OS PROFISSIONAIS

“Não tinha porque continuar com o grupo sem competição pra disputar.Dispensar jogadores depois da temporada é normal,até para diminuir os gastos”. “Ainda não conversei com a diretoria sobre isso,mas fui chamado para fazer uma avaliação da equipe nos próximos dias.Acho que fico”. São afirmações de um técnico de férias(remuneradas?)com relação a uma das três equipes patrocinadas por um mesmo proprietario no Campeonato Nacional.Diante de tais afirmativas deduz-se que após a temporada,salários nem pensar.Mas só para jogadores,ou para todos,técnicos inclusive? Será o mesmo nas três equipes patrocinadas? Ou variará de acordo com classificações ou titulos? Se assim for fica estabelecida a “administração seletiva”,ou seja,ganham de acordo com o produzido,onde cumprir horários,dedicação aos treinos,e entrega aos jogos deixam de ser fatores que qualificam a atividade profissional(?),para dar lugar ao “ônus da derrota”,o desemprego.Esse ônus vezes três geram uma bruta economia,mesmo que a exposição tripla na midia em muito ultrapassem os investimentos de partida.São atitudes que alimentam as “caravanas holideis” em que se transformaram uma pléiade de jogadores transitando pelo pais afora.E junto aos mesmos outra instituição que ainda se permite tais comportamentos de falsos dirigentes que somente enxergam interesses comerciais e politicos,alguns e até bons técnicos.E o que dizer das contas a pagar em
compromissos que envolvem familia,filhos e subsistência? Como exigir continuidade técnico-administrativa sob tais circunstâncias? Em uma situação como essa,de tal magnitude,têm-se a sensação de que muito de nosso atraso técnico-tático tem a ver com
tal instabilidade,onde se torna imperativo a manutenção das técnicas adquiridas até aquela data,em uma das posições do tal basquete internacional,que ao frigir dos ovos
garantirão uma possivel e efêmera contratação,isso quantos aos jogadores,e as tais filosofias de trabalho que rotulam muitos técnicos,tal qual passaporte que os garantam no mercado de trabalho.Quando reunidos,muito ou quase nada será acrescido aos seus modus operandis,pois foram contratados pelo que realizam no momento,e não pelo que poderiam acrescentar no futuro.Sistemas de jogo enraizados nas ações e gestos,jogadas mais do que óbvias,comportamentos dentro dos padrões existentes e sempre esperados.Enfim,toda uma liturgia que garanta a mesmice e o marasmo.Depois reclamamos da involução técnica galopante,e dos baixos indices de performance nas seleções nacionais.Se as mesmas refletem a realidade de cada nação,temos alcançado exatamente o previsível,fracasso e pobreza técnico-tática.Mudanças? Quem sabe acordemos um dia e mudemos a cama de lugar,ou mesmo compremos outra após pintarmos e reformarmos o quarto.Como está,somente sobrevive o môfo emanado de nossa incapacidade
de evoluir.Puxa,como gostaria que soprasse uma brisa de renovação,por mais tênue que fosse,uma simples e benvinda brisa.

FILOSOFIA DE TRABALHO

Hoje em dia,técnico que se preza tem como fundamento de sua propalada importância uma pomposa “Filosofia de Trabalho”,e não somente no basquete,pois tem filosofia espalhada por todas as modalidades,numa demonstração inconteste de que para a maioria deles filosofia é algo que se encontra em prateleiras de super-mercado,e que está à disposição de qualquer um,desde que pague por ela.Tive um mestre que afirmava com toda razão,que quando o brasileiro não dominava uma manifestação de técnica ou uma ciência a prostituia.Daí,um simples trabalho escolar passou a se denominar Pesquisa, um torneio ou campeonato de jovens transformou-se em Olimpiadas,a um conglomerado desconexo de ideias,denominou-se Filosofia.Pesquisa,Olimpiada,Filosofia deveriam por direito e significação,se constituirem nas metas mais ambiciosas e desejadas pelos jovens em suas buscas pelo conhecimento,pela cultura e pela educação plena, educação esta que é surrupiada da maioria deles, que por isso mesmo são dirigidos às pesquisas de coisa nenhuma,às olimpiadas promovidas por politicos oportunistas e em muitos casos caindo nas malhas da filosofia do crime, filosofia esta fundamentada em bases sólidas e perversas,mas perfeitamente assentada na triste realidade em que muitos vivem.Logo, a pomposidade desses filósofos do esporte,nada mais representam do que a sua profunda ignorância do que vem a ser e representar um amontoado de conceitos,geralmente copiados e pouco estudados,mas que conotam uma importância que beira ao ridículo quando enunciados.Agora mesmo a CBB envia técnicos ao Norte e Nordeste,claro,recompensando-os pelos votos dados nas últimas eleições,para clínicas que visam “Divulgar mais conhecimento técnico para atender as necessidades dos estados e uniformizar a filosofia de trabalho para diminuir as diferenças entre as regiões,principalmente nas categorias de base”. Durante muitos anos dei varios cursos
por muitos estados,ao norte e nordeste,e no centro sul de nosso pais, e nunca repeti
conceitos de técnica coletiva em cada um deles.A base dos fundamentos poderia,com algumas adaptações de ordem econômica,ser a mesma para todos,pois tratava-se dos fundamentos do jogo.Mas os conceitos de técnica coletiva tinham,obrigatoriamente de ser adequados e adaptados às caracteristicas regionais,grandemente influenciadas pela vastidão territorial e consequente diversificação de nossas gentes.No entanto,as clínicas da CBB priorizam o que denominam “Filosofia de Trabalho”,que nada mais é do que a tentativa,até agora bem sucedida,de perpetuação de um sistema de jogo que nos empurrou ladeira abaixo nos ultimos vinte anos,e que denominam de “basquete internacional”,e que na verdade é o absurdo sistema do “Passing-Game”.Filosofia de Trabalho seria algo a ser alcançado e duramente conquistado se reunissem em torno de uma grande mesa,do tamanho de nosso país,a maioria dos professores e técnicos responsaveis pela formação de base,para discutirem profundamente aquelas didáticas mais apropriadas às suas regiões,e que pudessem trocar permanentemente suas idéias com todos,numa atitude saudável e evolutiva de opiniões,sugestões,e principalmente soluções.Ai sim,poderiamos bradar com satisfação e orgulho termos desenvolvido uma autêntica, embasada e confiável Filosofia de Trabalho.Tudo o mais é tapeação e preciosa perda de tempo. Mesmo os estados situacionistas mereceriam coisa melhor,quanto aos oposicinistas,nada tem a perder.

57% DE UMA TRISTE REALIDADE.

A Revista Megazine,que vem encartada às terças feiras no O Globo,publicou essa semana uma matéria sobre a pesquisa feita pela UNESCO com jovens brasileiros na faixa dos 15 aos 29 anos,onde ficou atestado que 57% delas não praticam qualquer tipo de atividade desportiva em seu dia a dia.Vale a pena tomar conhecimento da materia para podermos avaliar a quantas andam a educação de nossos jovens,que são a reserva intelectual da nação.Essa situação caótica prova de uma vez por todas o crime que foi cometido com a Educação Física do país,desde quando transferiram criminosa e propositalmente a formação dos futuros professores da área das Ciências Humanas para à de Ciências da Saúde, alijando a medio e longo prazos a influência primordial dessa disciplina na educação plena de nossos jovens nas escolas do país.A formação pragmática e paramédica instituida desde então tornou-se antagônica aos conceitos didáticos e pedagógicos que constituem os primados da carreira de magistério,transformando licenciaturas em bacharelatos,passando inclusive a formarem personal trainers, antítese de professores de turmas dentro das escolas.Escrevi nesse mesmo blog varios artigos que abordam o tema em profundidade,mas não poderia deixar em branco a menção desse trabalho da UNESCO,pois sedimenta uma verdade aterradora e inacreditável no âmbito daqueles que sempre lutaram por uma educação ampla,democrática e de qualidade,
um direito constitucional de todo jovem cidadão brasileiro.Resta aos mesmos o caminho das academias e dos personals,pagando a peso de ouro o que lhes foi tomado de direito,por um plano diabólico e magistralmente conduzido por um bando de empresarios
do esporte,com ganhos estratosféricos, que se locopletam da ausência proposital de políticas educacionais e de um minimo de patriotismo.Quem comanda hoje o processo é o Ministerio dos Esportes e o COB,apropriando-se de uma função básica e fundamental que
caberia,como sempre coube, ao Ministério de Educação,sob o aval de uma instituição de
controle, pseudamente ético,estruturado a imagem das áreas médicas,o Conselho Federal de Educação Física,que substituiu o conceito de Professor,pelo de Profissional de Ed.Física. A sutil mudança na formação acadêmica deu substrato a essa grande rapinagem,que seria impossivel se a mesma continuasse na área das Ciências Humanas,
na área de formação de Professores.Por tudo isso,o estudo da UNESCO presta um grande serviço à sociedade brasileira por colocá-la à par de uma realidade contundente e
preocupante,mas que tornada pública poderá gerar discussões que possam vir de encontro às inadiáveis soluções,vizando o melhor para os nossos jovens,para às nossas
escolas.

ENFIM OS ARMADORES!

Das quatro equipes semifinalistas do Campeonato Nacional,três já se utilizam de dois armadores na maior parte do tempo em seus jogos,numa evolução que nos dá a sensação de que o bom senso vai se impondo aos poucos.A velocidade aumentou,o número de passes estéries diminuiu e os arremessos ganharam um pouco mais de tempo para serem realizados, com mais equilibrio e presteza.Mas subsiste a formação coreográfica enraizada entre nos que destina a um dos armadores a posição isolada no meio da quadra como o iniciador das ações,obrigando quase sempre os pivôs a virem para a linha dos três pontos para atuarem em funções que deveriam ser executadas pelo outro armador ou um ala.Essas atitudes só diferem das formações com um só armador pelo grande acréscimo de qualidade que a presença de um outro armador conota no aspecto técnico dos fundamentos básicos do jogo. Porém, ficamos imaginando o quanto de eficiência coletiva fica desperdiçada pelo distanciamento dos armadores na quadra. Com os mesmos próximos,fosse no centro ou nas laterais do perimetro,as jogadas em duplas,tanto em corta-luzes,como em dá e segues,e tendo o pivô do lado contrário à bola,em muito aumentariam as oportunidades triângulares com os alas e o pivô em constante movimento de encontro aos passes,e nunca plantados a espera dos mesmos.O trabalho em dupla fora do perimetro,efetuado por dois especialistas no drible e nos passes,coordenado com o trabalho paralelo feito pelos alas e o pivô próximos à cesta desencadeariam tantas oportunidades de curta e média distâncias pela pressão em cima da defêsa,fosse ela de qualquer tipo,que os arremessos longos seriam grandemente beneficiados pelo fato dos passes sairem de dentro para fora do perimetro, e não em torno do mesmo.Os jogadores altos estariam pemanentemente próximos à cesta em dupla ou trinca,com um dos armadores garantindo sempre o equilibrio defensivo.Seriam eliminados definitivamente os passes paralelos à linha final,fator este que tem propiciado inúmeras interceptações de passes em todas as partidas até agora realizadas.Finalmente,ficaria garantida a qualidade das ações de armação e execução de jogadas sem as ridiculas falhas que a maioria de nossos homens altos cometem quando,por força do absurdo sistema que ora empregamos,se situam em funções que comprometem seriamente, por não serem aquelas para as quais estão preparados.Sei que muitos técnicos,até alguns mais antigos, e a maioria dos novos,ficarão contrários a essa proposição que sugiro,mas se inteligentes forem procurarão estudá-la,pois se adequa às nossas características,ao nosso pendor pela improvisação e pela inata criatividade que possuimos.E era dessa maneira que jogavamos quando nos impuseram esse câncer com o pomposo e enganador título de “basquete internacional”,que é o sistema que a turma lá de cima impôs,ou tentou impor ao mundo como forma inteligente e matreira de supremacia politico-desportiva,e que graças a uns poucos e geniais países se viram destronados em sua empáfia e arrogância. Por que não seguimos o mesmo caminho? Porque? O que nos falta?

O DESASTRE ANUNCIADO.

Quando em 1972 a EEFD da UFRJ transferiu seu curso de formação de professores do Centro de Filosofia e Ciencias Humanas para o Centro de Ciencias da Saude com a justificativa de que o mesmo adquiriria maior projeção e prestigio,e sendo o padrão de ensino em todo o Brasil,feriu-se de morte a Educação Fisica voltada à escola como parte integrante da formação do cidadão em sua plenitude. Com o pragmatismo paramedico,aos poucos o foco central da formação dos futuros professores foi se desviando da escola para as academias,clubes,resorts e para o personal training, estando os mesmos hoje sob a égide de um Conselho Federal,e com a designação de Profissionais de Educação Física.Como não existem(e nem poderiam existir)conselhos federais de professores de matematica,português,fisica,geografia,etc,etc,ficam os ditos profissionais de Ed.Fisica alijados do processo pedagógico no mundo escolar,e sujeitos a um inadimissivel e perigoso pseudo controle de qualidade através um conselho politico e restritor,e que nada tem a ver com as politicas educacionais geridas pelo Ministerio e Secretarias Municipais e Estaduais de Educação,sendo que as verbas alocadas nessas instituições para um tambem pretenso projeto de massificação esportiva é de responsabilidade do Ministerio dos Esportes e do Comitê Olimpico Brasileiro,entidades desvinculadas da escola pelo seu caráter socio-politico. Com a falência da Ed.Fisica nas escolas,toda uma geração se viu orientada à prática de atividades esportivas em academias,projetos comunitarios,ONG’s e atividades extra-classes no âmbito de muitas escolas,num desvirtuamento lamentável de suas verdadeiras funções educativas. E tudo isso em nome da melhoria da saúde da população brasileira,claro daquela que pode pagar por ela.O desvinculamento da escola através da formação dos ditos “profissionais” no campo da saúde e não da educação,como era e deveria ter continuado a ser,levou a atividade fisica,que é um direito do cidadão pela constituição do pais,para a esfera da iniciativa privada,provocadora do culto ao corpo,onde auferem fortunas incalculáveis,e por isso mesmo responsáveis pelas tremendas distorções que ora grassam no seio de nossa juventude,lançada ao mito da perfeição,do narcisismo,e por conseguinte tornando-a presa facil de modismos,vicios,e até uso de meios artificiais e perigosos no afã de alcançar tal perfeição.O que para a escola era um importante fator na formação integral do individuo,se transformou em um instrumento de riqueza,fantásticos negócios e moeda de troca entre politicos e auto proclamados lideres de nossa juventude.Então,não é de se estranhar reportagens que vêm a público mostrando as mazelas provocadas pelos anabolizantes,e o testemunho pifio e desmoralizado de profissionais da saúde,medicos,psicologos,psiquiatras e outros mais,tentando justificar tais desvios,quando são eles mesmos os maiores beneficiarios de tudo que está ocorrendo,como se não fosse um desastre anunciado nos idos dos anos setenta,quando surrupiaram a Educação Fisica da escola.Agora,depois do leite derramado vêm justificar o injustificavel,e antes que me esqueça,por onde anda e o que tem a dizer o formidavel Conselho Federal de Educação Fisica?Aliás,corre no Congresso um projeto que visa tornar as academias em Centros de Saude,com a desculpa de que seus utentes poderiam descontar seus gastos do imposto de renda.Formidavel a desfarçatez dessa turma,mas business is business,e estamos conversados.

EXPLÍCITA GUERRA.

Um terceiro artigo sobre o assistente técnico da seleção brasileira em um site especializado,e que hora estagia em uma equipe profissional dos EEUU, inicia sua apresentação da seguinte forma: “Preparando-se para pleitear a vaga de Lula na direção técnica da seleção,Guerrinha diz acreditar em um processo natural de migração para o posto central do banco de reservas brazuca”.O mesmo acrescenta: “Sempre investí na minha parte profissional e sei do meu potencial,mas a função de técnico da seleção é um momento que vai acontecer naturalmente”. Naturalmente? E desde quando situar-se dessa forma soa natural? Quem o autoriza? Como ousa? Ou será que a seleção brasileira virou definitivamente uma casa da sogra! O fato de estagiar no exterior com os recursos de uma estatal,com o meu,o nosso dinheiro, de posar com estrelas da NBA,num marketing abusado, com propósitos oportunistas,não o qualifica muito além de sua verdadeira e imerecida função de auxiliar técnico da seleção, que se fosse comandada de verdade não daria continuidade a tão lamentável comportamento. A história da Seleção Brasileira por si só e por seus feitos jamais deveria ser vilipendiada por pretensos e incapazes pretendentes a seu comando. Sua direção deveria SEMPRE ser exercida pelo mérito,pelo reconhecimento e preparo de seu lider,sua cultura,sua educação,seu profundo conhecimento da modalidade,sua habilidade diretiva,técnica e estratégica,enfim,pelo seu mais profundo sentido ético. Nesse momento não estou faltando à ética,pois a estou defendendo com a minha indignação, sentimento que ainda me dou o direito de externar ante atitudes que ferem o decoro e a dignidade.Meu caro assistente de coisa nenhuma,se a posição do técnico oficial se mantém pela força do único voto discordante à Liga recem formada, e por conseguinte referendada pela CBB como paga à fidelidade da mesma, muito pior é sua oportunista posição de aspirante a lider de uma seleção que de forma alguma merece esse tipo de comando.No parágrafo final da entrevista nosso assistente afirma:”O basquetebol não vai ser salvo só pela seleção brasileira e com a classificação para as Olimpíadas.O mais importante hoje é uma política de esporte pelo governo nas escolas e para os clubes. A soma das forças em todos os seus segmentos do nosso basquete.Enquanto ficarmos com vaidades,politicagem,pobreza de espírito e desavenças,não vai ser o resultado de um jogo,de uma classificação,que vai resolver o problema.Pode até minimizá-lo,mas não soluciona.Temos que pensar no basquete brasileiro e não em interesses pessoais”.
Concordo,e para começar bem que o nosso assistente poderia tirar do caminho do basquete brasileiro sua arrogância,despreparo e interesses pessoais.

TAPETEBOL RIDES AGAIN.

Em um dia do ano passado um ex-assistente técnico de seleção brasileira afirmou em uma entrevista que ser assistente era a melhor das posições,pois no caso de um fracasso quem se arrebentava era o técnico principal.Respaldado nesta magnífica declaração publiquei o artigo “Tapetebol,um desporto nacional”,no qual tento esclarecer o que considero ser a verdadeira função de um assistente no seio de uma equipe diretiva,na contra-mão do que vem se tornando praxe nos relacionamentos que deveriam existir para o sucesso integrativo da mesma,até nas derrotas.Sei que preguei em um deserto onde impera a insensibilidade de princípios,e até da palavra empenhada.Em suma,afirmo com total convicção que a posição de assistente se resume no sentido etmológico do termo,assiste o técnico em seu trabalho,integrado em seus conceitos e liderança.Ações contrárias e publicamente divergentes traem o princípio de unidade da comissão,as quais deve o lider obliterar e se necessário expurgar.A sintonia entre esses profissionais deverá SEMPRE ser atingida em torno dos conceitos do líder,conceitos estes aceitos,discutidos e postos em prática,e eventualmente realinhados através detalhamentos emanados pelos assistentes,e mesmo assim quando solicitados.Estes,não concordantes com a liderança deverão se afastar para que não
ocorram quebras de hierarquia,que é exercida por pleno direito de quem se responsabiliza pelo comando, e se não o fizerem deverão ser afastados pelo lider.Em hipótese alguma qualquer dos assistentes deverá expor objetivos técnico -táticos,
mesmo como “sugestões” fora do âmbito íntimo da equipe,principalmente através da
mídia jornalística,fator que tende a fragmentar as relações de confiança que consolidam o teor da mesma.Mas porque abordo esta questão? Simples,está num site da internet uma entrevista de um dos atuais assistentes da seleção brasileira,que entre
opiniões e colocações de teor técnico-tático discorre sobre a preparação da seleção,
que com a ausência do pivô Nenê deverá sofrer uma grande reforma na maneira de atuar,
tendo inclusive já ter passado ao técnico principal a idéia de como fazê-lo,e mesmo já ter marcado uma reunião na ocasião de sua volta do exterior,onde trocariam as informações necessárias,e não satisfeito menciona o fato de ter antecipado sua volta
de Phoenix ao Brasil sem aceitar o convite do técnico do Dallas,pois seria complicado
aceitá-lo na fase final dos play-offs.Realmente se considera o máximo o nosso assistente técnico. Não é por acaso que alguns jornalistas já vinham ensaiando em seus comentários suas preferências ao nosso assistente para substituir o titular,o
mesmo que afirmou o que mencionei no inicio do artigo,com uma diferença,a de ainda não ter quebrado a cara na direção da equipe,e torcendo estou para que isso não ocorra.Sábio é o outro integrante da comissão,que como todo bom mineiro exerce sua função com discrição,sem trombetas e marketing.Parabéns para ele.A seleção merece destino melhor,mas não dessa forma onde a liderança é tão “sutilmente” contestada.Que os deuses nos ajudem.

MENTIROSAS ESTATÍSTICAS.

O nosso malfadado basquetebol tem agora mais uma sarna para se coçar.Grassa como uma praga a moda das verdades estatísticas,aquele instrumento pseudamente matemático que classifica,rotula,promove e até destroi reputações ,sem a menor cerimônia,como se fosse a coisa mais natural do mundo.Agora mesmo vem a público um trabalho que compara jogadores da NBA com os europeus,e de quebra os demais mortais,o resto.Chegou-se até a um número final,mais ou menos assim: NBA-227,Europeus-132 e os demais-105.E segundo o estudo os”demais”estão encurtando a diferença para os da NBA,graças ao grande número deles jogando naquela liga.Indo um pouco mais fundo nos critérios do estudo observamos que contabilizam exclusivamente os acêrtos nos arremêssos,nos rebotes,nas assistências, nos roubos de bola,nos tocos(?),numa pouco clara eficiência técnica, tudo somado a dados antropométricos,idade,temporadas.Tiram as médias dos acêrtos,classificam os jogadores nas indefectíveis posições 1,2,3,4 e 5 do “basquete internacional”,não explicam bem o que fazem com os dados pessoais compilados,e ZAP,temos os números mágicos que pretendem definir o Quem é Quem do basquetebol no mundo.É inacreditável que tal estudo possa acontecer sem que em momento algum sejam alocados no mesmo aquelas variáveis que permitiriam tais comparações,os êrros técnicos,as violações às regras,as faltas pessoais e técnicas, dados esses que devidamente contabilizados,listados e classificados gerariam números que comparados
entre si poderiam ser positivos ou negativos,para serem divididos pelo tempo jogado
por cada um.Aí sim,teriamos dados efetivos e muito próximos da realidade técnica,e que realmente definiriam os melhores.São os coeficiêntes de produção individual os mais justos critérios para comparações desta magnitude.Publiquei neste blog em 20 de
outubro de 2004 um artigo que exemplifica uma experiência realizada em uma equipe do
Rio de Janeiro nos anos setenta(Scautings,Stats,Dados não tão verdadeiros),com inegável correção em sua proposta experimental.Uma proposta semelhante foi extensamente aplicada na antiga Iugoslávia tendo o técnico Novosel como mentor e incentivador,com excelentes resultados. Países europeus tendem a esse tipo de trabalho comparativo,ao contrário dos americanos,para os quais as valências devem se concentrar nos acêrtos,mais fáceis de manipular e comparar,mesmo com índices não muito precisos e confiáveis.Para uma nação que tem na massificação desportiva um vasto manancial de talentos,pouco importa maiores precisões estatísticas,ao contrário
daquelas nações com muito menos praticantes.Duvido que a China,com seu bilhão e meio
de habitantes,e com uma política de massificação desportiva vá perder tempo com comparações estatísticas,pescam os melhores e pronto.Dão relêvo à base e à melhoria
de seus professores e técnicos,deixando as estatísticas para os gastos dispendidos no processo.No nosso caso seriam importantes os dados,mas de forma confiável,a fim de podermos comparar o efetivo progresso dos não muitos praticantes da modalidade.Mas
até chegarmos aos estágios próximos dos coeficiêntes de produção técnica,teríamos
inicialmente de nos livrarmos dos métodos percentuais que teimam em implantar uma
pseudo realidade de eficiência técnica, mentirosa e irresponsável. Em um artigo dessa
semana,o comentarista Fabio Balassiano aborda com boa margem de confiabilidade uma relação entre jogadores da NBA e de nosso Campeonato Nacional,onde compara acêrtos e
êrros nas performances dos mesmos,colocando em linguagem real o que realizaram efetivamente em quadra. Se tais comparações fossem tabuladas em um processo que auferissem pontos àquelas ações e relacionadas com o tempo de participação nas partidas,obteriamos um coeficiênte de produção para comparações entre as performances
apresentadas,muito mais precisas e justas.As mesmas analisadas pelo prisma percentual
somente beneficiam os acêrtos,com resultados facilmente manipuláveis.Seria de importância capital que pudéssemos ir um pouco mais a fundo nessa questão,pois muito
de tempo e verbas poderiam ser melhor distribuídos e aproveitados.Quem sabe atingiremos esse patamar,pois já se faz tarde tal progresso.

OS CINCO MOSQUETEIROS

Parece brincadeira,mas toma vulto o movimento que coloca nas costas de nossos cinco representantes na NBA a salvação da lavoura,as classificações para o Mundial,e por que não,para as Olimpíadas.Reafirmo que só pode ser brincadeira tal pretensão,pois numa simples e objetiva análise nada garante tal procedimento,senão vejamos: Todos são reservas em suas equipes,que como todas as outras,com uma ou duas exceções,não investem nos mesmos o que aplicam nos titulares,pois os de real qualidade são distribuidos por todas as equipes(a começar pelos drafts)no intúito de manterem a competividade a mais equilibrada possível.E as discrepâncias qualitativas são tão grandes que instituiram o prêmio para o melhor 6°jogador, que infelizmente não poderia ser extendido ao 7°,ao 8°,etc,etc.Do 7° em diante tem muito,mas muito jogador medíocre atuando na NBA,inclusive muito inferiores aos das Ligas Européias,onde atuam a maioria dos jogadores medalhistas olímpicos e campeões mundiais.Nossos cinco mosqueteiros estão sendo vítimas “a priori” de uma situação até certo ponto irresponsável,pois atuam numa forma de jogo que nada têm a ver com nossa realidade,e quando o fazem,por alguns minutos,pouco acrescentam nos resultados de suas equipes. Nenê e Baby tiveram suas estruturas físicas radicalmente alteradas,o que custou ao
Baby uma suspensão de dois anos pela FIBA no Pré-Olímpico,fato que não podemos esquecer de forma alguma.Os milhões de dólares envolvidos em suas contratações pode
justificar tal procedimento na NBA,nunca nos padrões da FIBA.Varejão,egresso da Liga
Espanhola,já chegou pronto ao Eden do basquete internacional,e parece que tem mantido sua estrutura imune a adaptações e modificações energéticas.Leandrinho,reserva do MVP
da temporada,ainda terá de praticar muito até chegar aos padrões do mesmo,e o Alex,
pouco produziu por motivo de grave lesão.Na Europa o Spliter oscila entre o Draft e
a Liga Espanhola,mas se tiver maturidade e independência por lá ficará,pois certas
exigências físico-morfológicas talvez não valham os poucos milhões prometidos.Com os
avanços das comissões do congresso americano no caso dos anabolizantes,que ora questionam os profissionais do futebol e do beisebol e que logo chegarão ao hoquei e ao basquetebol,muita coisa virá a público,e não será pouca coisa.Talvez encontrem os
verdadeiros motivos das grandes estrêlas se negarem a competir nos campeonatos da FIBA,principalmente as Olimpíadas.Então,teremos nossos mosqueteiros na Seleção,onde,
se mantidos os atuais sistemas de jogo,veremos Baby e Nenê virem para fora da linha dos três pontos fazerem bloqueios e executarem passes laterais,e na falta de opções
tentarem o drible penetrante ou os longos arremêssos,quando deveriam se manter o mais próximo da cesta possível.Veremos o Varejão ocupar a posição de um ala-armador sem
a técnica de um especialista na posição,e o Leandro correndo de lado a lado por trás da defêsa após executar o primeiro de uma série interminável de passes,como exige a
coreografia que se instalou entre nós com o pomposo título de”basquete internacional”
Se o Alex estiver curado comporá o quinteto,que por ser todo da NBA não terá sua
titulariedade contestada,ou NÃO?E o Spliter,o Guilherme,o Marcelinho,o Estevan,o Valtinho,etc,etc.comporão no quinteto?Duvido que o status da NBA seja abalado,pois se
o for muita mística será derrubada,muita pseudo liderança será duramente contestada.
Então porque toda essa questão em torno da decisão do Nenê de não atuar com a situação reeleita na CBB.Não serão outros os motivos?Numa recente entrevista de um dos astros da NBA foi dito-Somos especiais,diferentes,atuamos em mais de 80 jogos em
uma temporada,e só deveriamos nos apresentar fora da mesma em troca de muito dinheiro
inclusive Olimpíadas- É uma explicação conveniente,quando se sabe que o comitê olimpico americano jamais pagaria o que exigiriam,ficando os mesmos intocados nos verdadeiros motivos da recusa.Muito mais do que profissionais,são astutos e antenados
ao meio em que vivem e faturam alto,sejam quais forem as consequências. Nossos mosqueteiros devem se cuidar para não serem responsabilizados por um possivel,porque
desportivo,fracasso nas classificações,pois serão enquadrados no sistema de jogo,que
é uma copia canhestra do que fazem na NBA, o qual nos levou ao fundo do poço em que
nos encontramos, sem perspectiva a médio prazo de qualquer mudança substancial, pois
basta testemunharmos as finais do Campeonato Nacional para avaliarmos o que nos espera:Armadores que perdem a bola em momentos cruciais,quando não tropeçam na mesma,
alas que desconhecem os corta-luzes e as fintas,e pivôs que vêm jogar na linha dos
três pontos e por conseguinte fora dos rebotes.Por que não treinar os fundamentos?
por serem da primeira divisão? Porque não os treinam? Por acharem que não precisam
ou por incompetência mesmo? Qual a verdadeira resposta? Será que na hora da verdade
bradarão- Um por todos,todos por um? Se as vaidades deixarem, talvez…

DEPOIS DA TEMPESTADE…BONANÇA?

CBB na mesma,Liga num impasse logístico,18 federações preparando o butim e 9 outras se unindo no choro.Mas vida que segue,e na ausência de perspectivas melhores resta-nos a esperança de dias melhores,que podem estar mais perto do que supomos,e digo porque.Ao lermos alguns sites de basquetebol já nos deparamos com análises que se contrapõem a presente situação técnico-tática de nosso basquete,da pouca ou quase nenhuma atitude de reação por parte de nossos técnicos,e principalmente,a ausência de sistemas de jogo que nos recolocasse no patamar superior da comunidade internacional. O artigo do técnico Carlão no site Databasket,do Luchetti no BasketBrasil e da turma do Rebote,nos dá uma boa clareada de que aos poucos as opiniões divergentes se fazem presentes,naquele que é o mais sagrado dos princípios democráticos,a total liberdade de pensamento.Desde setembro do ano passado venho divergindo da quase totalidade dos técnicos brasileiros na publicação de artigos que soam na contra-mão do que fazem em suas equipes, não no intúito de minimizá-los,mas de questioná-los em suas preferências e ações.Colocações e perguntas são importantes em qualquer manifestação cultural,gerando discussões e consequentemente gerando soluções.No entanto,em nenhum momento fui questionado mesmo sabedor da grande visitação ao blog.Quando no exercício
prático do basquetebol,na qualidade de técnico e como professor universitário era permanentemente questionado,daí a estranheza com a ausência de críticas ao que expunha pela internet.No entanto,constato que muitas das questões que foram levantadas encontram comentários e análises cada vez mais frequentes nas páginas dos
sites especializados,o que denota um considerável progresso ante a estagnação vigente.Precisamos que estas questões sejam mais e mais discutidas,por todos e por muito tempo,a fim de que possamos,enfim,nos safarmos das armadilhas em que caimos nos
últimos anos.Que venham as associações de jogadores,de árbitros e de técnicos para somarem progresso,mesmo divergindo,pois somente dessa forma o alcançaremos.Sem a menor dúvida, o caminho mais promissor para a salvação de nossa modalidade passa pela
necessidade premente do encontro das idéias,da discussão histórica e de nossos mais
reconditos valores,do reconhecimento do saber,da aceitação do outro.Some-se a tudo isto uma grande dose de altruísmo,honestidade e humildade para encontrarmos as respostas e as possíveis soluções dos problemas que nos afligem.E que alguns não venham com as premissas de que tudo o que aqui foi exposto não passam de quimeras e
irrealismos,pois se assim for nada restará que valha à pena lutar.Pessoalmente acredito que valha.