquelas “filosofias de jogo” que abundam à granel no basquete tupiniquim.

Assistir o líder do campeonato atacar nos quartos finais uma zona chinfrim, trocando passes em câmera lenta, encerando a bola em rompantes de “bravura indômita” com seus pivôs longe da cesta, eles mesmos tentando longos arremessos, foi risível, pois o jogo se transformou num “pimba a bolinha, rebote defensivo…e contra ataque”. Fim de jogo.

Por que não testar a defesa zonal em seu âmago, bem lá dentro, arremessando de dois em dois pontos nos espaços entre as linhas de  2 e 3 da defesa (suprema desmoralização se conseguido), indo ao fundo pelas laterais, criando uma supremacia territorial de 2 x 1, e também de dois em dois pontos otimizar cada ataque, em vez de desperdiçá-los num 8/26 de três pontos? Afinal, jogaram fora 18 ataques de três, quando se vingassem a metade dos erros com 9 arremessos de dois, poderiam até ter vencido um jogo que perderam por 11 pontos! Simples conta aritmética, sem Parsons ou desvios padrões.

Por que não fazem, por que situam os arremessos de três como a meta a ser atingida? Ora Paulo, as defesas “pagam para ver”, e os trouxas ainda caem nessa burla centenária ( o basquete vem do século dezenove…), e o pior, NÃO APRENDEM…

Do lado candango, fora os devastadores e consentidos contra ataques, um 10/27 de bolinhas também foi perpetrado, ou não? Bem, segundo um de seus jogadores “as bolas estavam caindo, logo”…

Lamentável, porém inquestionável raciocínio, pois quem sabe, nos playoffs os “deuses das bolinhas” sorrirão para o outro lado? O chato e preocupante nessa pândega toda, é que teremos uma Olimpíada em junho, e pelo andar da carruagem, as “bolinhas” manterão seu domínio…Com a palavra o bom argentino.

No tempo – No Bala na Cesta sobre os 100 pontos do Wilt Chamberlain, que hoje comemoram os 50 anos, entrevistando o autor do livro biográfico do grande jogador, Gary Pomerantz, o jornalista Fabio Balassiano fez a ele a seguinte pergunta:

(…)BNC: Entre Wilt, Russell, Abdul-Jabbar e Shaquille O`Neal, quem você escolheria para o seu time? Uma vez, Oscar Robertson disse que Wilt era o maior de todos os tempos…
GP: Meu time? Eu contrataria Kareem, Wilt e Shaq, e colocaria Michael Jordan e Magic Johnson na armação. Shaq no centro do garrafão, Kareem e Wilt dos lados e nenhuma equipe conseguiria um rebote sequer. Imagine um time com Jordan e Magic ao mesmo tempo… Até Eddie Gottlieb pagaria para ver este time.(…)

Engraçado, dois armadores e três pivôs, sendo dois deles extremamente ágeis…

Sei não, mas creio que tenho alguma razão.

Amém.

Foto – Divulgação LNB. Clique na mesma para ampliá-la.



5 comentários

  1. Henrique Lima 03.03.2012

    Excelente texto, Professor.

    E preocupante.

    Pinheiros e Brasília são dois dos nossos melhores times. Preocupante não termos NADA DE DIFERENTE sendo feito nos principais times, apenas mais do mesmo por vários anos.

    Uma pena como desperdiçamos oportunidades para crescer.

    Um abração e melhoras para o senhor !

  2. Basquete Brasil 03.03.2012

    Mais do mesmo, menos do mais, muito menos mesmo, Henrique. Esse é o calvário do nosso basquete, onde todos aguardam o Magnano para as “novidades”, quiça inovações, que jamais serão continuadas nos clubes, numa prova da mais deslavada hipocrisia, tanto de técnicos, como, e principalmente de jogadores, irmanados na mesmice garantidora de trabalho e salários. Então, mudar o que está dando certo? Nem pensar. Tiro no pé, cuspir para o alto, rir e ignorar os erros, nada disso importa quando o corporativismo impera,pois remando no mesmo barco, esquecem de se amarrar no mastro quando atraidos pelo canto das sereias, as mesmas que os renegarão depois de usá-los convenientemente. O grande jogo faz por merecer destino melhor.
    Um abraço, Paulo.

  3. Henrique Lima 04.03.2012

    Professor Paulo, queria saber sua opinião sobre o tão falado lance em que LeBron James marcado por dois, passou a bola para um companheiro completamente desmarcado, em melhor posição e de frente para a cesta, para realizar o arremesso decisivo da partida.

    O link com a imagem congelada do lance:

    http://oi40.tinypic.com/2czdcu9.jpg

    Rapidamente, eu vou sempre ser a favor do passe. É o básico do jogo e por isso ele é jogado com cinco de cada lado. É um esporte coletivo, mas acho que muitos avaliam como se fosse um esporte individual.

    Um abraço !

  4. Henrique Lima 04.03.2012

    PS: Se o senhor marcar o todo meu texto, o link aparece na tela.

    Foi a única forma que consegui achar o link no meu texto.

  5. Basquete Brasil 04.03.2012

    Olá Henrique, mais uma vez utilizo seu comentário como fonte para um artigo aqui do blog. É um assunto pertinente e que muito tem influenciado os jovens aspirantes a estrêlas, bem antes de se firmarem no país, e verdadeiramente aprenderem a jogar o grande jogo. Ser grande e forte não é condição para tais devaneios. treino, muito treino e talento ainda dão as cartas.
    Um abraço, Paulo.

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