EMOTION BALL…

Foi realmente muito difícil assistir um jogo como aquele Pinheiros e Botafogo, ainda mais na condição de partida final e decisiva para a continuidade na competição, num apertado ginásio com duas torcidas presentes (duvido acontecer nas semifinais entre Botafogo e Flamengo que por ordem policial, serão de torcida única), ruidosas e vibrantes, mas coesistindo pacificamente, mesmo quando a temperatura aumentava em quadra, como deveria ser entre torcedores, independendo serem de “clubes de camisa”, ou não…

Difícil, não pelo jogo em si, mas sim por alguns aspectos que progressivamente vem ocupando a lamentável galeria de erros repetitivos, com alguns já se fixando como permanentes (erros de fundamentos, equipes fragmentadas e individualizadas, frouxidão conscensual defensiva, ofensivas dispersas em passes e dribles prolongados), numa preocupante escalada, que vem sufocando o grande jogo no que ele poderia apresentar de melhor, alta técnica e tática evoluída e inovativa, fatores estes que deveriam ser os verdadeiros “motores” para a fidelização dos torcedores em torno, e para com ele…

Começando pela mais absoluta inexistência de sistemas de jogo, a não ser um comum às duas equipes, aliado ao individualismo exacerbado e monopolizante advindo de seus jogadores americanos, vencendo e perdendo partidas muito além do “planejado” por seus estrategistas, postados ao lado da quadra na mais torturante torcida para que suas impossíveis e forçadas bolas de três “caíssem”, apesar dos esforços de um ou outro jogador nacional na trilha dos mesmos, como o Coelho, o Betinho, o Cauê, os pivôs, catadores dos rebotes resultantes da insana artilharia de ambas as equipes ( 11/33 para os paulistas, e 13/22 para os cariocas nos 3, contra 16/34 e 14/32 nos 2 respectivamente, que pelos longos 11 arremessos a menos, puderam se concentrar um pouquinho mais no jogo interior, vencendo a batalha, apesar de seus 16 erros de fundamentos contra 9 de seus adversários), perpetrada no mais genuíno modismo ora em crescente ascensão, o chega e chuta sob quaisquer circunstâncias, ou o chute em desespero, forçado pela ausência de uma ofensiva minimamente organizada, determinando solidamente o estágio em que se encontra o grande jogo atual, o da pelada, isso mesmo, um peladão lamentavelmente institucionalizado…

E como toda pelada que se preza, geradora de fortes emoções, com poucos ganhos e enormes perdas, equalizando equipes, mais pelos erros cometidos, do que pelos esporádicos acertos, através lampejos qualitativos por conta do talento de um ou outro jogador, verdadeiros pontos fora da curva no contexto de um emotion ball, no que vem sendo tentado transformar uma modalidade clássica, agora moldada pelas transmissões histéricas de narradores conceituando dantescos espetáculos destituídos das mais elementares técnicas coletivistas como o “jogo do século”, o “maior de todos os tempos no país”, “nada jamais visto entre nós”, e outros etceteras a mais não poder, avalizados por comentaristas fazedores permanentes de média junto a liga e seus empregadores, e mesmo tendo como testemunhas eventuais jogadores/comentaristas claramente constrangidos com tanta incontinência verbal, bradada aos ventos de uma história que um dia será contada e desnudada, com a mais absoluta certeza. O grande jogo, sinceramente, não merece estar passando por tanta incúria, tanta asneira encoberta, falseada e exposta em mediáticas e falantes pranchetas, definição dos arautos radiofônicos e televisivos da turma do “você nunca viu nada igual”, que no entanto esquece, ou sequer desconfia, que o histórico basketball jamais será transformado num simplório e analfabeto emotion ball, jamais, pelo menos por todos aqueles que o conhecem, amam e respeitam de verdade, que quem sabe, voltem a ser ouvidos um dia, para que saibam o que ele representou e representa de verdade em toda sua pujança, anos luz à frente de como hoje o classificam e tentam justificar..

Porém, temos por justiça parabenizar o enorme esforço e espírito de luta da turma botafoguense, mais do que merecedora de, ao menos, um sistema de jogo compatível com esse espírito, organizando seus valores em torno de um verdadeiro coletivismo ofensivo e defensivo, e não a priorização de rompantes individualistas de seus armadores, com suas salvadoras bolinhas. Quanto ao Pinheiros, que entre em quadra no próximo NBB com uma equipe, e não duas, com os americanos numa e um ou dois nacionais em outra, numa dualidade absolutamente suicida e irresponsável…

Amém.

Fotos- Reproduções da TV, clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.



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