A VELHA NOVIDADE DO SUNS

O técnico do ano na NBA é o Mike D’Antoni por ter revolucionado o jogo com sua correria desenfreada e fora dos padrões táticos das demais equipes,etc,etc…e tal.Esse é o destaque que é dado por alguns comentaristas aqui no Brasil em suas colunas especializadas naquele particularíssimo jogo praticado pelos irmãos do norte.Como revolucionário se nós mesmos o praticávamos a 40 anos atrás? Como revolucionário se a geração de Jabar e Magic Johnson nos Lakers dos 80’s já o praticavam magistralmente? E bastante antes o Boston de Bob Cousy e Bill Russel já reinavam em gloriosos contra-ataques,hoje denominados incorretamente de transições, mas que sôa modernoso.E um detalhe que só um dos articulistas mencionou,o de que tal revolução foi desencadeada pela liderança de um armador,o Steve Nash,que nem é americano e adora jogar futebol(o nosso)como meio campista.A logicidade desta revolução está implicita e explicitamente ligada nas funções de um armador inteligente,criativo,independente,e por isso mesmo revolucionário.Duvido que nos dias atuais um armador americano pudesse exercer tal independência ante a rigidez tática imposta pela maioria dos técnicos americanos.O Nash,com sua habilidade no drible e
nas fintas,com sua enorme velocidade,e,principalmente,com uma visão periférica do
jogo,quase camaleônica(aproximadamente 240º),fazendo toda a equipe interagir em
constante movimentação,onde individualmente todos dominam com maestria os fundamentos
básicos do jogo.Tivemos nós alguns Nash no passado,Amaury,Wlamir,Pecente,Mosquito,
Helio Rubens,Nilo,Edwar,Peixoto,Fernando,Maury,Guerrinha e muitos outros que jogavam
e faziam jogar.Hoje temos até bons armadores,mas que na maioria das vezes somente
jogam.O sistema de jogo que empregamos,que é copia do que é utilizado na NBA retira,
e muito,as ações de fazer jogar dos armadores. E aí aparece um pequeno sul-africano-
canadense,desvinculado,pela inteligência e pela forte personalidade,dos padrões vigentes e “desencadeia uma correria desenfreada que revolucionou o jogo”.Acho que a
melhor definição,a mais honesta,seria revigorou,ou mesmo reavivou o jogo.E nós minha
gente,e nós! Continuaremos a receber tais “inovações” pelo simples fato de nossos
atuais colunistas serem absolutamente impermeáveis ao passado recente? Em nossa última conquista masculina,lá dentro,em Indianápolis no Pan de 87,vencemos,não só
pelos 3 pontos,mas pela velocidade das ações.E o que dizer das conquistas femininas?
Não agiam,Paulo,Hortência e Janeth como age o Nash atualmente?Numa aparente e enganosa anarquia tática,onde a criatividade,a coragem e a extrema habilidade são os
elementos desequilibradores? E o que dizer dos cerebrais armadores argentinos,tão ou
mais Nash’s do que o mesmo.Saberão os jovens cronistas onde seu deu a primeira,grande
decisiva e fulcral revolução no basquetebol? Não? Então conto. Foi quando,em 1936
Hank Luizetti,jogador da Universidade de Stanford criou o Arremêsso em Suspensão o
clássico Jump Shot,pois desta data em diante o jogo nunca mais foi o mesmo.Aliás,
a tese de doutoramento que defendi na Europa tinha esse enfoque como tema de partida.
Num dos programas da série “A História do Jazz” passada no canal GNT.o,produtor Marsallis entrevista o grande Karin Jabbar sobre uma possível similitude entre o jazz
e o basquete,e o depoimento do grande jogador deveria servir de modelo para todo e
qualquer profissional da imprensa desportiva que queira escrever sobre táticas,sistemas,e principalmente criatividade e atitudes revolucionárias.Reunam-se,
assistam e aprendam o verdadeiro sentido da palavra revolução,e o que ela realmente
significa dentro,não só do esporte,como no âmago de nossas vidas.Mas,a grande ironia
dessa historia toda,é a de que não foram poucas as críticas à nossa maneira peculiar
de jogar, maneira essa que é endeusada por se tratar de NBA, o que reforça o dito
popular de que “santo de casa não faz milagres”!E outra,a de que o reserva do Nash,o
nosso Leandro ainda se encontre engessado pelo sistema de jogo onde se desenvolveu,o
passing game,constatação óbvia quando está em quadra.Torço para que ele tenha discernimento suficiente para embarcar na canoa de seu colega,pois habilidades possue
só que talvez não seja o suficiente,pois falta-lhe o lastro cultural,que faz do
titular dono de uma auto-suficiência decisiva em toda e qualquer revolução.

DOIS ARMADORES? ALELUIA!!

Enfim,já se vislumbra uma lamparina no final do túnel.Desde a convincente vitória na
Argentina, que o Uberlândia vem utilizando dois armadores natos em seu sistema de jogo,e também no Campeonato Brasileiro,pelo menos nos jogos que vi pela TV.Timidamente a equipe do Rio de Janeiro e o COC,em alguns momentos, os tem utilizado. Com isso ganharam em velocidade,segurança nos dribles e precisão nos passes para os homens junto à cesta.O que não se alterou foi a formação de ataque,na configuração do Passing Game.Por essa razão um dos armadores joga isoladamente no centro da quadra,e o outro faz as vezes de um ala.Mas a simples presença dos dois conota um apreciável aumento de qualidade técnica,assim como um incremento nas fintas em direção à cesta,quebrando em muito a sucessão interminável de passes periféricos. Se os armadores jogassem mais próximos um do outro,ações de dá e segue se sucederiam entre ambos numa frequência que desestabilizaria seguidadmente a primeira linha de defesa,originando supremacia númerica permanente.Duas ações simultâneas,uma entre os armadores na periferia,e outra entre os alas e o pivô dentro do garrafão,gerando uma interação entre ambas,seria o objetivo a ser alcançado,numa atitude radicalmente oposta ao PG.Mas essa possibilidade ainda está muito longe de ser alcançada,pois não se muda um hábito de 20 anos em um dia. Mas o simples fato das tentativas que vêm sendo realizadas por alguns poucos,já nos dá uma esperança de dias melhores,pois mesmo que os armadores não sejam de grande estatura,os três outros darão conta do recado nos rebotes,principalmente os de ataque,já que não precisarão sair na área periférica para armar jogadas(diga-se, passar a bola),ou tentar arremessos absurdos.Com os alas e o pivô junto à cesta,e os armadores na periferia,todo um comportamento tático poderá ser desenvolvido pela constante e initerrupta movimentação de todos os jogadores,ao contrário do PG em que um e no máximo dois atacantes participam da conclusão de cada ataque. Muito se poderia dizer e afirmar sobre essas tentativas,mas a mais importante prova do acêrto foram os resultados alcançados.Espero que os exemplos possam ser seguidos pelas demais equipes,com uma riqueza de opções e movimentações próprias a cada um,na contra-mão da mesmice viciosa do que fizeram até os dias de hoje.No momento que abandonarmos a copia inadequada e burra que nos auto-impusemos voltaremos a ser nós mesmos,mestres do improviso consciente e lúcido,amantes da velocidade e da perícia.Não foi copiando,e mal,que conquistamos as glórias do passado,e pór isso temos a derradeira obrigação de nos reencontrarmos com nossos valores e tradições.

E A BURLA CONTINUA.

Quinze segundos para o término da partida Paulistano x Uberlândia.O armador do Paulistano dribla em direção à cesta.O defensor recua à curta distância.O atacante executa duas paradas com subsequentes partidas e arremessa dando a vitoria à sua equipe.Só que a arbitragem,totalmente focada na ação dos dois jogadores omite o fato de que nas duas paradas o atacante interrompe a trajetória da bola em seu deslocamento vertical e recomeça o movimento fazendo com que o dominio da mesma se mantivesse longe do alcance do defensor.Em ambas as ações o atacante cometeu a infração dos dois dribles pois é vedado a quem dribla a bola a interrupção de suas trajetórias ascendentes e descendentes.Se estivesse em maior velocidade cometeria a infração de andar com a bola,pois daria um sobrepasso com a mesma paralizada em sua mão.Ninguém reclamou,a jogada foi validada e vida que segue.Amanhã,em competições internacionais a infração será marcada,e as reações poderão se fazer sentir em torno de uma flagrante violação às regras do jogo.E cada vez mais essa ação é difundida entre nossos armadores e alas.Os técnicos se mostram coniventes,pois não se vêem atitudes que reprovem a ação.E essa atitude técnica vem estabelecendo uma verdadeira orgia de incorreções nos dribles,a ponto de alterar até resultados nos jogos.Muito
desse comportamento técnico vem do street-basketball americano,onde a manipulação da
bola visa a acrobacia e o espetáculo,empolgante por sinal,mas em detrimento das regras do jogo.Por isso os praticantes dessa modalidade nos EEUU são preteridos quando candidatos a vagas nas equipes da NBA. Uma das constatações mais óbvias ao
visualisarmos as grandes fotografias dos armadores e alas americanos quando driblam
é a proximidade de seus cotovelos junto ao corpo,fator que elimina o sobrepasso e a
condução,pois nessa posição a bola percorrerá sua trajetória perpendicular ou oblíqua
na mesma extensão,tanto com o jogador parado ou em deslocamento.O cotovêlo distante
do corpo caracteriza a manutenção do controle da bola por um periodo de tempo mais
longo,fazendo com que o binômio rítmo-passadas se altere sobremaneira.Se a mão condutora da bola se postar por baixo da mesma,ficará caracterizada a interrupção de
sua trajetória,configurando a infração.Já se observam essas tendências até em categorias de formação,pelo exemplo dos adultos,e pela não punição por parte das
arbitragens.Em suma, estamos educando toda uma geração de jogadores a utilizarem recursos técnicos que burlam as regras,o que é de se lamentar.O ensino dos fundamentos realmente é dificil e demorado, mas não justifica tal simplificação no
ato de driblar a bola.Torna-se uma ação comprometedora no mistér de bem ensinar e de
bem sedimentar nosso futuro.Cuidado,muito cuidado nos fundamentos caros colegas,pois
jovens são como vasos de argila,cuja modelagem exige paciência e precisão,pois se o
resultado após o endurecimento dos mesmos for defeituoso só resta quebrá-los, e dificilmente os cacos podem ser juntados e colados.Por isso sempre defendi que a formação deveria ser entregue aos melhores professores,os mais bem preparados,pois
não veriamos a burla nos dribles em silênciosa conivência.

SUGESTÕES SOBRE LIGAS

Mesmo discordando do momento,onde o ranço politico mais se faz presente,momento este que poderia aguardar mais um pouco,até o clareamento pós eleição,dando margem a um estudo mais aprofundado das questões inerentes a tal empreendimento,principalmente quanto a organização dos quadros responsáveis pela criação das futuras Ligas,torço para que consigam fazê-las funcionar. Como afirmei anteriormente dificilmente a CBB dividirá o uso da chave do cofre,pois dela depende, como fator determinante de sua existência.Pela crueza e inegável importância desse fator, é que sugiro uma partição inicial das Ligas em áreas determinadas,ou regiões,o que tornaria os deslocamentos das equipes mais econômicos, menos desgastantes,e consequentemente mantendo o nível técnico.Com gastos menores nas etapas iniciais do processo,aos poucos,porém seguramente, as Ligas poderiam atingir seus objetivos de integração nacional.E o que seriam estas regiões?Histórica e tradicionalmente é do conhecimento de todos quais os centros de excelência do basquetebol brasileiro. A região sudeste é inegalvelmente a grande base de nosso basquetebol,seguindo-se o Centro-Oeste e algumas regiões do norte e nordeste.As equipes da capital paulista poderiam se unir às cidades mais próximas do Paraná,assim como as do interior paulista se uniriam às equipes do Centro-Oeste.Rio de Janeiro constituiria com Minas Gerais um outro polo competitivo,completado em um estágio inicial pelos dois estados do sul.O norte e o nordeste ficariam para uma etapa posterior após a implantação definitiva do modêlo.
Inicialmente pode parecer injusto,e motivo de alguma indignação a implementação do
mesmo,mas dentre os obstáculo que as Ligas enfrentarão,o financeiro será o maior deles.Vencedores das regiões se enfrentariam em um ou dois locais,para decidirem o
campeonato.Os títulos regionais seriam também valorizados, despertando nas emprêsas regionais,de mídia inclusive,o desejo de participação.Um grande erro é querer dar
partida a tal empreendimento em caráter nacional.Um sem número de firmas e emprêsas poderiam se beneficiar da regionalização,onde são fortes e influentes pela tradição.O acesso,criterioso, só seria aceito após estudos em que sejam provadas as condições econômicas que mantivessem e garantissem as equipes interessadas.Conselhos de técnicos e jogadores auditariam patrocinadores e equipes,a fim de que fossem mantidas as condições técnicas e econômicas dos participantes.As arbitragens também teriam caráter regional,valorizando esses profissionais e também reduzindo custos em deslocamentos.As seções regionais da Liga Nacional,dariam apôio técnico às pequenas Ligas visando o trabalho de base,fossem em clubes ou em escolas.
Trata-se de um trabalho monumental,e que exigirá conhecimento técnico na formação de
base,e conhecimento administrativo na exequibilização do projeto,além de uma muito bem planejada alocação das poucas verbas inicialmente conseguidas. Um Conselho Consultivo,formado por ex-atletas com especializações em administração,gerenciamento,
marketing,economia,direito,jornalismo e turismo,poderia ser de valor extraordinário para a organização das Ligas,pois muitos deles ocupam cargos de grande importância,tanto na área governamental,como na área privada. O COB tem se valido desses profissionais,assim como o voleibol.Acredito,que bem motivados a turma do basquete iria ajudar muito.Uma Liga iniciante tem que se valer de muita criatividade
e pés no chão. Começar pequena,com firmeza e confiabilidade,poderá gerar num espaço relativamente curto uma grande organização auto-suficiente.A tão propalada independência da CBB só será possivel com o aval do público e da correta administração das competições.Se houver dependência financeira nada acontecerá,pois
como venho afirmando,manda quem tem a chave do cofre. Se os jogadores poderão defender as seleções nacionais,deixem aos resultados o julgamento de quem realmente
manda,VOX POPULI VOX DEI.

UM ARTIGO DESLUMBRADO

Costumo ler todos os sites que falam do basquetebol em nosso país,e o faço democraticamente,sejam artigos deslumbrados,análises atropeladas ou leituras superficiais sobre os fatos da modalidade, pois todos são importantes ao gerarem saudáveis discussões,grandes divergências de opiniões,e que no transcorrer dos tempos
talvez nos levem ao encontro de um passado esquecido,de um reencontro de gerações,de uma retomada orgulhosa e possível do caminho extraviado.E para reforçar esta minha certeza de que o soerguimento é possivel,reproduzo para todos,jóvens e velhos praticantes,antigos e novos jornalistas,técnicos e apaixonados pelo basquetebol um artigo publicado na revista comemorativa do Campeonato Mundial Masculino de 1963 no Rio de Janeiro, e publicada pela CBB.O autor,Robert Busnel,membro da Comissão Técnica da FIBA, Selecionador e Técnico da Equipe Nacional Francesa,colaborador do jornal desportivo”L’Equipe”,de Paris e da revista”Basketball”,órgão oficial da Federação Francesa de Basketball e uma das maiores autoridades do Basketball mundial.
BRASIL,CAMPEÃO DO MUNDO COM JOGO RESPLANDECENTE E NO QUAL AS QUALIDADES FÍSICAS E A
PONTARIA ATINGIRAM VÉRTICES EXTRAORDINARIOS-
Os varios títulos em relêvo resumem um campeonato extraordinario.Nunca as equipes estiveram tão aproximadas umas das outras.Nunca os jogos atingiram um tal nível.Nunca as qualidades físicas dos jogadores e a sua pontaria foram tão determinantes.
Nesse ginásio do Maracanã,o maior do mundo,recordes foram batidos,com mais de 40.000
pessoas nos jogos principais,que fizeram um imenso Carnaval,onde a alegria não passou
nunca dos limites permitidos.Graças à vitória do Brasil,uma vitória justa,merecida e obtida num estilo fascinante,no qual os movimentos mais clássicos eram finalizados
por ações inesperadas. Um Amaury ou um Wlamir,parecem ter atingido os píncaros da
perfeição. Esse”diabo” do Wlamir,no contra-ataque,foi irresistível e a bola que
arremessava,em posições às mais acrobáticas parecia enviada à cesta como se fôra nos
braços de uma amante. Seu companheiro Amaury,base de tôdas as ações brasileiras,na
quadra apresentava a displicência de um grande Senhor.Mas isto era apenas aparente,
porque em todos os momentos críticos da sua equipe,sem falhar uma só vez,impunha a
sua lei de uma maneira espantosa. Em volta dêsses dois homens,é certo,havia outros
cujas mãos “roubavam” tôdas as bolas indisciplinadas. E,depois,havia o amor à cesta,
a atração de cada um,com um só objetivo: marcar o máximo de pontos. Saltando a alturas inacessíveis ao comum dos jogadores eles arremessam à cesta com facilidade
incrível num raio de oito metros. E,quando bem sucedidos,saltam ainda mais e sempre
para exprimirem sua alegria,com gritos estridentes que encontram eco no frenesi de
milhares de espectadores. Poder-se-á dizer que os americanos poderiam enviar uma
equipe melhor,que o encorajamento do público foi determinante,que o Maracanã é no
Brasil,mas não é menos verdade que este título de Campeão do Mundo foi conquistado
com um panache jamais igualado,com uma classe incontestável,com uma vontade que nos
leva à admiração. A equipe do Brasil foi realmente grande,a melhor,incontestàvelmente Campeão do Mundo em futebol,Campeão do Mundo em basquetebol, o Brasil pode orgulhar-se dos seus atletas, ou melhor, dos seus artistas!Se um Pelé ou um Garrincha encantam as multidões dos campos de futebol,pelo virtuosismo,um Amaury ou um Wlamir atingem as mais elevadas culminâncias pela elegância. Graças a essa maneira deslumbrante,eles arrastam não sòmente uma multidão apaixonada, mas também toda uma juventude ávida de assemelhar-se aos seus ídolos. Tôdas as noites,nos ginásios,nas ruas mesmo,ou às tardes,sob o sol poente quando as sombras invadem a praia de Copacabana,pode-se ver esses jóvens brincando com a bola encantada das suas
esperanças. E o Cristo do Corcovado,tão alto no céu,parece abençoar essa juventude
ardente,entusiasta,generosa,inquieta,que não acaba de nos surpreender e que um povo
inteiro encoraja com vozes que atingem as nossas entranhas e que vos dá,a vós também,
vontade de gritar:”BRASIL,BRASIL,BRASIL!”
Quem escreveu foi um filho do bêrço cultural da Europa,deslumbrado pelo que assistiu
e testemunhou,ao vivo e à côres.Só peço aos deuses que essa nova geração de escribas
tenha a chance que ele teve,para se verem,nem que por um momento,tão deslumbrados
quanto Robert Busnel.
Em tempo-Também estive lá.

COMANDO EXPLÍCITO

E a final aconteceu,e para que nenhuma dúvida ficasse no ar gravei a dita cuja em velocidade SP,a melhor.Não precisei nem revê-la para confirmar observações anteriores,pois,acima de qualquer dúvida,o óbvio foi mais que ululante.North Carolina e Illinois fizeram uma final,perante 50.000 mil espectadores(pagos com certeza)onde as estrêlas se encontravam FORA da quadra,e não DENTRO,como deveria ser pelo espírito da competição e da luta.Até paletó cor de laranja se fez presente,assim como as pranchetas reinaram absolutas.Para a inveja de muitos de nossos técnicos,seus colegas americanos podem pedir vários tempos,de curta ou longa duração(cronometrei seis deles com mais de três minutos para permitir a inserção de comerciais),o que de certa forma os colocavam no comando direto a cada três ou quatro posses de bola. Jogadores pressionados ou sem opções de passes também podem paralisar o jogo, para que os técnicos “desenhem”as movimentações técnicas.Ou seja, jogador não pode ter livre arbítrio,deve e tem de seguir movimentações estabelecidas por seus técnicos,e se num rompante de individualidade fugir do prescrito sua substituição é quase automática.Illinois optou pelo jogo baseado nos três pontos(até em contra-ataque o tentaram)e na fortíssima defesa.North Carolina apostou no jogo de meia e curta distância,apostou nos dois pontos,mais precisos e equilibrados, e por isso venceu. Jogou com a formação clássica de dois armadores,dois alas e um pivô forte,porém bastante rápido(reboteava na defesa e ia para a conclusão no ataque)Porém,o que ficou
patente,sacramentado, por se tratar da final do campeonato de maior tradição nos EEUU
(A NBA tem 60 anos a menos de existência),foi a total submissão das equipes ao rigorismo técnico-tático imposto pelos técnicos,de tal forma pétreo, que impossibilitam mudanças estruturais dentro do jogo.Uma ou outra mudança posicional,ou
mesmo comportamental ainda se faz presente, mas mudanças radicais,nem pensar. Táticamente começam e terminam da mesma forma,e ponto final.North Carolina apostou no
cansaço dos lançadores de Illinois,e para maior garantia cortou a linha de passes
velozes que propiciavam os arremêssos de três pontos equilibrados, ao mesmo tempo que
reforçava o jogo interior dos dois pontos(e muitas vezes de três pelo elevado número
de faltas no ato dos arremêssos).Concluindo,eram três ou quatro posses de bola e o
pedido de tempo se fazia presente,pois as estrêlas do jogo TÊM que jogar também.E o
engraçado é que após os mesmos as equipes voltavam agindo idênticamente ao que vinham
fazendo, ou seja,aquela quantidade de excelentes jogadores manietados aos esquemas
rabiscados nas pranchetas,estas sim, reinando absolutas,ofuscantes no centro(centro
mesmo,com todos em volta)das ações.Já comentei em artigos anteriores esse dominio
absoluto exercido pelos técnicos universitários em suas equipes,e a adoção maciça do
Passing Game como uma autêntica filosofia de jogo empregada por todos,por motivos que
também expús anteriormente.Essa atitude mantem e perpetua o dominio dos jogadores de
fora para dentro da quadra,e uniformiza politicas de recrutamento e controle de
qualidade,tal qual uma imensa indústria de equipamentos de alta precisão, e sem
dúvida nenhuma o maior beneficiário dessa indústria é a holding NBA, com uma única e
sutil diferença,que denominei no artigo anterior como a grande,inteligente e genial
contradição do basquete americano,fundamentada no sistema do Passing Game,que na NCAA
pela utilização dos 35 segundos de posse de bola mantem a equipe sob o controle dos
técnicos e praticamente inviabiliza o jogo de um contra um pela adoção das defesas por zona,flutuações e ajudas,ao contrário da NBA,que utiliza o mesmo PG,mas com a
não permissão de flutuações e determinadas ajudas explora ao máximo as situações de
um contra um,mesmo dentro das limitações dos 24 segundos,fator que retira dos técnicos muito do dominio exercido por seus colegas universitários.Numa rápida análise e consequente conclusão, o que pudemos atestar com boa margem de previsãa,é
que os EEUU correm um sério risco de ainda ficarem,e por um longo tempo fora das conquistas em campeonatos da FIBA,pois países como Argentina,Itália,Espanha, Lituãnia,para citar alguns, já evoluiram para um sistema de jogo bem adaptado aos
24 segundos nos ataques, e pela utilização e variação de sistemas defensivos negados
aos astros da NBA. A liberdade de criação,e consequente diminuição na influência dos técnicos sobre os jogadores,dão ao restante do mundo boas chances de adiarem a volta
dominadora dos astros da NBA,além,é claro,das sérias desconfianças que pairam por sobre muitos deles quanto a lisura de suas preparações técnicas.Mas isso é outra história…

A CONSTATAÇÃO DO ÓBVIO

No penúltimo artigo que publiquei sobre táticas e sistemas,mencionei a total similitude dos sistemas empregados pelos dezesseis, e depois oito finalistas do campeonato universitário americano. Agora mesmo,ao se encerrar a rodada dupla do Final Four,mais do que nunca confirmou-se tal similitude,e com um agravante,idênticos comportamentos quando fugiam da rigidez do Passing Game. Momentos houve,em ambos os jogos,como num toque de loucura coletiva,quando as regras e conceitos são quebrados por todos os envolvidos na quadra(técnicos à parte),em que uma correria desenfreada em contra-ataques sucessivos de ambas as partes,culminavam em êrros, até certo ponto primários e nada dignos de jogadores finalistas.E o jogo se transformava em uma competição de arremêssos de três pontos,mesmo em contra-ataques individuais,e em perdas de bola bisonhas em passes e dribles.Mas, eis que intervêm o técnico,colocando a todos nos trilhos previsíveis do PG,vamos chamá-lo assim,PG. E o que acontece? O que já vinhamos vendo em toda a competição,a constatação do óbvio.No NYT de hoje saiu
uma reportagem mostrando que na atualidade do basquetebol universitário americano,os
técnicos são mais enfocados pela mídia que os jogadores,e que suas funções de liderança e de comando os tornam preferidos em campanhas comerciais milionárias,como
as do American Express e Walmart,pelo seu carisma e poderosa imagem de vencedor.Mas,
e os jogadores,que pelas rígidas leis da NCAA nada podem receber,a não ser o estudo
alimentação e alojamento? Claro, que uma formação acadêmica,e uma possibilidade de ingresso na NBA são poderosos argumentos para que enfrentem os quatro anos de universidade,e que para tal se submetam ao sistema de jogo que subtrae dos mesmos o
livre arbítrio e muito de sua criatividade.Mas naqueles momentos de fuga e loucura
transgridem a tudo,erram bisonhamente e acertam brilhantemente,numa demonstração do
que seriam capazes de realizar se jogassem com mais liberdade e opções,como fazem os
profissionais que utilizam o mesmo sistema de jogo,o nosso familiar PG.E ai está a
grande,proposital e genial contradição do basquetebol jogado por nossos irmãos do
norte,e que copiamos erroneamente,por não entendermos o cerne da mesma.Porque contradição? Em artigos anteriores explico os porques que originaram a adoção do PG
pelos técnicos universitários,e numa breve síntese,é o sistema que garantiu o controle tático absoluto das equipes por parte dos técnicos,que temiam perdê-lo com
a adoção do limite de tempo de posse de bola. E ainda raciocinam e agem dessa maneira
ao permitirem 35 segundos de posse ,em vez dos 24 segundos da NBA e da FIBA,que para
eles não representa nada,inclusive nas regras particulares que usam.No entanto, permitem a utilização das defesas por zona,das flutuações e das ajudas defensivas.
O PG age como elemento congregador,cuja movimentação é plenamente planejada e controlada pelos técnicos,exatamente como uma grande coreografia. É um sistema,que pela velocidade dos passes,estabelece com elevada frequência o surgimento das situações de um contra um,pouco utilizadas pelos universitários,já que as defesas ,
flutuações e ajudas,obstaculizam tais ações,mas que cabem como luva entre os profissionais,por terem aquelas ações defensivas limitadas e praticamente proibidas.
Neste caso,as atitudes individuais e o brilhantismo técnico se sobrepôe à rigidez do
PG,sem negá-lo.Essa foi a contradição que derrubou Rick Pitino na NBA,e derrubará
todo e qualquer técnico universitário que tentar estabelecer o rigorismo do PG,ainda
mais sob a regra dos 24 segundos. E nós? E NÓS?? Ao copiarmos os profissionais esquecemos mais uma vez o óbvio, pois como empregamos a liberdade defensiva vimos
nossos armadores se transformarem em cestinhas,nossos alas esquecerem os fundamentos
e nossos pivôs se transformarem em massas disformes,lentos e em muitos casos,estáticos. E nossos técnicos,hipnotizados pelas mirangens da NBA,magistralmente
divulgadas pelo mundo televisivo e informatizado,sonhando com uma forma de jogar e
administrar o basquetebol sem ter um mínimo da retaguarda acadêmica e colegial que
eles possuem,e pior,sem sequer procurar,e mesmo estudar a grande,e repito,genial
contradição que mencionei.Nossos técnicos precisam entender com urgência,os meandros
sociológicos que cercam toda e qualquer política que visa desenvolver um progresso
desportivo,o qual espelha ações inerentes a cada povo ou nação,e que se bem entendidas e analisadas permitem que se estabeleçam ações antagônicas para enfrentá-las.Um técnico brasileiro não deve querer agir como um americano,pois são situações diametralmente opostas,realidades contrárias,diferentes. Deve,isto sim,
adequar nossa realidade pessoal,física,econômica e psicológica a técnicas e sistemas
que explorem ao máximo nossas potencialidades,que são únicas e especiais.Mas para
isso terão que estudar mais e procurar não se influenciar pelo canto de sereias.
Ulisses se acorrentou ao mastro de seu barco,às suas convicções e principios,e seguiu
em frente,de encontro a seu destino. Pensem bem sobre os porques dos argentinos,aqui
do lado,nos passarem e nos vencerem, e na segunda-feira,quando da final universitaria
americana tetemunhem,tão somente,a contradição do óbvio,e nada mais,por favor!

MUDANÇAS À VISTA!

Desde Setembro do ano passado venho publicando artigos nesse singelo blog,sem imagens,diagramas,videos,a não ser textos,com algumas lembranças e testemunhos de uma caminhada de mais de 40 anos pelo mundo do basquetebol.O que mais me impressionou durante todo esse tempo das publicações, foi a total ausência de qualquer comentário,um que fosse,emitido por aqueles que os leram,como se tivessem tomado conhecimento de relatos acima de quaisquer dúvidas, verdades indiscutíveis.Como temo toda e qualquer unanimidade,optei em procurar pelos meios a que tive acesso,sites,jornais,revistas,outros blogs e ferramentas de procura na rêde,qualquer pista de respostas,mesmo tênues para o que vinha publicando.E eis que me deparei com um sem número de inclusões do blog nos sites de pesquisa,além de vários pedidos de repubicação por outros blogs congêneres,e ai tive a prova de que,mesmo sem ter sido questionado diretamente,atingi um pequeno público interessado na matéria.Por isso,e só por isso, dei continuidade ao trabalho,que não é muito diferente daquele que desenvolvi no magistério superior e como técnico,sempre voltado para a pesquisa e a divulgação das mesmas.E está sendo encorajadora a sensação de que, de alguma forma,vislumbramos mudanças importantes no comportamento de grupos e pessoas ligadas ao basquete,e que de alguma forma influenciei um pouco nessas mudanças. Temos alguns exemplos,como a reunião de técnicos de Curitiba em um ciclo de discussões,como
a dessa semana onde será analisado e estudado o Passing Game,sistema de jogo ao qual dediquei muitas linhas de combate sem tréguas contra essa triste experiência, que empobreceu nossa técnica e encerrou nossos técnicos em uma camisa de força de triste memória e teimosa presença.O lançamento das escolinhas de basquete da Associação de Veteranos de Basquetebol do Rio de Janeiro é outra constatação de que aos poucos aqueles que outrora engrandeceram a modalidade abrem suas portas para os jovens,em vez de se dedicarem ao lazer e recordações dos tempos passados.Essas Associações têm no seio de seus adeptos o que de melhor existiu no basquetebol brasileiro,e quer queiram ou não, são a memória viva de nosso passado brilhante,e que cabe a eles repassarem seu entusiasmo aos jovens,tanto pelo exemplo de continuarem a praticá-lo, como pela função patriótica de divulgá-lo junto aos mesmos. Também alguns sites bastante ligados à divulgação da NBA já abrem espaços de discussão,como o da criação de uma Liga Nacional, assim como enfocam a sucessão na CBB dentro de critérios éticos
técnicos e até politicos. Aos poucos espocam aqui,e acolá, movimentos ainda dispersos
que visam uma salutar discussão sobre o nosso futuro,o futuro do basquetebol.Que sejam benvindas essas mudanças, ausentes a longo tempo de nosso meio, e que se multipliquem para termos,com certeza,dias muito,muito melhores.Aqui dessa humilde trincheira continuarei a abordar esse tema que me apaixonou desde muito cêdo e ao qual prometi amar enquanto lúcido e capaz de estudá-lo,pesquisá-lo e divulgá-lo.Mas bem que um comentário seria bem-vindo,pelo menos um…

FALEMOS UM POUCO DE TÁTICAS E SISTEMAS

Acabo de assistir pela TV as quartas de final do campeonato universitário norte
americano, numa louvável iniciativa da ESPN INTERNACIONAL que nos tem brindado,entre
outras transmissões, com campeonatos de sinuca,habilidade com bolinhas e um inacreditável mundial de pôquer.Deve haver mercado para tais modalidades,mas não precisavam exagerar.Mas valeu pelo basquetebol,que nos deu uma excelente oportunidade de comprovar o verdadeiro potencial da modalidade nas terras do Tio Sam.Também inacreditável a constatação de que os dezesseis classificados nas quatro chaves nacionais jogavam rigorosamente iguais,no mesmo sistema,e com as mesmas jogadas,diferenciando-se entre si pelo maior ou menor talento de seus jogadores.E ai está o grande segredo do basquete americano,a homogeinização do sistema de jogo,que tem seguimento na NBA,só que em 24 segundos de posse de bola,em vez dos 35 segundos dos universitários, pois esse tempo extendido mantêm os técnicos no total comando e controle das ações dentro da quadra,o que é impossivel entre os profissionais,daí o fracasso de um Rick Pitino quando na NBA, num evidente contraste com sua impressionante atuação na NCAA. O potencial defensivo tinha como pilar performático,não só a total entrega dos jogadores,mas principalmente o mais profundo conhecimento das ações ofensivas dos adversários pela similitude de seus sistemas.Por essa razão as interceptações de bola eram frequentes,assim como os bloqueios próximos à cesta.Vimos equipes com fortissimo potencial nos três pontos serem superadas pelo jogo centrado nos dois pontos,principalmente através os pivôs.Testemunhamos o ápice das jogadas de um contra um desenvolvidas por especialistas no drible,mas que enfrentavam flutuações e fortes coberturas.Como na NBA essas ações são praticamente excluidas, dão aos atacantes espaços para jogadas de maior efeito plástico,que é o fator mais valorizado pelos expectadores, pelos comentaristas e pelos jovens mundo afora.Mas a maior lição que as equipes nos deram foi a consistência defensiva.Entre nós,frequentemente,cometemos faltas pessoais até nos últimos segundos de um ataque de 24 segundos do adversário,pois não conseguimos manter a atitude defensiva por um longo tempo.Dá gosto assistir uma equipe universitária americana manter a atitude defensiva pelos 35 segundos que duram os ataques,sem esmorecer,sem dar folgas.Se entre nós estabelecessemos a regra dos 35 segundos nas divisões de base teriamos,pelo treinamento e pela continuidade um significativo aumento na tão desejada atitude defensiva, assim como ampliariamos os comportamentos táticos ofensivos e melhores ações de técnica individual,principalmente o drible.Chega a ser lastimável vermos equipes infantis e infanto-juvenis jogando dentro das limitações dos 24 segundos que não respeitam seu desenvolvimento mental e nervoso.Poderiamos inclusive extender para 40 segundos as ações ofensivas dos mirins e mini-basquetebol,para dessa forma criarmos uma escala didática que respeitasse a evolução psicomotora dos jovens.É dessa forma que os americanos e europeus desenvolvem seu basquetebol,tendo como consultores e executores os professores e técnicos,reservando aos burocratas as funções que lhe dizem respeito. Mas,assim como a homogeinização do sistema de jogo,o
Passing-Game,é a tônica do basquete universitário americano,fator alimentador de talentos para a NBA, levou ao fracasso dos mesmos nas competições internacionais,pelo
simples fato de algumas nações não o empregarem, e que foi copiado “in extremis”por
nossos técnicos,poderiamos nos unir às mesmas na fuga da influência do norte,para voltarmos às nossas raízes,não muito diferentes das que transformaram paises que nunca nos venceram,nos donos atuais do basquetebol internacional.Mas para que isto possa vir a ocorrer, seria necessario,entre outras coisas, que os jovens cronistas e
jornalistas tão atuantes hoje em dia se debruçassem um pouco em nosso passado,que o pesquisassem, para após conhecê-lo pudessem realmente divulgar a nossa realidade,que em absoluto é a que hoje divulgam e em alguns casos endeusam, pois se campeões fomos
sendo conotados pela FIBA como a quarta maior nação basquetebolística do século XX,
não estamos merecendo a correta divulgação e consequente valorização por intermédio de seus testemunhos, que na maioria das vezes pecam pelo deslumbramento de realidades estranhas às nossas, e pelo canhestro desconhecimento de nossas técnicas,de nossos
verdadeiros técnicos e de nossa autêntica e esquecida forma de jogar.A essência do verdadeiro jornalista é o profundo conhecimento da história e do passado,fatores que explicam o presente e que sedimentam o futuro, e que são as variáveis intervenientes na mais simples das pesquisas.Desconhecer tais valores não só comprometem a verdade,mais acima de tudo conota a ignorância, proposital ou não.Estudem então.

A QUEDA DO IMPÉRIO…ROMANO?

Absolutamente não, pois este caiu alguns séculos atrás.Trata-se do império onde todos os campeonatos nacionais profissionais levam a denominação pomposa e arrogante de World Championship, sem mais nem menos. O Congresso norte-americano pega fogo com as comissões que discutem o uso dos esteróides nas equipes desportivas,inicialmente no beisebol, com uma repercussão avassaladora.Pensam,inclusive, em anularem recordes alcançados por atletas declaradamente dopados.Dois anos atrás houve um ensaio junto a atletas famosos no mundo do atletismo, com punições exemplares, mas nada se compara ao que vem ocorrendo qundo a abordagem incide no esporte nacional,o beisebol. Problemas ocorridos com o futebol americano têm sido roteirizados para o cinema e para a TV em series de grande impacto,retratando a dolorosa realidade das drogas no seio daquela modalidade que é a paixão do torcedor americano. O baquetebol tem escapado das sindicâncias do govêrno,mas não por muito tempo,pois a negativa das grandes estrelas em defender o país nos Jogos Olimpicos tem deixado grandes e interrogativas questões no ar, mesmo tendo a administração da NBA um programa de reabilitação para aqueles jogadores que eventualmente forem pegos no uso de drogas e estimulantes. Pela importância social, política e educacional destas modalidades junto a população americana,principalmente os jovens, é que o Congresso resolveu intervir numa limpeza ética voltada aos altos valores representados pela atividade desportiva.De muito já se sabia da existência destes problemas no desporto americano,
e muitos cronistas e especialistas,não só americanos, mas também os estrangeiros já
vinham colocando sérias dúvidas às últimas conquistas americanas em torneios e competições internacionais,inclusive as Olimpíadas.Para uma nação que reinvidica, quando não impõe,uma liderança política mundial,tais situações a fragilizam perante o concerto das nações,que põem em dúvida a lisura de seus líderes.E toda essa discussão e intervenção por parte do Congresso Americano dá-se por sobre fortissimas e poderosas instituições,que movimentam alguns bilhões de dólares anualmente,e que influenciam milhões de indivíduos pelo mundo afora.Mas para nós o que poderá representar tais comportamentos e relevantes questões.Creio com grande dose de certeza,que o atual momento do nosso basquetebol poderia tirar algumas lições práticas,objetivas e principalmente voltadas a nossa realidade,que teima em copiar o que considera perfeito de aqui empregar, sem as devidas análises, adaptações e até mesmo negação pelo modêlo que eles adotam, que é fundamentado na extrema riqueza e real poder de suas instituições, às quais não podemos rivalizar. Tudo que emana e é divulgado pelo mundo pela NBA tem como condição básica o dominio de seu modêlo, que vai do sistema de jogo até o padrão dos uniformes, e que o fazem com regras próprias que antagonizam às da FIBA, sem que esta,que representa o restante do mundo, tenha força politica para obrigá-los a seguirem suas normas técnicas. Em poucas palavras,se impõe ao largo das regras internacionais, utilizando outras que exequibilizam sua forma de jogar.E é exatamente essa forma peculiar de jogo que vimos adotando nos últimos 20 anos.O resultado aí está perante todos. Mas o mais grave são os efeitos gerados em algumas gerações de jogadores,inclusive os que atuam nesse momento na NBA, com ganhos anormais de pêso e massa muscular(um deles foi punido por uso de esteróides no último pré-olimpico), e contusões articulares pelo excesso de musculação incidindo em suas musculaturas elásticas e de boa explosão, para transformá-las em usinas de força e choque.Os argentinos campeões olímpicos atuavam,e ainda atuam na Europa, exceto dois que o fazem na NBA,mas não se notam nos mesmos mudanças em suas estruturas físicas.A Argentina optou pelo exemplo europeu, que segue as regras internacionais e o sistema de jogo baseado na velocidade e na explosão muscular.Não foi por acaso que a final olímpica teve a Itália e a Argentina como protagonistas.Infelizmente,nossos técnicos escolheram o modêlo americano,num equívoco monumental, mas que bem explica o altíssimo teor de subserviência colonial a que fomos expostos até os dias de hoje.A maior lição que poderiamos tirar de tudo o que vem ocorrendo e ocorrerá na estrutura do desporto profissional norte-americano, é a
constatação,não tão tardia,de que é o pior exemplo que ainda teimamos em seguir,e que
se inteligentes formos, poderemos restabelecer nosso verdadeiro caminho,nossa verdadeira vocação, a de sabiamente tirarmos proveito de nossas deficiências sociais,
educacionais e econômicas, enfrentando-as com soluções nossas,aquelas que sabemos administrar,desenvolver e organizar,ou seja, precisamos reaprender a administrar nossa pobreza, que é a nossa realidade, pelo menos por enquanto. Com sabedoria,bom senso,muito estudo e coragem voltaremos ao nosso lugar,de onde nunca deveriamos ter saído.Um bom começo é a união de todos para um bem comum, que não pode se manter como uma impossibilidade, a não ser para alguns que dela se beneficiam.